domingo, 30 de agosto de 2020

O Poeta Catador

ANO III - Edição Nº 405
Tema das Imagens - Inverno Poético


VELHO AMANTE
Pedro Passamani

O velho amante
Não é diferente,
Tão somente
Envelheceu amando.
Apesar
Da aragem persistente,
Lentamente,
A aurora da vida
foi extraviando.
Ainda que,
No lar, no asilo,
Recorda a velha,
Já sem estilo
Mãos trêmulas,
Pouca telha,
Face enrugada.
A velha,
Sua eterna namorada.
Da sua vida,
Foi a chama,
O amor, a centelha,
Hoje apenas,
Ausência isolada.
Ausência povoada
De antigos carinhos.
Na mente
Do velho amante,
O amor
Ainda é lampejos
De velas acesas,
Ao longo dos caminhos.
Nada mais,
Como antes,
Lembranças são apenas
Chamas dançantes,
Na ilusão do amar.
Em silêncio, sozinho.
A centelha,
Que era luz,
Se fez eternidade
E permanece viva,
Na cristaleira
Da memória.
O velho amante,
As revê com saudade.
Na vala feliz,
Do amor sincero,
Que fez história.
História sem medo,
De quem só amou.
Para quem ama,
Não há vida perdida,
Pois não cai
Quem muito tropeçou.
Amor é balsamo,
Na alma ferida,
O amor cura,
Dores, mazelas
E sofrimentos da vida.
Do velho amante,
A memória se esvai.
Momento nebuloso,
Sopro de vento,
Mas a amada,
Da memória
Não lhe sai.
Em devaneio
O velho amante
É a alma voando
Em pensamento,
Buscando,
O que ficou distante,
Assim ainda ama,
No presente momento.


MEU CAMINHO
Da Obra: Poemas para Ela
Pedro Passamani

Meu caminho é o seu.
É o caminho do coração;
No silêncio de meu carinho,
Tudo é ternura e paixão.
Sinto-a, escuto-a.
E tudo, vem desta,
Interação.
Em forma lírica,
De verso e canção.
Meu caminho, consigo, permuto.
Se o caminho é meu e seu,
Logo é cheio de amor,
Enriquecido com tudo que é seu.
Meu caminho lindo,
Cheio de luz e paz
Caminho onde me acolhe,
Onde tudo me apraz.
Somos um encontro,
De alegria, luz e cor.
Encontro para toda vida,
Em meu caminho, você é o amor.
Nosso caminho não tem partida
Nele fizemos morada,
Aviamos em paz bem juntinhos
Em nosso caminho, só tem chegada.
Eu sou seu, você é minha,
Seguimos na mesma estrada.
Sem adeus ou despedida,
Sem lágrima desesperada.
Meu caminho é só amor,
Vida e alegria a desabrochar,
Eu vivo para você,
Você me inspira cantar.
Canto nosso amor em profusão,
Pois meu caminho é lhe encontrar;
Canto encontros, lindos,
De almas a se abraçar.
Almas que no silêncio,
Amor eterno, propalam.
Sem juras sem promessas,
Sem palavras tudo falam.
No meu caminho,
Você é luz,
Dissipando treva e escuridão.
Nele você é a lua
Iluminando a imensidão.
Quiçá estrela pequenina,
No infinito a brilhar,
Com refulgência sideral,
Apenas a me encantar.
No meu caminho, é o calor,
É a libido e a paixão,
É a poesia, é meu verso.
É a beleza da inspiração.
Meu cantar sem você,
Seria bem tristinho.
A rima se desorienta,
Fica árido meu caminho.
É um andar a esmo,
Em noite gélida e fria,
Minha doce menina,
No meu caminho é a chegada do dia.
Que o perigo da noite, afugenta.
Traz paz ao coração,
E a alma apascenta.
Com seu carinho que é só doação.
Do meu caminho é a verdade,
Segue comigo, no mesmo compasso.
Juntos vencemos tropeços e dores,
Na força e no calor do abraço.
Nunca estamos sozinhos,
Tenho você minha assim.
Mesmo na distância,
Tenha certeza, tem a mim.
Guardo você, quietinha,
No mais íntimo, do meu coração.
Você está sempre em minha prece,
Em meu verso e minha canção.
Meu caminho é você,
Aconchegada no meu peito.
No pulsar, do meu coração.
Acomodadinha assim desse jeito.

SOU VERSOS, RIMAS E POESIA
Elisabete Leite

Eu sou assim, um pouco de tudo! Sou poeira, ventania, amor, paixão, sentimento, emoção, alegria, água, fogo, palha, flora, fauna, sol brilhante, lua radiante, uma estrela que alumia, até sou tristeza, e do mar sou perfeita calmaria.
Sou o som da chuva, a partitura de uma doce canção, a mais bela sinfonia que toca o coração, e as diferentes sensações.
Vejo-me dentro do esplendor do espaço sideral, faço parte da natureza das coisas; posso me transformar em tudo que quero, minha imaginação voa, e viaja por vários lugares ao mesmo tempo; sou pequena, grande, começo, meio, fim, tudo e nada... sou o infinito do Universo.
Sinto-me uma flor que desabrocha a cada novo dia; sou o verde da esperança, o amarelo que contagia, o colorido do carnaval, o azul do céu, sou de várias cores ao mesmo tempo, sou filha do Brasil, e do Nordeste sou o branco da paz que pela terra floresce....
Viro-me pelo avesso e vejo meu interior; minha essência é iluminada, e em meu coração só existe amor.
Sou livro que abre portas e janelas para que o mundo possa mudar de cor. Sou livre arbítrio, a liberdade de expressão de cada autor...
Sou letras, palavras, versos, rimas, inspiração, magia, pois a minha imaginação alça voo toda hora, e todo dia; é assim que me transformo em Poesia.

  INVERNO POÉTICO!
Elisabete Leite

Aves surgem no resto da neblina,
Chuva molhando e regando a terra
O sol nasce por entre nuvens finas
Vem luzindo do campo até a serra...

Brilho suave em respeito ao tempo
Alimentando o broto que se enterra
Abre espaço para o sopro do vento
Respeitando a imagem que venera...

O equilíbrio faz parte da natureza
De acordo com o clima da estação
O cenário é colossal, de rara beleza...

É o inverno poético da imaginação
Minha inspiração é a pura riqueza,
que flui do meu iluminado coração.

OS PENSAMENTOS VOAM
Elisabete Leite

          Ah, se os pensamentos pudessem falar! Eles contariam tantos segredos; falariam do intenso amor, da ardente paixão, das grandes emoções, dos momentos de alegria, dos instantes de tristeza, das intenções proibidas, e de tantas outras diferentes sensações; que na verdade, são os enigmas do coração, os mistérios da mente, de pensar positivo ou não...
          Os pensamentos são alados, voam no tempo, atravessam fronteiras da razão, cruzam horizontes, ultrapassam limites, vencem medos, quebram paradigmas, viajam pelo passado, aterrissam no presente e sonham com o futuro. Os pensamentos migram de um canto a outro sem serem vistos, porém estão sempre presentes, vagando pelo raciocínio das pessoas...
          Os pensamentos positivos buscam soluções, porque o dia a dia de cada um é construído com as cores vibrantes das emoções sentidas. Um dia cinza pode ser colorido com vários tons, vai depender da imaginação de quem o sente. Pois a vida tem a cor que se pinta. Se o dia amanhecer chuvoso e escuro, se faz necessário buscar a luz de dentro do interior, o brilho presente na essência, e deixar resplandecer o sol. Assim, a felicidade chega de mansinho e vai contaminando a vida. Já os pensamentos negativos devem ser banidos da mente. Convém, deixar fluir apenas o bem que se sente.
          Os pensamentos podem compactuar com o coração e deixar o amor florescer e se eternizar ao longo do tempo. Nada nem ninguém pode apagar uma imagem ou um sentimento da mente, mesmo que a página seja virada, que uma nova história seja contada, que um nome seja riscado, ou mesmo um sentimento acabado, porém no alçar dos voos do pensamento tudo pode se eternizar ou renascer.
          O importante é deixar os pensamentos voarem, em total liberdade, fazendo-os reviver momentos que foram construtivos.
          Porque como se diz: "Recordar é viver!". Enfim, vivemos de recordações, e os pensamentos podem viajar e fazer acordar as doces lembranças, antes adormecidas, ao longo do tempo.

Vamos dar asas aos nossos pensamentos?!

 

POETA CATADOR
Da Obra: Papo Reto
Pedro Passamani

Ser poeta,
É ser catador;
De sentimentos,
De restos;
De sobras de carinhos
E de amor,
Catando letras,
Formando palavras.
O poeta fala de tudo,
Que possível for.
Cata;
As bonitas, as fortes,
E as ditas com vigor.
Cata;
Também as tristes,
Aprisionadas em suas teias;
As perfumadas,
De sublime odor;
Até as mal cheirosas,
Murchas e feias.
Palavras que para leigos
É um enfadonho horror.
Para o poeta,
Catar as desprezadas,
É catar essência e vida.
E, diga-se de passagem,
Nessa poética imagem;
Há vidas muito raras.
Catar estas em palavras
É catar flores despetaladas,
Que para o poeta
São preciosidades muito caras.
Estas seriam flores,
Que jamais iriam ser pintadas,
Ainda bem que poesia existe,
Para as almas tristes,
Que somente pelas palavras,
Podem ser felizes, divinizadas.
Paixões pelo poeta cantadas,
Desfiando de dores um rosário
Com palavras, catadas,
Sem constarem no dicionário.
Mas como dialeto,
São sensíveis larvas,
Que enriquecem o glossário;
Trazendo luz as rimas
Pobres e parvas.
O poeta é um reciclador,
Dos lodaçais da memória,
Faz nascer poesia e amor.
Perpetuando, na história,
Sentimentos encardidos e sem cor. 

Comentário do Domingo
Antônio Jessé Leite

Bom Dia!

A ÉTICA
é uma coisinha relativa!

O sociólogo Peter Berger escreveu um livrinho delicioso: "Introdução à Sociologia".
Um dos seus capítulos tem um título estranho e delicioso: "Como trapacear e se manter ético ao mesmo tempo".
Estranho à primeira vista. Mas logo se percebe que, na política, é de suma importância juntar ética e trapaça. Para explicar vou contar uma historieta. Havia numa cidade dos Estados Unidos uma igreja batista. Os batistas, como se sabe, são um ramo do cristianismo muito rigoroso nos seus princípios éticos.
Havia na mesma cidade uma fábrica de cerveja que, para a igreja batista, era a vanguarda de Satanás.
O pastor não poupava a fábrica de cerveja nas suas pregações..
Aconteceu, entretanto, que, por razões pouco esclarecidas, a fábrica de cerveja fez uma doação de 500 mil dólares para a dita igreja. Foi um auê..
Os membros mais ortodoxos da igreja foram unânimes em denunciar aquela quantia como dinheiro do Diabo e que não poderia ser aceito.
Mas, passada a exaltação dos primeiros dias, acalmados os ânimos, os mais ponderados começaram a analisar os benefícios que aquele dinheiro poderia trazer: uma pintura nova para a igreja, um órgão de tubos, jardins mais bonitos, um salão social para festas.
Reuniu-se então a igreja em assembléia para a decisão democrática.
Depois de muita discussão registrou-se a seguinte decisão no livro de atas:
"A Igreja Batista Betel resolve aceitar a oferta de 500 mil dólares feita pela Cervejaria na firme convicção de que o Diabo ficará furioso quando souber que o seu dinheiro vai ser usado para a glória de Deus."

É isso aí...!



IMAGENS: As imagens foram encolhidas e encaminhadas para Blog Maçayó por Elisabete Leite.

 

domingo, 23 de agosto de 2020

Alô, Você!

ANO III - Edição Nº 404
Tema das Imagens - Abstração

 NOSSO LAR

Socorro Almeida 

          Não existe lugar melhor que nossa varanda. Daqui posso pintar o quadro que eu quiser, ou imaginar tudo o que eu queira que aconteça. Nos pilares que a sustentam, o vento dá tantas voltas, que só se acalma quando pousa em meu rosto. Acho até que se embriaga com o meu perfume! E você, do meu ladinho, orgulhoso e enciumado, disfarça com dificuldade pro vento não notar. Não suportaria que zombasse de você.
          De repente, num disparate inusitado, você me diz que as estrelas sumiram do céu e, ao se despedirem do infinito, pousaram em meu sorriso para iluminar nossa noite!
          Ah! O amor! É algo tão extraordinário que nos permite sonhar, extrapolar os limites de nossa imaginação, pra nada mais desejar senão a paz do nosso lar, a brisa de nossas manhãs, a negritude de nossas noites à luz dos vaga-lumes... E neste cenário, só você e eu...Ninguém mais!

Recife, 01/08/2020
ALÔ, VOCÊ?
Socorro Almeida

          Dói ver o jardim que regamos ser abandonado. O jardim que criamos em nossos corações. Pois cada flor que murcha é uma artéria que se rompe. É como o pisar sem chão, o caminhar sem direção, a religião sem fé, uma alma sem Deus. De tudo provamos, sentimos, compartilhamos, e sorríamos de tudo. Nosso horizonte tinha as cores do arco-íris e planejamos colorir nosso futuro... mas, o que havia mesmo de nosso, senão só de você? Que jardim, que direção, que horizonte, que futuro? Mas agradeço e aceito a ilusão do que fui, do que senti, e do que ainda posso ser, daqui por diante... Talvez uma joia rara a ser descoberta, um diamante bruto a ser lapidado. Só você não percebeu. Que pena!

Recife, 31/07/2020

AINDA ASSIM
Socorro Almeida

Ainda que todos os sonhos se dissipem
Que no horizonte se apague o arco-íris
Que todas as nuvens do céu se esmaeçam
E a luz do sol em toda a terra se apague;

Ainda que não se ouça o som do vento
Em súplicas e em lágrimas se afogue
E os ecos inaudíveis e sem respostas
À tua voz sejam ouvidos por onde eu ande;

Ainda que eu não mereça ser ouvida
Por teu amor e a tua palavra amiga
Um sopro de mim que ainda queiras ouvir
Em tuas mãos deponho toda minha vida!

Recife, 20/04/2020 

SOLIDÃO
Inaldo Caetano Ferreira

Às vezes penso que viver assim
De angústias e ansiedade ao querer
Me libertar da solidão
Para que a vida ou a morte de mim
Possa fazer total diferença
E tranquilizar meu coração!
Falar da morte, no entanto
Não é como falar da vida
A vida é tão rara!
A morte queima como fogo
A vida supera a dor
A morte destrói o corpo
A vida renasce em novo amor!
O arrebatamento da alma
Pelo milagre da vida...
Esse milagre em mim!
Na solidão, a descoberta
Que a vida é tão rara!
A morte, o fim de tudo
Por que então querer o fim?!

São Paulo, 15/08/2020

SEDUÇÃO
Inaldo Caetano Ferreira

Pela suave e quente areia da praia
Naquele dia típico de verão
Eu caminhava pensando em ti
E o vento soprando a meu favor
Acalmava no meu peito a paixão.

Tanto que pedi às ondas do mar
Que por total cumplicidade
Abrandassem a dor da minha saudade
Que me deixa louco, a delirar!

E a natureza, louca como é
Sem remorsos e sem medo
Vem mostrar que nunca é demais
Amar com loucura uma mulher
Dona de um corpo sedutor
Rainha absoluta dos meus segredos!

São Paulo, 12/08/2029

PROSA POÉTICA A DOIS
Elisabete Leite

          Caminhando tranquila pela praia, ainda deserta, fico a imaginar os nossos momentos, que não são instantes de quimeras, e nem tão pouco divagações sobre tormentos. São momentos reais a dois, porém vividos à distância, que aos poucos o alicerce vai se fortalecendo por meio da força do amor e pelos voos em minha imaginação. Momentos de um amor em processo de construção, que vai crescendo a todo instante.
          Sinto meus pés firmes e aquecidos pela areia quente e macia desse adorável mar; e fico a contemplar duas nuvens no céu que parecem bailar e um sol brilhante que para mim sorrir. Procuro escutar o som das ondas que quebram à beira-mar, como também a voz do vento que chega assobiando bem devagar, trazendo com ele uma brisa suave que massageia minha pele e beija minha face, fazendo lágrimas rolarem de satisfação e felicidade. Até escuto o gorjear das aves que querem me contar algum segredo, elas trazem em suas potentes asas a esperança de renovação, a certeza de um breve encontro.              Elas me dizem que nada é ilusão, mas tudo está em perfeita harmonia e formação...
Vejo-te, como miragem, correndo em minha direção, de braços abertos para me acalentar. Assim, apresso meus passos para te encontrar. Saudando-te com um ardente beijo e um longo abraço, enquanto escuto as fortes batidas do teu coração, em cadência com o meu suspiro de emoção.
          Perco a noção do tempo, já não sei mais o que é imaginação ou realidade, somente esse momento me interessa, pois me sinto completa dentro dos teus braços.
          Acordo daquele instante de êxtase sentindo um suave toque em meu rosto, abro meus olhos, e vejo-te diante de mim, exclamando baixinho, somente para eu poder ouvir: amo-te, minha linda menina!
          Permaneço sorrindo... tudo é a mais pura realidade! Então, rapidinho respondo: também te amo, com muito carinho, respeito, confiança e liberdade!

NUVEM PASSAGEIRA
Elisabete Leite

Você chegou como árvore sementeira
Lançou à terra boa quantidade de sementes
Porém, como uma nuvem passageira
Não deu carinho, e nem atenção suficiente...

As sementes adormeceram por inanição
Sem água, elemento indispensável à vida
Como predador deixou rastro de destruição
A terra padeceu por ter sido esquecida...

Entretanto a terra retirou do seu interior
Autoajuda para não se sentir perdida
Recebeu de outros nutrientes doses de calor...

Assim, as sementes antes adormecidas
Brotaram pela força edificante do amor
E a terra reviveu por ter sido acolhida.

DORES DO AMOR
Elisabete Leite

Folhas mortas voando pelo chão
É o vento que traz total desamor
O coração partido de desilusão,
O tempo carrega seu esplendor...

Sentimento que deixa decepção,
E esconde o desabrochar da flor
Até o nascer do broto na estação
Só resta uma vida inteira de dor...

Tristezas comprimem o coração
A incerteza retira da vida, o sabor
Deixando sem briós, só comoção...

Tudo fica sem brilho, sem o calor
A alma, vazia, perde a sensação,
São dores da vida, dores do amor.

Imagens: Pixabay



domingo, 16 de agosto de 2020

Um Domingo com Prosas & Versos.

Ano III - Edição Nº 403

Tema das Imagens - Diversificação

Um pequeno dilema

Antônio Jessé Leite

 Sempre admirei, e dedico profunda respeito, a quem trabalha com a arte, seja escrita, artesanal, teatro, pintura, fotografia entre tantas outras. Como acredito que seja um conceito difícil e para alguns polêmico, vou reproduzir a definição do novo dicionário “Aurélio” da língua portuguesa – terceira edição revista e atualizada: “1. Capacidade que tem o ser humano de pôr em prática uma ideia, valendo-se da faculdade de dominar a matéria”. Antes de prosseguir peço as devidas desculpas aos meus queridos irmãos, poeta e poetisa respectivamente, Jorge e Elizabete por ousar, mesmo conhecendo as diversas definições do dicionarista citado, utilizar o termo em uma banalidade que dissertarei a seguir.

Tenho postados alguns vídeos contendo fotografias e músicas, que podemos considerar como artes. Mas sei da dificuldade, pelo menos através da leitura, de produzir algo que possa ser chamado de uma arte. Daí a pergunta, quando o que se realiza pode ser chamado de arte? Espero que a formulação, que não acho notória, realmente não seja óbvia, apesar de o texto do dicionário ter um final preciso e enfático “... valendo-se da faculdade de dominar a matéria”. Aí a questão fica complexa e sempre me transformou em um medroso, apavorado, de mãos atadas, com muita firmeza, quando vou executar algo que possa ser submetido a uma crítica e entre todas a minha própria. É uma dificuldade que busco não a tornar explícita, mas a acho compreensível quando me deparo com as palavras “dominar a matéria”.

 Mas porque abordar algo tão delicado como prefácio para uma postagem? Parece não fazer nenhum sentido mas achei o trabalho final muito interessante. Queria aprender como alguns fazem coisas tão bonitas! Aí veio uma “quimera” que avaliei no mínimo curiosa. Procurei quatro panos de microfibra (35 cm x 35 cm) de cores diferentes, normalmente usados para limpar itens de informática, e os posicionei, aleatoriamente, em um piso de cerâmica e fotografei. O resultado foi impressionante. Uma foto de um colorido sublime, com vales e montes bem destacados. Chama-me a atenção uma foto de duas dimensões com tanto sentido de profundidade. Ela não foi trabalhada em programas específicos e a câmara foi de um iPhone 11. A probabilidade de reproduzir a distribuição espacial é mínima. Isso explica a beleza de uma foto de partes do universo ou da natureza. Talvez vocês não concordem mas a fato dos palitos de picolé, é uma obra de arte.

 Obra de arte! Assustador, acho que já se tornou uma perseguição. Será que teremos que reabrir a discussão anterior. A tentação é convidativa e desafiante. Quem sabe meus irmãos poetas poderão me ajudar a continuar com mais profundidade o assunto argumentado?

 O que nos faz notáveis (seres humanos) é nossa capacidade de sempre procurar como se comporta tudo na natureza. Somos seres que não paramos de nos questionar sobre, basicamente, tudo. Cada passo que damos ao descobrir o novo, aparecem outras indagações e o que encontramos nos conduz a outros fatos desconhecidos. Claro que dentro deste contexto existem muitos pretensiosos artistas que não se preocupam com as últimas palavras da definição de arte. O sentido crítico não existe para alguns, como ironizava nosso dramaturgo, ensaísta, poeta maior Ariano Suassuna sobre a banda Calypso.

 Alguns amigos dizem que sou muito complicado e como professor ensino tudo com muita complexidade. A precisão ao se expressar é uma regra ultrapassada, principalmente, porque está em desuso, pelo menos para alguns, “dominar o assunto” e quando assim desejamos proceder somos “complicados”, e de difícil entendimento.

Deixemos um pouco à temática de lado e voltemos à postagem. Bem, não estamos pretendendo dizer que a foto é uma obra de arte. Claro que não! Não sou tão pretensioso e, como disse anteriormente, meu senso crítico é muito acurado. Uma experiência cujo resultado foi interessante, intrigante, gerando uma imagem bonita.

 Um amigo meu uma vez comentou “Amigo-irmão, sua sensibilidade é algo invejável...”. Ele está corretíssimo, ela aumenta a cada dia que passa, e com aspectos peculiares. Com entornos mais bem elaboradores e fantasiosos. Pode ser uma decorrência da idade. Como não consigo aprender as breves lições, primordialmente, as cotidianas decorrentes de leituras e da própria vida minhas comiserações aumentaram.

 Novamente, encontro-me em fuga do quesito em foco, ou seja, a postagem. Para não me alongar e possivelmente escapar dessa impiedosa visão, deixo o prosseguimento da matéria e comentários para meus leitores prediletos, meus cinco irmãos.

Poesia de Neófito
Antônio Jessé Leite

Qual criança não gosta de pirulito de cereja,
Jovem que não aprecie uma espumada cerveja,
Que não apreciou um Martine com uma cereja,
Que não se embebedou com uma deliciosa cerveja.

Aquele que não enlouqueceu com um beijo com gosto de cereja,
E não se confundiu com uma gatona que tomava cerveja,
Ou se acalentou com champanhe com sabor de cereja,
Ou ficou triste e desolado sozinho diante de uma cerveja.

E o que dizer de um pudim enfeitado com cereja,
Ou um costumeiro bolo emassado e cosido com cerveja,
Um café com torradas servidas com geleia de cereja,
Para eliminar a ressaca causada pela derradeira cerveja.

Hoje desfio de saudade dos encontros acompanhados de cerveja,
E saraus eloquentes e fervorosos nos fins das tardes com refresco de cereja,
Não é por coincidência que a poderosa Perséfone ou Koré deusa da cerveja,
Era uma bela jovem que gostava de brincar nos campos floridos de cereja.

Poderia ter vindo 

Ingrid Pires Leite de Melo

Queria ter o dom vindo junto comigo em meu primeiro fôlego puxado.
Imagino escrever poema, poesia, conto, soneto.
Mas quando tento encaixar as palavras na moldura previamente nominada: frustração.
Qual minha posição dentro dessa Literatura?
Não possuo posição certa nesse mundo de regras métricas e de rimas.
Acredito que sou livre, pois.
Mas confesso que essa liberdade tem seu preço... não me encaixar me leva a não acreditar no tom de minhas palavras.

Parece uma brincadeira embaralhada!
Porém, triste não fico! Se se aprende fazendo, tenho aprendido, tenho escrito.
Sou aluna dos que me inspiram, dos que me orientam e aluna aplicada dos grandes!
Além de tudo isso, imagens fazem nascer em mim imensa inspiração para pôr no papel a minha reação à figura.
Na verdade, finalmente, eu escrevo e aceito.
Por enquanto, meu Soneto é Só.

A morte
Ingrid Pires Leite de Melo

O assunto que não me inspira.
Se penso em inspirar como trazer pra dentro de si o ar, falta fôlego.
Se penso em inspirar como trazer pra dentro da mente uma luz... que luz haveria na escuridão da morte?
Tantos se vão, tantos ficam.
Nem é o fio da vida que os separa.
Falta-me o segredo da palavra certa.
Certa? Este conceito em si parece ofensivo.
Busco na biblioteca de meu coração, que já perdeu preciosas companhias terrenas, um conceito, uma frase com mensagem subliminar, que venha acalentar...
E nada.
É um sentir, é um tic-toc.
É o luto.
É a luta.



DESAFIOS DO AMOR
Elisabete Leite

Cruzei fronteiras pelo nosso amor
Ultrapassei limites da nossa paixão
Aqueci-me nas chamas do teu calor
Venci os meus medos e divagações...

Realizei um grande sonho promissor
Quebrei paradigmas das emoções
Inebriei-me com teu sorriso sedutor
Em teus braços, senti várias sensações...

Embriaguei-me com teu olhar encantador
Perdi os sentidos e até minha razão
Surpreendi-me com seu intenso vigor...

Tu és a partitura da minha melhor canção
Nosso amor é terno, mas também abrasador
Aterrissei bem dentro do teu coração...

AMOR VERDADEIRO
Elisabete Leite

No amor verdadeiro não cabe o orgulho,
Nem tão pouco a vaidade e ambição
Ele se manifesta sereno, sem barulho
Com a Paz reinando dentro do coração...

O amor verdadeiro compreende e perdoa
Também não julga o antes, nem o depois
Ele é gratuito, porque jamais magoa
Cada ação deverá ser decidida a dois...

O amor verdadeiro não é passageiro
Nunca morre, vai crescendo com o tempo
Ele é um fiel e saudável companheiro...

Não é brinquedo, e nem passatempo
O amor tudo supera por ser verdadeiro
Cabe sentir a intensidade, sem perder tempo. 

PARA ONDE VAI O AMOR QUE SE PERDE?

Um ano antes de sua morte, Franz Kafka viveu uma experiência singular.
Passeando pelo parque de Steglitz, em Berlim, encontrou uma menina chorando porque havia perdido sua boneca.
Kafka ofereceu ajuda para encontrar a boneca e combinou um encontro com a menina no dia seguinte no mesmo lugar.
Não tendo encontrado a boneca, ele escreveu uma carta como se fosse a boneca e leu para a garotinha quando se encontraram. A carta dizia: “Por favor, não chore por mim, parti numa viagem para ver o mundo.”
Durante três semanas, Kafka entregou pontualmente à menina outras cartas, que narravam as peripécias da boneca em todos os cantos do mundo: Londres, Paris, Madagascar…
Tudo para que a menina esquecesse a grande tristeza!
Esta história foi contada para alguns jornais e inspirou um livro de Jordi Sierra i Fabra (Kafka e a Boneca Viajante) onde o escritor imagina como como teriam sido as conversas e o conteúdo das cartas de Kafka.
No fim, Kafka presenteou a menina com uma outra boneca.
Ela era obviamente diferente da boneca original.
Uma carta anexa explicava: “minhas viagens me transformaram…”.
Anos depois, a garota encontrou uma carta enfiada numa abertura escondida da querida boneca substituta.
O bilhete dizia: “Tudo que você ama, você eventualmente perderá, mas, no fim, o amor retornará em uma forma diferente”.

~ May Benatar, no artigo “Kafka and the Doll: The Pervasiveness of Loss” (publicado no Huffington Post). Enviado por Antônio Jessé Leite.

Madrugada
Jorge Leite
Madalena, 15 de agosto de 2020.

Corro uma corrida desesperada e louca
Que me angustia nas madrugadas moucas
Seu suor frio escorre em rostos e bocas
Quebram meus ossos roídos por minhocas
Na incerteza de saber se estou vivo
Ou morto
Ou são coisa de minha cabeça oca.

Quem sabe, quem saberá
Quem poderá dizer quando encontrar
Minhas cinzas escuras espalhadas pelos ventos
Continuo correndo sem sentido, sem sentimentos
Corpos vagos como um tormento
Na dança da morte quem me encontrará
Pedindo, implorando para voltar

Não sei, quem saberá
Quem poderá dizer o que me assusta
Quem deixará de me assustar
Quando, porém seu corpo gélido
Em minhas mãos frias tentam me acalmar
Minha boca já não grita
A poeira do tempo não a deixa gritar.

E pela madrugada adentro
Seu corpo se contorce em movimentos
Deixando minha tristeza como um lamento
Beirando a loucura desse momento
Entregues a si mesmo sem contentamento
E dessa valsa fúnebre em andamento
Seus abraços me matam com meu consentimento.

Me abraça, aquece-me em seu gélido túmulo
Seu corpo apodrece como estrumo
As larvas dançam em seu corpo trêmulo
Acordo suando com tanto acúmulo
Das secreções de nossos músculos
Que vai e vem feito um Pêndulo
Em um gozo triste e fulo.

Cansados de movimentos esdrúxulos
Sua pele cheia de estrófulos
Parece uma sopa de vocábulos
Que destrói alguns obstáculos
Por baixo de minha pele feito ânulos
Em uma dança de corpos crioulos
Deitados no chão do estábulo.

A madrugada morre ao nascer do Sol
Nossos corpos fisgados por um anzol
Estremecem agarrados sujam o lençol
A madrugada padece com ironia
Nossos corpos deliram com agonia
Gozamos juntos e quem diria
Tudo passou na maior Monotonia.

 

UM ANJO

Elisabete Leite

Um anjo cruzou meu caminho, deixou minha vida sem espinhos, transformou meus dias em uma aquarela de cores vibrantes, com vários tons cintilantes, e também encheu meu pomar com frutas e sabores; fazendo meu amor fluir bem de mansinho, como pétalas de rosas que bailam voando com a chegada do outono.

Um anjo sem asas, de carne e osso, porém que vive alçando voos constantes, me deixando suspirando de felicidade, às vezes tonta de tanta saudade, mas necessitando da certeza de mudanças e novos ares...

Um anjo iluminado, o eterno dono das minhas vontades e desejos, que apareceu para sanar as minhas antigas dores, curar as severas feridas, as chagas abertas deixadas pelo passado; e chegou iluminando meus caminhos antes escuros com calma e serenidade.

Ele é o único herdeiro do meu coração, e que também desperta uma paixão ardente, como se fosse uma erupção de vulcão.

Meu belo anjo verdadeiro é inteligente, que nada esconde, sua vida é como uma pedra preciosa sem jaça, ou como um tecido de chiffon, muito fino e transparente, um véu que voa pela ação do vento; ele também é minha fonte de inspiração, meus versos, minhas rimas, a mais linda poesia tecida pela emoção. Meu anjo é dono de um sentimento maduro, que me deixa segura; desses anjos que protegem o dia a dia das pessoas, deixando o tempo com um suave sorriso, e rosto contente. Um ser personificado em figura de gente, com pecados e defeitos, mas também repleto de valores e virtudes; ele é o meu único vício, porque sabe transmitir calmaria e deixar o amor reinar em meu coração. Um anjo com dogmas, aventureiro, sincero e amigo leal, um companheiro de todas as horas e momentos reais vivenciados à distância. Ele é como o mar, misterioso, mas que guarda, em suas profundezas,

Verdadeiros tesouros escondidos, que são os seus valores naturais.

Ele marcou presença em minha vida, fincou raízes profundas, fortalecendo o alicerce do nosso sentimento, que faz o nosso amor se perpetuar. Um anjo que me deixa feliz, realizada, inteira, me sentindo amada, e também sabendo amar.

Ele é um anjo sem asas, mas que possui em suas mãos, o meu coração pulsante de amor, e que somente agora, aprendi o que é amar.


Obs; As Imagens foram enviadas pelos  poetas e escritores para ilustrarem seus trabalhos.