segunda-feira, 5 de março de 2018

Cecília e Florbela - Poetisas da Língua Portuguesa


Cecília Meireles - Batuque - 1963
 Hoje homenageamos nossas mulheres poetas falando um pouco de duas poetisas da língua Portuguesa. A poetisa brasileira Cecília Meireles e a poetisa portuguesa Florbela Espanca.
Parabéns a todas as mulheres desse nosso Brasil-Portugal. 






Cecília Meireles
Cecília Meireles (1901-1964) foi poetisa, professora, jornalista e pintora brasileira. Foi a primeira voz feminina de grande expressão na literatura brasileira, com mais de 50 obras publicadas. Com 18 anos estreia na literatura com o livro "Espectros". Participou do grupo literário da Revista Festa, grupo católico, conservador e anti-modernista. Dessa vinculação herdou a tendência espiritualista que percorre seus trabalhos com frequência.
A maioria de suas obras expressa estados de ânimo, predominando os sentimentos de perda amorosa e solidão. Uma das marcas do lirismo de Cecília Meireles é a musicalidade de seus versos. Alguns poemas como "Canteiros" e "Motivo" foram musicados pelo cantor Fagner. Em 1939 publicou "Viagem" livro que lhe deu o Prêmio de Poesia da Academia Brasileira de Letras.
Cecília Meireles (1901-1964) nasceu no Rio de Janeiro em 7 de novembro de 1901. Órfã de pai e mãe, aos três anos de idade é criada pela avó materna, Jacinta Garcia Benevides. Fez o curso primário na Escola Estácio de Sá, onde recebeu das mãos de Olavo Bilac a medalha do ouro por ter feito o curso com louvor e distinção. Formou-se professora pelo Instituto de Educação em 1917. Passa a exercer o magistério em escolas oficiais do Rio de Janeiro. Estreia na Literatura com o livro "Espectros" em 1919, com 17 sonetos de temas históricos.
Em 1922, por ocasião da Semana de Arte Moderna, participou do grupo da revista Festa, ao lado de Tasso da Silveira, Andrade Muricy e outros. Nesse mesmo ano, casa-se com o artista plástico português Fernando Correia Dias, com quem teve três filhas. Depois que ficou viúva casou-se com o engenheiro Heitor Vinícius da Silva Grilo. Estudou literatura, música, folclore e teoria educacional. Colaborou na imprensa carioca escrevendo sobre folclore. Atuou como jornalista em 1930 e 1931, publicou vários artigos sobre os problemas na educação. Fundou em 1934 a primeira biblioteca infantil no Rio de Janeiro.
Entre 1936 e 1938, foi professora de Literatura Luso-Brasileira na Universidade do Distrito Federal. Em 1940, lecionou Literatura e Cultura Brasileira na Universidade do Texas. Profere em Lisboa e Coimbra, conferência sobre Literatura Brasileira. Publica em Lisboa o ensaio "Batuque, Samba e Macumba", com ilustrações de sua autoria. Em 1942 torna-se sócia honorária do Real Gabinete Português de Leitura do Rio de Janeiro. Realiza várias viagens aos Estados Unidos, Europa, Ásia e África, fazendo conferências sobre Literatura Educação e Folclore.
Cecília Benevides de Carvalho Meireles faleceu no Rio de Janeiro, no dia 9 de novembro de 1964. Seu corpo foi velado no Ministério da Educação e Cultura. Cecília Meireles foi homenageada pelo Banco Central, em 1989, com sua efígie na cédula de cem cruzados novos.
Por Dilva Frazão
(Cecília Meireles MEIRELES, C. Antologia Poética. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 2001.)


 Lágrimas ocultas
Se me ponho a cismar em outras eras
Em que ri e cantei, em que era q’rida,
Parece-me que foi noutras esferas,
Parece-me que foi numa outra vida…

E a minha triste boca dolorida
Que dantes tinha o rir das Primaveras,
Esbate as linhas graves e severas
E cai num abandono de esquecida!

E fico, pensativa, olhando o vago…
Toma a brandura plácida dum lago
O meu rosto de monja de marfim…

E as lágrimas que choro, branca e calma,
Ninguém as vê brotar dentro da alma!
Ninguém as vê cair dentro de mim!


 

Florbela Espanca
Florbela Espanca (1894-1930) foi uma poetisa portuguesa, autora de sonetos e contos importantes na literatura de Portugal. Foi uma das primeiras feministas de Portugal. Sua poesia é conhecida por um estilo peculiar, com forte teor emocional, onde o sofrimento, a solidão, e o desencanto estão aliados ao desejo de ser feliz.
Florbela Espanca (1894-1930) nasceu na vila de Viçosa, Alentejo Portugal, no dia 8 de dezembro de 1894. Filha de Antónia da Conceição Lobo, que faleceu em 1908. Florbela é então educada pela madrasta Mariana e pelo pai, João Maria, que só a reconheceu como filha depois de sua morte. Estudou no Liceu, em Évora, concluindo o curso de Letras. Seu primeiro poema é escrito em 1903 “A Vida e a Morte”. Atuou como jornalista na publicação Modas & Bordados e na Voz Pública, um jornal de Évora.
Em 1913, casa-se com Alberto Moutinho, seu colega de escola. Nessa época conheceu outros poetas e participou de um grupo de mulheres escritoras. Em 1917, Florbela foi a primeira mulher a ingressar no curso de Direito da Universidade de Lisboa.
Em 1919, lançou “Livro de Mágoas”. Parte de sua inspiração veio de sua vida tumultuada, inquieta e sofrida pela rejeição do pai. Nessa época começa a apresentar um desequilíbrio emocional. Sofre um aborto espontâneo, que a deixa doente por um longo período. Em 1921, divorcia-se de Alberto e casa-se com o oficial de artilharia António Guimarães. Em 1923 publica “Livro de Sóror Saudade”. Nesse mesmo ano, sofre novo aborto e separa-se do marido. Em 1925, casa-se com o médico Mário Laje, em Matosinhos. Em 1927, sua vida é marcada pela morte do irmão, em um acidente de avião, fato que a levou a tentar o suicídio. A morte precoce do irmão lhe inspirou a escrever “As Máscaras do Destino”.
Outras obras póstumas foram: “Charneca em Flor” (1931), “Juvenília” (1931), “Reliquiae” (1934), “O Dominó Preto” (1983), “Cartas de Florbela Espanca” (1949).
A poesia de Florbela Espanca é caracterizada por um forte teor confessional. A poetisa não se sentia atraída por causas sociais, preferindo exprimir em seus poemas os acontecimentos que diziam respeito à sua condição sentimental. Não fez parte de nenhum movimento literário, embora seu estilo lembrasse muito os poetas românticos.
Florbela Espanca suicidou-se com o uso de barbitúricos, no dia de seu aniversário, às vésperas da publicação de sua obra prima “Charneca em Flor”, que só foi publicada em janeiro de 1931.
Florbela Espanca morreu em Matozinhos, Portugal, no dia 8 de dezembro de 1930
Por Dilva Frazão

7 comentários:

  1. Sensacional homenagem as nossas incríveis mulheres poetas... Cecília Meireles e Florbela Espanca, que muito contribuíram na Literatura Brasil/Portugal. Elas devem ser lembradas sempre, foram musas inspiradoras de muitos poetas. Aprendi a gostar de escrever, lendo as obras de arte de Cecília. Deslumbrada com a página especial do blog. Amo os poemas de Florbela. Parabéns!

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  2. Belíssima homenagem a essas ilustres poetisas merecedoras de aplausos. Mulheres que inspiram e que foram eternizadas, símbolos de belezas. Parabéns ao blog e a nós mulheres! Amei a página.

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  3. Somos homenageadas e devemos homenagear. Essas mulheres magníficas que teceram suas histórias, dentro da Literatura Brasileira e Portuguesa. Hoje eternizadas nos livros que circulam o mundo. Parabéns a nós mulheres e aos homens por nos completarem. Aplausos blog pela iniciativa e reconhecimento. Abraços amigo poeta Jorge...

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    1. Lindíssimo comentário, nobre poeta Flor de Lis! Vocês, mulheres, nos completam, com graça, inteligência, força e beleza. São rosas que adornam o jardim dos cravos, colorindo e perfumando nossa existência. Parabéns a todas as mulheres, em especial as poetas do blog, Elisabete Leite e Flor de Lis, que com os seus poemas azuis mesclam nossa vida. Parabéns ao blog!

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  4. Não posso deixar de dar ênfase à beleza dos comentários publicados por nossos amigos e amigas. Lindíssimo o comentário do amigo Maciel, lindíssimo o comentário da poetisa Flor de Lis. São belíssimos os comentários da poetisa Elisabete Leite, da Karen, da Betânia, Geovanna, Paulo e de todos que complementam as páginas com seus preciosos comentários. Parabéns a todos. Essa Blog é resultado da somatória de nossos esforços, onde colocamos no mesmo nível artigos, poesias e comentários. Parabéns mais uma vez.

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  5. Não posso deixar de intervir e parabenizar a todos, pelos maravilhosos, o poeta Jorge e poeta Maciel disseram tudo. Quero apenas salientar que vocês mulheres são especiais. Quero aplaudir todas, pela leveza, profissionalismo e determinação. Vocês são pontos de Luz que iluminam os nossos caminhos. Beijos no coração de todas.

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  6. Ótima página, em um ótimo blog... Ainda no alvorecer dessa minha existência eu encontrei, jogados às barrancas de um córrego urbano, fragmentos de uns dois ou três livros de Cecília... Nunca me esqueci de seus belos, simples e deliciosos poemas; um deles, pela beleza na singularidade, me vêm à mente, sempre que se fala em Poesia: Marina e Mariana...

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