sábado, 30 de junho de 2018

Recordações de uma Criança... Grande

Jorge Leite


Recordações

 Tantas coisas aprendi,
Tanto tempo já passou,
Parece até que esqueci.
Mas nada disso mudou.
Ficaram todas guardadas
No fundo do coração,
Sonhando com o dia
De poder lhe ensinar.

Tantas coisas aprendi.
Espero poder mostrar
Como se faz uma pipa
Também como empinar
Vendo-a subir no céu,
Nas asas da ventania
Com ela seguem os sonhos
E todas as fantasias.

Nas pequenas bolas de gude
Tão coloridas quanto a vida,
Quero te ensinar as batalhas
Algumas delas perdidas,
Mas tantas foram vencidas
Na base da pontaria
Causando tanta alegria.

Como rodar um pião
Na palma de minha mão
É coisa que aprendi
Com meu amigo Tião
Quantas brigas travamos
Por um pedaço de chão
No qual pudesse rodar
Somente o nosso pião.

Nas noites de São João
Além das adivinhações
Tudo era alegria
Quando se soltava balões.
Quantas guerras travamos
Atrás das bananeiras
Onde as armas, simplesmente,
Eram os temidos rojões.

Somente com valentia
Jacaré a gente aprende
Nas cristas das ondas altas
Nós seguíamos contentes
Mesmo que o prêmio seja
Um corte no nariz da gente.
E não se podia chorar,
Pois quem chora
Não é valente.

Tantas coisas aprendi
E quero tanto mostrar
Como armar alçapão
Passarinho poder pegar.
Calango se caçava
Com tiro de atiradeira
As balas, tão bonitas,
Eram de carrapateira.
 
Pescar com caniço,
Quanta emoção
As piabas que pescávamos
Devolvíamos para o mar
Pescador que se preza
Piaba não quer levar.

Tantas coisas aprendi
Que choro só em lembrar
Todas guardei bem trancadas
No fundo do coração
Tendo a esperança que um dia
Tudo poder lhe ensinar.

Jorge Leite, São Paulo – Recife
                        1970 -2018


Notas de Rodapé
A História da Bola de Gude

Ninguém conhece a origem desse jogo. O que surpreende é que arqueólogos de vários países têm encontrado, em suas escavações, bolinhas pequenas de argila. Para se ter uma ideia de como é antigo esse jogo, até em túmulos de faraós foram encontradas as bolinhas de gude. Joga-se na Alemanha, comprovadamente, há muitos anos. Jogava-se na Roma antiga, jogava-se na Idade Média. Ninguém sabe, repito, onde começou essa modalidade, que, no Brasil, passou a ser um jogo para crianças.

A modalidade bolinha é a mais conhecida. São quatro buracos, na terra, que se chamam birocas ou box. Os jogadores, dois, três ou quatro, jogam suas bolas até a primeira biroca. O que ficar mais perto iniciará o jogo. Ele tem de colocar sua bola na primeira biroca, depois na segunda, terceira e quarta, ficando pronto para “matar” os demais. Se o jogador erra um lance de uma biroca para outra, começa a jogar o segundo, colocado na escolha de saída. Quando um jogador cumpriu as quatro birocas, como dissemos, sai para “matar”, e quem ele acertar com sua bolinha é eliminado. Em outro sistema, o jogador sai da quarta biroca para a primeira e faz todo o percurso até ter condições de “matar”.As primeiras bolinhas de argila tiveram companheiras de madeira, pedra comum trabalhada, mármore, ágata, vidro e até aço. As de aço nunca foram bem recebidas, pois, ao enfrentar bolas de outro material, causavam danos nas demais. As de hoje são multicoloridas. O jogo de bolinhas ainda é praticado em muitos países.

Também se usa a bolinha de gude em outras modalidades. O triângulo, por exemplo, exige habilidade e perfeição do jogador. Faz-se um triângulo no chão. São colocadas bolinhas, dentro da área ou nos ângulos. Quem coloca a sua bola mais perto começa a jogar e a tentar acertar as bolas adversárias para fora do triângulo, ganhando-as. Termina o jogo quando não há mais bolas no triângulo. A aposta é feita com bolinhas e jogam-se quantas os participantes quiserem. Bolinha de gude, atualmente, é um jogo infantil.

A Origem
A Origem das bolas de gude se confunde com a das civilizações. Exemplares delas foram encontrados em escavações arqueológicas no Egito e no Oriente Médio, com datas até 4.000 a.C.
Os antigos gregos tinham vários jogos nos quais usavam bolas de gude: os romanos tornaram populares pelo resto do mundo na forma de divertimento.

No início, elas podiam ser feitas de pedra, madeiras, argila ou autêntico mármore. Mas, no século XV, elas começaram a ser feitas de vidro, em Veneza e na Boêmia. No século XVII apareceram bolas de gude de porcelana e louça. As bolinhas de açõ nunca foram bem recebidas, pois, ao enfrentar bolas de material menos resistente, causam-lhes danos. As bolinhas de hoje são multicoloridas.

Gude era o nome dado às pedrinhas redondas lisas tiradas do leito dos rios.

Tirado do livro "Brinquedos e Brincadeiras Populares", paginas 37 e 38 - escrito por três professores de Mossoró/RN - Almir Nogueira, Edna Paiva e Rosely Fernandes

Recordações de uma Criança Grande




































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8 comentários:

  1. Uau, que espetáculo de página! Peguei uma carona nos versos do poeta Jorge Leite, voltei ao passado e aterrizei na magia de ser criança. Em um mundo colorido de sonhos e fantasias... muito aprendi com Jorgão... não sabia rodar pião, mas aproveitava toda animação... As imagens deram um colorido especial ao tema abordado. A nota de rodapé têm ensinamentos e informações. Amei todo cenário parece até que foi ilustrado para mim. O poeta sabe tecer sonhos de criança. Parabéns e aplausos mil! Abraços a todos.

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  2. Que lindos os versos do amigo poeta Jorge Leite, uma belíssima página recheada de magia e colorido, um mundo infantil, recordações de uma infância de vida. As imagens são belas e expressivas e, a nota de rodapé, muito aprendi com ela. Um encanto de momento poético. O leitor mirim agradece. Somos todos crianças... O tema desperta a criança que existe dentro de cada um. Parabéns amigo poeta Jorge Leite pelo grandioso poetizar. Abraços a todos.

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  3. Belíssimas recordações e uma página maravilhosa do amigo poeta Jorge Leite. Muita magia em um tema apropriado para o mundo fantástico das crianças. Voltei as minhas recordações de quando criança, joguei muita bola e empinei muita pipa... muito bom recordar! As ilustrações estão impecáveis, tanto quanto a nota informativa de rodapé. Excelentes versos, com mensagens reflexivas. Um show de pagina! Parabéns pelo poema é cenário. Forte abraço a todos!

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  4. Vim prestigiar esta maravilha de página, lindo poema e grandes recordações do meu amigo poeta Jorge Leite... Muita magia e muito colorido em um momento encantador, incorporamos o nosso eu infantil e voltamos no tempo. Nas brincadeiras divertidas de criança. As imagens estão perfeitas, correspondem muito bem ao tema desenvolvido pelo poeta. A nota de rodapé têm muitas informações. Amei tudo por aqui! Parabéns e saudades de todos.

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  5. É bom demais despertar a criança que existe dentro da gente. Lindo poema e belas recordações, versos coloridos, igualmente mágicos como o Universo dos pequeninos e pequeninas. Imagens que demonstram as brincadeiras infantis, saudáveis e deliciosas. A nota de rodapé é bem informativa, são dicas para as brincadeiras. Parabéns ao nobre amigo poeta Jorge Leite pela realeza de página. Nós agradecemos pelas agradaveis lembranças. Abraços a todos!

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  6. Recordar é viver. E a gente vai traçando as lembranças da infância e driblando a saudade. Parabéns ao poeta Jorge Leite pelo lindo poema. Agora conheci a história das bolinhas de gude. Muito bom. Belas fotos. Bjos a todos.

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  7. Excelente momento poético, uma página recheada de agradáveis lembranças do amigo poeta Jorge Leite. Foram lindos versos tecidos com muito sentimento. As imagens ilustrativas deram um toque especial e colorido ao tema abordado. Amei a nota de rodapé informativa. Sempre bom adquirir novos conhecimentos. Parabéns por mais um show de arte. Abraços e feliz domingo a todos.

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  8. Agradeço a todos pela carinhosa aceitação do blog. São momentos de felicidades a leitura das mensagens enviadas pelos amigos. Um abraço especial a todos. Tenho tentado devolver o carinho que recebo de vocês, mantendo um blog agradável aos visitantes. Obrigado a todos.Beijos.

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