quinta-feira, 5 de abril de 2018

E ... sobre saltos ...

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   A liberdade de expressão é tão importante que podemos colocar lado a lado um escritor genial com seu escrever erudito como Violeiro Capiau, ou uma maneira simples de escrever como o poema que uso nessa página, não para comparar advirto novamente como já fiz antes, mas para expor a liberdade que temos ao escrever, e é essa liberdade que me comprometo a mostrar. 

Glenn Brandy Australia Painting
Glenn Brady Australia Painting
  E... sobre saltos...
Violeiro Mineiro Capiau
 
E, no dia em que eu voava por sobre cadáveres – mais acertado seria dizer: sobre féretros – e, sobre mim voavam as cadavéricas almas dos cadáveres em féretro – vi, por entre as entranhas de uns restos, mortalizados, de uma carcaça carcomida, um pedaço de caco, podre, que discursava sobre os porquês dos “quês” da entrônica morbidez dos andejos, desculpidos, que chamava “vida”... E dizia, em linguagem sepulcral – própria de quem vive os pesadelos de um passado de sombras que almejava o conhecimento sobre a Morte e seus desejos condolescentes – “...Se alguém vos tirasse véus e mantos e cores e gestos, sobraria apenas o suficiente para espantar os pássaros...”
Foi o suficiente, embora não tão eficiente, para eu reconhecer, naquela, féretra, figura: Nist (Seria quase o mesmo que Friedrich Nietzsche, que, naquele malgorado momento em que um Capiau, em estado desviceral profundo, melhor achou chamar, simplesmente: “Nist” (até porque detestava a mania nórdica de complicar nomes que poderiam ser decompostos em um linguajar simples e direto tipo: Frederico Nist ou, abreviatoricamente: Nist. E (que se abram parênteses entre os parênteses pois que (descomplicando e desfragmentando o real sentido das alternúdias proselantrópicas), por assim dizer, os parênteses são parentes das chaves (e, também, das serpentes); por muita fartura que tentasse lhe imputar, quatro, sagradas, letras, de um alfabeto (semianalfabeto (por se atribuir sua origem a uma tentativa de comunicação entre um hindu e um árabe (na conspiratórica desertidão do nada (que tudo queria ser) muito até lhe seriam))), esse mesmo Nist, assim continuava: “... eu caminho com os meus pensamentos sobre suas cabeças; e, mesmo se quisesse caminhar com minhas próprias falhas, estaria ainda caminhando sobre eles e suas cabeças...”
E sempre repetia, ao final de cada, desaproveitável, discurso: “Assim falava o ‘atormentador de camelos’ (...) assim falava o ‘atormentador de camelos’...” até que, quedando-se (se é que havia (para aquela desinformada forma) alguma profundura a mais para cair), sobre si mesmo, entrou em mórbida lassidão, permanecendo semiinerte até quando, de sobressalto (espantalhado pela nova) gritou: - Aaaaaargh! Zaratustra sou eu! Zaratustra sou eu!...
Até mesmo, neste momento, a minha, descompacta, forma, desaparente, quase se fragmenta com o ar, marésico pantanoso, exalado entre as, corroídas, aberrações de verberações... Quase... mas aquilo jamais daria para matar o que já havia morrido, sobrepostamente, três vezes – ou seja, outrossim das palavras: o que, quase, sobrara do que era eu, do que era eu, do que era eu... Reaproximando, para o reatamento do reconhecimento, notei, naquela descompostura de forma (que mais parecia a sobra de uma sombra que voava sobre navios e entrava na, fumalseante, garganta, atrás do Cão de Fogo), algo tão familiar, mas tão familiar, que, na linguagem que mais me soa bem dizer, exclamei, em altos mugidos: “Cruruuuruuuuuuuiiiiiiiz Nist sou eu! Nist sou eu!
Glenn Brady Australia Painting

Mito de Cerberus, O Cão de Três cabeças


Além-Mar 


Barco cortando as águas,
Cortando as ondas,
Cortando o mar.
Barco que traz saudades,
Que traz lembranças,
Do além mar. 


Barco cortando as brumas,
Cortando os ventos,
Cortando o ar.
Barco que traz lembranças,
Que traz saudades
Para sonhar. 


Barco correndo arisco,
Feito um feitiço,
No seu cantar.
Barco da esperança
Quantas lembranças
Do além mar. 


Barco pura saudade
Qual vaidade
No seu bailar.
Barco que me carregas,
Para os teus braços
No meu sonhar. 


Barco quantas lembranças,
Quantas saudades
No seu andar.
Barco minha esperança
É que me leves
Para o além mar. 


Jorge Leite

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8 comentários:

  1. É simplesmente magnífico! O texto que contém uma profundidade ímpar do mestre erudito Violeiro Mineiro Capiau, uma temática difícil de ser aceita na íntegra, pois que a morte náo é aceita facilmente; pode-se está morte vivendo, ou mesmo estando morto sem perceber que morreu, dois contrastes.Já retratando o poema do maravilhoso poeta Jorge, que tece seus lindos versos de forma genial, a ida para Luz, que vai galgando novo degrau na evoluçáo é sensacional. Parabéns a ambos! Um show de página. Aplausos mil!

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  2. Uma página maravilhosa, um deleite de texto literário do amigo Violeiro, um tema profundo e difícil de ser entendido com facilidade, o poeta usa palavras clássicas, que nemtodos conseguem alcançar. O momento poético do poeta Jorge foi tecido com maestria, o caminho da Luz, que todos nós almejamos, porém nem todos tem este merecimento. Lindas e expressivas imagens. Parabéns a ambos.

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  3. Uai... Qui tréin isquisito, esses iscritos do Capiau... Mais, vamo rodando, o tempo tá passano... as coisa se transformano... mais, vale o que o dotô falô.. si é num barco, imbarquemo... se é pra Luz... oiemos... importante é nois oiá pra dento... e no arripidimento... sabê qui nois pode miorá... Brigado a ocêis tudo... ceis são dimais... Fiquem em Deus!

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    Respostas
    1. U Poeta du Sertão
      Catulo da Paixão Cearense

      Si chora o pinho
      Im desafio gemedô
      Não hai poeta cumo os fio
      Du sertão sem sê doutô
      Us óio quente
      Da caboca faz a gente
      Sê poeta di repente
      Que a puisia vem do amor

      Não há poeta, não há
      Cumo os fio do Ceará!

      Dotô fromado, home aletrado
      Lá da Côrte
      Se quisé mexê comigo
      Muito intoncê tem qui vê
      Us livro da intiligença
      I dá sabença
      Mas porém u mato virge
      Tem puisia como quê!

      Poeta eu sô sem sê dotô
      Sou sertanejo
      Eu sô fio lá dus brejo
      Du sertão do Aracati
      As minha trova
      Nasce d'arma sem trabaio
      Cumo nasce na coresma
      Nu seu gaio a frô de Abri

      Não deixa de ser "puisia" e é lindo.

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    2. Coisa boa é nosso jetho
      jetho de nois ispressá
      sabeno qui nossos defetho
      é farci di interpretá

      Pois quem qué qui vê intende
      imbora num seje normar
      mais cunto mais se aprende
      mais faiz a gente gostá

      Do tipe do nosso falá
      tem pôco qui é capaiz
      mais prá nois comunicá

      entre tudo os capiais
      basta só meia palavra usá
      qui fica ispricito prus mais...

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  4. Lindos e expressivos versos poeta amigo Jorge Leite, viajar ao encontro da Luz, ficou perfeito. O texto do Violeiro e profundo e belo. Um temática corajosa! Parabéns a ambos. Jorge, um pedido, poemas com o tema: Devaneios/sonhos. Um forte abraço

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  5. Linda imagens adornam estes versos de elite do amigo Jorge, muito bom seu poema que retrata o caminho da Luz, também gostei do poema 'Um Poeta do Sertáo' do cearence Catulo, versos puros e expressivos. O texto do Capiau é belo e bem erudito, nem todos alcançam o real sentido. Parabéns a ambos. Tudo show na página! Abraços a todos.

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  6. Obrigado a todos! Realmente é expressiva e acertada a colocação do poeta Jorge... Estilos parecidos, em palavras diferentes, abrilhantam, até, meus escritos de Capiau... Abração!

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