domingo, 28 de junho de 2020

Viva São Pedro!

ANO III - EDIÇÃO Nº 396
Tema das Imagens: Fotógrafo Ricardo Benevides de Melo
DO QUE SOU CAPAZ

Vamos vê o que se sucede
Quando a gente se achegá
Eu te ensino a me querê
E tu me ensina a te beijá.
Tu ainda nem provaste
De um véio bem chegado
Que ainda tem no peito
Um tiquinho do bocado
Do que pode sê capaz
Quando tá apaixonado!
Sou capaz de ir pra lua
Sem sequé sê astronauta
Não careço de luz própria
Pois a luz da tua estrela
É coisa que não me falta!
Vê se já tiveste um homi
Com toda essa grandeza
E a paixão que te consome
Eu te digo com certeza
Bem merece ser juntada
A teus encanto e beleza!

Socorro Almeida
Recife, 20/06/2020

 SE TU CASÁ COM EU

Tu que vive a se escondê
Do caboclo que te ama
Tu sabes que não me engana
Com esse jeito de bebê!
Inventa mil desculpa
Com esses zoio de raposa
Inda diz que é minha a culpa
Não querê sê minha esposa.
Pois agora eu vou dizê
O que tás preste a perdê:
Minha casa é pobrezinha
Mas num canto a gente vê
Tem um vasinho de fulô
Que toda manhazinha
Solta um cheiro de amô
O cheiro que vem docê!
Lá no pasto tem vaquinhas
Todas elas muito belas
Todo dia me encanteia
Por me dá muito mais leite
Nas noites de lua cheia.
Pela janela do meu quarto
Da minha cama tão vazia
Eu avisto a lua branca
Invadindo todo o prado
E nós dôi bem que podia
Sê amada e sê amado
Pra sê feliz todos os dias!

Socorro Almeida
Recife, 20/06/2020
SÓ ANO QUE VEM

Ele se compara a um rojão
Porque tem fogo todo dia
Desse tipo eu corro milhas
Eu sou um traque de massa
Sem ninhum podê de fogo
Aprendi desde criança
Que dispoi que o fogo passa
Sobra só desesperança!
Quero vê minha quadria
Se arrumano pra saí
E lá no fundo do quintá
Vou dançá a noite intêra
E também me distraí.
Essas coisa de namoro
Também acho muito bão
Vou pedí a Santo Antonho
Num mandá agora não
Bem mió ano que vem
Mode eu me prepará
Pra sê rojão também!

Socorro Almeida
Recife, 21/06/2020

  ASAS DA IMAGINAÇÃO

Dando asas a minha imaginação
Voei pelos versos da minha poesia
Busquei sentimentos é sensações
A vida de outrora, é atuais alegrias...

Pulei bem alto e toquei o horizonte
Abandonei o casulo e ganhei leveza
Adentrei nas matas até os montes,
Achei na essência a minha beleza...

Dancei com nuvens, saltitei pelo ar
Toquei de mansinho o brilho do sol
Apanhei os raios para me iluminar,
Fiz com as cores do arco-íris um lençol...

Para me proteger do frio e do calor
Penetrei no fundo do meu coração
Por lá encontrei o verdadeiro amor
Meu mundo é um livro de emoções.

Elisabete Leite

 AMIGO PASSARINHO

Oh, fiel amigo, meu passarinho!
Tu habitas sereno lá no Jardim,
Na árvore desfolhada fizeste ninho
Como sinfonia, canta só pra mim...

Nesse cenário, tu reinas sozinho,
Tua beleza é imagem de esplendor
Primavera chega e retira espinhos
Fazendo brotar folhas verdes de cor...

Teu ninho é acolhedor e quentinho,
Foi edificado na Fé e pétalas de flor
Para acolher teus filhotes e vizinhos...

Abrigando-os do frio, ou forte calor
Oh, meu amigo, gorjeia bem baixinho!
A tua harmoniosa melodia de amor.

Elisabete Leite
 SONETO AO BEIJA-FLOR

O tempo tingia de cinza o cenário
O orvalho molhava a flor em botão
Um tênue beija-flor voava solitário
E trazia nas asas doce inspiração...

Oh, magnífico pássaro beija-flor!
Vejo-te pairando por todo o jardim
Cantando suave canção de amor,
Em seu voo magistral, e sem fim...

Tua melodia transmite suavidade
O som migra direto até o coração
O momento é de plena liberdade...

Ah, vou dando asas à imaginação!
Encho-me de magia e felicidade,
Sensibilizada por tanta perfeição


Elisabete Leite

Photographic Lens
            
Ricardo Benevides de Melo é natural de Recife-PE e reside em Olinda-PE. Desenhista, desde criança; pintor de arte plásticas, em tela, e fotógrafo. Porém, foi na fotografia que se profissionalizou. Sua mãe era artista e seu avô artesão, possui no sangue o dom da arte. Tem, como fonte de inspiração, sua esposa que o acompanha e apoia no âmbito profissional e pessoal. Um artista que passa para seus registros fotográficos o amor que sente pela vida e pela natureza. Atualmente é Fotógrafo Profissional de Paisagem Urbana e Natureza.

Instagram: ricardobenevidesfotografia



Não Aprendemos Nada

O tempo passa, a gente corre
Arrastados por ondas que vão e voltam
Uns morrem, tantos se arrastam
Ando com os pés trocados
Mãos ávidas para alcançar
O que já foi alcançado.

Bem longe surge uma luz
Não é verde nem amarela,
Tão pálida, enfraquecida
Parece estar adormecida
Fraca, triste sofrida
Sou Esperança vencida.

Tantos perdi em minha volta,
Outros tantos mortos-vivos
Caminham com máscaras coloridas
Enfeitando máscaras sofridas
O Sol tenta apontar
Tanta desgraça escondida.

Fico sentado a pensar
Preso em minha casa
Sem poder comunicar
Que descobri com certeza
Em meio a tantas incertezas
Que não vivi com nobreza.

Ser nobre é ser descente
Ser puro e inocente
Mas o que fazem com a gente
Nos deixa somente temente
De ser igual a qualquer gente
Deixando a gente demente.

E Deus onde está?
Pergunto sem parar
Talvez, em seu confortável Lar
Deixando por nossa conta
Jogar o jogo da vida
E dizer que foi vivida.

Sinto no fundo da alma
Que poderia ser diferente
Mas somente um demente
Tenta ser contra a corrente
E medroso como somos
Não fazemos nada diferente.

A diferença é aprender
É fazer, se envolver
É não ter certeza de nada
É tentar sempre outra vez
É nunca olhar sem sentido
É Amar por ter vivido.


Jorge Leite

Madalena, 26 de junho de 2020.



V I V A   S Ã O   P E D R O