domingo, 29 de novembro de 2020

40 Graus de Amor

 ANO II - EDIÇÃO Nº 418

Tema das Imagens -  Tema Diversificado


A Janela
Emiliano de Melo

A minha janela é atrevida
Ela não deixa ninguém passar
Sem tirar uma lasquinha
De lá pra cá, daqui pra lá

Passa o velho, cansado pelo tempo
A criança com liberdade natural
A morena de rebolado atrevido
O rapaz dobra o pescoço, passa mal.

Mesmo fechada, ela atua
Num silêncio bem sorrateiro
Como estivesse por trás da cortina
Dando conta do mundo inteiro.

12/11/2020 


Inacabado 

Emiliano de Melo

Apesar do tempo parecer frio
O calor se agarra e se intromete
Obrigando a nós balançar abano
Como músico tocando seu trompete

Às vezes o calor vem de outro lugar
Nos rodeia como a sombra do sol
Que nos faz parar os corações saltitantes
Daqueles que não se cansam de se amar.

Só Hoje
Emiliano de Melo

Hoje, sou eu que mando
Posso esnobar com o poder
Me apresentam maravilhas
Propostas e convites pra beber

Sou a menina dos olhos
Meus erros chamam a atenção
Por pouco fico magoado
Pelos erros em contradição

Às vezes fico empolgado
Com a imaginação do poder
Nos eventos, sou importante demais
Com a minha decisão, tudo vai resolver

Às dezessete horas a ficha cai
O poder desaparece
Propostas e convites nunca mais
Eu eleitor o poder deixou pra trás.

15/11/2020

40 GRAUS 
Emiliano de Melo


QUANDO A LÍNGUA DA SERPENTE
BUSCAR TEU CORPO
NÃO RESISTA
DEIXE AS LÁGRIMAS CAÍREM SUAVES
PELA FACE DELIRANTE
NÃO PRENDA O DESEJO
DIANTE DOS MOMENTOS
QUE CAUSAM A PERDA DA CONSCIÊNCIA
A CADA OLHAR
UMA MENSAGEM COMANDA
OS MOVIMENTOS DOS NOSSOS DESEJOS
ALIMENTANDO O ÍNTIMO DO NOSSO AMOR.

21/01/2020


40 GRAUS DE AMOR
Rita de Cássia Soares

O TEU BEIJO FUGAZ
ME FAZ DELIRAR
ALIMENTA MEU CORPO
E TODO MEU SER

O TEU BEIJO ME FAZ
SONHAR A CADA AMANHECER E
NELE SINTO PRAZER

O TEU BEIJO TEM
OS 40 GRAUS
QUE MEXE COM TODO
MEU SER.

13/02/2020

Nosso Amanhecer
Rita de Cássia Soares

Nós dois vendo o sol despertar
Os beijos e os afagos na cama
Desejos ardentes vem nos alertar
Corpos no leito de quem ama

Sendo eu tua grande chama
Que faz o amor fomentar
Tuas carícias meu corpo clama
E a minha boca vem ressaltar

Palavras expressas com carinho
Deixa meu coração em desalinho
Agitando o nosso amanhecer

Vamos deixar o dia florescer
A sintonia do amor perceber
Que o sentimento não deve morrer

16/11/2020


99%
Rita de Cássia Soares

99%
Grito: São covardes!
São dissimulados,
Não pensam,
São alienados pelo destino.

99%
Podem acreditar,
Não vivem o amor,
Pois não sabem amar

99%
Têm o coração de pedra
E a peçonha do mundo
Com certeza neles penetrou
E destruiu a semente do amor.

99%
Exploram e são explorados,
Vivendo das utopias e das volúpias
E fecham os olhos para o Supremo.

99%
Nem percebem que já tomaram o veneno,
Fumam o delicioso cigarro,
Ingerem a deliciosa bebida.

99%
São víboras, são materialistas, são fariseus.
Impossível amar,
E acreditar no homem que o fez.
1% Ama a DEUS sobre todas as coisas
E divide o amor com o próximo.

02/09/1989

Pequenos Contos para Ler aos Domingos
A IRMANDADE
Elisabete Leite

Lia tinha sido aprovada, para uma bolsa de estudo, em uma escola de elite. O novo amanhecer seria de grandes descobertas. A garota pegou a única mala velha que tinha disponível em casa e, foi dobrando as suas roupas, pois o futuro a esperava...

Já na nova Instituição, Lia entrou no alojamento das novatas, pois suas aulas só começariam no dia seguinte. Ela ficou em um quarto todo pintado de rosa, onde duas garotas dormiam. Ela se sentou na cama vazia, e o silêncio foi quebrado por uma das jovens que disse-lhe:

- Boa Tarde, sou Tina! Eu sou da Irmandade “Cor de Rosa”, e você?

Boa Tarde, sou Lia! Eu acabei de chegar, porém desconhecia que aqui havia qualquer Irmandade. Responde-lhe.

- Boa Tarde, eu sou Sandra! Lia, Irmandade aqui, é um grupo de estudantes que defendem os mesmos interesses ou objetivos comuns. Você quer ser um membro da nossa Irmandade? Perguntou-lhe Sandra.

- Eu entendi sim! Vou pensar sobre o assunto, e depois decidirei. Lia respondeu-lhe.

No outro dia, Lia falou que aceitava tornar-se membro da “Irmandade Cor de Rosa” para as novas amigas, porém as garotas explicaram à jovem Lia, que ela precisará provar sua lealdade para se tornar um membro da Irmandade. Sandra informou que Lia precisava participar de uma prova para ingressar na Irmandade, e que a prova seria realizada às vinte e duas horas daquele mesmo dia, no Cemitério que ficava dentro da Capela da escola.

Exatamente na hora marcada, Lia entrou no Ossuário, Alameda dos Mortos... De repente, as luzes se apagaram e tudo ficou às escuras. Logo, seus batimentos cardíacos aceleram, e o medo tomou conta da garota. Foi nesse clima desesperador que algo terrível aconteceu: um sopro forte no ouvido esquerdo dela, um toque gélido em seu ombro, um sussurro anormal, e assim ela caiu desfalecida...

Os pais de Lia foram comunicados que sua filha tivera uma parada Cardiorrespiratória e que estava em coma. A vida acabou para Lia que sonhava com um futuro brilhante...

Nas brincadeiras de mau gosto que servem para ridicularizar os colegas na escola, sonhos são partidos, vidas são quebradas e pessoas são destruídas...

Diga não à violência! Diga sim à vida! 


LAÇOS DE AMOR
Elisabete Leite

Marina e Mariana moravam em uma praia tranquila, longe da cidade. Elas eram ligadas de corpo e alma pelo cordão umbilical, formadas a partir de um único zigoto original e dividiam a mesma placenta, porém com gestos e atitudes contrárias. As irmãs Marina e Mariana deveriam ser idênticas, um caso raro, mas eram diferentes em tudo... Marina era bela e orgulhosa, enquanto Mariana era bondosa e inteligente. Os dias aconteciam entre risos e lágrimas..

As garotas tinham sonhos a realizar: Marina queria ser modelo, e brilhar nas passarelas; enquanto Mariana queria ser médica, para poder salvar vidas.

Certo dia, uma tragédia mudou o rumo dessa história... Era uma noite chuvosa, e dona Anunciada pediu para Marina fechar a janela é a garota respondeu-lhe:

- Eu tenho mais o que fazer Mamãe! Mande Mariana, pois ela gosta de ser a boazinha.

Não precisou nem a Mãe pedir, logo Mariana levantou-se e fechou a única janela da velha casa. De repente, o tempo escureceu, e logo depois um barulho estridente acabou com o sossego daquela família. O telhado foi ao chão, atingindo tudo e a todos... Mariana despertou do breve desmaio, atordoada pelo terrível acidente, olhou para todos os lados à procura da Mãe e da irmã nos escombros. Logo, ouviu um gemido; de longe avistou sua mãe embaixo da poltrona à sua frente. Aproximou-se depressa e disse-lhe:

- Mamãe, a senhora está bem?

- Filha, estou me sentindo tonta, tenho uma dor forte no ombro. Disse-lhe dona Anunciada.

Mariana levantou o sofá, tentando ajudar sua mãe que estava bem machucada, porém consciente. Mais uma vez percorreu todo local com seu olhar e, avistou Marina embaixo de uma viga. Pediu ajuda aos vizinhos que correram para socorrê-las. Mariana e sua mãe receberam os primeiros socorros e foram dispensadas, enquanto Marina, não tivera a mesma sorte, ficou tetraplégica.

Os tempos se passaram... Mariana continuou estudando até se formar. Ela assumiu totalmente sua irmã, ajudando-a nessa difícil missão, pois Marina tinha uma vida limitada. Seu sonho de brilhar nas passarelas não foi realizado. Só Mariana realizou seu sonho, se formou em medicina. Ela brilhava nos corredores do hospital. Ligada à irmã pelos laços de amor.



Imagens; Pixabay


domingo, 22 de novembro de 2020

Panis et Circensis

 

 ANO II - EDIÇÃO Nº 417

Tema das Imagens -  Tema Livre

A(mar)
Ingrid Pires Leite de Melo

Isolo minha presença quando o caminho se mostra (mais) árduo...
Quando isso acontece, ouço de tudo: “fale sobre isso”; “não fale sobre isso”.
Tento concentrar meus pensamentos na ideia de que seja qual for o conselho, todos têm boa intenção, e isso (muitas vezes) basta.
Cansada, dedico meus dias ao silêncio... mas na minha cabeça, memórias e sensações gritam e não posso descansar.
Tenho saudade da minha terra, dos meus irmãos, das minhas músicas, do meu carnaval...
Não é que não goste daqui, mas falta.
Falta o sol de minha terra pra iluminar a escuridão em que vivo...
Eu, que sou dada aos gracejos da vida, muitas vezes rio e faço rir... são pontinhos luminosos na penumbra em que caminho.
Vou ao mar mergulhar em mim mesma! O sol da cidade cá é único! Caminho pela areia e a sensação é de massagem carinhosa! Então percebo: o mar me cura.
Decido fazer dessa experiência um hábito... e surpreendentemente sorrio mais, rio mais, sinto saudade sem dor...

O mar me cura.

Navegantes
Ingrid Pires Leite de Melo

“Viajar é trocar a roupa da alma”. Mário Quintana teve o brilhantismo de pôr em poucas palavras a grandeza do conceito.
Conhecer novos hábitos, novas faces, novos caminhos, novas sensações! Essa é a troca de roupa da alma.
Chegar a um lugar novo e desbravá-lo! Que aventura deliciosa! Os pés ávidos por caminhar em novas terras! A boca pronta pra novos temperos! O nariz pronto pra novos perfumes!
Sensações! Viajar nos cobre de novas sensações... é isso!
Imagino que aquele que viaja sozinho sente mais ainda a troca de roupa interior. Não se distrai com comentários descritivos, apenas sente, por si mesmo, os novos ares...
Indo além, penso que sair pelo mundo é melhor ainda quando se tem pra onde voltar. A casa que te espera. O descanso. A rotina.
Assim, o dia a dia tem seu charme cotidiano e torna-se uma espécie de período de fermentação até à próxima partida.
Estar em seu mundo estático é até bom, mas, como disse Fernando Pessoa: navegar é preciso. 


Panis et Circensis
Ingrid Pires Leite de Melo

O tempo se relativizou,não lembramos mais que dia é hoje, nem nos surpreendemos quando chega um feriado...

O “novo normal” não é nem novo nem muito menos normal.

Pessoas, no mundo inteiro, agem como se tudo já tivesse passado e se orgulham do termo ilusório “pós pandemia”.

Nem as trevas desse período sombrio fez as pessoas acordarem para aqueles que vivem o velho e anormal dia a dia.

“Vai ter festa na praia no ano novo?” “Vai ter carnaval?”

A essas perguntas e outras tantas similares, os governantes usam palavras fortes e tocantes: “não vai haver réveillon, nem carnaval” “aguardaremos a vacina” e por aí vai...

Mas os casos estão diminuindo, e ainda assim altíssimos, as crianças estão voltando às aulas, e trazendo o vírus na mochila!

Ah, ano de eleições... promete mais que um apaixonado, mas somem no dia seguinte porque já não há serventia naquele povo, ou seja, nós.

Sabemos que, com ou sem lei, haverá festas no final do ano, no carnaval, e sei lá mais o quê! Não sei qual, mas os governantes vão (ou tentarão) encontrar a maquiagem que esconda a realidade.

Ainda há mortes, ainda há infectados, ainda há perdas, ainda há luto. Nós estamos nas mãos dos que gostam de brincar com fogo e quem se queima somos nós.

É o atual “pão e circo”: de mortes e palhaços.


Menino do mundo
Ingrid Pires Leite de Melo

Não mais menino, esse rapaz tem sede de conhecimento.
Não mais menino, esse rapaz quer conhecer o mundo.
Não mais menino, esse rapaz quer fazer o bem sempre.
Não mais menino, esse rapaz questiona o porquê dos fatos.
Não mais menino, eu sei, mas sempre menino na pureza de seu coração.

Voa longe, meu rapaz! Seja um aventureiro! Tenha pés no chão e asas pra voar!


Serenidade 
Ingrid Pires Leite de Melo

“hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás”. Embora seja de autoria incerta, passa uma ideia assertiva. Adoçar as palavras, ainda que em meio ao caos... tarefa difícil e aprendida com a continuidade de seu uso. Oferecer a outra face é atitude que dói, machuca, mas é um dos primeiros requisitos para que não se perca a ternura.
Uma palavra atinge em cheio a sensibilidade de quem a recebe. Faz a diferença no dia de quem fala e de quem ouve.
Não aconselho aqui a resiliência absoluta. É preciso lutar e, para a maioria, diariamente.
E como endurecer-se sem perder a ternura então?!
Quando a dor entra aguda, a voz sai grave. Essa é a prática...
Não baixar a cabeça perante atitudes injustas e cruéis! Servir-se de palavras fortes pelo que se acredita!
Mas ainda assim, guarde a serenidade, mantenha sua mente em paz
É como diz o provérbio: “Antes de disparar a flecha da verdade, lembre-se de molhar a ponta num vaso de mel.”
Então, olhe nos olhos a realidade.
E olhe o sol, o mar, as crianças brincando, o céu de várias cores... vá ao cinema.
Lute pelo que acredita, mas lembre-se sempre: converse, não grite; acolha, não abandone. E dance! Rodopiando como se você mesmo fosse instrumento... uma flauta delicada numa música forte torna tudo mais sereno. E “tenha certeza de perceber a beleza colateral”

(filme - Collateral Beauty).

Imagens: Pinterest








domingo, 15 de novembro de 2020

Contos que Encantam

 ANO II - EDIÇÃO Nº 416

Tema das Imagens - Fantasia 


A MENINA E O POETA COLOBRI
Elisabete Leite

Mês de janeiro, momento de descanso, e Emília veio passar o período das férias com sua avó, nas montanhas, em uma casa cercada por um belo jardim, e pássaros que viviam por lá.
 
Emília acordava ao alvorecer, quando o sol ainda se despedia da lua; abria a pequena janela do quarto, para poder escutar o gorjear da passarada no Jardim... 

Em certa manhã, Emília ouviu uma melodia suave que parecia até o som de um violino. Logo, ela avistou um belo Colibri, que pairava no ar de flor em flor. De repente, ele posou na janela e ficou lá cantando para a menina que olhava para ele encantada, pois o pássaro procurava se comunicar com ela: 

- Ei, psiu! Eu posso mudar de forma, linda menina. Disse-lhe o Colibri, batendo as suas asinhas. 

- Uau, bela ave, você pode falar comigo! Disse-lhe Emília. 

- Você sabe, que eu posso me transformar em um herói, e salvar todo mundo da fome. Disse-lhe 

- Poxa, que linda ação! Por favor, continue gorjeando para mim, pois quero ouvir sua suave canção! Emília falou-lhe. 

Assim, o Colibri pôs-se a cantar uma doce canção: 

"Estou aqui de passagem,
Venho cantar essa canção
É meu canto de coragem
O som migra ao coração"

Emília permaneceu de olhos fechados, mas quando abriu os seus olhinhos, o pássaro não estava mais na janela. A menina ficou muito triste, parou de sorrir. Mas, a tristeza logo passou, a menina viu um belo guerreiro perto dela. Que lhe disse:

- Não fique triste menina linda, eu sou o guerreiro colibri e preciso continuar voando, germinando a semente do Amor por aí. Vou recitar uma quadra, para você nunca mais se esquecer de mim. E pôs-se a declamar:

"Andando pelo jardim do coração

Encontrei vários grãos de valor

Plantei e reguei o mais belo grão

Dele brotou a Árvore do Amor"

- Uau, que bela é a sua poesia! Você é poeta! Disse-lhe Emília.

- Preciso me despedir, feche os olhos, e acredite em mim. Falou-lhe.

Assim, Emília fechou os olhos e quando os abriu, viu o Colibri pairando de flor em flor, e saiu voando.

Sempre Emília recebia a visita da ave, que cantava para ela dormir.


NATAL É DOAÇÃO
Elisabete Leite

Era véspera de Natal, e a noite descia deslumbrante, um prateado luar apontava por entre os coqueiros, iluminando a exuberante colônia de pescadores: Noite Feliz. Um local aconchegante, com casinhas em cores diversificadas, uma enorme Árvore de Natal na entrada, com vários enfeites coloridos, luzes brilhantes, e um vasto oceano.

Por lá a pesca era o único meio de sobrevivência.

Davi, era um menino de bom coração, que acreditava na magia do Natal, suas luzes, suas cores, e também em Papai Noel. Ele estava confiante que iria ganhar um presente, mas sabia das dificuldades que a colônia estava enfrentando naquele ano, porém sua Fé era maior que as suas incertezas... Em passos lentos, ele se dirigiu ao quarto da casa, pegou sua meia pendurada no alto da janela, e tirou de dentro dela uma cartinha que dizia: “Querido Papai Noel, eu quero ganhar uma bicicleta azul, mas pode ser um outro brinquedo, se o senhor não puder comprar.”

Davi abriu suavemente a janela da casa, olhou para o céu, e falou: “Natal é Fé, Esperança e Amor.” De repente, avistou um senhor desconhecido se aproximando, que lhe disse:

- Ei menino, você quer essa bicicleta de presente?! Eu estou de viagem e ela não cabe em minha bagagem. Agora, ela é sua! Feliz Natal, meu jovem!

Davi viu a bicicleta azul, olhou para o céu, agradeceu a Deus, e logo depois respondeu ao senhor desconhecido:

Gratidão, Senhor! A minha Fé fez o impossível acontecer. Feliz Natal!

O senhor olhou para o garoto, abriu um largo sorriso, e se despediu.

Que o Ser Humano seja um Papai Noel todos os dias! E Que a Fé torne tudo possível. 

O topógrafo que não dormia
(ou: A vida a cada instante nos prega peças)
Jorge Leite

parte II

Fico hoje a pensar
Será que o topógrafo
Hoje dorme!

Faz tempo que ele partiu
Cansou de esperar
Cansou de acreditar
Que um dia acreditaríamos
Que o topógrafo não dormia.

Se perguntava com frequência
Virava de um lado para o outro
Nem um cochilo tirava
Nem sua alma dormia.
Ficava muito cansado
Rezava aos berros dia a dia,
Por achar que a gritaria
Quem sabe Jesus ouviria!

Sendo escutado pensava
Poderia ocorrer um milagre,
Se pão Ele multiplicou,
Se o amor Ele pregou,
No domingo descansou,
Lázaro ressuscitou,
Sobre as águas andou
Água em vinho transformou,
E meu sono não chegou.

Onde quer que ele esteja
Talvez muito cansado,
Quem sabe desanimado
Já não reza como antes
Nem cola as páginas da Bíblia
Não sei se para esconder
Ou por não acreditar
Naquilo que está escrito
Ou está fora do lugar,

Mas o topógrafo um dia dormiu.
Era um domingo à tarde,
Falou com todos os filhos,
Com outros parentes também.
Sentiu o sono chegar
A alma se elevar
Em direção aos Céus.
De braços abertos encontrou
Jesus sorrindo para ele
Seus olhos cheios de lágrimas
Foi aí que percebeu
Que Ele o escutou
Mais um milagre realizou
E o sono eterno chegou.

Madalena, 14 de novembro de 2020

O MILAGRE DE NATAL
Elisabete Leite

Todo dia era sempre a mesma coisa na casa da menina Maria, o sol nascia radiante, e trazia com ele o brilho caloroso do verão, mas a jovenzinha tinha esperança que sendo época natalina tudo pudesse ser diferente, pois ela queria ganhar um lindo presente especial, mas o presente nunca vinha do céu... Nascida e criada no campo, filha de lavradores, o único divertimento da menina era uma boneca de pano, que sua avó Zezinha costurava todo ano; ela só ia trocando as roupinhas, para que sua netinha não ficasse sem presente. Toda véspera de Natal sua avó fazia-lhe a mesma pergunta:

- Maria, hoje é véspera de Natal, vamos trocar as roupinhas da sua boneca. Qual será a cor desse ano?

A garotinha abria um lindo sorriso e respondia:

- Vovó, nesse ano, pode ser da cor azul do céu.

As duas foram para a mesa de costurar, e sua avó pegou um pedaço de pano azul, agulha, linha e costurou uma nova roupinha. A garotinha ficou feliz da vida. Ela colocou sua boneca perto da Árvore Pet de Natal. Os olhos da pequena Maria brilhavam de tanta alegria, com esperança, que fosse diferente esse seu Natal.

O sol se escondeu e deu passagem ao prateado da lua, que com seu brilho iluminou aquele local. De repente, o som de um helicóptero quebrou o silêncio. Maria correu para a única janela da casa, e viu quando do céu caiu um presente. A menina soltou, com cuidado, o laço que envolvia o embrulho e pensou: "É uma boneca que não é de pano, caiu do céu, será por engano!".

Porém, um pequeno bilhete preso na roupa da nova boneca dizia:

“Para quem tem Fé e Esperança, vai essa simples lembrança, de alguém especial, que não pode mudar o mundo, mas pode transformar um Natal.”

A linda Maria guardou o bilhete, pegou a nova boneca e a colocou junto da sua boneca de pano, e disse-lhe:

- Dorinha, você ganhou uma nova amiguinha, para brincar no Natal.

Maria correu para festejar com os vizinhos que sorriam com muitos presentinhos que desciam do céu; belas bonecas e lindos carrinhos alegravam as meninas e meninos. Foi um coração bondoso que transformou o Natal...

Vamos ser construtores de alegria, fazendo uma criança sorrir todo dia.

Agora, vamos parar para refletir!


A GAROTA E O MAR
Elisabete Leite

Aninha desperta com o aroma da maresia. Ela passa férias com sua avó, em uma praia deserta... A menina observa os mínimos detalhes da casa, pois para ela tudo é novidade. Depois se levanta e sai para caminhar, tira as sandálias, e deixa marcas na areia da praia. De repente, a temperatura caí bruscamente, olha para trás, e vê duas pegadas a mais, além das dela. Logo, escuta uma voz e vê um garoto, que diz:

- Olá, meu nome é Davi e o seu?

- Que susto! Sou Aninha! Disse-lhe.

A palidez do garoto é notória, seu semblante é calmo. A menina acha tudo aquilo estranho, mas fica ouvindo o garoto falar:

- Aninha, vamos passear? Preciso voltar a sorrir!

- Vamos sim, Davi! Mas, diga-me: Você mora por aqui? Pergunta-lhe:

- Moro naquele farol! Diz Davi.

Os dois de mãos dadas vão apanhando as conchinhas multicoloridas; eles correm felizes, se deitam na areia, e fazem castelinhos... Já é quase noite quando Davi diz que precisa ir embora. Ele a beija no rosto, e ela retribui com um abraço, e fala:

- Até amanhã, Davi!

- Não existe amanhã! Reponde-lhe.

A garota entra em casa gritando:

- Eu encontrei um amigo na praia!

- Calma Aninha! Aqui não mora ninguém. Disse-lhe sua avó.

A garota continua falando:

- Mas vovó, foi tão real! Ele segurou minha mão, brincamos juntos. Ele mora no farol!

- Aninha deixe de sonhar acordada!

A avó da garota prometeu que, no outro dia, a levaria pra conhecer o farol... Logo cedo, elas foram ao passeio. O local era abandonado, a escada de ferro, sem uso. Pelo caminho, sua avó vai narrando uma história triste que aconteceu naquele lugar, quando ela tinha dez anos de idade... Seus melhores amigos Rosa e Davi, estavam passando um final de semana com ela, e aconteceu um trágico acidente. Ela conta que sua amiga, acidentalmente, caiu no mar e que Davi pulou para salvá-la, mas eles desapareceram, seus corpos nunca foram encontrados. O local ficou interditado! Aninha comovida, pede para voltar pra casa. Elas já iam saindo, quando viu, na parede suja de lodo, uma mensagem: “Aninha, sou feliz, já posso descansar”. A garota diz:

- Vovó, foi um sonho! Amo o mar!

Sonho ou realidade?! São vidas que se entrelaçam no tempo. 


Sem Poesia
Jorge Leite

"Nada será como antes" 
A vida não tem solução
Por mais que eu queira 
Não entendo nada.
O que tentei reter
Fugiu entre suspiros
Fugiu na contramão
Simplesmente se foi
Morreu de antemão.

Pensava ser feliz, quisera.
Tinha um sorriso no rosto
O suor escorria entre as mãos 
Nada enxergava, estava feliz.
Nossos corpos bailavam
Em ritmos quentes
Afagos e beijos sem tédio
Sem pausa nos amávamos
Tudo pura ilusão.

Sussurravas meu nome
Acompanhados de ais,
Abraços quentes demais
Pensei ouvir mais uma vez
Prestei atenção
Trocastes meu nome
Numa explosão sensual
Tenso fiquei, esperei
Errastes mais uma vez.

Madalena 14 de novembro de 2020

OBS: A primeira parte do poema "O Topógrafo que não dormia" foi publicado no Blog no dia 12 de agosto de 2018. Link abaixo.


Imagens: Pixabay


domingo, 8 de novembro de 2020

Sentimentos

 ANO II - EDIÇÃO Nº 415
Tema das Imagens - Sentimentos 

 

LIBERDADE PARA AMAR
Elisabete Leite

Ah, negar o meu próprio sentimento!
É o mesmo que ter asas sem poder voar
A vida se torna um vácuo, mero tormento
Liberdade de expressão é uma forma de amar...

Ser livre é expressar o que realmente sente
É como velejar no infinito mar do coração
É doar ao amigo o mais valioso presente
Com amor, buscar na amizade, sua perfeição...

Jamais esconderei o meu amor em cena
Porque é amando, que me sinto bem viva
Somente gostando, viver já vale a pena
Expressar o amor é uma corajosa iniciativa...

O amor é o maior de todos os sentimentos
Não existe amizade sem cumplicidade
O valor de ser amigo é ter discernimento
Expressar o amor, é viver com liberdade.

SAUDADES SAGAZES
Elisabete Leite

Seria semeado seu sentimento
Se seu saudosismo sofrível
Sangrasse salutar saudade,
Singela semelhança só sagaz...

Sua suposta satisfação sublime
Salienta seu sarcasmo separado
Sorrisos sem singela suavidade
Sem sentimento, simplesmente sós...

Se seu sentimento sossegado
Sarasse seu sentido sarcasmo
Solidão seria, sim, sem sorrisos
Sussurros suados seriam sozinhos...

Sua saudade supera sofrimento
Sempre superação, sem separação
São simples sinceros sentimentos
Só sonhos, semelhantes sensações.

SENTIMENTO AMOR
Elisabete Leite

O sentimento amor é um alento
Preenche as lacunas da solidão
É capaz de curar todo ferimento
Ele acalma as dores do coração...

Tinge com cores os dias nublados
Faz o sol brilhar com intensidade
Deixa o luar com tons prateados
Suaviza a nostalgia e a saudade...

O amor é a válvula que impulsiona,
Ameniza as asperezas do dia a dia
Com amor tudo acontece e funciona
É uma forte inspiração pra poesia...

O amor não é dúvida, é só certeza
Não são devaneios nem parte do sonhar
Amor é nitidez, razão, total clareza
Quem nunca amou, não sabe o que amar.

VAI TRISTEZA
Elisabete Leite

Oh tristeza, tu rondas meu caminho!
Minha essência está bem selada,
Sou feliz, e prefiro andar sozinha(o)
Busco meu destino, novas estradas...

Tu vieste para morar na minh'alma
Minha essência tem total proteção
Permaneço firme, ando com calma,
e escuto a voz que sai do coração...

Não tenho amarras, e nem traumas
Não leve consigo minha inspiração
Meu brilho me torna bem iluminada...

A poesia acelera minha imaginação
Procuro a Fé, e renovo a cada parada
Minha vida é um mar de fortes emoções.

ULTRAPASSANDO LIMITES
Elisabete Leite

Vivo sempre ultrapassando meus limites, procurando ser feliz; buscando no alçar dos meus voos poéticos, o sentido pra viver com intensidade; liberto a minh'alma dos excessos destrutivos, e dos pesos desnecessários.
Enfrento os meus desertos da vida dando asas à minha imaginação, quebro paradigmas e aproveito para vivenciar as enxurradas de emoções que me bombardeiam a cada segundo. Que na verdade, servem como oásis para meus desertos e moderam minha sede de viver feliz.
Abro portas e janelas da minha inspiração, e sigo viajando no tempo e no espaço; volto ao passado, analiso minha consciência, revejo meus erros e acertos, peso na Psicobalança, o certo e o errado, o que foi ensinamento construtivo, o que somou em meu cotidiano de vida, e o resto eu descarto.
Na matemática da minha existência, quase nunca utilizo as operações subtração e divisão, como se elas não existissem para mim, procuro sempre me doar, utilizando a soma ou a multiplicação nas minhas equações, porque sou tão intensa, que nada é exato; ou acrescenta ou aproveito como lição.
Se em meus voos eu não conseguir melhorar a minha aterrissagem, libero imediatamente a pista e sigo viagem.
Volto ao presente e busco restaurar os erros que pesaram em sentido negativo; assim, vou equilibrando e neutralizando os excessos.
Quebro regras todos os dias, corro riscos, mas tenho convicção que ser feliz é a minha principal missão.
Sinto-me como um bom semeador, que planta sem esperar colher. Que faz sem esperar receber. Que se doa, simplesmente, por se doar e se ama amando, mas se não me sentir amada, abandono rapidinho o barco.
Cruzo fronteiras, superando meus limites, mas espalho pelo mundo, os germens do Amor, na esperança de ser aceita, no plano espiritual, pelo nosso Deus Criador.
Vivo desafiando a mim mesma, porém é somente assim, que me sinto mulher, completa e feliz.

Agora, peço licença para sorrir!



Minha Dor
Jorge Leite

Minha dor não é sua,
É tão somente minha
Que me faz chorar
Intensamente;
Que não me deixa triste
Nem contente
Dor é para se sentir
Somente.

Minha dor cai em lágrimas
Ardidas como pimenta
Queima Minh’ alma
Quebra meus ossos
E não lamenta,
Rasga minhas entranhas
Sem pena, com artimanhas
Sem nenhum respeito.

Minha dor não tem causa
Nem começo,
Nem tão pouco um endereço
Para que eu possa mandar
As contas de tal sofrimento.
Tenta molestar
Meu próprio Avatar,
Não dá para acreditar.

Minha dor tem nome
Chama-se saudade,
Que quando chega
Não quer saber
Se estou triste ou contente
Chega de repente, indevidamente
Atropela meus sonhos
E é mágoa, tão somente.

Minha dor “saudade”
É antiga não é nova
Acompanha minha estrada
Tão sofrida, dolorida
Como uma monja de marfim
Sorrindo para mim
Em seus pensamentos
Diz: jamais terá fim.

Madalena, 07 de novembro de 2020.


IMAGENS: JANET KNIGHT

“Sou um artista com formação profissional e me formei na Ballarat University. Eu pinto profissionalmente há mais de 25 anos e leciono em meu estúdio em Melbourne há mais de 18 anos.
Descobri que a liberdade de expressão artística traz consigo enormes responsabilidades. Muitas vezes, também expõe pontos de contato altamente pessoais e profundos de emoções. Eu sinto isso, embora seja altamente analítico e crítico do meu trabalho. Se eu fiz meu trabalho com orgulho, meus alunos sentem isso, meu público e as redes sociais sentem isso. Os visitantes da exposição sentem isso e, por último, os espectadores dos episódios transmitidos pela televisão australiana “Color in Your Life”, agora transmitido internacionalmente, também o sentem. É esse conhecimento que me deixa honrado e muito, muito humilde e me leva a inspirar outras pessoas.
Frequentemente pintando com uma paleta limitada, alguns sentem uma qualidade Art Déco distinta no trabalho, embora pessoalmente eu tenha uma afinidade com o uso de carmesim brilhante em uma faixa ou no detalhamento de tecidos rendados. Aproveite a sua visita através da minha coleção!”






domingo, 1 de novembro de 2020

O Poeta e seus escritos...

ANO II - EDIÇÃO Nº 414
Tema das Imagens -Todos os Santos


O POETA E SEUS ESCRITOS
Socorro Almeida


            Ele tenta sempre escrever em fartas palavras, na tentativa de transcender seus próprios limites, uma forma poética para embelezar suas poesias. Não se farta, nem se cansa, adormece sobre os livros e sonha com um universo único de felicidade, nas rimas repletas de saudade, e se questiona se deve ou não se aliviar desse sentimento malvado. Mas se nega a sentir piedade do seu coração amargurado, afinal, saudade é a consequência dolorosa de quem ama. E ele sabe do que se tornou, pois ele assim o quis, um doidivana das noites solitárias, em buscas incessantes pra rever a mulher amada! Quem sabe se ela ali está, tão doidivana quanto ele, sentada na próxima esquina, ou próxima página se a imaginação do poeta preferir, a sentir saudade dele também. Ah! Poeta! Faz do livro a sua casa, cada folha uma esquina, cada verso uma lágrima, e do seu coração um sepulcro, com escritos lúdicos e solenes: "AQUI JAZ MAIS UM TOLINHO, QUE AO VADIAR ENTRE ROSAS, PERECEU ENTRE OS ESPINHOS!"

Recife, 12/10/2020

AMOR ABSOLUTO
Socorro Almeida

Promessas de amor eterno
São dogmas apenas de quem diz
Que os meios de atingir a dignidade
É pressupor que a total felicidade
É um direito seu de ser feliz
Se o conceito de um amor absoluto
Se encontra na essência de quem ama
Com a intensa dor do luto
De quem deu a vida por mim!
Nunca almas lascivas ou impuras
Pelo fogo eterno de todas as amarguras
Hão de se comparar a esse amor sem fim!
Por ser um pecador comum
Por eu apenas ser mais um
Como vou, então, saber
Se sou merecedor
De um Amor assim!

Recife, 10/10/2020

PALAVRAS TÊM PESO
Socorro Almeida

Tenho na memória palavras ditas com mágoa
Proferidas em ocasiões de angústias e dor
Sem saber, do adeus tu foste o causador
Se palavras têm peso e não há tempo que apague
Nem sentimento algum que em horas de amor
Possa sucumbir no perdão que Deus consagre!

Não me acuse de algo que me deixe triste
Não me aponte, então, o dedo em riste
Nem me atire a pedra que não suporte a dor
Pois ela voltará para te ferir depois
Daí, o sonho que sonhamos pra nós dois
Tu vais descobrir que ele não mais existe!

Recife, 10/10/2020

SOB A BÊNÇÃO DO CRIADOR
Socorro Almeida

Nada como comparar
O silêncio da natureza
Um cantinho, um violão
À magia de um trovador.
Tanto sentimento
A sufocar o beijo
Num convite respeitoso do desejo
Pela força inconteste do amor!
Sem reverências ao sacramento
Aos conceitos de religião
Mas sublime e divinal
Por abençoar nossa união!
Agraciados pela fé
Neste paraíso de amor
E finalmente adormecer
Sob a proteção divina
Do nosso Pai e Criador!

Recife, 13/10/2029

E O AMOR SE FEZ...
Socorro Almeida

            Quando me disseste que sou um louco desvairado por parar em plena madrugada, só para ouvir a sinfonia daqueles pássaros em total harmonia com a negritude da noite, senti uma sensação de vertigem. Parecíamos mais dois acordes fora de tom, na tentativa de nos adequar ao andamento daquela maravilhosa partitura! Dois ignorantes, querendo ter nos gestos de nossas mãos, a capacidade dos maestros da divina natureza! E tu, que também estavas lá, bem ao meu lado, tentavas disfarçar a emoção que aquela música te causava! O vento sibilava em nossos ouvidos, o ruído da cascata se harmonizava naquela sinfonia majestosa, e o perfume dos sândalos se impregnava em nossos pulmões. Aprisionados a uma emoção assim, se entregar a este encantamento seria a única solução para alcançar os céus, no aconchegante e manso abraço do eterno amante. E ali o amor se fez, exatamente como Deus quis, em plena harmonia com a Natureza, paraíso que herdamos do Onipotente!

Recife, 16/10/2020 


COMENTÁRIO DE DOMINGO 

Todos os Santos

Dia de Todos os Santos é uma festa celebrada em honra de todos os santos e mártires, conhecidos ou não. Esta festa é celebrada pelos crentes de muitas das igrejas da religião cristã, por terem assimilado do paganismo.

A Igreja Católica celebra a Festum Omnium Sanctorum (Festa de Todos os Santos) a 1 de novembro que é seguido pelo dia dos fiéis defuntos a 2 de novembro. A Igreja Ortodoxa celebra esta festividade no primeiro domingo depois do Pentecostes, fechando a época litúrgica da Páscoa, tal como a Igreja Católica Oriental. A Igreja Anglicana também celebra o dia de Todos os Santos com o mesmo significado que nas Igrejas Católica e Ortodoxa. Na Igreja Luterana, o dia é celebrado principalmente para lembrar que todas as pessoas batizadas são santas e também aquelas pessoas que faleceram no ano que passou, pelo que o significado da celebração também é quase idêntico ao de outras igrejas cristãs.

Segundo estudiosos, o Dia de Todos os Santos teve a origem no Halloween. No antigo costume celta, se supunha que os mortos vinham à terra visitar seus familiares na noite do dia 31 de outubro e por isso, a origem das fantasias, abóboras iluminadas e as caveiras, que tinham o intuito de afastar os visitantes do além. Com a proximidade dos celtas com o cristianismo, essas práticas pagãs foram "cristianizadas" pela Igreja Católica, que criou a festa de Todos os Santos no dia 1º de novembro para espantar os maus espíritos para purificar o ambiente e celebrar a festa de todos os Santos, assim como o Dia de Finados, comemorado no dia 2 de forma pura e livre dos espíritos maus.

No fim do segundo século, professos cristãos começaram a honrar os que haviam sido martirizados por causa da sua fé e, achando que eles já estavam com Cristo no céu, oravam a eles para que intercedessem a seu favor. A comemoração regular começou quando, em 13 de maio de 609 ou 610, o Papa Bonifácio IV dedicou o Panteão (o templo romano em honra a todos os deuses) a Maria e a todos os mártires. Markale comenta: "Os deuses romanos cederam seu lugar aos santos da religião vitoriosa."

A data foi mudada para novembro quando o Papa Gregório III (731-741) dedicou uma capela em Roma a Todos-os-Santos e ordenou que eles fossem homenageados em 1.° de novembro. Não se sabe ao certo por que ele fez isso, mas pode ter sido porque já se comemorava um feriado parecido, na mesma data, na Inglaterra. A Enciclopédia da Religião afirma: "O Samhain continuou a ser uma festa popular entre os povos celtas durante todo o tempo da cristianização da Grã-Bretanha. A Igreja britânica tentou desviar esse interesse em costumes pagãos acrescentando uma comemoração cristã ao calendário, na mesma data do Samhain. É possível que a comemoração britânica medieval do Dia de Todos-os-Santos tenha sido o ponto de partida para a popularização dessa festividade em toda a Igreja cristã."

http://jornalsomos.com.br/brasil/detalhe/qual-a-origem-do-dia-de-todos-os-santos

https://pt.wikipedia.org/wiki/Dia_de_Todos_os_Santos