sábado, 31 de março de 2018

Conversa que deveria ser em volta de uma mesa de bar.




“Conversa que deveria ter em volta de uma mesa de bar.”

 “O trabalho compensa, após 42 anos de serviço público recebo 2 camisas das recepcionistas da pediatra. Abraços e cumprimentos dos funcionários, mas da diretoria recebo o título de Não Vinculado à Prefeitura (NVP); título que me dá o direito de não chegar perto da Barros Lima, assim falou a Diretora Médica”.



“Quem perde não é o senhor Pai, pois está lá não agrega nenhum conhecimento ao senhor, mas está lá agrega felicidade e saúde para família de pessoas que apenas queriam o atendimento de qualidade no serviço público, como já escutei uma vez...

-Jorge? Por que você não vai trabalhar em um hospital grande em particular, você é um ótimo médico.

-Pessoas que não tem uma condição boa não podem ter um ótimo médico?

E então?! Quem perde são eles, depois de 42 anos de serviço público está desperdiçando o melhor prestador de serviço médico que o serviço público já teve. Parabéns pelos 42 anos. E que a aposentadoria chegue logo, para que possa diminuir essa carga horária e aproveitar um pouco de tempo livre, tratando dos seus hobbies, suas plantas, seus livros, seu computador... Todos eles lhe esperam. 🎉🎊🎁🎊🎉🎁



Essa mensagem acima, com a foto das camisas, envie para meu filho Matheus, a segunda mensagem ele enviou para mim. É um ciclo de 40 anos que se encerra. São 40 anos como Servidor Público Federal, concursado. Admitido em 17 de junho de 1977 e aposentado em 02 de abril de 2018. Um dia ouvi de um colega médico neurologista: “Jorge você é um ótimo clínico, por que você só atende pobre” e eu lhe respondi de imediato “pobre não pode ter um bom médico? “.

Em uma outra oportunidade estava consultando um senhor de uns 70 anos, com uma úlcera na perna, que ao examinar tocando em volta da úlcera, o senhor começou a chorar. Vendo o paciente chorando lhe perguntei: Vô porque o Senhor está chorando? E ele respondeu: “Doutor eu tenho essa ferida há mais de 15 anos, e nunca ninguém pegou na minha perna”. Isso aconteceu no Recife, no Hospital Oscar Coutinho. Um hospital que só ia quem já não tinha mais onde ir.

Hoje entendo porque um dia minha mãe chamou seu filho, de 16 anos que queria ser engenheiro, e disse: “Jorge você vai ser médico, você tem uma missão a cumprir, cuidar dos pobres e velhos. Você não vai ser rico, mas é sua missão”. É quem não quer ser rico? Minha mãe analfabeta, que estudou no Mobral, e nós filhos a ensinamos a ler e escrever seu nome, não precisava ser tão sábia, mas era. Acertou em cheio, não sou um homem rico materialmente. Vivo bem.

São tantas histórias que a vida escreveu. Nesses 40 anos como Funcionário Público Federal e 44 anos como médico que daria um bom livro. Quem sabe um dia o Violeiro Mineiro Capiau o escreva para mim, sonhar não custa. 
 As mensagens abaixo são de colegas plantonistas:



Danielle: “Oi, Jorge! Amanhã quem vai por mim é Ana Karina. Já avisei para ela render o plantão. Não tive como te dar um abraço de despedida na segunda. Desde agora já estou com saudade. Estou feliz por você, mas ao mesmo tempo de coração partido por estar perdendo meu parceiro do plantão. Você vai fazer muita falta. Tenho um respeito e uma admiração imensa por você. A convivência foi curta, mas aprendi muito com você nestes últimos 12 meses. Pena que você e Vera não podem ficar. Mas a gente se encontra pelas circunstâncias da vida. E se precisar de mim, é só ligar, mandar WhatsApp ou me procurar no Barros Lima. Não se esqueça da gente 😊😘😘😘


 Kátia: “Jorge, parabéns por sua aposentadoria!!!!

🍾🥂👏🏻👏🏻👏🏻



Muito merecida, entretanto vai nos deixar com saudades.

Obrigada por tudo, grande amigo e grande colega de plantão, companheiro em todos os momentos.

👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻



Danielle: “Verdade Katia. Companheiro para todas as horas mesmo. Eu e ele formávamos uma grande dupla no plantão. Também vou sentir saudades



Adriano: “Felicidades pra você Jorge. Dever cumprido 🙏🏻

Desfrute do seu tempo da melhor forma agora 🤩

Aproveite a vida e um forte abraço

Nossa amizade continua além do trabalho e do tempo. Quanto a discordar faz parte do diálogo e da própria amizade.

Parabéns e felicidades 👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻🍾🥂



Cybelle: “Jorge agradeço todos os plantões que trabalhamos juntos, deixará muita saudade, cumpriu muito bem seu papel, agora é descanso merecido. Deus continue lhe iluminando. 😘😘😘😘



Publico essas mensagens e faço alguns comentários no decorrer da página para demonstrar o sentimento dúbio que toma conta de mim. Alegria e vazio ao mesmo tempo. Não colocarei muitas imagens hoje. A vida é um palco com cenas de extrema alegria e outras tantas com intensa dor. Muitas coloridas e outras em preto e branco.

Minha vida é composta por ciclos, ciclos bem determinados, e como disse uma amiga esses dias, meu ciclo da Barros Lima se encerrou.

Quando deixei São Paulo em 1991, fim de um ciclo que se iniciou no dia 5 de janeiro de 1975 e terminou em 5 de agosto de 1991, escrevi um poema (vou chamar assim) com o título “O que deixar aos amigos.” Hoje faço a mesma pergunta: “O que deixar aos amigos.”



Fico devendo a publicação dessa poesia, publicarei o mais breve possível, assim que encontra nas minhas lembranças.



Um Bom Sábado e Feliz Páscoa a todos.



Jorge Leite em 31 de março de 2018.



sexta-feira, 30 de março de 2018

TORMENTA EM ALTO MAR


TORMENTA EM ALTO MAR

          O luar prateado resplandecia, por entre os coqueiros, iluminando a exuberante colônia de pescadores: Mar de Aventuras, um local aconchegante, com casinhas em cores diversificadas, muita relva verdejante nos arredores e um vasto oceano, onde se abrigam várias espécies de animais marinhos; uma torre onde um farol servia de orientação aos navios e barcos, para que não colidissem com os enormes rochedos semissubmersos. A pesca é o meio de sobrevivência, predominante, dos moradores daquele lugarejo.
           Em uma noite primaveril, fascinante... O jovem Antônio, homem determinado em seu ofício de pescador, estava se preparando para mais uma noite de trabalho ao mar; conferia o barco, na parte interna e externa, conferia, também, as velhas redes; certificando-se, pessoalmente, se tudo estava sobre controle, ao lado de seu cachorro Totó, companheiro das lidas diárias, que era tão importante na pescaria quanto uma pessoa humana. (Sabe-se que os animais possuem sentidos muito mais aflorados que os humanos e, graças a eles, podem captar o que está para acontecer com o clima, de forma antecipada). Antônio, logo pensou: “Com um luar deslumbrante assim, a pescaria promete.” Respirou fundo, enchendo os pulmões do ar impregnado pelo forte aroma da maresia. Observou o mar: somente calmaria. Finalizadas as tarefas de preparação, se deitou na areia fina da praia de São Miguel dos Milagres, pretendendo descansar um pouco, enquanto aguardava seus amigos de empreitada: José e Paulo. Preocupado, ele precisava ter êxito na pescaria, naquela noite, pois que seu, pouco, dinheiro em caixa não daria para pagar os compromissos e para comprar o essencial para a família, pois o que vinha do mar era a sua única fonte de renda. Sentiu o coração apertado, palpitante... Com as pálpebras semicerradas, pelo peso do cansaço que se transformava em sono, entrevia o brilho do planeta Vênus, tão próximo à lua, que parecia um rebento, ou uma extensão dela mesma... de repente, o pequeno planeta se agigantou em uma onda enorme que investia sobre ele e seus amigos. Rosnavam os ventos sobre seus braços, que tentavam segurar o leme, e se transformavam em espumas e granizo, que atacavam sua pequena embarcação e seus companheiros... Assombrado, quedou-se, de joelho, sobre o convés, e implorava aos Céus: “Piedade! Não deixem que eu morra sem que meus filhos estejam criados; antes que possam ser ‘donos de seu próprio nariz’, quando possam cuidar de si mesmos e de suas proles” ... De repente, um clarão rasga o céu... ainda, por isso, com maior pavor, imaginava ser o fim de tudo; onde um raio o exterminaria; mas, em meio ao clarão, viu uma figura branco/reluzente, que lhe dizia: “Força e Fé! Deus não desampara os humildes, que colocam nele sua confiança e sua vida”! Pasmo, ouviu outra voz, dessa vez conhecida, que chamava: “Toinho, deixe de folga! Já se faz hora de nos lançarmos ao mar!” Abriu os olhos e viu que era o José, ou o “Zé Precata”, como costumava chamar, pois que sempre andava calçado com uma chinela de couro cru...
        - Cê tá parecendo assombrado, companheiro... Disse, em seguida, o Zé Precata...
          - É que estava em um pesadelo, onde nós sofríamos muito, sob uma tormenta violenta...
          - Bobagem... Sonhos sempre acontecem ao contrário... e vamo-nos logo, hoje, a noite promete, quando temos Lua Cheia, a luminosidade, mais intensa, faz com que os peixes subam para mais próximo da superfície, o que nos facilita a captura. Dizia Paulo, que chegara junto com o Zé.


          Mesmo ressabiado, Toinho ajudou seus companheiros a colocar o velho barco no mar e, seguiram para mais uma noite de aventuras, como foram a suas, inúmeras, pescarias. Já bem afastados da costa, de onde não mais viam o brilho das lâmpadas do povoado, Totó começou a latir, como se em desespero; então Toinho começou a perceber que o mar estava ficando agitado e que, grossas, nuvens começavam a tingir de negro o horizonte. Era sinal de tempo ruim! Logo começou o vai e vem das maretas, e o agigantar das ondas... ficando, cada vez mais, complicado manter o barco no prumo. Totó latia sem parar... Com as ondas altas, o barco poderia se deixar à deriva, com perigo de se afastar para uma zona desconhecida e perigosa... O desespero, quase ao pânico, dos pescadores, se tornou visível...
          Toinho assumiu o leme, mesmo sabendo que, em meio à uma tempestade, ele se torna obsoleto... Chamou por seus companheiros, mas não ouviu nenhuma resposta... A cortina de água que se formou dificultava sua visão, a ponto de não poder localizar nada, nem seus companheiros... Mais ainda se afligia, pois, sendo o barco velho, era provável que não suportaria uma tempestade duradoura. Segurava o leme com toda a força que lhe era possível, para que não girasse, à deriva, e perdesse o rumo definido... De repente, surge à frente uma onda gigantesca, mas, antes que atingisse a proa do barco, um clarão turva a vista do pescador... Gritou pelos companheiros, e nada... nem o Totó ouvia latir... Quedou-se, ajoelhado, assombrado e temeroso, sobre o convés... e, naquela posição, voltou-lhe a visão do sonho na praia... Ajuntou as últimas forças e, com lágrimas e suspiros, elevou aos Céus seus pensamentos e, como nos sonhos, repetiu: “Por piedade, não me deixem morrer antes de ver meus filhos criados e felizes!”
             Em instantes as chuvas foram ficando amenas e, a neblina, aos poucos, desaparecendo. Ouviu Totó latir de novo. O barco ficou no prumo novamente. Olhou para todos os lados à procura dos amigos, avistou-os, inertes, abrigados embaixo de uma lona antiga. Disse-lhes:
          - Amigos chamei por vocês, e por que não responderam, e nem foram em meu socorro?
          - Tudo estava pavoroso, sentimos muito medo e nos escondemos aqui. Respondeu Paulo.
          Vamos voltar para casa ou continuar com a pescaria? Perguntou, ainda atônito, o Zé Precata.
          Retorquiu-lhe Toinho:
          - Vamos manter nossa pescaria pois, apesar das chuvas, é importante lembrar que a pesca pode ser tão produtiva como em dias de luar intenso. Vamos esperar mais um pouco e, jogaremos as redes ao mar... Ânimo! Creio que os Céus estão conosco... e intercederão a nosso favor!
          O mar se fez calmo, como nunca antes visto, e os amigos lançaram as redes, que retornaram, quase a se romperem, lotadas de peixes. Um largo sorriso voltou à face rosada de Antônio que, agora, sabia que os Céus não desamparam os humildes, aqueles que põe a Fé à frente de suas vidas.
            Caia a temperatura, quando o sol resplandeceu no horizonte. Era hora de voltar para casa... Os samburás cheios de peixes, definiam o êxito da pescaria... Agora, tranquilos, pois já havia meios de sustento para as famílias; por um bom período...
          Assim é o Mar, a praia, as chuvas, os ventos, a Lua, o Sol... Obedientes e crentes... com Deus e em Deus!
Elisabete Leite – 04/03/2018





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quarta-feira, 28 de março de 2018

E ... sobre o Sol...




E... sobre o Sol...

E eu aqui... olhando pelo semiaberto da janela a melancolia do céu... nem era normal, deixar aberta a janela durante a noite... há muitos insetos..., mas havia o calor...
Voltando à melancolia, eu diria que ela é culpa do dia... ou melhor: do Sol... e eis a explicação para o mau humor do céu, ao alvorecer... pois que, com absoluta razão, o céu não gosta do Sol... como assim??? Ora, o céu brinca, a noite toda, com as estrelas... quando não brinca, observa e ausculta as fofocas entre elas... sim!!! As estrelas preferem a noite, pois que são fofoqueiras... viajam bilhões de quilômetros para fuxicar sobre a vida de um astro... e como dizem mal dos cometas com seus rabos quentes... incandescentes... mente, a “ciência”, ao dizer que o Sol também é uma estrela...   
   
- Nunca!!! diriam elas... pois que as estrelas também não gostam do Sol... e na simples clareza da razão, inversa ou reversa, elas fogem para outras dimensões, quando, no atrever do dia, obrigatório, o Sol se impõe... mesmo sabendo que não é bem-vindo, nem pelo céu, nem pelas estrelas, nem pelo poeta... ah... mas que importa o poeta??? ora... as estrelas e o céu o amam... e, na reta curvilínea da razão direta, poeta e sol nunca combinam... poeta gosta de flores... e o Sol queimou a pétala da flor do maracujá... ah... sim... agora tem a ver a janela aberta... é que o poeta cultiva os maracujazeiros... pois que o Sol (ele de novo?) superaquecia as paredes do quarto... agora, com a camuflagem dos maracujazeiros, amenizou durante o dia... só durante o dia??? pois é... como é difícil se esquivar das malandragens do Sol... lembram que havia o calor??? pois bem... custou o poeta descobrir que o Sol estava se escondendo, não no pressuposto ‘horizonte’, mas sim embaixo de sua cama... apagadinho, camuflado em um sapato velho... ah... sim... explicado agora está o calor intenso na madrugada... e a madrugada também não gosta do Sol... e foi só o poeta deixar a janela aberta e ele ser desmascarado pelas estrelas... Fugiu... e agora está se escondendo no estreito beco entre o muro e a parede do quarto... superaquecendo o quarto... e não deixando o poeta dormir pela madrugada... e, então, na solidão deixada pelo fim da muvuca gerada pela claridade do Sol, o poeta escreve sobre  o amor, sobre as estrelas, sobre a Lua, sobre as flores... mas, por que então a flor do maracujazeiro se fecha à noite, só se abrindo quando é tocada pelos raios do Sol? E por que a Lua segue o Sol, roubando-lhe luminosidade, para que não fique sempre ‘nova’, ou seja: quase escura? É estranho... se todos não gostam do Sol... e se o Sol continua a lhes visitar, a lhes aquecer, a lhes manter a vida... haveria um porquê... e se fosse porque ele é um auxiliar de Deus??? Então seria assim?: Deus dá a vida e o Sol ajuda a mantê-la? Então cantemos, todos nós: poetas, estrelas, Lua, céu, flores... “Que viva o Sol... E que brilhe para sempre!!!”

Violeiro Mineiro Capiau



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