quarta-feira, 16 de outubro de 2019

Uma Quarta Diferente

Ano II - Edição Nº 372 - Tema Adulto
Tema das Imagens - Bailes de Antigamente


O Pé de Valsa


            Luís Urbano sabia que já se aproximava da meia noite porque seus pés começavam, dentro do sapato, a não atender mais ao ritmo da música que tocava, um delicioso bolero, e dançavam, antecipadamente, ao delirante som de valsa.  Logo a seguir, todo o corpo, não só os pés, não obedeciam ao comando do cérebro e sim, a de seus membros inferiores. Ele sabia, perfeitamente, o que estava ocorrendo. Parou, pediu desculpa, a sua dama ao tempo em que fazia um louvou a tão preciosa garota. Acompanhou a jovem até sua mesa, cortejando-a novamente, e dirigindo-se ao “toilette”. Ao entrar consultou, rapidamente, o relógio e entendeu o que seus dedos inferiores estavam tentando transmitir. Arrumou-se, colocou perfume, e dirigiu-se para a mesa de Luciana, sua contraparte, na valsa da meia-noite. Valsa é a dança de salão mais popular do século XIX. Suas origens são obscuras, mas estão ligadas à história de outras danças em compasso ternário, deutsche e o ländler do final do séc. XVIII. A valsa cresceu em popularidade no início do séc. XIX, apesar das objeções levantadas por motivos médicos (a velocidade com que os dançarinos rodopiavam pelo salão) e também morais (os casais se prendiam num abraço muito estreito). Que interpretação, digna de um literato, não sobre a música, mas sim, sobre costumes humanos. O que significa “um abraço muito estreito” para os parâmetros adotados pela televisão no horário nobre? Coisas que nunca poderiam ser exibidas em um salão Austríaco.
          
            Uma voz, masculina e bonita, como a de locutor de rádio, vindo lá do palco onde normalmente ficavam os músicos, anunciava que chegou a hora, convocando os pares a se posicionarem no salão complementando que hoje seria executada a fabulosa música: Kaise-Walzer (Valsa do Imperador) - Valsa, op. 437, de Johann Strauss II (1888), escrita em honra ao imperador Francisco José. Começou então a soar dos alto-falantes, o imponente ritmo da orquestra tocando uma das mais belas músicas, de Strauss, e até hoje um das obras mais conhecidas do repertório clássico.
          
            Logo, todos que ficavam fora do grande salão elíptico, com piso de cores de diamante e grafite escuro, olharam para o centro do vistoso salão e encontraram, como se estivessem voando a cinco centímetros do piso, o par favorito dirigindo-se a longos passos ligeiros, como se fosse um único dançarino, para às extremidades do local de dança.  Os dois dançarinos em destaque eram magros e da mesma altura o que, provavelmente, os ajudavam na performance apresentada. Ele de cor moreno claro e ela branca de cabelos louros caídos no ombro. Irradiavam uma alegria contagiante. Concluída a dança, houve aplausos frenéticos, o casal dirigiu-se para a mesa de Luciana, ele se despediu com uma mesura e voltou para sua mesa. Tomou uma cerveja gelada e conversou um pouco com os acompanhantes. Claro, que todos elogiaram sua desenvoltura, elegância, charme no salão e a doçura de sua companheira. Ele explicou que conhecera Luciana no baile anterior e no mesmo local. Ficou surpreso com sua presença na “Festa da Primavera” - comemoração em homenagem a estação das flores e a mitologia Grega. O que tornaria hoje uma noite especial por encontrar quem o teria deixado encantado, com sua formosura e disciplinamento, referindo-se a seu comportamento na dança.

              No meado da década de sessenta os encontros entre casais eram diferentes. Os cortejos eram pautados por uma elegância exemplar e os seus encontros obedeciam a uma formalidade característica. Também existia a barreira social que era muito acentuada e consequentes dificuldades. Assim, eram necessários vários encontros para consolidação de um casal. Apesar da confusões política que enfrentava o Brasil, fatos esses que não nos impediam que saíssemos sem nos preocupar com a segurança. Aliás, não lembro de como era usado esta palavra. Hoje moramos em ilhas com pouca comunicação com o ambiente externo. Mesmo assim, chega a ser pavoroso, enfrentar as adversidades do ambiente externo.

              Urbano era um rapaz oriundo de uma família pobre e participava daqueles eventos por ser um trabalhador do comércio. Assumia uma função muito importante para um jovem que morava em um bairro da periferia, situado a três quilômetros do Clube. Era consultor técnico em uma loja de autopeças de uma concessionária da Chevrolet. Tinha bom gosto ao vestir-se com roupas vistosas e da moda. Hoje vestia um terno creme, camisa branca, gravata esmeralda, cinto e sapatos de couro da cor preto. Indumentária impecável e apropriada para tal solenidade. Quanto à Luciana, como disse Urbano, não era habitual sua presença no Clube.  Parecia uma ninfa, divindade da mitologia grega que habita os lagos, florestas, rios e demais ambientes da natureza. Isso explicava, perfeitamente, a atração que ela exercia sobre o sexo oposto. Seu vestido verde claro, como o quartzo verde, que como dizem os místicos: “é uma poderosa pedra que transmite energia curativa (raios verdes) que fortalece a saúde, rejuvenesce o corpo e aumenta nosso poder de cura.

               O locutor voltou à cena e anunciou um intervalo e que logo após desvendaria os dez pares selecionados para o concurso de melhor par de dançarinos da noite. O intervalo de trinta minutos foi todo ocupado por saborearmos uma boa bebida e desenvolver conversas sobre quem seriam os pares escolhidos pelo júri constituído de celebridades. Agora poderíamos constatar que o palco era ocupado por seis mesas, de plástico, redondas e tampos branco, distribuídas em forma de arco, forradas com toalhas com estampas de flores, muito representativa para o motivo da festa, e ocupadas pelos seis componentes, cada um em uma mesa sendo metade mulheres, que iriam julgar os dançarinos. Diametralmente opostas, nas extremidades da maior corda do arco, dois grandes jarros de cerâmica, com imagens do mar, e com lindos “bouquet” de flores. À frente, o eloquente locutor, começou a chamar os pares escolhidos, paulatinamente, ao tempo que cada um deslocava-se para ocupar uma posição no local oval e brilhante. Já estava no oitavo quando Urbano, como era conhecido, começou a demonstrar ansiedade e tristeza que só diminuiu quando o último concorrente, foi anunciado. A alegria contaminou todas pessoas que estavam torcendo pelo par Urbano/Luciana. Eles saíram, de pontos diferentes, saltitantes e alegres. Encontraram-se e dirigiram-se, de mãos dadas, pareciam personagens de um conto de fadas, para o ocupar derradeiro lugar. Pareciam dez pares de beija-flores parados com aqueles bicos finos, grandes, tocando-se com dificuldade, em beijos eternos. Foi enunciada, por um membro da comitiva de avaliação, as regras que serão utilizadas na decisão: Primeiro, todos dançariam uma música quando seriam selecionados apenas três. Em seguida os escolhidos voltariam a bailar em um ritmo sugerido pelos jurados que após a conclusão reuniram-se e enumeravam os classificados finais.

               A música para primeira parte do significativo, evento foi o bolero, cantado por Nat King Cole, nome artístico de Nathaniel Adams Coles, que foi um cantor e pianista de jazz norte-americano, “Quizás, Quizás, Quizás” uma canção popular de 1947, composta pelo cubano Osvaldo Farrés. Foi difícil conter as emoções e não cantar, a melodia rica e bonita. O consenso predominou em todos os presentes ao escolherem, prudentemente, o silêncio. Concluída, os aplausos ecoaram sobre o ambiente. Todos voltaram para os devidos lugares à aguardar o resultado com a relação dos que disputariam a segunda fase. Foram longos dez minutos e a dupla contemplou o terceiro lugar. Uma senhora parecida com maestrina de Canto Orfeônico, um canto coletivo amador obrigatório (na época em que ocorreu o evento) nas escolas secundárias e em homenagem a Orfeu, anunciou: os três classificados dirijam-se para o salão para a disputa final. O ritmo sorteado foi a valsa e todos o jurados optaram por Danúbio Azul. Houve aplausos e urros delirantes, música muito conhecidas por todos que frequentavam esses tipos de baile. A maestrina esperou o silêncio e com voz professoral fez a breve exposição: An der schönen blauen Donau, opus 314, composto em 1867 pelo Austro-húngaro Johann Strauss II, também conhecido como Johann Strauss, Jr., conhecido como “Rei da Valsa” e ao concluir elusiva exposição autorizou a execução da obra escolhida. Os três bailavam, eximiamente, rodopiando, como um pião, com a leveza das penas, de pequenas aves, soltas ao vento. Parecia com as danças dos galhos de uma, frágil, roseira ao soprar da ventania. Agora, ocorreu diferente das fases anteriores, prevalecendo do mesmo modo “o frio na barriga”. O último seria o primeiro e assim procedeu. Foram convocados do terceiro ao primeiro e lá estavam o par de dama e espada de ouro. Luciana recebeu seu prêmio e saiu célere para o encontro da família que já haviam prestado contas com o barman encarregado daquela área. Parecia que ela tinha urgência de sair do ambiente antes das quatro, por precisar cumprir com o acordado com fadas para manter suas, afrontosas, virtudes. O companheiro terminou de receber idêntico prêmio, agradeceu com cumprimento a cada um dos jurados, deixou o objeto em nossa mesa e correu para se despedir de seu, importante e valioso, par. Procurou dentro e fora do clube e voltou arrasado sem compreender o ocorrido. Lembrou-se então de uma passagem, quando foi o último a ser convocado que após o fato Luciana parou um pouco, da cor de gelo e coberta de suor, pediu um lenço para minimizar a situação e após concluída, a espinhosa mas necessária operação, guardou-o na sua "Clutch", que estava com uma amiga ao seu lado. Voltei mais aliviado para, onde me aguardavam, meus amigos.

             O presente consistia em uma estatueta formando um par de dançarinos em aço escovado. A cor de chumbo valorizava a sua aparência. Na frente e abaixo uma placa esclarecendo: ao vencedor do concurso de melhor dançarino no Baile da Primavera de 1962. É importante lembrar um fato que passou despercebido. Na escolha dos melhores dançarinos o par selecionado poderia ser constituído por uma dupla oriundos de pares distintos. O fato é, relevante, porque formariam a dupla final os que mais se destacavam individualmente. E a coincidência na identificação foi por todos, os presentes, reconhecida. Perguntei ao vencedor o que ele achava do presente recebido?

           - Mal tive tempo de olhar diante de tanto tumulto em minha cabeça, que parecia um vendaval, ocorrido com a saída da professora que comigo formava o par. Ela sentiu-se mal, não explicou o motivo, e quase sempre, muito calada, que incomodava meus anseios e delicados ouvidos. Dançava com perfeição, mais havia algo que me intrigava em seu comportamento. Na verdade, não nos conhecia o bastante para dirimir minhas dúvidas. Dois encontros, espaçados, e em ambiente impróprio ao diálogo, não era suficiente para desenvolver qualquer sentimento. Acredito que foi a sua forma explosiva de aparecer e desaparecer que implicaram no desejo de a conhecer melhor. Acredito, que com o passar do tempo tudo será esclarecido.

           - E aí vencedor, vamos voltar para casa?

           - Voltem vocês que devem estar cansados, eu vou aguardar o encerramento da festa e procurar mais um pouco a “Tinker Bell”. Ela é um pouco travessa, mas fica longe da leal escudeira de Peter Pan.

            - Então já vamos. Esperamos você no banco da praça que fica logo após a casa do professor Benedito.

            O imponente professor, a que ele se referia, dava aula de matemática todas, às terças e quintas iniciadas, impreterivelmente, às 20 horas. Preparava alunos para concursos, na época os mais procurados eram para o Banco do Brasil e escolas militares, e vestibular de engenharia.

            Estávamos comendo sanduíche quando ele apontou no início da praça, aguardamos e ao se aproximar, perguntamos, quase em uníssono.

            - E aí teve sucesso no empreendimento?

            - Não, ficou ainda mais enevoado. Perguntei a alguns vizinhos de sua mesa e só um magro e curioso estudante, que mora em uma pensão no centro, me forneceu uma informação, convincente mais difusa, de que ela mora em um dos casarões no entorno da reitoria, perto da praia, e que raramente saia de casa. Era professora de piano em estúdio localizado na residência da família. Ele falava rápido e de mesmo modo desapareceu. Tudo que envolvia a donzela estava encoberto por névoa de mistério. Foi quando me ocorreu uma ideia, que me deixou aliviado, no final do próximo mês teria um outro baile então eu teria oportunidade de a encontrar. E a minha viagem que faria à trabalho, um treinamento no Recife com duração de quinze dia? Mais um motivo para aguardar os acontecimentos futuros.

             Urbano mal sabia que os acontecimentos futuros pouco lhes seriam favoráveis. Deixou-me a cargo de desenvolver uma pesquisa sobre o misterioso sumiço de sua princesa.  Não foi difícil encontrar o palacete indicado pelo estranho mancebo. Era a residência do coronel Camargo, oficial reformado da polícia militar e proprietário de vastas terras no município de Coité do Nóia. Perguntei a humilde informante se era possível falar com ela.

              - Possível seria, se a bondosa senhora Luciana, não tivesse sido transportada para um apartamento na Santa Casa de Misericórdia.

              Tomei um verdadeiro choque repetindo, espantado, Hospital do Câncer - como era conhecido! Como resposta a informante completou:

              - Ela sofre terrivelmente, seu moço. Acho que veio para um mundo errado. Muito diferente do que desejava. Para ela só existia amor em contraste com o que sucedia. Não tinha apego, como sempre se expressava, a matéria e sim a algo distante que não sabia definir com precisão. Era muito caridosa e devotada à coisas específicas que seu, orgulhoso, pai não queria nem ouvir falar. Desejava dedicar-se a uma entidade filantrópica de caridade. Como compensação, de não ter coragem de desafiar às severas posições do pai, passava dias tocando em seu piano e ouvindo músicas, que eu não entendia, mas aprendi a gostar. Outra coisa que ela adorava, além dançar, era ler livros antigos, amarelados, que era preciso ter cuidado ao manusear, como dizia e beijava, meus preciosos tesouros. Aliás, ela tinha preferência em colecionar coisas antigas: livro, enciclopédia, partituras, selos, discos, entre outras bugigangas. Desculpe senhor tenho que entrar! Estão me procurando.

              Fechou a porta tão lentamente, que mal percebi, e desapareceu. Só ficou um silêncio, profundo, que ocupava seu espaço. Como vou relatar isso para o amigo viajante. Fatos não aguardados que lhe causaria tanta dor: a) que na verdade era sua amada, filha de um poderoso coronel, militar e do café; b) o caminho que estava delineado para seu, improvável, par romântico; c) novamente o, impiedoso, desnível social, associado ao brutos e grosseiros, porém muito comum, valores da família Cunha Omena. Uma outra opção, dizer que não tinha descoberto nada sobre Luciana. Estaria eu sendo verdadeiro com meu amigo? Mas o que será a verdade? Se entre os humanos não há um entendimento sobre a aplicabilidade dela. Ser verdadeiro fica cada vez mais difícil de praticar. Ser autêntico e genuíno deveria ser a verdadeira razão do viver, mas não o é. Ser verdadeiro incomoda, e pode ter efeitos diversos. Melhor tomar o ônibus e voltar para casa. Depois resolveremos o impasse.

                 Nada precisou ser dito após o velório de sua, verdadeira amada e insubstituível mãe.  Ele chegou na quinta-feira, dois dias antes de terminar o curso, para acompanhar os preparativos e enterro de sua genitora. Depois o encontrei, na missa de sétimo dia em homenagem à sua progenitora, e tivemos no caminho de sua casa oportunidade de falar sobre o curso. Relator, com objetiva precisão, os propósitos, metas e importância das aulas apresentas por verdadeiros doutores no assunto. Não me deu espaço de falar sobre outros assuntos, tamanho era o entusiasmo. Não me pareceu que a meiga Luciana seria um importante assunto a tratar. Talvez não tenha lembrado, ou não o interessasse, que fiquei encarregado de desvendar o mistério sobre a repentina fuga, de sua parceira do baile da Primavera. Na verdade, o que ela estava preste a ter no momento da entrega dos prêmios era uma repentina e cruel crise de dores pulmonar. E teve que ser internada no início da manhã daquele mesmo dia. Porém, nos breves contatos que tive, posteriormente, com o elegante cavalheiro jamais ele demonstrou ter conhecido aquela garota e pelo que falavam ele estava de namora com uma faceira companheira de bairro.

              No dia seguinte decidi ir para a casa do coronel. Tomei um ônibus e saltei na frente de seu palacete. Uma casa de primeiro andar numa área predominantemente luxuosa a duzentos metros da praia. Bati palma e abriu a porta a mesma senhora da outra vez. Espere um pouco. Voltou, logo em seguida, com dois objetos na palma da mão direta. Entregou-me os objetos que correspondiam a: - um lenço de seda, habilmente dobrado, cor amarelo claro; - uma caixa pequena com um lindo terço de prata e contas de pérolas. Um delicado e precioso presente que me deixou pasmo, sem entender e muito menos perguntar. Meu coração começou a acelerar e estava com muito medo de abrir o envelope brando sem nada escrito. 

                  -  Por favor abra-o, ela ficaria muito feliz.

                  - Aterrorizado, com suas palavras, abri e retirei o “santinho” que apresentava o seguinte: - na frente uma imagem de  Nossa Senhora com o menino Jesus nos braços ; - dentro do lado esquerdo o texto “Saudades - A doçura que se expandia de seus lábios e a fez estimada por todos aqueles que a cercavam. Deus é testemunha da estima e do afeto devotava as seus e aos que dela se aproximassem. Jamais será esquecida. É digna da paz celestial pela afeição que na terra soube espalhar. Assim viverá eternamente na Glória do Senhor e na memória daqueles que a amaram. Senhor dai-lhe o merecido descanso. Desabei em um, incontrolável, choro. A atendente saiu e voltou, o mais breve possível, com um copo de água gelada. Pediu para me sentar e esperou com calma que eu terminasse à leitura. Do lado oposto acima de sua fotografia, a frase: “É difícil permanecer ansiosa quando seus pensamentos e suas energias estão concentrados em ajudar as pessoas sem exigir nada delas”. Luciana. Abaixo da fotografia, seu nome completo e data de nascimento e morte.  A data da morte correspondia a do falecimento da mãe de Urbano. No final, abaixo das datas as palavras de Santo Agostinho “Vou para o Pai, mas não esquecerei aqueles que amei na Terra ...”

                   Arrumei o que havia recebido e coloquei tudo dentro do bolso direito da calça. Tomei mais um pouco de água, devolvi o copo agradecendo a recepção e a bondade da senhora que a atendeu desde que nasceu. Como não tínhamos mais nada a dizer, levantei-me e fui caminhando até o ponto do ônibus. Senti ao caminhar que ambos continuava-nos chorando. Do outro lado da rua não tive coragem de olhar para a casa e verificar se a “babá” já tinha estrado.

                       Comecei a lembrar do dia em que fomos apresentados do carinhoso e largo sorrido da doce crisálida. Não sabia, até o presente, que a notícia iria me causar tanto impacto e ensejaria pensamentos induzindo-me a lembrar de um breve poema de Pablo Neruda, “MULHER REMOTA” de seu livro “para nascer nasci”.

                  Esta mulher cabe em minhas mãos. É branca e ruiva, e em minhas mãos a levaria como uma cesta de magnólia.
                Esta mulher cabe em meus olhos. Envolvem-na os meus olhares, meus olhares que nada veem quando a envolvem.
                Esta mulher cabe em meus desejos. Desnuda está sob a anelante labaredas de minha vida e o meu desejo queima-a como uma brasa.
               Porém, mulher remota, minhas mãos, meus olhos e meus desejos guardam inteira para ti a sua carícia porque só tu, mulher remota, só tu cabes em meu coração.”

                 Infelizmente, só percebi, quando abri o envelope, que o sofrimento, a dor e os momentos de ansiedade, que tomaram meu corpo, desde que comecei a pesquisa, demonstravam que ...

Antonio JESSÉ Leite, 13/10/2009.

Acho que a Lúcia vai adorar. Por favor desculpe esse seu velho irmão por ser indelicado, mas nunca insensível. Um abraço.




 💔💔💔💔💔💔💔💔💔💔💔💔💔💔💔💔💔💔💔💔💔💔💔💔💔💔💔💔


Violeiro Mineiro Capiau - 09/10/2019
 SAUDADES


15 comentários:

  1. Uma página de quarta-feira magnífica, aqui, em nosso Blog Maçayó. Um Conto brilhante, impecável e de grande conteúdo Literário do meu querido irmão Antonio JESSÉ Leite (Toinho), que hoje deixa sua marca registra em cada palavra da sua obra de arte. Recebi este texto para minha apreciação e me apaixonei por ele. Muito conteúdo e grandes aprendizagens. A obra literária "O PÉ DE VALSA" é completamente original, não mudei e nem acrescentei nem uma vírgula, porque acho que o Conto está perfeito. Meu querido irmão poeta, Jorge Leite, ilustrou de maneira magnífica, dando um toque todo especial à página. As imagens ilustrativas são precisas.
    Faz-se necessário destacar o olhar do tempo cronológico, onde viajei no tempo e me projetei nas minhas baladas no clube Português, não sou Pé de Valsa, porém dancei muito com Theo, um Pé de Valsa, amigo do Trapiche lá em Maceió e com Altan, meu primeiro namorado oficial, ex-aluno do mestre/professor Jessé Leite. Bons tempos!
    Que parabenizar aos escritores que hoje brilham. Aplausos mil para Jessé Leite. Continue nos contemplando com ricos momentos.
    Parabéns poeta Jorge pela arte final.
    Show e muito show!

    ResponderExcluir
  2. Abro espaço, neste momento, para falar de um amigo que partiu e foi cantar e tocar para os anjos, com sua viola, lá no céu. Sei que ele está em um bom lugar, pois iluminado como ele era, não poderia ser diferente.
    VIOLEIRO MINEIRO CAPIAU, ZÉ para mim, era a pessoa mais inteligente que já conheci em toda minha vida, um grande amigo, magnífico poeta e mestre escritor. Amigo Zé o seu legado já está eternizado nas páginas do Blog e em minha memória, e jamais será esquecido.
    Segue sua nova caminhada em Paz, porque aqui na terra seu nome foi escrito em uma rocha e nunca será apagado.
    Vai JOSÉ CAMARGOS VALADARES trilhar novos caminhos.
    Até um dia inesquecível amigo VIOLEIRO.
    Beijos em seu coração.
    Obrigada ao Blog, pelo luto.
    Bom dia a todos!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Também quero aproveitar esse espaço da amiga poetisa Elisabete Leite, para dar o meu último adeus ao amigo iluminado VIOLEIRO MINEIRO CAPIAU. Saudações poéticas e siga em Paz amigo poeta.
      Você fara falta... já sintimos saudades.

      Excluir
    2. Também quero aproveitar o espaço cedido pela Bete para me despedir do amigo poeta e escritor Violeiro Mineiro Capiau. Adeus amigo do Bem! Muita Paz em sua nova caminhada.
      Que Deus te abençoe!

      Excluir
    3. Quero aproveitar o espaço da amiga Bete e me despedir do amigo da Luz VIOLEIRO MINEIRO CAPIAU. muita Paz em sua nova morada. Cante para iluminar o luar.
      Abracos e adeus!

      Excluir
    4. Muito emocionado por essa grande perda. Minha gratidão e apreço amigo do Bem VIOLEIRO MINEIRO CAPIAU, muita Paz e Luz em sua nova caminhada evolutiva. Adeus amigo!

      Excluir
    5. Que a saudade não arrebente meu coração. Minha despedida não pode ser diferente. Siga em Paz e que Deus te abençoe amigo VIOLEIRO MINEIRO CAPIAU. Brilhe e desvende os mistérios do Universo. Escreva lindas histórias nas páginas do céu. Adeus amigo poeta!

      Excluir
    6. Aproveito o espaço para também me despedir do amigo VIOLEIRO MINEIRO CAPIAU. Siga em Deus, por novas jornadas e por outros caminhos.
      Adeus irmão da Luz!

      Excluir
  3. Bom dia para todos os amigos e leitores! Hoje, venho prestigiar, o amigo Jessé Leite pelo belíssimo Conto publicado, uma história criativa e de riqueza Literária ímpar. Amei essa envolvente enredo de O PÉ DE VALSA, muito bom interagir com um escrito bem construído, tão peculiar nas obras dos IRMÃOS LEITE, que pesquisam e estudam para publicarem o melhor. Lindíssimas e saudosas ilustrações nesse momento notável do Blog Maçayó. Que muitos momentos assim cheguem até os leitores deste recanto do saber, como disse nossa querida Bete. Parabéns para os poetas que hoje desfilam com suas obras.
    Um forte abraço para cada um e até a próxima já em Santiago.
    Aplausos para o sucesso do Blog...

    ResponderExcluir
  4. Uma sensacional página partilhada no Blog Maçayó hoje. Um belíssimo Conto, muito bem escrito, detalhado e rico literariamente do amigo escritor Jessé Leite. Gostei demais da narrativa emocionante. Excelentes e precisas imagens ilustrativas do amigo poeta Jorge Leite que faz muito bem sua arte e traz grandes recordações.
    Um momento muito especial de cultura e arte, como sempre.
    Parabéns para o Jessé pelo conto e para o Jorge pela arte final.
    Abraços para todo mundo e obrigada pela partilha. Show!

    ResponderExcluir
  5. Um espetáculo de página de quarta no Blog Maçayó. Acho maravilhoso interagir nesse local agradável de arte poética e literária, porque aqui a gente sempre aprende. Um belíssimo Conto do amigo escritor Jessé Leite, com uma temática emocionante e recheada de muita riqueza de conteúdo. Lindísssimas imagens ilustraticas do poeta amigo Jorge Leite que não economizou nas recordações.
    Parabéns para os irmãos pelas artes e ao blog sucesso sempre. Abraços para todos.

    ResponderExcluir
  6. Uau pessoal, que maravilha de página! Que é uma quarta-feira compartilhada com grande estilo. Um belíssimo conto do professor Jessé Leite e seu brilhante enredo. Uma narrativa emocionante e de grande conteúdo literário. Os irmãos LEITE sempre brilhando por aqui. As ilustrações acompanham o tema com seus Bailes de antigamente. Quem já não dançou agarradinho no salão, ou mesmo uma valsa de primeira. Eu estou sempre aprendendo com esses magníficos irmãos. Parabéns ao amigo Jessé pela sua obra e ao poeta amigo Jorge Leite pelo conjunto da página. Boa tarde e abraços!

    ResponderExcluir
  7. Boa tarde, para os amigos e os leitores do Blog! Sei que hoje está muito difícil de comentar, pela comoção contida no coração, mas a vida continua e uma página como essa não merece ficar sem comentários. Grande momento no Blog Maçayó, o amigo Jessé Leite compartilha mais um belíssimo conto, com uma narrativa impecável e bem ao estilo dos Antigos Bailes. Amei as recordações contidas nas imagens ilustrativas. Tudo muito lindo e digno de aplausos. Parabéns aos poetas e abraços para todos. Bravíssimo!

    ResponderExcluir
  8. O blog Maçayó compartilha uma página notável em todos os aspectos. Um belíssimo conto do amigo professor Jessé Leite, uma narrativa gostosa de ser lida e com grande conteúdo literário. É sempre um grande prazer interagir por aqui. As ilustrações, como sempre, impecáveis e de muito bom gosto, o poeta amigo Jorge Leite sabe nos emocionar. Parabéns aos poetas e abraços para os amigos. Aplausos pela excelente partilha. Boa tarde!

    ResponderExcluir
  9. Uma história linda e emocionante no blog de hoje. Mais um membro da família Leite a nos deliciar com um conto magnífico. Parabéns ao Jessé Leite e ao blog por mais uma quarta-feira poética de grandes emoções.
    Violeiro Mineiro Capiau com certeza deixará saudade. Nosso Pai Celestial está de parabéns ao receber tão grande alma.

    ResponderExcluir