quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Desafio Erótico

Edição Nº 242 - Tema Adulto




USA-ME ASSIM!
Ah, o que pensas tu de mim?!
Com esse teu ar de princesa
O teu corpo é plena sedução
Disso eu tenho toda certeza,
Não vou desprezar teu coração...

Até tu vives rondando sozinha
O teu amor pertence só a mim
Tua boca se encaixa na minha,
Teus orgasmos, longos, sem fim
Sou o teu escravo, minha rainha...

Sou um homem, te amo ninfeta!
Não pense que irei te abandonar
Sabe, meu sexo é na medida certa,
Porque eu nasci só para te amar
Horas passam, virei a ampulheta...

Quero-te devorar, pouco a pouco
Teus beijos me deixam bem rouco
Desejos de muito prazer e paixão
Vou às nuvens, eu fico feito louco,
Em teus braços, sou forte, um leão


Usa-me do teu jeito, bem assim!!!
Teu corpo é de mulher bem-feita,
Teus lábios tem a cor de carmim
Tu és uma lascívia bela, perfeita
Ah, o que pensas tu de mim?!

Maciel Jr – Recife/2018



QUERO AFOGAR-ME EM TI
Como mulher não penso, eu espero
O teu corpo bem juntinho ao meu,
Teu carinho é tudo que mais quero
Minha boca à procura do mistério teu...

Prometo! Eu não sairei da tua vida
Ficarei bem grudada de corpo e alma
Amo-te loucamente, até fico perdida
Sossego quando te vejo, me acalma...

Eu espero pelos teus lábios ardentes,
Sei que tu és um homem encantador
Não sou fria, sou uma mulher quente
Um vulcão em erupção, fonte de calor...

Contigo eu sinto infinitos orgasmos
Pois, és o homem que hoje escolho
Eu te amo muito, não é Pleonasmo
Vejo-te com os meus próprios olhos...

Sou vidente, sou carente, sou mulher
Não penso, eu quero todo o teu amor
Ah, sou só sua, me use como quiser!
Meu querubim, meu homem sedutor.

Flor de Lis – Santiago do Chile/2018
(Desafiada - Resposta ao poeta Maciel Jr)

 Um Lençol de Cetim


Caminho cabisbaixo por uma rua deserta molhando meu sapato em uma chuva fria, meus pensamentos embotados por taças de vinho feito sangue, estão soltos, fugiram, poucos restaram e os poucos que restaram me torturam sem piedade, sem perdão. As luzes mal iluminam meu caminhar sem rumo. O Sol está preste a raiar, a noite querendo ir. As estrelas já não brilham mais.

- “Você poderia estar com ela, pois tudo a perder, precisas se tratar, isso não é normal, quem já viu tá espiando sua própria mulher! Devia estar com ela no mesmo leito e não olhando por trás das portas e cortinas. Você está doente”.

Passo por um jardim florido, por trás de uma janela uma frágil luz pisca incansável. Não resisto, vou olhar. Um quarto amplo, pouco iluminado, uma grande cama ao centro e um abajur a piscar. Tento fugir, mas não consigo, minhas pernas ficam presas no chão. Um casal se contorce sobre a cama envoltos por um lençol de cetim. O lençol toma forma, desenha os corpos suados que parecem esculturas de Rodin.

- “Estou indo embora, sei que gostas de mim. Também gosto de você, mas não sou obra de arte para ser admirada, estou mais para teclas de um piano que precisam serem tocadas por seus dedos e aí gritar meus murmúrios. Pensamos diferentes, somos diferentes, mas não nos completamos. Não dá mais!”

Na cama a impressão é que eles sabem que estão sendo observados, não ligam. Continuam em frenesi inconsequente, consequente. O lençol toma formas diferentes, muda constantemente, os movimentos não param, de longe escuto sons guturais, sem sentidos, cheios de sentidos.  Os gritos são abafados por gritos mais prolongados e persistentes. As formais esculturais de Rodin se tornam vivas, se contorcem em um constante crescente, logo depois um mergulho profundo no vazio. 

- “Foi bom você procurar ajuda. Você precisa perceber que uma relação à dois o contato físico é muito importante, olhar, observar também fazem parte de uma relação. Mas, jamais pode ser o principal, o toque é essencial. Não precisa ter medo de tocar ou ser tocado, a sensação do toque é curativa e profunda. O contato físico é pura troca de energia. Vou poder lhe ajudar.”

As luzes já não iluminam as ruas. Os corpos estão quase eretos em um longo abraço. O lençol cai aos seus pés. impassíveis continuam abraçados, o Universo gira em torno deles. Já não são dois, são somente um. Suas auras se misturam em um só corpo, em uma só mente, nem mente nem corpo, tão somente um longo e prazeroso abraço. 

Percebo que eles me perceberam, mas não estão nem aí. Dou meia volta e continuo a andar. Preciso chegar em casa, tomar um bom banho. Tenho uma consulta às Nove.


Para Maciel e Flor de Liz.

Jorge Leite – Recife – Madalena, em 29 de outubro de 2018.




Pele Nua

Os lábios tocam
A pele nua.
Pelos trêmulos,
A pele sua.
O suor escorre e geme.

Os lábios tocam
A pele sua.
Pelos trêmulos,
Na pele nua.
O corpo estremece e geme.

Os lábios abrem
A pele nua.
Os pelos estremecem
Na pele sua.
O coração explode e geme

Meus lábios soltam
A saliva sua.
Seus lábios tocam
Minha pele nua.
Meus pelos tremem e gemem.

Jorge leite



Esculturas de Rodin


Auguste Rodin

François-Auguste-René Rodin (Paris, 12 de novembro de 1840 — Meudon, 17 de novembro de 1917), mais conhecido como Auguste Rodin, foi um escultor francês. Apesar de ser geralmente considerado o progenitor da escultura moderna, não se propôs a rebelar-se contra o passado. Foi educado tradicionalmente, teve o artesanato como abordagem em seu trabalho, e desejava o reconhecimento acadêmico, embora nunca tenha sido aceito na principal escola de arte de Paris.

Esculturalmente, Rodin possuía uma capacidade única em modelar uma superfície complexa, turbulenta, profundamente embolsa em argila. Muitas de suas esculturas mais notáveis ​​foram duramente criticadas durante sua vida. Eles entraram em confronto com a tradição da escultura da figura predominante, onde as obras eram decorativas, estereotipadas ou altamente temáticas. Seu trabalho mais original partiu de temas tradicionais da mitologia e da alegoria, modelando o corpo humano com realismo e celebrando o caráter individual e fisicalidade. Rodin era sensível às controvérsias em torno de seu trabalho, mas se recusou a mudar seu estilo. Sucessivas obras trouxeram aumentos de favores do governo e da comunidade artística.
 
Do inesperado realismo de sua primeira grande figura – inspirada por sua viagem à Itália, em 1875 – para os memoriais não convencionais cujas comissões mais tarde ele procurou, sua reputação cresceu, de tal forma que se tornou o escultor francês proeminente de seu tempo. Em 1900, ele era um artista de renome mundial. Clientes particulares ricos procuraram seus trabalhos após sua mostra na Exposição Universal, e ele fez companhia com uma variedade de intelectuais e artistas de alto nível. 

Ele se casou com sua companheira ao longo da vida, Rose Beuret, no último ano de vida de ambos. Suas esculturas sofreram um declínio de popularidade após a sua morte em 1917, mas dentro de algumas décadas, o seu legado se solidificou. Rodin continua a ser um dos poucos escultores conhecidos fora da comunidade das artes visuais.