domingo, 9 de dezembro de 2018

Almanack de Domingo - Céus do Meu Recife

Edição Nº 258 - Socorro Almeida


CORAÇÃO ADOLESCENTE
De: Socorro Almeida

Se eu tenho um coração tão prepotente,
Ninguém disse, ninguém sentiu.
É apenas orgulhoso por não dizer "fica" para quem partiu.
É um menino arrogante
Um tolo adolescente
Ainda não conhece a dor
dos amores indecentes.
Parece não ter artérias
nem músculos, o indolente!
Pulsa por pulsar
Vive por viver
Pois quer apenas sobreviver.
Se não sabe o que é amar
saberá quando crescer
Enquanto o tempo passa
Até muito sem graça
Resguarda-se dos infartos
E se guarda pra você!

Recife, 02/11/2018
DUAS DE MIM 
De: Socorro Almeida

Se existissem duas de mim
Quem seria uma,
E quem a outra seria?
Eu chamaria uma de Amor
E a outra de Paixão,
Para no final escolher
Quem meu coração ganharia!
A Paixão é ousada,
Misteriosa e arrogante
Irresponsável, intolerante!
O Amor tudo suporta
Até os horrores da Paixão
Tem no peito a morada
Do amigo conselheiro
Que quando a Paixão o alucina
Como bom mestre, ele ensina:
- A Paixão é traiçoeira
E nunca soube controlar
Seus impulsos, suas dores...
Melhor que seja o Amor
Tão gentil e delicado
Para ser teu companheiro
Que sempre será e sabe ser
Consciente dos seus valores!

Recife, 12/11/2018
QUEM DE NÓS 
De: Socorro Almeida

Quem de nós dois é a pedra
Quem de nós dois é a onda
Não quero ser tão frio, tão imóvel...
E se eu fosse areia pra tuas águas
O descanso pra tuas ondas
Pelo molejo do teu vai e vem?
Sejas tu então a pedra
Por seres forte e serena
E aguarda que eu vou e volto
Bem mais alto e resolvido
A derramar-me todo em ti.
Quem sabe não te solte daí
Num esforço sobre-humano
Pra viajares comigo
Pelos cinco oceanos?

Recife, 13/11/2018
PALAVRAS DE UM POETA
De: Socorro Almeida

Hoje amanheci tão murcha
Quanto um maracujá
Numa acidez tão grande
Que nem me aguento
Mas ouvi dizer que com
"Açúcar e com Afeto"
Podemos o doce
E o amargo misturar!

Sei muito bem
O que o poeta quis dizer
Posso deixar passar
Ou "Trocar em Miúdos"
Gritar aos quatros cantos
Ou fingir que sou mudo
Ou "Atrás da Porta"
Me esconder!

Hoje a tristeza veio pra me abater
Por mais que me diga aquele poeta
"As pedras foram lançadas pra "Geni"
Não foram lançadas pra você!"

Recife, 27/11/2018

LEITURA COMPLEMENTAR
Pais e Mães Zumbis: “Odeio o celular da minha mãe porque ela está sempre com ele”

“Se você tivesse que me falar de um invento que gostaria que não existisse, qual seria?”, perguntou Jen Adams Beason dias atrás a seus alunos. Todos responderam. Mas um deles chamou a atenção da professora. Um menino do ensino fundamental (entre sete e oito anos) respondeu à pergunta da seguinte maneira: “Se tivesse que falar de qual invenção não gosto, a resposta seria: o celular dos meus pais porque estão todo o dia com ele. Às vezes ter um é um hábito muito ruim”. Ele não foi o único que teve essa ideia: quatro estudantes dos 21 que estão na mesma classe sugeriram o mesmo. A resposta impressionou a professora –que vive no Estado norte-americano da Louisiana, segundo a BBC– e ela decidiu postá-la no Facebook, onde obteve cerca de 14.000 curtidas e mais de 250.000 compartilhamentos. As hashtags que Beason usou quando colocou o conteúdo na rede social foram #getoffyourphone y #listentoyourkids (#desligueseutelefone e #escuteseusfilhos, na tradução ao português).

O debate sobre uso dos celulares e cuidar dos filhos é algo que está em foco há anos, sobretudo desde que as crianças que chegam ao mundo nascem rodeadas de tecnologia. Por que os pais não conseguem, então, se desconectar?

Entre outras razões está a falta de conciliação porque embora em muitos empregos seja possível antes, a jornada de trabalho continua, ou simplesmente pelo hábito de usá-los constantemente. Olhamos o celular, o e-mail, o Twitter, relegando o tempo de qualidade ou a oportunidade que temos de ter tempo de qualidade com nossos filhos. Quanto a isso, nosso pequeno aluno acrescentava em sua carta: “Odeio o celular de minha mãe e gostaria que ela não tivesse um. É a invenção que menos gosto”. Resumindo, o menino acha que a pior invenção é o celular da mãe porque ela o usa o tempo todo. “Eu o odeio”, deixa claro na resposta.

Entre os comentários que o post de Beacon recebeu no Facebook cabe destacar: “Bom... Veja o que sai da boca das crianças, somos todos culpados”; “Também sou culpada (...) logo serão adolescentes e se transformam em nós, tão maus como nós porque é o que viram” ou “No nosso caso, abrimos um debate na sala de aula e todos responderam que os pais passavam mais tempo no Facebook do que falando com os filhos. Foi algo revelador para mim”. Pais ou professores perfaziam a maioria dos que deram opinião sobre o uso excessivo dos celulares.

Estudos endossam essa percepção das crianças

Estudos sobre essa questão têm interessado muito os pesquisadores que há alguns anos avaliam causas, consequências e a percepção dos mais pequenos em relação a essa realidade. Uma realidade que afeta muitas vezes sua autoestima, por se sentirem ignorados, e até seu desenvolvimento e crescimento. Já em 2016 um estudo publicado na revista científica Current Biology concluía que “o fato de os pais estarem focados no seu telefone ou se distraírem com ele quando brincam com os filhos poderia afetar as crianças no desenvolvimento de sua capacidade de atenção”. Outros citam a autoestima como a característica mais afetada. Um deles, publicado em 2014, constatou que “infelizmente, os pais que se distraem com seus dispositivos dificilmente estão sintonizados com filhos. Podem nem perceber o efeito nocivo ao ignorar as emoções de seus filhos e até podem estar prejudicando a autoestima da criança”.


Em 2017, a rede ABC na Austrália realizou uma maravilhosa reportagem em que entrevistava várias crianças sobre como e quanto seus pais usavam os celulares em casa. Entre as respostas cabe mencionar: “Eu me irrito quando usa”, “Quando meu pai está usando o celular e tento falar com ele, simplesmente me ignora” ou “Ele é folgado, e sempre está com preguiça na poltrona com seu telefone”. Sem dúvida esta reportagem mostrou a realidade de algumas famílias, e não é bonita.

Um último estudo constatou que nos Estados Unidos, por exemplo, 50% dos pais entrevistados descobriram que o uso da tecnologia afetava a interação com os filhos três ou mais vezes por dia, um fenômeno chamado por alguns de "tecnoindiferença".


O que demonstram essas pesquisas, e muitas outras que foram realizadas, é que algumas crianças percebem indiferença por parte dos pais quando eles estão usando seus celulares. E fica evidente que a culpa não é tanto da tecnologia, mas nossa, dos pais, de como a usamos quando estamos com eles. E eles sofrem.

https://brasil.elpais.com/brasil/2018/05/24/tecnologia/1527154323_038822.html

RECORDANDO - JÁ PUBLICADOS

Hoje estamos recordando um poema que minha irmã Lucinha gosta muito e se identifica com o mesmo: "Máscaras". De Elisabete Leite, a prima-dona dos sonetos de amor, republicamos "Evolução do meu Ser", simplesmente lindo. Boa leitura.

sábado, 16 de dezembro de 2017
O Alfa e o Ômega - Osho
Publicado pela primeira vez em Fotomagia
28 de outubro de 2015 ·

Máscaras O Alfa e o Ômega.

Há algum tempo, li um artigo que citava uma passagem do livro “O Alfa e o Ômega” de Osho. Falava sobre MÁSCARAS. Fui ao meu baú de recordações, e ressuscitei uma poesia que escrevi em janeiro de 1991. Escrita, enquanto assistia ao pôr do sol, em uma mesa de bar em São Paulo. Hoje posto minha poesia e em um outro post o trecho do livro de Osho. Espero que gostem.

MÁSCARAS

Minhas máscaras empoeiradas
Querem mudar.
Resisto.
Continuo mascarado,
Assim é melhor
Não deixo ninguém triste.
Sou o mesmo, sempre.

Dentro de mim
Surge uma vontade de mudanças,
A poeira das máscaras
Começam a levantar.
Para a felicidade de todos
Controlo-me,
Tudo fica como antes
Eu preso dentro de mim
Todos felizes comemoram.

Um grito no silêncio surge,
Sufoco.
Não deixo escapar.
Aplausos.
Todos estão felizes.
Não me permito mudar.

Sufoco qualquer vontade de mudanças,
Nos copos e nas mesas de um bar.
A cerveja embriaga minha alma,
A poeira das máscaras continua.

Por um instante
Tiro as máscaras,
Já mim olham diferente,
Sou estranho,
Não pertenço a seus mundos.

Volto mascarado.
Todos felizes aplaudem.
Somos iguais.

E dentro de mim continuo triste.

Jorge S. Leite
SP. 06-01-1991
Boteco do Pescador, em um Domingo de sol, às 18 hs.
ELISABETE LEITE - Evolução do Meu Ser
Publicado em quinta-feira, 4 de janeiro de 2018
Evolução de Meu Ser


Tema das Imagens: Céus do meu Recife.
Todas as fotos foram copiadas do Google.



7 comentários:

  1. Um maravilhoso momento em poesia, um Almanaque de domingo com versos lindos e sentimentais da grande amiga poetisa Socorro Almeida e um Baú de Recordações que é pura fascinação o poeta Jorge Leite abre o Baú e de dentro surgem diferentes máscaras cada uma representa uma beleza interior, o melhor de cada um, a essência... Sou apaixonada por esse meu soneto, pois ele simboliza a evolução de mim, o meu crescimento como pessoa, o meu poema e o de Jorge se completam. As ilustrações estão impecáveis. Parabéns para nós. Espetacular leitura educativa e complementar, grandes verdades. 👏👏👏👏👏👏👏👏👏

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  2. Belíssimos poemas da poetisa Socorro Almeida no Almanaque de domingo, muito romantismo no ar. Já nas recordações do blog o poeta Jorge Leite tira as máscara e tece lindíssimos versos como muita maestria e é realmente perfeito ao compartilhar de novo e sempre, pois amo esse magnífico soneto de Bete. Lindas imagens ilustrativas e na leitura complementar muita verdade nesse texto. Um show de blog. Abraços

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  3. Amei o Almanaque de domingo da poetisa Socorro Almeida e seus lindos poemas românticos e na página de recordações o belíssimo poema MÁSCARAS de Jorge Leite, que é pura reflexão. Amo e amo o soneto brilhante da querida poetisa Elisabete Leite. As ilustrações estão perfeitas e esse texto de grandes verdade muito ensina. Parabéns por esse domingo em poesia. Show... abraços

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  4. Muito oportuno o conteúdo da Leitura Complementar de hoje. O telefone é a melhor invenção do homem (entre outras, é claro). Mas o celular, particularmente, é a melhor das melhores! Mas, em certas ocasiões, dependendo da hora e lugar, nunca vi instrumento tão inconveniente! Já presenciei momentos desagradáveis.... aquelas crianças têm toda razão!
    Já tive o prazer de conhecer esse poema MÁSCARA de Jorge. Muito Bom!
    EVOLUÇÃO DO MEU SER, de Elisabete é simplesmente lindo.
    Quanto aos meus poemas.... muito obrigada a todos pelos comentários maravilhosos e pelo carinho de vocês. Aos outros que ainda não vieram, agradeco antecipadamente.
    Parabéns pela página, no geral, porque adoro o Recife, embora não seja minha terra de origem. Bjos para todos. Já tenho vários poemas pra vocês. Tchau

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  5. Eita pessoal, que página linda, com excelentes poemas da amiga poetisa Socorro Almeida e seus versos recheados de sentimentalismo nesse Almanaque de domingo. As recordações são lindas e inesquesíveis, o poema do poeta Jorge é pura reflexão e o soneto de Elisabete é sensacional. As ilustrações é puro encantamento. O texto compartihado é pertinente ao dia a dia. Tudo perfeito amigos poetas... parabéns a todos. Abraços

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  6. Venho aqui prestigiar os meus amigos poetas com essa incrível página de Almanaque de domingo. A poetisa Socorro Almeida, com seus lindos e expressivos poemas, muito romantismo no ar. As ilustrações estão dando um show a parte, excelente texto na leitura complementar, que traz um tema real e cotidiano. Já as recordações de aniversário do blog está arrasando, o poeta Jorge tira as máscaras e encara a verdade. Magnífico esse soneto sobre a evolução do ser da querida poetisa Elisabete Leite. Tudo perfeito por aqui! Quero aplaudir aos amigos pelas suas artes. Saudades de todos vocês e boa noite!

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  7. Lindos poemas da minha irmã Socorro Almeida, assim como o de Jorge e Elisabete.
    Parabéns a todos

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