quarta-feira, 2 de maio de 2018

UMA NOVA ESPERANÇA...



Elisabete Leite

Inspirada na rotina do sertão nordestino, esta imagem foi criada para participar do Challenge 2014 da Evermotion, com o tema “Summer in the City” - Didali Studio


Técnica da Obra: Óleo sobre tela - Titulo da Obra: Sertão Nordestino - Medida da Tela: 100 x 150
Anos: 2011 - Nome do Artista: Helissandro Vieira Diniz -


UMA NOVA ESPERANÇA

          Era uma manhã chuvosa no sítio Nova Esperança e, o sol resolvera nem aparecer por lá, raios riscavam o céu que estava acinzentado, enquanto o vento soprava em toda direção. A chuva castigou aquele lugarejo, durante toda noite, pois quando se fazia uma tempestade, o velho sítio ficava totalmente inundado.
          O caseiro, Toinho das cabras, como era conhecido pelas redondezas, era quem cuidava daquele sítio, já que os verdadeiros donos revolveram abandoná-lo há muito tempo atrás, por falta de recursos financeiros. Naquele dia tempestuoso, Toinho estava soltando suspiros de tristeza, com seus olhos marejados pelas lágrimas, pois uma das suas cabras havia entrado em trabalho de parto e, seu cabritinho já devia ter nascido. A Cabra Malhada, um animal admirável, tinha o corpo todo marrom escuro, com manchas brancas, que pareciam capuchos de algodão. Ela permanecia em sofrimento desde a madrugada; devido as chuvas, o rio havia transbordado, cobrindo completamente a pequena ponte, única travessia, deixando o sítio totalmente isolado da cidade; impossibilitando assim, o caseiro de ir buscar o veterinário para assistir à Cabra Malhada. A neblina cobria todo o pasto e, a Malhada estava abrigada debaixo do galinheiro, pois o celeiro também se encontrava inundado... Comentavam-se que naquele sítio, antigamente, havia acontecido um milagre; o pai de Toinho, que também era o caseiro naquela época, morava com sua família ali, em um velho casebre no fundo da casa principal. As pessoas diziam que no nascimento de Toinho, também chovia muito e, a parteira não teve como chegar ao sítio; assim, sua mãe pedia a Deus, em oração, que salvasse seu filhinho. Ela ajoelhada e constrita prometera jamais deixar que nenhum animal morresse nas mãos de seu filho. A criança foi salva e, o Toinho cresceu com a missão de salvar os animais que precisassem da ajuda dele... Sendo assim, ele não podia deixar sua Malhada morrer com o cabritinho no ventre. Ele precisava salvá-la de qualquer jeito. Então, ele se aproximou da Cabra, gostava de falar com os animais, e foi logo dizendo:

           - Dona Malhada, você precisa ajudar seu cabritinho que está em sofrimento. Por favor, faça força! Ele está mal acomodado em seu ventre e não pode nascer.
          Mas a Malhada já não tinha força e, Toinho não podia perder a Fé.
          O tempo foi passando e, a Malhada continuava sofrendo. O caseiro desesperado, já não sabia o que fazer, permanecendo, inerte, chorando de pena da coitadinha. Subitamente, ouviu uma voz suave, que vinha de muito longe, que dizia assim: “Toinho, procure fazer a Malhada andar”. Rapidamente, ele tentou levantar a Malhada, que urrava de dor. Como em um passe de mágica, a Cabra Malhada, se levantou e andou um pouco e, foi o suficiente para o cabritinho preguiçoso se posicionar dentro do ventre. O sol até resolvera resplandecer por trás nos montes, quando o cabritinho nasceu sã e salvo, lindo por natureza.
          Foi assim que aconteceu! E mais uma vez a Fé tornou o que era impossível em possível. Trazendo uma Nova Esperança, para a vida do caseiro.
          Os tempos se passaram... O caseiro, Toinho das cabras, com o dinheiro da venda do leite das suas cabras, comprou aquele velho sítio e, por lá continuou com sua missão: “salvar a vida dos animais”.
          Que a Fé continue realizando milagre.    
 Elisabete Leite – 08/042018.
   


11 comentários:

  1. Espetacular ficaram as ilustrações! Querido Jorge, você caprichou na foto da malhada e seu cabritinho, deu vida ao Conto e colorido à página. Estou muito emocionada. A página parece até um Livro de Histórias. Gratidão sempre. Tudo perfeito! Parabéns pela construção final. Eu te amo, meu irmão! Este é o último Conto da série, com o tema Milagres. Aguardem novas temáticas...

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  2. Muito lindo seu conto amiga poetisa Elisabete Leite, uma história envolvente que prende o leitor do início ao fim da narrativa. Fiquei emocionado vendo a imagem da Cabra Malhada com seu cabritinho, é igual a descrição feita pela amiga. O poeta Jorge Leite se superou nas ilustrações. A casinha iluminada pelo lampião é perfeita! Show de emoções. Parabéns a ambos! Abraços

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  3. Que maravilha de Conto minha amiga poetisa, Elisabete Leite, uma narrativa gostosa de ser lida, emoção e grandiosidade de mensagem. As imagens ficaram expressivas e ricas. Uma página digna de aplausos. Eu tenho orgulho de colaborar com este blog, que já virou parte da nossa vida. Parabéns pelo conjunto! Abraços

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  4. Belíssimo Conto minha amiga querida Elisabete Leite, mais um conto que faz muito sucesso, para completar sua coleção. As ilustrações deram vida e colorido as personagens. Pense em uma malhada bela e seu cabritinho formoso. Amei tudo! A página ficou um luxo só... Parabéns a ambos! Você lembra que as crianças escolheram o nome para o cabritinho. "Malhadinho manhoso" Lindinho mesmo... Abraços

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  5. Parabéns Elisabete Leite, pelo conto e por mais um prêmio. Acabei de saber que nossa poetisa Elisabete Leite recebeu mais uma medalha com sua poesia "Tributo as Mulheres" publicada em nosso blog no dia 8 de março, no especial que fizemos sobre as mulheres.
    Para nós é um orgulho. E para mim, principalmente é muito mais, não tenho palavras para descrever o sentimento que sinto nesse momento.Mas uma vez PARABÉNS.

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    1. Corrigindo: Mais uma vez, PARABÉNS.

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    2. Obrigada querido, pelas suas palavras de carinho. Sinto-me lisonjeada por somar neste catinho que muito se aprende. Quanto a madalha, ela é nossa. Beijos e obrigada aos amigos pelos gentis comentários.

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    3. Errata: Medalha... pois é amiga karen! Obrigada pela leitura e apreço. Abraços

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  6. Eita amiga poetisa, Elisabete Leite, que belezinha de Conto, parece até com o fofinho do Malhadinho Manhoso. A página é um deslumbre, o poeta Jorge caprichou nas imagens. Tudo ficou lindo! Fiquei sabendo da sua merecida medalha pelo seu poema Tributo as Mulheres; ele é magnífico! Parabéns por tudo! O poema também faz homenagem as mulheres geradoras de vida. Aplausos e Abraços...

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  7. Muito lindo seu conto amiga querida, Elisabete Leite, uma maravilha de página, imagens expressivas em sintonia com a temática. Parabéns pelo conjunto. Como também pela merecida medalha. O poema é muito lindo. Aplausos e abraços a todos!

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  8. Parabéns, Betinha, comovente o conto.

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