domingo, 25 de outubro de 2020

Silêncio

  ANO II - EDIÇÃO Nº 413
Tema das Imagens - Silêncio

 

Sangue de Fracos
Gabriela Mota

Morri em dia de festival
Fiz a cena em contraste com a realidade
Fiz julgamento de estereótipo e me entreguei a ele
Me escondi em visões de você
Vendi minha alma a espelhos quebrados
Deixei-me ser consumida por você
E esse foi meu pecado

Morri em dia de festival
Fiz fotografia da lua
Respirei homicídio
Senti os respingos de mentira
Os sons perdem-se no ar
Fiz-me em cacos

Morri em dia de festival
Ele disse-me que o mundo era fácil de quebrar
Então pequei com ele
Fiz-me chama de fogo ardente
Fui presa em olhares inocentes
Vaguei em mentes incoerentes
Perdi-me em vidas clementes

Morri em dia de festival
Encontrei teu jogo
Perdi por xeque-mate
Mas joguei até minhas últimas forças
Por que entreguei-me a promessas e encantos,
se o amor é uma falsa premissa?

Existe em sonhos
Em mentes ilusionistas
Em corações despedaçados

Entreguei almas em caixões de prata
Atirei por necessidade
Fiz de tua vida cortejo
Fiz de teus lábios desejo
Então brinquei de detetive
Vesti meu casaco e chapéu,
e fui para caça.

Morri em dia de festival

João Pessoa, 17/10/2020

Gabriela Mota. Nascida em João Pessoa, Paraíba. Nasceu em: 21/08/2005. Estuda na escola Nossa Senhora de Lourdes. Seu sonho é poder ajudar as pessoas. É apaixonada por livros, poesias e músicas.
Uma menina com jeito de escrever de gente grande, mas alma de poeta. Um sorriso encantador. Seja bem-vinda Gabriela!


Infinitas Horas de Embriagues
Gabriela Mota

As melodias mais silenciosas me trazem você

Os cantos mais belos lembra-me tua voz
A vida se concretiza com o teu olhar
O mundo para com o teu falar
O teu sorriso é a causa das minhas lágrimas
A minha dança é guiada pelas tuas ações
Os nossos corpos se conectam na sintonia das canções deprimentes
Nossa eletricidade transborda em taças sem valor

A tua alegria reforma meu dia
Embriago-me na tua poesia
Despeço-me de outras companhias
Alucino-me, prendo-me, afogo-me, afasto-me
Mas estar distante nunca fará com que eu esqueça de ti

Brinco com memórias
Delicio-me com teu sabor amargo
Ando de mãos dadas com a solidão
Enlouqueço por causa de ti
Morreria por ti, ou melhor, viveria por ti
Amarrei-me ao teu ser
E esqueci do meu "eu" falso
Esqueci que na verdade tu és doce
Doce e tão viciante 

Esqueci que não devo confiar em teus passos
Esqueci que teu sorriso é sinônimo de condenação
Esqueci que minhas lembranças são marco de dor
Esqueci de meu próprio reflexo, pois eu só enxergava o teu
Esqueci de meus princípios quando perdi-me em você
Esqueci que sou ingênua o suficiente para acreditar que sou forte
Esqueci que não poderia deixar cativar-me
Esqueci de voltar a superfície
Mas eu não devo culpar-me
Pois ora, o seu mar é sem saída

João Pessoa, 17/10/2020


Beijos ardentes em músicas tristes

Gabriela Mota

Era uma armadilha de encanto
Um poder atencioso
Um olhar devastador
Quando o luar beijou suas peles
Quando a chuva parou em sua eterna paciência,
O mundo foi emaranhado em nós hostis,
O vento cessou em simpatia
Eles se olharam em transcendência 

Os laços de suas almas foram como vidas
Perdidas e recuperadas em prudência
O desejo de seus corpos falaram mais alto
O esquentar das suas almas chamavam um ao outro
O esplendor em seus toques eram sutis como as sinfonias de Bach
Contemplaram o desejo do corpo e da alma 

Descansaram em meros pensamentos de longevidade
Mal sabiam que seria a última vez
Mas nunca esqueceram do que sentiram, do beijo ardente,
Dos sentimentos expressados por cada batida de seus corações
E em modo de despedida, fecharam os olhos e seguiram em frente,
Esperando que a próxima visita fosse feita com rapidez

Mas seus caminhos não foram feitos para se cruzarem novamente
Eram apenas almas perdidas em meio ao caos
E o destino enganou-se, pois o sentimento mais puro surgiu ali,
O amor

João Pessoa, 17/10/2020

Concatenar
Ingrid Pires Leite

Palavra que me traz à cabeça uma imagem.
Um quebra-cabeça, em que as peças incompletas são palavras.
Palavras incompletas em sentido.
Precisam encontrar outras palavras que se encaixem, formando um todo em sentido.
Não é possível tentar encaixar palavras incompatíveis.
Se não se completarem uma a outra, todo o sentido estará comprometido.
Muitas vezes, tentamos forçar um pouco para que se encaixem, mas assim não geram sentido, comprometendo toda a intenção de comunicar.
Concatenar pensamentos, ações e palavras... na busca do sentido.
Sentido de intenção, sentido de atitude, sentido de significado.
Concatenar vai além do texto. Produz naquele que lê, ouve ou sente, um ponto de exclamação, interrogação, reticências ou mesmo um ponto final.
Concatenar. Palavra estranha. Significado transcendente.
Mais do que sujeito - verbo - predicado, concatenar é juntar toda a bagunça do coração e dar sentido ao que a cabeça pensa em reproduzir. 



Não me chame
Ingrid Pires Leite

Sim, eu me doei, mas me dói.

Não, eu não fui o que se esperava sempre... mas confesso que ai vejo o charme de um romance.

Não me chame. Pois te ouvirei muito ainda... em esquinas, em músicas, no céu, e no mar.

Mas não me chame.

O tempo vai ser um amigo, vai fazer um feitiço: de fuga do pensamento!

E ai, tu não me chamaras mais, ou eu não te ouvirei (quase nunca). Que o tempo também lance o feitiço do sumiço da raiva... tão natural agora (até necessária). Mas depois, que se faça a mágica da permanência de boas memórias.

O punhal nas costas não se esquece, mas cicatriza. Por isso peço: não me chame, não se mostre.

Deixe-me ir! Deixe-me cicatrizar! Essa marca não vai sumir... e eu a olharei quando observar a mim mesma mais atentamente. Observarei, sentirei e ouvirei.

Sendo muito recente pra falar em aprendizado, apenas e mais uma vez eu te peço: não me chame.

O meu sumiço, com ajuda da mágica do tempo, será profilático e providencial: pra que sua voz fique cada vez mais longe.

Mas peço o favor, de quem um dia já te amou: ame o meu caminho e não me chame.” 


 COMENTÁRIO DE DOMINGO

 O silêncio que nos cura

Juan Arias

Neurocientistas, estudiosos das funções dos mecanismos cerebrais, estão descobrindo a dimensão terapêutica do silêncio. Dizem que, em contraposição ao ruído, o silêncio está se revelando um antídoto fundamental de prevenção, por exemplo, em distúrbios mentais como a depressão ou na doença de Alzheimer. E no bem-estar geral do organismo, a começar com um sono melhor e mais profundo.

E esses mesmos especialistas na dinâmica do cérebro e da memória alertam, por sua vez, para a falta de espaços de silêncio em nossa civilização do ruído extremo, à qual se acrescentou o “estrondo” [inútil e superficial] das redes sociais. O silêncio hoje se esconde, envergonhado, nos nichos dos que estão descobrindo as suas vantagens para o corpo e para a alma.

Se um dia o silêncio foi um luxo de poetas e místicos, hoje sua prática está se disseminando e é recomendada pelos médicos, na forma da meditação, exercícios de ioga ou fuga do barulho das grandes cidades para buscar, na nostalgia da cidadezinha perdida da infância, o silêncio da natureza [a base da nossa civilização é ARTIFICIAL, existe pouco espaço para àquilo que é fundamental em nossa existência: A NATUREZA].

Existem os silêncios da leitura e o barulho da ignorância. Grita-se para ocultar as razões que nos faltam. O silêncio é indecifrável, mas impõe respeito. Em toda a literatura o silêncio é tratado com distinção. O místico espanhol Juan de la Cruz fala da “música calada e a solidão sonora”. Hoje até mesmo a música se tornou apenas um ruído estridente e de péssimo mau gosto e a solidão infunde medo.

O místico islâmico sufista Rumi escreveu que o silêncio é “a linguagem do divino” para quem tem “ouvidos” para ouvir. E no livro de Jó se lê: “Guarda silêncio e te ensinarei a sabedoria “. O silêncio é o coração do fogo de onde nascem as palavras mais prenhes de vida. O ruído é uma sacola de cascas de nozes vazias.

As palavras, algo que os poetas conhecem muito bem, são engendradas mais em silêncio do que no barulho. Ainda escrito no ruído de nossa civilização, o silêncio precede a poesia e a fecunda. Algo como o silêncio imperceptível das mãos do torneiro moldando a lama para transformá-la em uma bela escultura.

O silêncio é o poema escrito na tela do infinito. A amizade e o perdão são um silêncio sonoro. A raiva e o ódio é o ruído da larva escura que cresce dentro de nós.

Há ruídos que são silêncios profundos, como o do vento batendo no rosto em meio às dunas do deserto, ou o das pedras arrastadas pela água limpa de um arroio da montanha. Ele é criado no silêncio da vida que germina e é destruído no estrondo das guerras.

O ruído nos leva a esquecer quem somos, e o silêncio nos revela. Tentamos mudar o mundo com ruídos e convulsões, mas só o salvaremos com a silenciosa entrega à vida.

Para concluir este artigo fui buscar um poema clássico sobre o silêncio. Escolhi um da coleção do grande escritor e poeta uruguaio Mario Benedetti. São apenas quatro versos e resumem a infinita literatura sobre o silêncio e suas belezas. Intitulado O Silêncio, sem adjetivos. Escreve Benedetti:

“Que esplêndida lagoa é o silêncio”

“Ali na margem um sino espera”

“Mas ninguém ousa afundar o remo”

“No espelho das águas quietas” (em tradução livre)

Felizes silêncios criativos de paz e diálogo, se Josué foi capaz um dia de parar o sol, como conta a lenda bíblica, que nós sejamos capazes também de deter as mãos suicidas daqueles que ainda continuam amando mais o estrondo da guerra do que o silêncio da Paz.

https://thoth3126.com.br/o-silencio-que-cura/

https://brasil.elpais.com/opiniao/2020-01-14/o-silencio-que-nos-cura.html

 

 Imagens: Pixabay

 

Mario Benedetti, o poeta uruguaio do compromisso e cronista dos sentimentos, morreu em Montevidéu aos 88 anos. Romancista, contista, ensaísta, dramaturgo e crítico, foi um resistente que viveu e lutou contra o exílio e a doença. Os seus livros de contos, novelas e poemas são uma referência para os leitores da América do Sul e da Europa, sobretudo Espanha. Benedetti foi o mais prolífico expoente da literatura uruguaia, com obras traduzidas em vários idiomas.

El silencio

Qué espléndida laguna es el silencio
allá en la orilla una campana espera
pero nadie se anima a hundir un remo
en el espejo de las aguas quietas


 

 

 

domingo, 18 de outubro de 2020

Eu, Professor?

  ANO II - EDIÇÃO Nº 412
Tema das Imagens - Eu, Professor?

 

Estradas dos Espinhos
Emiliano de Melo

Caminho, pelas estradas dos espinhos
Desde quando, eu nasci
Tem espinhos pra todo gosto,
Relato, alguns do que vivi

Na escola, meu conga era furado
A calça, tinha remendo atrás
A meia, era só o cano
Mas, não me abateu jamais.

Escola pública, foi meu degrau
Para subir, quebrei muitos espinhos
Foram lágrimas e sacrifícios
Que após, anos e anos sigo o caminho

O espinho que eu mais gosto
Que as vezes causa dor
É aquele que não fere
Mas me abala, me domina, é o amor.

14 de outubro de 2020


Amanhã
Rita de Cássia Soares

Tem olho no olho,
Olhar no olhar.
Lábios que se tocam,
E bocas que se beijam.

Amanhã

As mãos que se tocam,
Os afagos com desejos,
Nossos corpos suados
E delírios no leito.

Amanhã

Escuto os sussurros
Ao pé do ouvido
O silêncio dos beijos
E o suor em apuros

Amanhã

O amor chega cedo
E entra erupção
E faz estremecer
O meu coração

Amanhã...amanhã.

Pirpirituba, 13 de outubro de 2020.

Vida
Rita de Cássia Soares

Não há céu, sem estrelas,
Não há sol, sem lua,
Não há noites, sem dias
Não há rios, sem mar.

Não há jardim, sem flores,
Não pássaros, sem ninhos,
Não há saudades, sem despedida,
Não há sorrisos, sem alegria.

Não há fronteira, sem limites,
Não há perdão, sem pecado,
Não há matéria, sem espírito.

Não há morte, sem vida
Não há crença, sem convicção.
Não há vida, sem amor.

Pirpirituba 1990.

Um Amanhecer
Rita de Cássia Soares

Cada noite, um amanhecer,
Cada olhar, um sorriso,
Cada lembrança, uma esperança,
Cada tristeza, uma alegria,
Cada partida, uma saudade,
Cada vida, uma morte.

Pirpirituba 1990.

Poeta
Emiliano de Melo

O poeta,
Não descansa sua mente.
De olhos abertos,
Contempla à vida,
De olhos fechados, viaja
A distância entre poetas,
Causa inquietação, na arte do amor,
Que se expressam de formas infinitas.
Um padeiro faz diariamente sua arte no pão.
O poeta pode ser eternamente lembrado por um poema.
Amiga não me canso, não descanso, rabisco poemas,
Com um simples traço.

17/06/18. 

 

 COMENTÁRIO DE DOMINGO

 Jaume Carbonell: “Função do professor não é ditar pensamento, mas ensinar a pensar”

O espanhol Jaume Carbonell é pedagogo, jornalista e sociólogo. Escreveu nove livros, entre eles Pedagogias do século XXI. Também foi diretor da revista Cuadernos de Pedagogía e, atualmente é assessor do El Diari de l’Educació e professor associado na Universitat de Vic (Barcelona).

Carbonell tem mais de 30 anos de experiência na área de Pedagogia e costuma participar de conferências ao redor do mundo sobre temas relacionados a inovação, ensino público, história da educação e o seu futuro.

Em agosto, em passagem pelo Brasil, Jaume Carbonell concedeu a seguinte entrevista ao portal Desafios da Educação. Confira os principais trechos da conversa.

Qual é o papel da tecnologia no ambiente escolar? A escola deve ir em consonância com os progressos culturais, científicos e tecnológicos. As tecnologias contribuem para grandes mudanças, possibilidades e oportunidades para uma melhor aprendizagem.

No entanto, esse mundo tão acelerado está gerando um problema: a falta de atenção e concentração. Eu penso que não é o mesmo ler no celular e ler em um livro de papel, porque fazemos isso de maneiras diferentes. Então, o papel ainda precisa existir. Ler em um livro impresso traz uma leitura mais pausada, tranquila, profunda e crítica.

A instituição de ensino deve proteger a infância desse mundo acelerado, deve ser um espaço tranquilo. É deve haver diálogo: a conversação do professor com os alunos é fundamental para que, conjuntamente, façam um bom uso das tecnologias.

As revistas Pátio foram inspiradas na Cuadernos de Pedagogía, publicação da qual o senhor foi diretor durante anos. Cada dia mais o fluxo de informações aumenta e é um desafio para os professores se manterem atualizados. Como o senhor acha que esses profissionais podem equilibrar a quantidade de informações e manterem uma rotina de atualização? Sempre há três objetivos: informar, opinar e praticar. Portanto é necessário dar orientações, práticas e conhecer experiências que ajudem a enriquecer, formar e a crescer como docentes. Precisa existir o intercâmbio de experiências, porque eu não posso estar sozinho numa sala de aula, sem conhecer nada mais em volta. Preciso das outras pessoas, preciso cooperar e trabalhar em equipe. Todas as tecnologias e propostas que contribuem para um trabalho cooperativo são fundamentais.

Outra maneira de se atualizar é lendo. Isso é um compromisso individual, mas também coletivo. Na universidade, reunimo-nos uma vez por semana, antes das aulas e durante uma hora com os professores, para debatermos um texto, um artigo, uma notícia. O interessante é que você coloca sua opinião e pode compartilhar.

Também ajuda muito o trabalho de rede. As tecnologias permitem hoje que nós trabalhemos em rede, sejam presenciais e virtuais. Redes para trocar experiências, para tirar dúvidas e propor reflexões.

Em seu último livro, o senhor fala sobre educação e política. Atualmente vivemos tempos polarizados, em que a simples menção dessas duas palavras em uma mesma frase pode esquentar os ânimos de um debate. Qual seria a melhor forma de levantarmos esse debate em sala de aula? Eu parto de um modelo de escola inovadora, crítica e transformadora. A missão do professor é colocar os conhecimentos ao alcance do aluno para que eles possam aprender a estudar o mundo.

Há dois conceitos que eu rejeito: primeiro é a neutralidade, porque ela não existe. Nada é neutro. A segunda é a oposição. Uma coisa são as ideias, outra é a imposição das regras. Eu creio que a política é maiúscula, não é a política dos partidos institucionais. É a política que tem a ver com justiça social, dos deveres humanos, a igualdade, a liberdade.

A escola é um espaço autônomo da família e da sociedade, onde a função é poder falar de tudo e ter liberdade de expressão. Na escola, deve-se abordar até temas tabus, pois eles seguem fazendo parte do mundo.

E como fazer isso? Pegamos um exemplo: um debate. O professor não pode começar um debate se posicionando. Ele é uma pessoa que coordena as diferentes opiniões e que oferece elementos de reflexão, para que o aluno encontre mais argumentos para reforçar a sua oposição. Mas o aluno também precisa aprender a escutar o outro.

A escola precisa fomentar a escuta e o respeito pela opinião divergente. O aluno precisa aprender a respeitar e a argumentar melhor. Enriquecer o pensamento. Portanto, é preciso poder confrontar, conhecer diferentes pontos de vista, dentro de um debate democrático, espirituoso e sobretudo em que os alunos aprendam a argumentar.

A escola, cabe frisar, é um espaço de estudo. Portanto, deve fazer pensar de maneira sistemática e contribuir para o pensamento, para que não recaia só sobre a família a missão formativa. A escola deve sempre criar canais de comunicação e de participação com a família, mas com autonomia, pois não pode estar condicionada pelo o que a sociedade faz ou pelo que a família disse.

Como estimular o protagonismo dos alunos, despertando sua curiosidade e seu interesse com os assuntos trabalhados na escola? A riqueza de uma escola ser democrática e plural é que permite metodologias e pedagogias diferentes. As pessoas aprendem melhor quando integram conhecimento e disciplinas distintas.

Nesse sentido, há uma prática pedagógica que vai além dos limites – que é o ensino baseado em projetos. Um projeto não é da disciplina de matemática ou de linguagem: um projeto parte de uma pergunta, de um debate, de um dilema que coloca uma situação a ser investigada e comentada ao longo de um período por todas as disciplinas. Esses comentários usam conhecimentos distintos e vozes distintas. Então, a ideia é como os alunos adquirem conhecimento com distintas fontes e também como o elaboram de forma coletiva.

Outra é a questão da educação inclusiva – que precisa alcançar todos os alunos que tenham alguma deficiência, diferentes línguas e culturas e diferentes contextos sociais. Como todos esses alunos podem ser incluídos em uma escola com iguais condições?

Há sempre que se buscar atender e respeitar a diversidade. A escola é um espaço que busca a igualdade – a equidade, digamos. Somos mais iguais do que diferentes. Então, esse é o caminho: alcançar um lugar em que não exista diferenças por razão de sexo, língua ou situação econômica.

Também tem a ideia de inteligência, que não tem a ver só com o intelectual, mas também com as emoções, sentimentos, solidariedade, respeito, com como nos relacionamos, trabalhamos em equipe e também com a inteligência ética – que todos temos. Portanto, seria adequado que a escola tivesse um programa ou um projeto que cultive todas essas dimensões de inteligência.

*Colaboraram Rafaela Paludo, Vinícius Pereira e Laura Lima.

 https://desafiosdaeducacao.grupoa.com.br/jaume-carbonell-entrevista/

Imagens: Eu, Professor?