terça-feira, 22 de maio de 2018

Quem Sou Eu ... Um Galope a Beira-Mar.



MAELI HONORATO

Nosso Blog, hoje, entra no ritmo do Galope à Beira-mar, com a poetisa natural de Garanhuns/PE, e radicada em Afogados da Ingazeira/PE. Acadêmica da Academia Afogadense de Letras, atualmente reside em São Paulo. É Assistente Administrativa da matriz da FATSHOP de São Paulo.
É com orgulho que apresentamos seu primeiro trabalho em nosso Blog. Seja bem-vinda Maeli Honorato.
 

QUEM SOU EU
(GALOPE À BEIRA MAR)

Eu sou a defesa de meu próprio brio

Semente arbitrária em solo fecundo

Um germinal, mas no ventre do mundo

Sou a criatura que eu mesma crio

Sou palito aceso que acende o pavio

Da bomba que pode o mundo acabar

Quem faz tempo que foi está pra chegar

E minha chegada será logo cedo

Sou arma de fogo na ponta do dedo

Nos dez de galope na beira do mar.



Sou arapuca à espera da presa

Sou o insucesso de sua caçada

Sou coice graúdo de rês indomada

Deixando vaqueiro sem sua destreza

Eu sou a revolta da mãe natureza

Que faz o humano a conta pagar

Serpente que pica o seu calcanhar

No trem da astúcia eu sou passageira

Deixo você sem eira e sem beira

Cantando galope na beira do mar.



Eu sou o corisco que desce ligeiro

Queimando a vazante do agricultor

Nas noites sem lua eu sou o pavor

De quem se atreve sair no terreiro

Eu sou a herança do pé de facheiro

Que fez Lampião seu olho cegar

Sou seca medonha para esturricar

O choro de quem se mete comigo

Do cantador ruim eu sou o castigo

Nos dez de galope na beira do mar.



Do retirante eu sou o cansaço

Que subtrai o seu desempenho

Eu também sou moenda d'engenho

Resumindo a cana a puro bagaço

Sou a força que move a queda de braço

Entre o galináceo e o Carcará

E na tarefa mais árdua do lar

Sou vara de açoite, sou mão de pilão

Com que a roceira castiga o grão

Cantando galope na beira do mar.


MAELI HONORATO -19/05/2018
NOTAS DE RODAPÉ


Galope à beira-mar

O galope à beira-mar foi criado pelo repentista Cearense José Pretinho. Conta-se que ele, após perder um duelo em martelo agalopado, foi retirar-se à beira-mar, e ali, vendo e ouvindo o marulho, imaginou o som de um galope. E fez os versos de onze sílabas (hendecassílabos), com a mesma estrutura de décima (estrofe de dez versos). Manteve o esquema rítmico ABBAACCDDC usual no martelo agalopado.

  • O galope à beira-mar é formado por uma ou mais estrofe(s) de 10 versos hendecassílabos, com o ritmo de tônicas nas posições 2, 5, 8 e 11, ou seja, um iambo e  anapestos.
  • Uma exigência no galope à beira-mar é que o último verso sempre termine com a palavra "mar", no mínimo, sendo preferível terminar com "galope na beira do mar"

Versos hendecassílabos que têm o ritmo semelhante são considerados apenas versos com ritmo de galope à beira-mar, mas não identificados como o genuíno, pela falta dos requisitos exigidos, ou seja, estrofe com 10 versos, última palavra: "mar".


 
Xilogravura de J. Borges - PE

 XILOGRAVURA
Xilogravura ou xilografia significa gravura em madeira. É uma antiga técnica, de origem chinesa, em que o artesão utiliza um pedaço de madeira para entalhar um desenho, deixando em relevo a parte que pretende fazer a reprodução. Em seguida, utiliza tinta para pintar a parte em relevo do desenho. Na fase final, é utilizado um tipo de prensa para exercer pressão e revelar a imagem no papel ou outro suporte. Um detalhe importante é que o desenho sai ao contrário do que foi talhado, o que exige um maior trabalho ao artesão.
Existem dois tipos de xilogravura: a xilogravura de fio e a xilografia de topo que se distinguem através da forma como se corta a árvore. Na xilogravura de fio (também conhecida como madeira à veia ou madeira deitada) a árvore é cortada no sentido do crescimento, longitudinal; na xilografia de topo (ou madeira em pé) a árvore é cortada no sentido transversal ao tronco.
A xilogravura é muito popular na região Nordeste do Brasil, onde estão os mais populares xilogravadores (ou xilógrafos) brasileiros. A xilogravura era frequentemente utilizada para ilustração de textos de literatura de cordel. Alguns cordelistas eram também xilogravadores, como por exemplo, o pernambucano J. Borges (José Francisco Borges).
A xilogravura também tem sido gravada em peças de azulejo, reproduzindo desenhos de menor dimensão. Esta é uma das técnicas que o artesão pernambucano Severino Borges, tem utilizado em seus trabalhos.

 


 

10 comentários:

  1. Nossa! A página da poetisa Maeli Honorato ficou belissima! Parabéns, Dr. Jorge, pelas ilustrações como sempre magnificas! As notas de rodapé é um ensinamento, e eu humildemente, recebo como uma lição a mais para meus escritos. Nossa amiga Maeli está de parabéns. Que seja bem-vinda!

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  2. Lindíssimo momento de construção poética nobre amiga poetisa Maeli Honorato... Mostra a valorização da poesia popular, fenômeno cultural que tem origem no Nordeste do Brasil, que trabalha tão bem a sonoridade idêntica que existem entre certas palavras. Ricos ensinamentos nas Notas de Rodapé. Uma troca de conhecimento para nosso deleite! Parabéns a poetisa e ao ilustrador e pesquisador poeta Jorge Leite. A página ficou um deslumbre! Bravo e sinta-se em casa, em nosso cantinho do saber.

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  3. Uma poesia linda e expressiva da amiga poetisa Maeli Honorato, que foi poetizando e rimando muito bem. É um tipo de poesia popular brasileira da família das décimas. Muito bem construida e passa uma mensagem para alguem. O blog valoriza a cultura popular e o poeta Jorge Leite é um notável ilustrador. As Notas de Rodapé passam diferentes ensinamentos, possibilitanto ao leitor um melhor entendimento do tema abordado. Excelente página! Parabéns a ambos, poetisa e ilustrador! Abraços

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  4. Um belo e cultural poema da amiga poetisa Maeli Honorato, que chega pedindo licença e vai rimando nos Dez de Galope na Beira do Mar. As Notas de Rodapé fazem a diferença, uma excelente iniciativa do amigo poeta Jorge Leite. Parabéns poetisa. Seja Bem-vinda!

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  5. Muito lindo e expressivo o poetizar da amiga poetisa Maeli Honorato; muita cultural e maestria em versos encantadores que valorizam a cultura popular. As Notas de Rodapé são informativas e contemplam os leitores com ensinamentos. O novo visual do blog é perfeito. Parabéns a ambos, poetisa e ilustrador. Seja muito bem-vinda amiga! Abraços a todos.

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  6. Excelente poema, a cultura popular em foco. Um momento poético impecável amiga poetisa Maeli Honorato; achei intetessante como se a poetisa estivesse passando um recado, gostei do jeito de rimar. As Notas de Rodapé deixam a página pronta para o leitor. Parabéns poetisa e parabéns poeta Jorge Leite. Boa noite e abraços!

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  7. O blog está de parabéns, estou amando o novo visual, as Notas de Rodapé, as imagens ilustrativas em preto e branco, tudo original. Quero parabenizar a amiga poetisa Maeli Honorato polo excelente poema, muita criatividade em versos tecidos com maestria. Os ensinamentos muito me ajudaram a entender o tipo de poesia. Parabéns a todos! Forte abraço...

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  8. Primeiramente sou grata a Deus, por ter cruzado os caminhos de vocês com o meu. E sou imensamente grata a cada adorável pessoinha, que com muito apreço, leu e comemtou minha simples poesia. Devo muita gratidão, a Jorge Leite, que com dedicação e muito esmero, pesquisou sobre o galope e ilustrou os meus versos com xilogravuras. Eu amo xilogravuras! Parabéns, meu caro, a página ficou linda!!!
    Minha gratidão vai, também, para a amiga e poetisa Socorro Almeida, foi através dela que conheci o blog.
    E Muitíssimo obrigada a nossa Rainha, Elisabete Leite, por ter
    Criado este blog.
    Que minha singela "poesia de taipa" encontre na sabedoria e no coração de vocês o alicerce de que precisa.
    Meu abraço a todos!
    Maeli Honorato.

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  9. Maeli, minha querida e amiga poetisa, nós agradecemos pelo seu carinho! Quero deixar registrado aqui, o quanto seu escrito enriqueceu e enriquece o blog, a sua poesia popular é um momento poético de mestre e sou grata pelas aprendizagens aqui adquiridas. Falar da Cultura Popupar e também mostrar o Nordeste e suas diferentes artes. O muito obrigada por esta oportunidade e seja bem acolhida. Estaremos sempre de braços abertos para compartilhar seu poetizar. No aguardo de um novo versejar. Forte abraço!

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