domingo, 14 de agosto de 2022

Aos Pais...

 
Blog  Maçayó

Edição   nº 502

 Tema das Imagens : Pais
 
 

 LEITURA   DE   DOMINGO
 
  UM ERRO NÃO JUSTIFICA O OUTRO!

          Era final de inverno, as chuvas caíam com intensidade, clima penetrante, mas o sol insistia em mostrar os seus raios dourados, pedindo passagem para resplandecer. Certamente, a natureza não compactuava com aquele momento de tristeza e sofrimento... O jovem, Henrique, vestia preto em sinal de luto pela repentina morte do amigo de infância.
          Henrique permaneceu, todo tempo, ao lado do caixão do amigo durante o velório. Ficou chorando alto sem se incomodar com as outras pessoas, tinha necessidade de expressar sua dor pela ausência do amigo querido. Ficou olhando atônito para a face sem vida de Hélio que, inerte, jazia no caixão. Gesticulava, constantemente, como se estivesse dialogando com o falecido. Passava às mãos pelos negros cabelos que insistiam em cair, colocando-os um pouco acima da testa, como se estivesse ansioso por algum motivo... Henrique e Hélio eram sócios em uma empresa de telecomunicações. Hélio precisou viajar a negócios e veio a falecer em um acidente de carro. Henrique se sentia culpado, principalmente porque havia discutido com Hélio, no mesmo dia do trágico acidente. Seu momento de emoção foi quebrado pela presença da irmã de Hélio, que chegou junto dele, e disse-lhe:
          - Henrique, você não podia ter discutido com meu irmão naquele fatídico dia, agora ele está morto, por sua causa. O que você faz aqui?
          Henrique olhou diretamente nos olhos da jovem que permanecia à sua frente, e respondeu-lhe:
          - Eloisa, por favor, não foi intencional! Você sabia que Hélio vinha gastando horrores e estávamos a ponto de uma falência. Você, melhor que ninguém sabe o quanto, eu e Hélio, éramos amigos. Eu estou aqui velando o meu amigo de infância.
          O rapaz, soluçava e falava ao mesmo tempo. E ficava repetindo:
          - Eloisa, eu não causei o acidente, apenas deixei para Hélio resolver as questões pendentes sobre os débitos da empresa. Afinal de contas os débitos foram provocados por ele.
           A jovem irmã do falecido gritava feito louca:
           - Um erro não justifica o outro! Mas eu passarei o resto da minha vida desejando a sua morte! Deveria ser seu este momento fúnebre.
           Henrique já não suportava tantas agressões verbais; resolveu respirar um pouco de ar puro, mas a jovem Eloisa foi atrás dele, proferindo-lhe palavras vingativas e de mau gosto. O rapaz não suportando mais ouvir tantos palavrões, pegou seu carro, e saiu voando em disparada por estrada afora... Depois de quase uma hora dirigindo sem interrupção, resolveu parar para descansar um pouco. De repente, sentiu um grande impacto do seu lado esquerdo. Um trator desgovernado bateu de cheio no automóvel do rapaz. Henrique ainda chegou a ser socorrido, mas morreu poucos minutos depois devido a gravidade dos ferimentos.
              O tempo passou... Eloisa, única família do falecido, assumiu a gerência da empresa, "Henrique & Hélio Telecomunicações Ltda". E assim, tudo se normalizou, na medida do possível.   
              Certo dia, Eloisa foi para uma palestra ligada a área de telemarketing e um slogan chamou à sua atenção na entrada da sala de eventos, que dizia: "Um erro não justifica o outro". A recepcionista do evento, se aproximou dela, e disse-lhe:
          - Senhora, posso ajudá-la?
           Eloisa olhou para a jovem atendente, e respondeu-lhe:
           - Não! Acho que um cisco caiu no meu olho. Com licença!
          Eloisa, extremamente emocionada, se afastou e chorou ao se recordar daquele terrível dia de inverno, deu meia volta e foi para casa com um sentimento de culpa.

Elisabete Leite - 06/08/2022.
 
 SEM LUZ e SEM VIDA

A noite descia escura, triste e fria!
As estrelas não brilhavam no céu,
Vagavam infelizes, por lá perdidas
De um lado a outro, corriam ao léu...

A morte chegou súbita e inesperada!
Roubou-lhe sim, toda alegria de viver
A dor era companheira de caminhada
Não deixando mais olhar o amanhecer...

Aquele instante não saiu da memória!
Machucava, sim, a alma de muita gente
Oh morte, tu partiste uma bela história!
Não deixando um jovem seguir em frente...

Um momento de grande vazio e solidão!
Longa noite de escuridão, sem forte calor
Chagas abertas faziam doer o coração
Ah! Era impossível esquecer tanto horror.

Elisabete Leite
 
  ENCONTRO   DE   POETAS
 
 Soneto: Tempestade

O náutico de face a tempestade
Revolta e de pulsante maresia,
Sublima em pensamentos de poesia
Pesares dolorosos da saudade.

- Na alcova do passado e da vaidade,
Serei reminiscência que irradia
Ardor no coração que me jazia,
Se içado na insulante eternidade?

Ah, o fado por amante me conhece!
E amante, transmutado em argonauta,
Navego com saudade que enternece.

Que o alento fulgurando na ribalta,
Do palco dos desejos e da prece,
Abate o maremoto que ressalta.

                            @marujo_poeta
 
 Soneto: Peregrino

O mar na encarnação do navegante
Deságua sob falésias regeladas,
De artérias combalidas, ancoradas
Na valva do desânimo constante.

Mas o âmago flameja dissonante,
E luta com potências desveladas,
Trazendo o reviver nas enxurradas
Vulgares da adrenal arrebitante.

Hormonas abrasando de paixão...
E os olhos, cintilantes, de menino;
Arautos verdadeiros da emoção!

Que o nauta navegando peregrino,
Se rende na mesmérica atração
De corpo feminil, primaverino.

                           @marujo_poeta
 
 
 Olhos de nascente, anseias ser rio
Derrame basto em leito perene
Segue teu curso, face ao desafio
Manter-te firme; marchas solene

De teus olhos, riacho se forma
Outro rio vês durante o caminho
Áquea sílaba; busca uma forma
Em teu curso caminhas sozinho

Canta em teu flume; essa solidão
Olho teu de nascente, bri, gach, breg
Segue teu curso nessa imensidão

Tal fluidez, água em ti se enxergue
Cantas sereno teu ser em expansão
Segues ao mar; que teu corpo albergue

Rio que passa
 
 Pensamento sem falar entre si
Um apartheid, com fronteiras na mente
Inviável apesar de ser free
Em liberdade, não anda, é dolente.

Mútuo parto se faz incompleto
Pelo fado segue separado
Ser mui bivitelino, um deserto
Mãe solidão, filhos apartados

São carneirinhos, sem lã, tosados
Nuvens soltas, não têm fundamentos
O sol velam, em noites, cismados

Saltam cercas irreais, sedentos
No afã de viver realidade
Porém sonham eternos tormentos

Rio que passa
 
 
PAI

Erraste na hora desse ato sem amor!
Sei que existiu exploração sem pudor.
Tu, pai, foste apenas meu genitor
Que não me assumiu e nem me aceitou.

Já não tive o direito de te chamar de pai
Por alguns minutos fui tua sem saber
No momento da concepção, em alguns meses
Há apenas nove meses tua filha ia nascer.

No dia 24 de Julho de um ano qualquer
Foi neste dia, pai, que eu nasci,
Nasci para ser amada e para te amar

Queria conhecer o mundo, e mais, com você
Ter um lar, ser feliz a o lado dos meus pais
Mas, tudo isso foi impossível de realizar!

Rita de Cássia Soares
Pirpirituba 1989
 
Lembranças do meu pai

Meu pai era advogado
Inteligente e, até, brilhante...
Além disso era, também, poeta
Boêmio e, às vezes, extravagante...

Nos assuntos do seu trabalho,
Era sério e, sempre, pontual!
Mas, final de semana, violão
E "biritas" a mais, era fatal!...

Tocava, cantava, fazia versos,
Declamava, muito bem...
Emocionado, ia às lágrimas
E ficava feliz como ninguém...

Ensinava, sempre, aos filhos
O otimismo pois, tudo passa...
Às vezes o que queremos não  acontece,
Para evitar uma desgraça...

O Alzheimer roubou-lhe anos de vida.
A música, foi sua última memória...
Cantei, ao violão, com ele, sempre!
Até o fim da sua história!!!

 ❤️Tásia Maria


 MEU PAI

Acabei de chegar, feliz e Radiante
Não quis abrir os olhos, meu pai
Mas, não é por nada, não!
É que eu tive medo do ambiente
Bem diferente do que era antes.
A bolsa que me abrigava
Era quente e acolhedora
Só depois do teu abraço
Senti o calor daqui de fora.
Cala-me os gritos de rebeldia!
É que eu tenho fome do leite
Que mamãe guardou pra mim
Assim como tenho do teu amor
Que hoje é meu e será até o fim.
Sinta-me como mamãe te sentiu
Quando do leito que eu fui gerado
Ninguém jamais se permitiu
Amar como eu fui amado.
Educa-me mediante os teus conceitos
De honestidade, para honrar teu nome
Sou teu filho, guarde-me em teu peito
Por ti também serei um grande homem!

Socorro Almeida
Recife, 2018
Do livro Mulher de Todas as Rimas, Ehs Edições/Recife.
 
  MEU FILHO, MEU REI

Nunca volto atrás, sou a palavra paterna
Embalo teu peito, repouso teu corpo
Como todo pai, sou teu trono
E te faço sentir-se um rei.
Te castigo e te ensino a ser pequeno
Mas, gigante em minha alma
Por seres carne da minha carne
Sangue do meu sangue!
Segue o meu exemplo
Cuida dos teus caminhos.
Meu tapa em teu rosto é o meu carinho
E o meu carinho é o teu futuro.
Onde quer que estejas
E aonde quer que vais
Cuida da minha palavra, que é de lei
Seja um homem, meu filho
Pra que sejas sempre meu Rei!

Socorro Almeida
Recife, 2019
Do livro Meu Caminho
Ehs Edições, Recife/PE.
 
 
 PAPAI, MEU REI!
Por Baltazar Filho


Meu velho ferreiro e guerreiro, homem de caráter e honesto.
Trabalhar com ferros foi a sua primeira profissão
Aprendeu o ofício por curiosidade e necessidade
As consequências da vida lhe formou em um grande cidadão
Não teve estudos, mas lhe sobrava sabedoria e educação.
A inteligência no ofício que exercia, era a sua ferramenta.
Meu velho, o meu herói, meu grande conselheiro.
Não teve formação nos estudos, mas nos deu lições de vida com sabedoria.
Um ser humano caridoso, muito hilário e solidário
O Rei das chaves! Assim era conhecido e por todos respeitado.
Se reciclou e aderiu a profissão de ferreiro, foi ser mecânico e chaveiro.
Perito em abrir cofres, esse foi o seu maior segredo.
Um paizão! Nosso maior orgulho, por seus filhos muito amado.
Dedicou a sua vida a família, nos honrou com maestria, eternizando o seu legado.
 
 Meu Pai (Carlos Isaac)

Por que será meu pai que eu nunca consegui
Em toda minha vida te dedicar um verso?
É um mistério que me traz esse universo,
Já que os teus bons exemplos eu segui.

Mastiguei sem querer, as duras penas,
Sem ti "o pão que o diabo amassou ",
Sofri meu pai, mas o que passou, passou,
E hoje em mim, só recordo belas cenas.

Fostes meu pai, uma célula fecunda,
De um inverno que com ele se inunda,
Novas águas que traduzem toda fartura.

De tua morte meu pai, talvez eu esqueça,
Dorme teu sono em paz pra que eu mereça
Ser embalado junto a ti na sepultura.
 
   Cantinho    do    Editor
 
 MELHOR PAI DO MUNDO
Elisabete Leite


           Falar do meu pai, Jessé Horácio Leite, é falar de muitas coisas ao mesmo tempo, de vários sentimentos vividos e sentidos, grandes virtudes, e boas ações, reunidas em uma única pessoa...
Como definir alguém que é o próprio amor personificado em figura de gente; é o mesmo que falar da Luz do Bem que resplandece no coração das pessoas. Pois, papai Jessé  era um Ser Humano incrível, uma pessoa iluminada, pai exemplar, homem honesto, digno de respeito, íntegro, um amigo sincero e notável confidente.
Foi ele quem me ensinou as primeiras orações em Família. Jessé foi um homem de muita Fé, portador de vasto conhecimento sobre a vida. Na verdade, um pernambucano nato! Ele conseguia passar edificantes ensinamentos ao longo do dia; suas lições diárias eram de grande relevância, pois para mim, eram centelhas que iluminavam o meu dia a dia. Ele transmitia às pessoas ao seu redor, como também para os integrantes da sua prole, seus filhos amados, a importância de Deus na vida de cada um. Ele falava muito pouco, pois tinha o dom de saber ouvir; em sinal de respeito ele permanecia em silêncio quando, dona Lourinete Leite, sua esposa falava. Foi e sempre será o melhor pai do mundo. A melhor pessoa que já conheci fraternalmente.
Lembro-me, como se fosse hoje, dos seus cabelos brancos, como capuchos de algodão, que expressavam toda a sua sabedoria e significavam sua experiência de vida.
Agora, ele brilha no céu, e continua ensinando aos anjinhos a melhor maneira de rezar. Sinto muito sua falta, mas sua presença em minha vida se eternizou no meu coração.
Papai sua missão, aqui, nessa terra foi cumprida, o senhor soube passar todos os seus recados com brios. Digo-te, Jessé Horácio Leite, que seu legado está escrito nas estrelas que continuam brilhando pelo infinito do universo.
Eu te amo papai! Saiba que eu jamais esquecerei de todos os seus ensinamentos e por tudo que vivi ao seu lado, pois teu sorriso me passava confiança. Porque o meu amor pelo senhor vai além da eternidade.
Hoje é um dia muito especial, e segue a minha homenagem para ti e para todos os pais do mundo!

Parabéns a todos!
Feliz Dia dos Pais!
  

Quantas Saudades Pai
Querido Pai.


Querido Pai, minha bênção.
Quantas saudades Pai.
Queria estar ao Teu lado,
Para contar tudo o que sinto
E ver aquele sorriso
Que acalma até tempestades.

Querido Pai, como te amo.
Imensuravelmente eu te amo.
Mas um novo amor surgiu em mim,
Diferente deste nosso amor,
Tão profundo quanto, mas tão diferente,
Não maior nem menor,
Simplesmente diferente.

Querido Pai, quantas saudades,
Quantas lembranças.
Sei que estás em mim
Independente da distância.
Vou te confessar uma coisa:
Hoje aprendi
Que não se mede saudade
Por distância.
A unidade que mede saudade
Chama-se amor.
E quanto maior o amor
Maior a saudade,
Independente da distância.

Querido Pai, minha bênção.
Como te amo.

Jorge leite
Junho de 1990
 

Quantas Saudades Pai
O Topógrafo que não dormia.
Parte 1


A vida a cada instante nos prega peças.
Há tanto tempo convivia,
E não sabia
Que o topógrafo não dormia.
Visitava o Topógrafo,
Dava a bênção, conversava,
Só não percebia
Que o Topógrafo não dormia.

Hoje chega às minhas mãos
Seu Caderno de Notas,
O Sono,
Do Topógrafo que não dormia.

Fico triste, cabisbaixo,
Por só hoje perceber
Que por trás daqueles olhos
Havia um homem triste
Havia uma alma distante
Havia um ser errante
Havia um topógrafo
Que não dormia.

E saber
Que este topógrafo era meu Pai,
Fico danado da vida
Por ter sido incapaz,
De ver além de seus olhos
A solidão de um homem
Que nunca estava só.
A dor de um homem
Por estar só.

Recife, 22-02-2006 Jorge


 
O coração dói

Hoje estou muito só.
As lágrimas escorrem em meu rosto.
O peito aperta,
Meu coração dói.

Sei que estou certo,
Preciso enfrentar minha dor.
O peito aperta,
O coração dói.

As paredes do quarto
Parecem chorar comigo.
Não me consolam,
Sentem minha dor,
Dão-me força para continuar.

E lá no fundo,
Bem lá no fundo de meu coração
Você surge.

Lágrimas escorrem em meu rosto.
O peito aperta,
O coração dói.
Não quero nada.
Só o direito de amar.

Jorge

 


 
 
                                        Escolha do Editor

  • “NÃO ANDE ATRÁS DE MIM, TALVEZ EU NÃO SAIBA LIDERÁ-LO.
  • POR FAVOR, NEM ANDE EM MINHA FRENTE, TALVEZ EU NÃO SAIBA SEGUI-LO.
  • ANDE AO MEU LADO PARA QUE JUNTOS POSSAMOS CRESCER E GALGAR OS DEGRAUS DA ELEVAÇÃO DA CONSCIÊNCIA.”  –   Provérbio Sioux