quarta-feira, 30 de outubro de 2019

Encontro - Rita de Cássia e Emiliano de Melo

Ano II - Edição Nº 376 - Quarta Poética
Tema das Imagens - Inspiração




Tua Inspiração

Eu bem sei meu amor
Que sou tua inspiração
Sou tua diva tua mulher
Que habita no teu chão

São todos os versos
Voltados para mim
Símbolo do nosso amor
Que nunca terá fim.

Rita de Cassia Soares
Pirpirituba, 25/10/2019


 Meu Poeta

Meu poeta, por favor escreva
Um verso de AMOR
Meu poeta por favor
Escreva as palavras,
Que o AMOR plantou
Meu poeta por favor,
Escreva cada cor,
Que representa o AMOR
Meu poeta por favor,
Escreva as nossas noites de amor,
Meu poeta por favor,
Escreva só poesias...
Belas poesias...
Que fale exatamente,
Do nosso amor.

Rita de Cassia Soares
Pirpirituba, 25/10/2019

Química do Amor

Dar-te-ei todas as flores
Do meu jardim secreto
E nos versos cantarei
As melodias do Amor

Buscarei exalar da flor
O mais puro perfume
Banharei todo corpo
No instante de prazer

Deixarei fluir de mim
A essência e o calor
De um amor assim

Na química o valor
Nós dois juntinhos
No jardim do Amor.

Rita de Cassia Soares
Pirpirituba,  25/10/2019.

  
FUI EMBORA

Fui embora pra um lugar bem longe
Fui embora para alimentar meu sonho
Fui embora para ajuntar muita riqueza
Fui embora para fugir da minha vergonha
Fui embora para comprar roupas novas
Fui embora para aumentar minha saudade
Fui embora para chorar sozinho na chuva
Fui embora para contar estrelas nas noites
Fui embora para me tornar galã
Fui embora para provar que sou capaz
Fui embora para um dia voltar por ela
Fui embora...

Emiliano de Melo

Guarabira-PB, 25 de outubro de 2019

 

MENTE, MENTE

A gente mente pra mente
A mente, mente pra gente.
O inconsciente desmente a mente
A gente mente inconscientemente.

Mentir não faz parte do inconsciente
O inconsciente não mente pra gente
Gente não mente pra mente
Se mente é inconscientemente.

A verdade está com a gente
Guardada no nosso inconsciente
Desmentindo a mentira da mente.

Inconsciente e mente não mente
Conscientemente é consciente a mente
Gente consciente não mente.

Emiliano de Melo

Migração

Vou embora meu amor vou embora
Vou para as terras dos sonhos
Vou trabalhar e ficar rico
Vou voltar a qualquer tempo e a qualquer hora.

Vou deixar o meu torrão de sofrimento
Vou deixar o meu jumento, a vaca e o valente.
Vou deixar o meu amor de coração partido
Vou levar a sua foto para não sair da minha mente.

Vou deixar minha vida Severina rural
Vou levar numa mala pequena a minha vida
Vou encontrar no urbano o açúcar para adoçar o meu sal.

Vou bater palmas na porta do meu amor
Vou lhe mostrar a velha foto da partida
Vou lhe dizer que nunca mais causarei no seu coração a dor.



Guarabira-PB, 05 de setembro de 2019.

sábado, 26 de outubro de 2019

Piquenique

Ano II - Edição Nº 375 - Cantinho da Tia Beta
Tema das Imagens - "Picnic" e Estação de Trem



UM PIQUENIQUE NA CIDADE NATAL   

          Era uma manhã primaveril, o sol despertava radiante, e mostrava seus raios exuberantes de um brilho nunca visto antes... José acordou bem cedinho e foi terminar de arrumar seus pertences, pois o garoto iria passar o final de semana na casa dos seus avós, na cidadezinha interiorana que o viu nascer. O menino comeu o seu desjejum matinal e foi conversar com sua mãe que já o esperava, para passar-lhe as últimas instruções. José iria viajar sozinho de trem até à estação onde os avós moravam. Ele entrou na sala de estar e quebrou o silêncio:
          - Bom dia, mamãe Eugênia! Eu estou muito feliz, pois logo mais estarei na minha cidade natal. Não precisa passar um sermão, pois eu já tenho 10 anos e sei cuidar de mim.
          A mãe de José olhou firmemente para ele e falou:
          - Bom dia, meu querido filho! Só eu sei o quanto você é valioso para nós. Seu pai está na lida e eu preciso cuidar dos animais diariamente. Portanto, escute o que tenho para dizer-lhe: você irá viajar sozinho, tome muito cuidado na viagem e aproveite para interagir com seus avós maternos, pois eles zelarão por você em nossa ausência.
         O garoto deu um beijo no rosto da mãe e saiu correndo para apanhar a única condução que o levaria até à estação de trem...
        José olhava todo cenário pela janela do trem, seus olhos percorriam do verdejante campo até os altos montes, as brancas nuvens viajavam ao léu e destacavam-se no azul do céu; por lá o aroma era de poeira e mato. De repente, o menino avista a pequena cidade onde nascera. Seus olhinhos brilhantes se encheram de lágrimas, pois ele tinha saudade dos seus avós. Logo, ele viu o avô encostado à velha pilastra da estação municipal. Pela janela ele acenou e salpicou um beijo para o velho Januário, que retribuiu com um largo sorriso. O trem deu um apito longo e estacionou bem em frente ao avô do garoto, que correu ao seu encontro. O menino José abraçou o avô e foi logo perguntando pela sua avó:
          - Que saudade, vovô Januário! Sinto muita falta de vocês, que às vezes chego a chorar de tanta emoção. Vovozinho, como vai à vovó Versulina?
         O avô acariciou o rosto de José e respondeu-lhe em seguida:
          - Sabe José, Versulina ficou fazendo uma deliciosa torta de morango para você e uma galinha de capoeira guisada, que somente ela consegue deixar com um gosto todo especial, para a gente almoçar. Vamos para casa, meu netinho?
         Os dois foram caminhando de mãos dadas, e logo começou a cair uma garoa fina, refrescando assim, os rostos suados do avô e do neto, que mudaram o roteiro, apressaram os passos e seguiram pela estrada de barro, para encurtar o caminho até o sítio... Meia hora depois eles chegaram ao local de destino, o velho sítio da família Solimões, que ficava um pouquinho afastado da cidade... Após os abraços carinhosos da avó, um almoço reforçado e uma sobremesa deliciosa; era hora de José fazer um reconhecimento pelas redondezas e matar a saudade da sua cidade natal.  O cenário estava magnífico: havia diferentes espécies de pássaros a gorjear, o clima estava ameno e ele teria toda tarde para se divertir e se emocionar. Logo, ele resolveu subir na parte mais alta daquela simples propriedade para apreciar àquela cidade que tanto amava, de todos os ângulos; só de cima ele conseguiria contemplar a exuberante arquitetura colonial da praça do coreto, onde tantos concertos musicais passaram por lá. A emoção era tanta que José nem se deu conta do adiantar das horas, já era quase noite, o sol foi se despedindo e dando passagem a um magnificente luar. Nesse clima formidável, o dócil José, deitou-se na relva verdejante e ficou observando as estrelas que brincavam de esconde-esconde por toda extensão do céu. De repente, ele escutou um grito forte, olhou para todos os lados, pois procurava descobrir a direção do pedido de socorro. E assim, foi seguindo a cadência do som, e logo avistou um buraco do outro lado da cerca, provavelmente em outra propriedade.  Afastou, com muito cuidado, os arames farpados, adentrando em um local desconhecido, que ele não sabia da procedência. Aproximou-se devagar e observou que no fundo do buraco estava uma pessoa desmaiada. Ele não pensou duas vezes, e por puro instinto pulou para socorrer quem precisava; imediatamente a lua contribuiu e o auxiliou, iluminando todo ambiente. Somente assim, foi que José identificou uma jovem garota. Aproximou-se dela e procurou comunicar-se com a mesma:
           - Menina acorde, por favor! Você está machucada? Precisamos sair daqui!
          A garota perplexa despertou do desmaio, pôs-se a chorar e começou a bombardear José com diferentes perguntas:
          - Como eu pude cair aqui? Quem é você? Por que veio me ajudar? Quero sair daqui e ir embora, agora!
         José sentou-se mais perto da menina e foi respondendo a enxurrada de perguntas dela:
         - Vou procurar responder uma pergunta de cada vez mocinha! Sou José, ouvi uma pessoa gritando, corri para ajudar e te encontrei caiada aqui dentro. Agora é a sua vez de responder as minhas indagações! Quem é você? Como você veio parar dentro desse buraco? E graças a Deus que a senhorita não está machucada.
         - Eu sou Maria Alice, estava caminhando distraída quando avistei um ninho de João-de-barro, e tentei subir na árvore para olhar de perto, porém não sei como, cai nesse buraco.
        José escalou o buraco e ajudou a menina Alice a sair daquele local. Ela muito agradecida o convidou para um piquenique no rio, no outro dia após o almoço. Eles se despediram, e cada um foi para sua casa... José jantou e ficou deitado na rede escutando os causos engraçados que o seu avô contava; o garoto sorria e chorava ao mesmo tempo. A lua se deitou, o sol resplandeceu e um novo dia amanheceu...
         Era uma bela tarde, apropriada para um piquenique no rio, Maria Alice e José se encontraram no local combinado, às margens de um lindo riacho. O clima estava muito agradável e contribuía para aquele tão esperado momento. A menina Alice ficou encarregada de encontrar um local adequado para eles ficarem. Assim que o encontrou, estendeu uma toalha de mesa quadriculada no chão e lá colocou a cesta com as frutas, sucos e lanches saudáveis. Os dois ficaram conversando sem parar, falavam sobre as escolas deles, a família de cada um, os avós queridos, a cidade onde nasceram, e tantas outras coisas. José estava radiante de felicidade, aquele momento era único para ele, ter a chance de voltar à cidade natal e conquistar uma nova amiga, era tudo que ele mais queria na vida. Chegou a hora do lanche. Alice retirou da cesta dois sanduíches de frango e uma pequena jarra com suco de laranja. Os dois se sentaram sobre a toalha e começaram a comer. A garota falou para José que morava com os pais em um vilarejo próximo dali. Enquanto, José explicava para a sua nova amiga que no outro dia já voltaria para casa, pois ele estava passando um final de semana com os avós. O silêncio permaneceu entre eles. Então, José resolveu quebrar o gelo:
          - Alice, vamos tomar banho de rio? Devemos aproveitar cada minuto juntos. Amanhã será um novo dia, e eu te prometo que voltarei nas férias.
         A menina olhou fixamente para José e respondeu-lhe com um lindo sorriso estampado no rosto.
         - Sim, vamos aproveitar cada segundo! Venha me pegar se tiver coragem e disposição para correr!
         Os dois caiaram nas águas límpidas daquele ribeirão e brincaram de pega-congela até o anoitecer. Quando a noite desceu, eles limparam todo local, recolheram os pertences, se despediram e cada um tomou uma direção diferente...
         Logo cedinho, o garoto já estava esperando o momento de voltar para casa. Sua avó Versulina colocou um lanche nutritivo na mochila dele, e seu avô Januário foi deixar José na estação de trem. O trem partiu e o coração do garoto estava apertado, pela janela da locomotiva ele olhava a sua cidadezinha natal se distanciando dele cada vez mais. De repente, quando o trem fez uma leve curva o menino avistou Maria Alice em cima do telhado da casa dela acenando para ele. José retribuiu, enviando-lhe um beijo. Somente restava o som do apito da locomotiva que carregava, em seus vagões vazios, as doces lembranças de José e a saudade da sua terra natal... Piui! Piui! Piuiii!...
          O tempo passou depressa e José sempre voltava à cidade natal para rever os avós e sua amiga Maria Alice.
         Assim, foi UM PIQUENIQUE NA CIDADE NATAL... Até a próxima historinha amiguinhos!
        Elisabete Leite – 21\10\2019



CANTINHO DA TIA BETA
 
Olá pessoal! Hoje, vamos conhecer um pouco mais sobre o magnífico pássaro João-de-barro - Lendas e Mitos.
Contam os índios que foi assim que nasceu o pássaro joão-de-barro.
Segundo a lenda, há muito tempo, numa tribo do sul do Brasil, um jovem se apaixonou por uma moça de grande beleza. Jaebé, o moço, foi pedi-la em casamento.
O pai dela então perguntou:
- Que provas podes dar de sua força para pretender a mão da moça mais formosa da tribo?
- As provas do meu amor! - respondeu o jovem Jaebé.
O velho gostou da resposta, mas achou o jovem atrevido, então disse:
- O último pretendente de minha filha falou que ficaria cinco dias em jejum e morreu no quarto dia.
- Pois eu digo que ficarei nove dias em jejum e não morrerei.

Toda a tribo se admirou com a coragem do jovem apaixonado. O velho ordenou que se desse início à prova. Então, enrolaram o rapaz num pesado couro de anta e ficaram dia e noite vigiando para que ele não saísse nem fosse alimentado. A jovem apaixonada chorava e implorava à deusa Lua que o mantivesse vivo. O tempo foi passando e certa manhã, a filha pediu ao pai:
- Já se passaram cinco dias. Não o deixe morrer.
E o velho respondeu:
- Ele é arrogante, falou nas forças do amor. Vamos ver o que acontece.
Esperou então até a última hora do novo dia, então ordenou:
- Vamos ver o que resta do arrogante Jaebé.
Quando abriram o couro da anta, Jaebé saltou ligeiro. Seus olhos brilharam, seu sorriso tinha uma luz mágica. Sua pele estava limpa e tinha cheiro de perfume de amêndoas. Todos se admiraram e ficaram mais admirados ainda quando o jovem, ao ver sua amada, se pôs a cantar como um pássaro enquanto seu corpo, aos poucos, se transformava num corpo de pássaro!
E foi naquele exato momento que os raios do luar tocaram a jovem apaixonada, que também se viu transformada em um pássaro. E, então, ela saiu voando atrás de Jaebé, que a chamava para a floresta onde desapareceram para sempre.
Podemos constatar a prova do grande amor que uniu esses dois jovens no cuidado com que o joão-de-barro constrói sua casa e protege os filhotes. Os homens admiram o pássaro joão-de-barro porque se lembram da força de Jaebé, uma força que nasceu do amor e foi maior que a morte.

Nossas Pesquisas:


Pergunte à Tia Beta

Tia Beta, como se escreve: Piquenique, pique-nique, picnic ou pic-nic?

Oi pessoal, vou responder transcrevendo um artigo da Professora Flávia Neves. Prestem atenção:
 
A forma correta de escrita da palavra é piquenique. A palavra pique-nique é forma original da palavra em francês e a palavra picnic é forma original da palavra em inglês. A palavra pic-nic, hifenizada, não existe.
Um piquenique é uma refeição partilhada em que todos contribuem com comida e bebida, sendo geralmente comida no chão, por cima de uma toalha estendida no campo, na praia, em parques ou jardins.

Exemplos com piquenique

  • Vou levar quibes para o piquenique da empresa.
  • Vamos combinar um piquenique no fim de semana que vem?
  • Adoro fazer piqueniques e passar o dia em contato com a natureza.

Piquenique: estrangeirismo

Piquenique é um estrangeirismo. Tem sua origem na palavra francesa pique-nique.
Em alguns estrangeirismos utilizamos a palavra na sua forma original:
  • show;
  • fast-food;
  • lingerie;
  • marketing;
  • shopping;
Em outros utilizamos a forma aportuguesada da palavra:
  • batom;
  • abajur;
  • turnê;
  • estresse;
  • uísque;
No caso em questão, a palavra pique-nique foi aportuguesada para piquenique com base nas regras ortográficas e fonológicas da língua portuguesa:
  • piquenique romântico;
  • piquenique no parque;
  • piquenique na praia;
  • piquenique no jardim;
  • piquenique de aniversário;
  • ...
Espero que tenham gostado. Tem dúvida? Perguntem a Tia Beta.


Flávia Neves
Professora de português, revisora e lexicógrafa nascida no Rio de Janeiro e licenciada pela Escola Superior de Educação do Porto, em Portugal (2005). Atua nas áreas da Didática e da Pedagogia.