domingo, 31 de maio de 2020

Um Anjo Chamado Lourinete

Ano III - Edição Nº 392
Tema das Imagens - Recife Antigo


Francisco du Bocage. Recife Antigo. Recife, Pernambuco / Acervo IMS

Arvore Genealógica da Sra. Lourinete Gomes da Silva Leite.


Genealogia


          Genealogia é o mapa das ligações biológicas entre diferentes indivíduos e gerações. Como ciência, é uma auxiliar da história, estudando a origem, evolução e dispersão das famílias e respectivos sobrenomes ou apelidos.


          Praticada em tempos passados exclusivamente pela elite, e misturando indiscriminadamente lendas e fatos, servia mais ao desejo de afirmar o prestígio das famílias e legitimar suas pretensões ao poder do que à documentação da história e preservação da memória. A partir de fins do século XVII passou a ser investigada de maneira científica, mas manipulações ideológicas persistem até hoje. A genealogia tem associações profundas com uma ampla variedade de políticas e ideologias raciais, sociais, culturais e nacionalistas, e é um elemento fundamental na estruturação, coesão e funcionamento das sociedades.


          A genealogia se ocupa da identificação da ligação biológica entre diferentes indivíduos e da reconstituição da sequência ordenada de gerações dentro de um grupo familiar, buscando determinar as origens, a rede de parentescos e a evolução cronológica da família. Numa perspectiva mais abrangente, onde se associa à prosopografia, à história, às ciências humanas e sociais, procura reconstituir o perfil e a história social, política, econômica e cultural da família e seus integrantes, suas associações com outros grupos e seu papel na sociedade. No âmbito da história a genealogia está centrada no estudo das famílias, dando subsídios para e sendo subsidiada por outras ciências, como a sociologia, a economia, a história da arte, a genética, a medicina ou o direito.


          A genealogia é reconstituída através de documentos escritos, como atos legais (certidões, contratos etc.), bibliografia histórica, crônicas, arquivos cívicos, familiares, judiciais, militares e religiosos, correspondência, inscrições, lápides, imprensa e outros, mas também pode se valer de tradições orais e imagens. A genealogia pode ser ascendente, partindo do sujeito presente e retrocedendo pelas gerações antepassadas, ou descendente, partindo do fundador da família e acompanhando a evolução da sua posteridade.


          Atualmente a pesquisa da genealogia familiar se tornou uma atividade extremamente popular, sustentada pela disponibilização de uma vasta quantidade de dados arquivísticos e bibliográficos através da internet, mas essa popularização acentuou os problemas na área, sendo feitas pesquisas por uma multidão de amadores sem critério e método, usando fontes de baixa ou nula confiabilidade, com o resultado de proliferarem largamente genealogias falsas ou duvidosas. Segundo a pesquisadora Regina Poertner, as buscas genealógicas são atualmente a terceira maior atividade na internet, perdendo apenas para o comércio e para a pornografia.




Guilherme Gaensly. Rua do Bom Jesus, c. 1890. Recife, Pernambuco / Acervo IMS



MAMÃE LOURINETE ERA ASSIM!

          Descrever Mamãe Lourinete é o mesmo que falar do Amor! Do Amor incondicional, de um sentimento regado à pureza e personificado em forma de Luz. Porque Mamãe era iluminada, a alegria dela de viver, se apresentava a cada manhã e em todos os dias; ela contagiava, com sua boa Luz, as pessoas que conviviam com ela.
         Mamãe era como o sol que não se põe, e que infinitamente acalora a terra; também como o esplendor do brilho do luar pedindo passagem à vida, e iluminando as noites escuras e frias. Ah, Mamãe era como pontinhos de Luz piscando por toda extensão do Universo!
         Descrever a pessoa de Lourinete é o mesmo que falar das flores; do colorido das rosas, da magnificência dos Lírios, do aroma inebriante dos Jasmins. Porque Mamãe era a própria Natureza das coisas, era o perfume das frutas no pomar, era tudo de mais belo existente no mundo. Mamãe mesmo em seus momentos de tristezas, ela conseguia transmitir sabedoria, e quando amanhecia brava também passava ensinamentos, as lições presentes na escola que é a vida.
          Para mim, Mamãe era uma sábia conhecedora de todas as coisas; a minha professora querida, que me protegia do frio, da escuridão e dos meus medos. Mamãe foi e sempre será a minha maior inspiração. Uma Mulher forte, cheia de vida, e que principalmente, sabia respeitar a prole que tinha.
         Mamãe Lourinete, hoje, brilha radiante lá pelo céu. Ela continua sendo tudo que descrevi acima; é a estrela mais reluzente do Espaço Celestial, e eu consigo vê-la cintilando para mim.
         Mamãe, a senhora é o Amor da minha vida, a alegria de todas as horas, é a minha mais bela Poesia. Em sua companhia fui muito feliz, e eu renascia todo dia.
         Eu nunca te esquecerei... Eu te amo, minha amada Mamãe!
         Da sua filha,
         Elisabete Leite
 
João Ferreira Villela. Bairro do Recife, c. 1865. Recife, Pernambuco / Acervo IMS


CONTIGO MUITO APRENDI

Contigo aprendi a gostar das flores
Identificar o suave aroma da vida
Diferenciar nuances, tons e cores
Tirar lições das batalhas perdidas...

Contigo aprendi a cuidar de mim
Sentia-me salva ao tocar tua mão
Ah, teu perfume era puro jasmim!
Teu Amor morava em meu coração...

Aprendi a praticar as boas ações,
Grata por fazer parte de teu jardim
Sabia rezar, pedir a Deus em Oração...

Contigo tudo era bom, e nada ruim
Agora, tua Luz reluz na imensidão
Mamãe, meu Amor nunca terá fim!

Elisabete Leite
(Homenagem para um anjo de candura, minha Mamãe!)

 

Basílica de Nossa Senhora da Penha, c. 1859. Recife, Pernambuco / Acervo IMS
 Minha Dor

          Existem dores que nunca acabam. Sei em detalhes como e quando começou, sei quem a provocou, também sei que jamais a esquecerei. Não adianta tentar escondê-la, ela sempre surge, ela sempre está presente, ela sempre dói; e como dói, machuca e rasga meu peito. Chego a pensar que ela não existe, é imaginação minha. Mas existe.


          A única maneira de diminuir a dor é revivê-la, mesmo causando mais dor. E pensar que convivo e amo quem causou tal sofrimento. Sou sádico? Não. Perdoar é o único remédio para tal situação; porém como uma doença crônica não curo, apenas controlo em níveis suportáveis para continuar a existir. Existir na dor, sempre.


Essa dor que dói por dentro

É tão intensa

Que não sei como tirá-la.

Sei que já existe há tempos,

Que já não faço esforço

Para controlar.


Acordo lembro, durmo pensando.

Suas raízes são profundas

Que não consigo respirar.

Fico a pensar!

Se a tirar,

Continuo a existir,

Ou meu coração irá parar?


Jorge Leite, 29 de maio de 2020

 
Moritz Lamberg. Rua Primeiro de Março, antiga rua do Crespo, c. 1880. Recife, Pernambuco / Acervo IMS


 
Carta Natal da Sra. Lourinete Gomes da Silva Leite

MAIO DO AMOR

O sol surgiu e a lua se escondeu
A aurora tingiu de luz o novo dia
O Amor germinou e maio nasceu
O gorjear das aves gerando alegria...

Ah, maio das mães, do trabalhador!
Inspiração, versos, rimas e poesias
O maior sentimento que é o Amor,
tem incrível força e perfeita magia...

Trabalhador que é bom cooperador
De mãos calejadas pela lida diária,
Possui a missão de bom semeador...

Já Mãe é uma obra-prima literária,
Seu ventre é um abrigo acolhedor
É uma árvore frutífera e hereditária.
                                                                                                             
Elisabete Leite
(Parabéns aos trabalhadores pelo seu dia, em especial aos profissionais da saúde!).
 
Moritz Lamberg. Ponte Princesa Isabel, c. 1880. Recife, Pernambuco / Acervo IMS

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Lourinete Gomes da Silva Leite, nasceu na cidade de Rio Largo, em Alagoas no dia 01 de junho de 1926, faleceu em Recife no dia 02 de junho de 2004. Analfabeta, em 25 de novembro de 1942 se casou com Jessé Horácio Leite, em Maceió, Alagoas e juntos criaram e educaram seus filhos Antônio Jessé Leite (Engenheiro, Professor Universitário e Matemático), Maria Socorro da Silva Leite (Médica Reumatologista e Professora Universitária), Jorge da Silva Leite (Médico), Lúcia Maria Leite Primo (Veterinária), Maria de Fátima Leite Zeferino (Educadora) e Maria Elizabete da Silva Leite (Educadora, Poeta e Escritora). Aprendeu a ler um pouco, a escrever e as operações matemáticas no antigo MOBRAL (Movimento Brasileiro de Alfabetização, voltado para educação de adultos). Uma pessoa sábia, cozinheira exemplar que gostava de cantarolar para suas plantas ao entardecer e à noite sentava na calçada em frente a sua casa na Rua Santa Fé, 259 em Maceió, no bairro da Levada,cercada por crianças contava histórias infantis e lendas urbanas. Em alguma outra morada, amanhã estará completando 94 anos, provavelmente cantarolando e contanto sua inesquecíveis histórias da "carochinha". Parabéns Mamãe Lourinete! Feliz Aniversário!