sexta-feira, 8 de junho de 2018

Poema-Concreto



JOSÉ WALDECK

POEMA-CONCRETO

Bonfim: da vida de praça
pra uma vida de pressa.
Que triste verdade essa!
Onde a vida tinha graça,
hoje um elevado passa,
elevando-se do solo
em monolítica base,
onde a natureza quase
morta, grita, pede colo.

Aves, árvores e flores
insistem em viver cá,
nascem do jeito que dá,
pintadas em vivas cores,
externando seus clamores.
Local de urbanas lendas.
Na praça que não há mais,
no concreto há vegetais
brotando de suas fendas.

(José Waldeck, Poço, Maceió, AL, 14/09/2017)
 DU(L)CENTÉSIMA CHAMA
(poema dedicado ao Bicentenário do Estado de Alagoas)

Em ti há lagoas, mares,
rios, sertão, litoral,
sol e calor tropical,
belezas bem singulares.

Teus olhos são verde-cana.
Tuas vestes, finas rendas.
Tens folclore, heróis, lendas,
dos quais teu povo se ufana.

Trazes no olhar o brilho
de um bom porvir eminente.
Privilégio é ser teu filho,

saber teus idos de glória,
vivenciar teu presente,
estar na tua história.

(José Waldeck, 18/07/2017)




NOTAS DE RODAPÉ

  A quadrilha junina, matuta ou caipira é uma dança típica das festas juninas, dançada, principalmente, na região Nordeste do Brasil. É originária de velhas danças populares de áreas rurais da França (Normandia) e da Inglaterra. Foi introduzida no Brasil, mais precisamente no Rio de Janeiro, possivelmente em 1820, por membros da elite imperial. Durante o Império, a quadrilha era a dança preferida para abrir os bailes da Corte. Depois popularizou-se saindo dos salões palacianos para as ruas e clubes populares, com o povo assimilando a sua coreografia aristocrática e dando-lhe novas características e nomes regionais.

No sertão do Nordeste encontrou um colorido especial, associando-se à música, aos fogos de artifícios e à comida da Região. Como as coreografias eram indicadas em francês, o povo repetindo certas palavras ou frases levou também à folclorização das marcações aportuguesadas do francês, o que deu origem ao matutês, mistura do linguajar matuto com o francês, que caracteriza a maioria dos passos da quadrilha junina. A criatividade popular encarregou-se de acrescentar novos passos como olha a chuva! É mentira, A Ponte quebrou, Nova ponte, Caminho da roça e outros figurantes como os do casamento matuto: o noivo e a noiva, o padre, o pai da noiva, o sacristão, o juiz e o delegado. O casamento matuto, hoje associado à quadrilha é a representação onde os jovens debocham com malícia da instituição do casamento, da severidade dos pais, do sexo pré-nupcial e suas consequências, do machismo. O enredo é quase sempre o mesmo com poucas variantes: a noiva fica grávida antes do casamento e os pais obrigam o noivo a casar. Este se recusa, sendo necessário a intervenção da polícia. O casamento é realizado com o padre e o juiz, sob as garantias do delegado e até de soldados. A quadrilha é o baile em comemoração ao casamento. O enredo é desenvolvido em linguagem alegórica, satirizando a situação com humor e carregando no sotaque do interior.


Os passos e a movimentação dos pares da quadrilha em subgrupo, rodas, filas, travessias e outras figurações são ensaiados nos fins de tarde ou à noite, durante os fins de semana do período preparatório. O marcador da quadrilha, que anuncia os passos, poderá ou não fazer parte da dança. É escolhido entre os mais experientes membros do grupo ou é uma pessoa convidada para esse fim. Rapazes e moças em fila indiana vestidos com roupas típicas do matuto do interior , em pares alternados, braços para baixo, colocam-se frente a frente (vis a vis) aguardam a música da orquestra, que é normalmente composta por zabumba ou bombo, sanfona e triângulo e que o marcador comece a gritar a quadrilha.

Há atualmente uma nova forma de expressão junina, a quadrilha estilizada, que não é uma quadrilha matuta, mas um grupo de dança que tem uma coreografia própria, com passos criados exclusivamente para a música escolhida, como num corpo de balé. O grupo incorpora alguns personagens como Lampião, Maria Bonita, sinhozinho, espanholas e ciganos. Os seus trajes lembram roupas típicas do folclore dos pampas gaúchos.

Lúcia Gaspar
Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco
pesquisaescolar@fundaj.gov.br


 Todas as imagens são do Google.

6 comentários:

  1. Sensacional momento poético, dois lindíssimos poemas regionais, do grande poeta José Waldeck. Com imagens ilustrativas colossais, dignas de aplausos. A Nota de Rodapé traz alegria e muito forró no pé... O marcador puxa a quadrilha matuta tradicional, que anima até a alma. Estou fascinada pela página. O poeta Jorge Leite se superou na arte final. Show em tudo! Bravíssimo... Meus parabéns e Aplausos mil a ambos.

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  2. Viva Maceió! Viva Alagoas! Obrigado queridos amigos poetas e conterrâneos Elisabete Leite e Jorge Leite!

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  3. Dois belíssimos poemas do mestre poeta Alagoano José Waldeck. Muita cultura e tradição nesta maravilhosa página do blog. Imagens ilustrativas bem ao gosto de poeta Jorge. As Notas informativas de Rodapé e tudo de bom nesta período Junino. As tradicionais quadrilhas matutas infantis é pura alegria. Amei tudo! Parabéns a ambos!

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  4. Belíssima homenagem, e bem merecida, ao Estado de Alagoas, tecida em versos do filho pródigo, José waldeck. Parabéns, nobre poeta. Conheço muitos dos seus conterrâneos, amigos de infância, de quem sinto muita saudade. Fotos das retretas por onde passaram grandes músicos do passado. Parabéns a todos!

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  5. Dois maravilhosos poemas tecidos com maestria e muito conhecimento prévio do tema abordado. Uma página riquíssima em cultura, tradição, o regional como tema principal. Imagens expressivas e muito zelo na hora de compor a arte final, o poeta Jorge Leite é perfeito. A temática Junina ainda em foco. Sempre bom adquirir novos conhecimentos. Parabéns a todos!

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  6. Que lindos poemas, a realidade da modernidade que escraviza o Ser Humano. A natureza quase morta. Uma excelente homenagem ao Bicentenário do Estado de Alagoas. Imagens belas adornam o cenário. As Notas informativas sempre ensinam. Muito bom artigo, sobre as festas juninas tradicionais. Parabéns a ambos. Show de página.

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