domingo, 15 de julho de 2018

Elisabete Leite


                                    
    LIBERDADE DAS BORBOLETAS

          Era um dia quente de verão. Um jovem pescador chamado Isaac estava remendando as velhas redes, para sua próxima pescaria, quando viu duas belas moças caçando Borboletas e colocando-as dentro de um vidro com tampa. Ele ficou a imaginar o porquê de as garotas estarem aprisionando os adoráveis insetos que precisam voar, em liberdade à procura de alimentos. As frágeis Borboletas esvoaçavam no ar, colorindo o céu de um canto a outro, elas fugiam para não serem presas e, buscavam abrigo por entre as folhas das árvores. Enquanto isso, as jovens sorridentes brincavam e corriam sobre uma pequena ponte de madeira que cruzava um riacho perto da Colônia de Pescadores denominada, “Liberdade Em Alto Mar”. De repente, Isaac notou que uma das garotas estava em perigo. A moça vinha saltitando com um puçá na mão para pegar uma Borboleta Amarela, nem percebeu que estava quase caindo no riacho. Ele correu para avisá-la, mas já era tarde demais; a garota já havia caído. Isaac mergulhou fundo e conseguiu alcançar a garota pelo braço. Logo, percebeu que ela estava desacordada. Ele suavemente acomodou a dócil garota em cima da ponte. Enquanto isso, a outra jovem saiu correndo em busca de ajuda... O pescador estava muito preocupado e, procurava de alguma forma acordá-la. Então, a linda jovem despertou de seu breve desmaio:
          - Oh! Muito obrigada! Não sei como agradecer a sua ajuda. Disse-lhe a garota ainda atordoada pelo fatídico acontecimento.
          - Não precisa me agradecer! Eu quero, apenas, fazer-lhe um pedido. Disse-lhe Isaac.
          - Pode me pedir o que quiser! Respondeu-lhe sorrindo.
          A garota olha fixamente para ele fascinada. Isaac ao olhar o rosto cálido e os lábios rosados da jovem, fica encantado com tanta beleza e, logo pergunta-lhe:
          - Qual é o seu nome? Eu nunca a vi por aqui!
          - Meu nome é Eva, estou passando às férias escolares, na casa de uma tia, aqui na Colônia de Pescadores.  Disse-lhe a garota.
          Isaac olha para o vidro que continha três magníficas Borboletas coloridas, quase sufocadas; como se elas estivessem a pedir socorro:
          - Eva, você pode libertar as Borboletas? Elas precisam voar livres e leves, de flor em flor, sugando o néctar para se alimentarem.
          O rapaz continuava falando, ele estava muito emocionado e triste:
          - Ninguém consegue sobreviver aprisionado dentro de um vidro. As Borboletas querem respirar, se elas continuarem presas podem até morrer, elas passaram por difíceis metamorfoses, precisam de liberdade. Disse-lhe o rapaz.
          Isaac olha para Eva que está soluçando de tanto chorar:
         - Você gostaria de estar presa dentro desse vidro? Liberte-as, por favor! Deixe-as livres...
          Eva pegou o vidro e destampou-o, uma a uma, as Borboletas foram alçando voo em total liberdade. A leveza era tanta que parecia até que as Borboletas bailavam no ar...
          Os jovens apertaram às mãos e, se despediram.
          Os tempos se passaram... Isaac e Eva seguiram caminhos diferentes. A garota, mais amadurecida, sempre procurava se recordar dos edificantes ensinamentos que aprendera naquele verão inesquecível. Ela, agora, sabe que todos os Seres e Animais são livres por Natureza.
          São lições diárias sem fim...

Elisabete Leite – 04/06/2018
DOR DA SAUDADE


Ah! Esta dor que sufoca minh’alma
Que aperta bem lá dentro do peito,
Causa tristeza, rouba a minha calma
E que não me permite dormir direito...

Comprime o músculo do meu coração
Deixa até um grito preso na garganta
Promove o choro, provocando solidão
Pois destrói os sonhos que se planta...

É dor que tira minha vontade de viver
Ofusca meus olhos, encobrindo a visão
Impede-me de olhar o belo amanhecer
Lágrimas escorrerem, de tanta emoção...

Uma dor constante, que cresce todo dia...
Que leva para longe, minha esperança
Nostálgicos, são os versos desta poesia
De tristeza, são as minhas lembranças...

Dor, que me inibe de contemplar a lua
Encobre a luminosidade da minha vida
Provoca um vazio, fico sozinha pela rua
Sem direção certa, sem norte, perdida...

Saudade que acaba com minha alegria
Fazendo sentir-me presa, sem liberdade
Também tira o samba, minha alegoria
Ah, como é intensa a dor da saudade!

Elisabete Leite – 14/06/2018

ESCOLA DA VIDA

Vida de sonhos palpáveis
De encantos, e projetos realizáveis...
Momentos eternizados na alma
Amores guardados dentro do coração
Sentimento puro que induz à calma
Carinhos trocados, afetos, afeição...
Felicidade como meta certa
Sonhos construídos com esperança,
liberdade de ação e perseverança...
Vida com menos erros e mais acertos
Leva-nos à soltura de todos os apertos
Das grandes aprendizagens constantes
O uso do Livre Arbítrio, consciente...
Substitui as tristezas por dias contentes
Vitórias edificadas com coragem
E os amigos queridos presentes
Nessa vida de vindas e idas sempre
Onde Deus é amigo de verdade
E a fé torna possível o impossível
na vida de muita gente...
Vida de família presente
Sentimentos guardados no diário da vida
De paixão ardente
De experiências construtivas
Ensinamentos de toda e qualquer natureza
Nessa escola da vida real
Onde se aprende e ensina, com as asperezas
Colorindo os tempos negros do mal
Porque a vida também possui riquezas
Transformando o feio em beleza
Cabendo a cada um, fazer sua parte afinal.

Elisabete Leite – 29/04/2016  


Notas de Rodapé


Radiola

As crianças de 8 a 12 anos hoje possuem celulares de última geração. Em seus quartos TV de 40 polegadas, PC Gamers e outras inovações tecnológicas. Lembro que no final dos anos 50 e início dos anos 60, entre meus 08 a 12 anos meu irmão Antônio Jessé trouxe para casa um RADIOLA. Não era qualquer Radiola, era uma Telefunken, uma radiola com válvulas, com toca-discos (vitrola) e rádio, duas caixas de som todos em um mesmo móvel de madeira. Uma beleza.
Foi nessa radiola que comecei a ouvir os discos que Toinho (Antônio Jessé) trazia para casa. Foi nela que ouvi a Orquestra de Ray Conniff, Bert Kaempfert (Quem não lembra de Afrikaan Beat), Mantovani, Franck Pourcel, Paul Mauriat e tantas outras orquestras. Foi nessa radiola que iniciei minha paixão pelos clássicos. Clássicos como Beethoven, Tchaikovsky, Wagner, Verdi, Vivaldi e tantos outros. Tudo em discos de vinil.  
Toinho não ouvia muito MPB, esses eu ouvia no rádio da radiola. No rádio também ouvia Blues Jazz, bolero, os Tangos argentinos e tantos outros ritmos. Quando meu irmão estava em casa, ouvíamos as orquestras e os clássicos; quando ele não estava eu fazia farra no rádio com Blues e MPB.
Provavelmente em 30 a 40 anos as crianças de hoje lembrarão do seu primeiro Iphone, seu primeiro PC Gamers, sua TV de 40 polegadas e outras inovações tecnológicas. Diferentemente eu lembro da nossa primeira radiola, comprada por meu irmão, onde aprendi a gostar de Blues, bolero, os grandes clássicos, MPB. A Telefunken não existe mais, porém as lembranças persistem como se fossem hoje.  Que tal ouvi agora Celly Campello cantando “Estúpido Cupido” de Howard Greenfield e Neil Sedaka.

Jorge Leite - 14/07/2018










13 comentários:

  1. Uma belíssima página, do jeito que gosto. Ilustrações deslumbrantes embelezam o Conto e os Poenas, deixando-os com a leveza do esvoaçar das Borboletas; o momento poético foi enriquecido pela competência do poeta Jorge Leite. O texto que consta na nota de rodapé é sensacional: Grandes aprendizagens, saudades e recordações inesquecíveis. Muito obrigada, querido irmão! sinto-me feliz, lisonjeada e surpresa pela excelente partilha, não estava esperando este Conto, que tanto gosto. Chorando de emoção. Abraços e ótima leitura a todos!

    ResponderExcluir
  2. Um Conto espetacular, com emoção, ação e suspense, bem ao estilo dos leitores. Uma página envolvente com lindas ilustrações e poesias, da querida amiga poetisa Elisabete Leite. O Conto deixa uma belíssima mensagem, as borboletas agradecem pela homenagem. O texto da nota de rodapé está impecável, o poeta Jorge Leite sabe passar emoção e sentimento. A história da radiola muito nos ensina... O amigo Jorge, faltou assinar o excelente texto dele. Parabéns a ambos! Aplausos ao blog. Obrigado por partilhar. Abraços

    ResponderExcluir
  3. Que maravilha de Conto, muita emoção, suspense, com um toque especial de ternura e leveza. Belas ilustrações e poesias adornam esta belíssima página. A amiga poetisa Elisabete Leite sabe nos emocionar. O texto que compõem a nota de rodapé está impecável, o poeta Jorge Leite foi criativo e bem competente ao descrever este empolgante texto sobre a vitrola. Amei tudo! Abraços a todos... Show

    ResponderExcluir
  4. Quando papai comprou uma Telefunken foi uma festa. Waldir Calmon, Românticos de Cuba, Neil Sedaka... Saudade!
    Bete, seu poema "Dor da Saudade" valeu por hoje. Seu texto sobre as borboletas é emocionante e agradável de se ler. Gostei igualmente do poema "Escola da Vida". Mais uma vez parabéns a você e ao Poeta e amigo Jorge pelas ilustrações. Uma riqueza!

    ResponderExcluir
  5. Lígia Magalhães15 de julho de 2018 14:20

    Mais uma delícia de poema DOR DA SAUDADE. O texto é uma lição de liberdade que todo mundo anseia, seja a borboleta ou o ser humano. Não sou da época da Telefunken, mas imagino as lembranças despertadas aqui. Mais uma vez agradeço por esse momento poético. Parabéns a quem nos permite esse privilégio. Abraços.

    ResponderExcluir
  6. Eita, amiga poetisa Elisabete Leite que magnífico Conto, emoções envolvem o drama do início ao fim. Uma narrativa que transmite mensagem bem ao estilo da autora. As ilustrações e os lindíssimos poemas deixam a página com um toque especial de magia e leveza. O texto da nota de rodapé do amigo poeta Jorge Leite é excelente, lembranças com uma lição de conteúdo. Quando os irmãos Leite se encontram e para se emocionar. Tudo perfeito! Show... Aplausos e parabéns a ambos. Abraços

    ResponderExcluir
  7. Oh!Beta,achei lindo e emocionante, esse seu conto.A liberdade é fundamental, não só aos animais e também aos humanos.Ser livre correr sentindo a brisa em nosso corpo,é sentir que estamos em vida!Parabéns .

    ResponderExcluir
  8. Estou aqui para prestigiar minha amiga querida Elisabete Leite, com seu belíssimo conto, a temática é fascinante, muita emoção e sentimentos, com um toque de leveza no ar. As ilustrações e as poesias deixam a página perfeita. Os domingos ficam mágicos com os contos de diferentes temas. O texto que compõem a nota de rodapé é uma maravilha, o poeta Jorge Leite nos deleita com lembranças e informações pertinentes ao conteúdo. Tudo lindo! Somente me resta aplaudir os irmãos "LEITE". Bravíssimo! Abraços de saudades.

    ResponderExcluir
  9. Que beleza de página! Que dupla (de irmãos) dinâmica! Que bacana ler Elizabete falando de Liberdade, Natureza, Saudade e Lições que a Vida ensina! Que delícia são as boas recordações trazidas pelo texto do Jorge. Parabéns, queridos irmãos Leite! Obrigado pelo privilégio e pelo prazer de ler vocês! https://youtu.be/IeHtUlV2RRc

    ResponderExcluir
  10. Belíssimo Conto, muita ternura e leveza em uma narrativa emocionante da amiga poetisa Elisabete Leite que trabalha com maestria o tema Liberdade. A página está maravilhosa, dois lindos poemas e belas ilustrações tornam este momento perfeito de arte. O texto presente na nota de rodapé, do também poeta Jorge Leite onde estão excelentes recordações, são lembranças e emoções... Parabéns a todos! Aplausos amiga Bete! Abraços

    ResponderExcluir
  11. Uma maravilhosa página! Um Conto lindo e emocionante que narra a liberdade em foco, a Borboleta e seu esvoaçar, uma leveza de história. Dois belíssimos poemas da amiga poetisa que sempre nos deleita com mensagens de grande valor existencial... as imagens ilustrativas deslumbrantes completam o tema abordado e a nota de rodapé é perfeita, o poeta Jorge Leite traz um texto com lindas lembranças. Amei tudo! Parabéns a ambos. Abraços e uma ótima semana a todos!

    ResponderExcluir
  12. Gostei bastante deste Conto, que trabalha a Liberdade vista por olhares diferentes, dos Seres como um todo. É singelo, leve como o esvoaçar das borboletas, a amiga poetisa Elisabete Leite, passa uma mensagem perfeita de duplo sentido, só vai entender quem olhar com olhos de amor. As belas imagens e os dois lindos poemas; sao poesias extraídas d'alma. O texto do poeta Jorge Leite apresentam lindas lembranças inesquecíveis. Parabéns aos poetas e a nós por fazermos parte deste canto de aprendizagens... gosto dos Contos de Elisabete por isso, além da narrativa, suspense, história, clímax eles trazem mensagens de Amor, Paz, Liberdade, Fé, Faternidade e tantas outras que sao necessárias para nosso crescimento existencial, valores que se perderam com o passar dos tempos e a autora tenta resgatá-los em seus textos. A nota de rodapé é notável. Aplausos a todos que fazem o blog. Abraços aos amigos e amigas...

    ResponderExcluir
  13. Quero agradecer aos amigos, amigas, poetas, poetisas, familiares e leitores em geral palas ilustres visitas, gentis comentários e palavras de carinho. Fico lisonjeada pela confiança depositada em mim. Aproveito para desejar-lhes uma feliz semana. As palavras aqui registradas confirmam a minha jornada. Amei cada comentário. Um também "Obrigada" ao querido Jorge Leite. Beijos de Luz!

    ResponderExcluir