quarta-feira, 7 de março de 2018

Não se nasce mulher, torna-se mulher ....

Leila Diniz
Ana Néri (1814-1880) foi a pioneira da enfermagem no Brasil


Não se nasce mulher, torna-se mulher
Se fôssemos analisaras diferenças anatômicas e genéticas, seria fácil contestar o que tentarei explicar, ou melhor, o que me foi solicitado explicar. Porém, temos consciência de que não somos simplesmente os nossos corpos físicos, e que essa consciência individual é formada de uma mistura única de influências pessoais, históricas, culturais, geográficas e biológicas. Também temos consciência de que carregamos dentro de nos as experiências em que o masculino e o feminino coexistem e fundem-se.

A criança ao nascer, seja ela do sexo masculino ou feminino, e uma ponte para o não manifestado, e uma ligação para a alma multidimensional. Para compreender esse processo da multidimensional faz-se necessário acreditar que possuímos não um único corpo, mas quatro diferentes corpos que são inseparáveis em suas individualidades. Os quatro corpos são: o físico, o mental, o espiritual e o emocional. É necessário falarmos um pouco sobre cada um dos corpos para podermos entender porque “não se nasce mulher, torna-se mulher “.

O corpo físico é o instrumento da alma, ele está impregnado com suas lembranças, com seus conhecimentos. Ele tem uma estrutura material que contém as emoções do espírito e as escolhas da mente. O corpo mental controla o corpo físico. Ele (o corpo físico) recebe ordens do corpo mental e as desempenha. O corpo físico copia a ordem da mente.

O corpo espiritual é o mais vago dos quatro corpos. Ele não está ancorado no domínio material. O corpo emocional é o que se expressa fisicamente, é o que conhecemos por suas expressões físicas.

Vamos voltar à criança para tentarmos entender o que se falou anteriormente. Quando o corpo emocional se alimenta de informações tais como medo, bloqueios, julgamentos, posicionamentos, os corpos físico, mental e espiritual também ficam presos a essas informações. A criança representa tudo o que está no estado original, mas desde o início impomos conceitos, gestos e maneiras como ela deve se comportar; tais como “menina não fala isso”, “isso não é coisa de menino”. Começamos a moldar um comportamento e proibir ela de se expressar e experenciar.

Com a diminuição da experiência ela passa a registrar os julgamentos negativos, ela passa a julgar. Os bloqueios e as confusões que temos em todos os níveis de nossa compreensão são usados e projetados na criança criando-lhe envoltórios, modelando-a a níveis inconscientes, restringindo e limitando o plano original que ela possui.

 

Dandara foi uma guerreira negra do período colonial do Brasil. Foi esposa de Zumbi dos Palmares.
 A criança passa a ser estimulada pelo emocional, depois passa a escolher o emocional. Em resumo, tudo aquilo que pensamos é o que representamos. O que fazemos é ensinar a criança nossas frustrações, nossos bloqueios, nossas marcas, nossos códigos, nossos “isso pode, isso não pode”. A criança não conhece o “ser homem, ser mulher” não possui o conceito, a separação que criamos.

Diante do que se foi falado até agora poderíamos dizer que “não se nasce mulher, criamos a mulher”. O “torna-se mulher” vai depender das experiências que nos permitirá encontrar o caminho para a compreensão e o relacionamento entre os nossos corpos. A coordenação desses quatro corpos cria a consciência de “torna-se mulher”. Atualmente os nossos níveis de consciência externos possuem uma percepção linear e limitada, que nos faz usar o mental como amortecedor. Somos controlados por nossas emoções e somente podemos descristalizar as emoções que somos conscientes.

É o corpo espiritual que dança com o corpo emocional. O corpo mental não dirige nem controla o corpo emocional. Precisamos encontrar nossos caminhos, vivenciar nossas experiências, mergulharmos em nós mesmos, pois nossa maior riqueza está em nosso interior. O “torna-se mulher” é romper com as dependências e os padrões de respostas do nosso corpo emocional. O que o corpo emocional faz e criar um corpo que representa as existências anteriores que ele carrega. É representar um dos inúmeros e variados repertórios.

O “torna-se mulher” é tomar consciência de que o emocional controla o espetáculo, e morrer para viver enterrando conceitos, padrões, códigos e posturas em troca de experiência e da conscientização de que somos nossos próprios guias. Somos o que queremos ser, e a mulher ao tomar consciência de si “torna-se mulher”.

Jorge S. Leite – SP – novembro de 1990

Esse texto foi escrito a pedido de Cacilda Coutinho ( uma mineira boa de prosa e boa de briga) como tema para trabalho de fim de curso de Assistente Social.
Chiquinha Gonzaga
Tarsila do Amaral

Tarsila do Amaral



6 comentários:

  1. Espetacular seu texto! Vale a pena refletir sobre a temática, assim nos tornamos mulheres moldadas, para o feminismo ou machismo da sociedade... imagens pertinentes dessas incríveis mulheres que formaram suas histórias de vida. Aplausos para uma mavilhosa homenagem. Parabéns!

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  2. Simplesmente maravilhoso texto e imagens... o blog está de parabéns pelas singelas homenagens as nossas mulheres. É por aí a mensagem. Um show de página. Aplausos mil

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  3. Mais uma belíssima página em homenagem a todas as mulheres. Excelente texto, concordo com a mensagem. Imagens significativas e belas. Parabéns! Obrigada por partilhar. Abraços!

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  4. Mulheres, reconhecemos seu valor, independente do motivo, o seu sorriso pode ser de alegria ou de dor... Feliz dia internacional da Mulher! Parabéns a todas! Lindo blog e belíssimo texto. Aplausos. Abraços...

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  5. "Ser Mulher é sempre enfrentar com coragem e alegria todos os problemas da vida". Lindo texto e imagens... Parabéns as Mulheres e ao blog. Abraços

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  6. Linda e expressiva página, um texto bem redigido, que concordo vários destaques, outros só podem ser interagidos pessoalmente. Parabéns pelas mulheres incríveis em destaques. Feliz dia para gente meninas! Abraços...

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