domingo, 27 de dezembro de 2020

Eu Sou o Caminho

 ANO III - EDIÇÃO Nº 422

Tema das Imagens - Ilusões

 

 NOS MARES DA ILUSÃO

Peguei meus remos e resolvi navegar
Nos mares tranquilos do meu coração
No meio da viagem me deparei contigo
Com a mesma ideia de viver na ilusão.

Que pena, então, eu senti de nós dois
Em nossos barcos brincando de canoeiro
Se naufragarmos, o que faremos depois  
Se nem talento temos, de um timoneiro.

Voltemos no fluxo da maré, chega de ilusão
Se fores o Tristão dos mares que sonhei
Sou a Sereia daquelas ondas onde deixei
Repousar os sonhos de um pobre coração!

Socorro Almeida
Recife, 17/12/2020

A ESSÊNCIA DA LUA

Justamente eu, que tentando ser melhor
Tropecei no céu que inventei pra mim
Julguei-me tão acima dos valores teus
Inflando o peito, mas tão sozinha assim.

Aí me vem a imagem de um sedutor
Me orbitando doces e serenas luas
A cruzar os céus de todos os planetas
Como se estrelas fossem apenas suas.

Se queres ser o maior do meu espaço
Ilumina o céu o quanto bem quiseres
Que eu quero ser somente a luz da lua
A essência da alma de todas as mulheres!

Socorro Almeida
Recife, 15/12/2020

INVERSÃO

Não te exalto, porque és tão soberbo
Não que eu me veja tão  melhor
É que eu só quero perfumar os cantos
de tudo que invento ao meu redor.

Não me exaltes na inversão de mim
Sou a luz da noite e o sol do dia
Dos encantos que eu inventei por ti
Nos valores que eu jamais teria.

Só me exaltes quando um beija-flor
Te procurar com um recado meu
Desatinado, a procurar na flor
O que restou desse amor que é teu!

Socorro Almeida
Recife, 15/12/2020

EU SOU O CAMINHO, A VERDADE E A VIDA

Não sofras. Estou em órbita a teu favor
Sinto tão minhas quanto tuas as tuas dores
Dias virão que minha luz existirá em ti
Se apagarão as dúvidas como foram em mim
No dia em que senti a morte e seus horrores.

Não chores. Tuas lágrimas me banham o rosto
Os espinhos da minha coroa inda me sangram
Minhas chagas, cada gota  de sangue é meu desgosto
Mas, minha voz por ti será ouvida
Ante a voz dos anjos que me chamam
E tua paz, então,será sentida
No meu abraço de amor e despedida.

Dias virão em que os anjos do espaço sideral
Te acolherão ao doce som da minha voz, se no final
Creres em tudo aquilo que meu coração te diz
Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida
Só assim, amado filho, só assim serás feliz!

Socorro Almeida
Recife, 21/12/2020

 Novos Tempos

 O QI médio da população mundial diminuiu nos últimos vinte anos | Christophe Clavé

“O QI médio da população mundial, que sempre aumentou desde o pós-guerra até o final dos anos 90, diminuiu nos últimos vinte anos …É a inversão do efeito Flynn.

Parece que o nível de inteligência medido pelos testes diminui nos países mais desenvolvidos.Pode haver muitas causas para esse fenômeno.

Um deles pode ser o empobrecimento da linguagem. Na verdade, vários estudos mostram a diminuição do conhecimento lexical e o empobrecimento da linguagem: não é apenas a redução do vocabulário utilizado, mas também as sutilezas linguísticas que permitem elaborar e formular pensamentos complexos. O desaparecimento gradual dos tempos (subjuntivo, imperfeito, formas compostas do futuro, particípio passado) dá origem a um pensamento quase sempre no presente, limitado ao momento: incapaz de projeções no tempo.

A simplificação dos tutoriais, o desaparecimento das letras maiúsculas e da pontuação são exemplos de “golpes mortais” na precisão e variedade de expressão. Apenas um exemplo: eliminar a palavra “signorina” (agora obsoleta) não significa apenas abrir mão da estética de uma palavra, mas também promover involuntariamente a ideia de que entre uma menina e uma mulher não existem fases intermediárias. Menos palavras e menos verbos conjugados significam menos capacidade de expressar emoções e menos capacidade de processar um pensamento.

Estudos têm mostrado que parte da violência nas esferas pública e privada decorre diretamente da incapacidade de descrever as emoções em palavras. Sem palavras para construir um argumento, o pensamento complexo torna-se impossível. Quanto mais pobre a linguagem, mais o pensamento desaparece. A história está cheia de exemplos e muitos livros (Georges Orwell – “1984”; Ray Bradbury – “Fahrenheit 451”) contam como todos os regimes totalitários sempre atrapalharam o pensamento, reduzindo o número e o significado das palavras.

Se não houver pensamentos, não há pensamentos críticos. E não há pensamento sem palavras. Como construir um pensamento hipotético-dedutivo sem o condicional? Como pensar o futuro sem uma conjugação com o futuro? Como é possível captar uma temporalidade, uma sucessão de elementos no tempo, passado ou futuro, e sua duração relativa, sem uma linguagem que distinga entre o que poderia ter sido, o que foi, o que é, o que poderia ser, e o que será depois do que pode ter acontecido, realmente aconteceu?

Caros pais e professores: Façamos (“fazemos” na tradução brasileira) com que nossos filhos, nossos alunos falem, leiam e escrevam. Ensinar e praticar o idioma em suas mais diversas formas. Mesmo que pareça complicado. Principalmente se for complicado. Porque nesse esforço existe liberdade. Aqueles que afirmam a necessidade de simplificar a grafia, descartar a linguagem de seus “defeitos”, abolir gêneros, tempos, nuances, tudo que cria complexidade, são os verdadeiros arquitetos do empobrecimento da mente humana.

Não há liberdade sem necessidade. Não há beleza sem o pensamento da beleza.

“Christophe Clavé

https://libplus.it/non-ce-liberta-senza-necessita-non-ce…

/https://it.m.wikipedia.org/wiki/Effetto_Flynn….

 Imagens: Pixabay

 



domingo, 20 de dezembro de 2020

Um Natal Diferente

 

 ANO III - EDIÇÃO Nº 421

Tema das Imagens - Natal


 

UM NOVO NATAL  

No caminhar de uma esquecida estrada
Surge as mais remotas pisadas
Sofridas, feridas e encaliçadas
Marcadas por um tempo de sofrimentos
Que nem mesmo o tempo cura essas chagas
Vejo que se aproxima o Natal
E os sinos já batem sem força
O tilintar compassado sem entoação
Esse é mesmo um Natal diferente
Mas Deus não esqueceu sua gente
E do alto nos estende a sua mão
Onde vai estar papai Noel
Como será que virá nos presentear
Fardado com seus trajes ou de papel
Seu trenó na estrada dará muitas voltas
Irá encontrar caminhos estreitos e estradas tortas
Quem sabe se no próximo natal
Tudo estará renovado e as lições não remotas
O mundo volte ao normal cheio de graças
E o velho papai Noel volte e não se perca na volta
Acerte a nossa estrada não faça a rota errada
Que tenha o abraço aconchegante e a mesa farta

Baltazar Filho
13/12/2020

Baltazar Mauricio dos Santos Filho

Nascido em 1961, na cidade de Guarabira. Filho de Baltazar Mauricio dos Santos e de Elvira da Silva Santos. Casado com Edileuza Mendes Mauricio, com quem tem três filhos: Maria Laurine Mendes Mauricio, Maria Laraline Mendes Mauricio e Luiran Mendes Mauricio. Avô de três netos: Ana Luiza Mauricio Gomes de Lima, Artur Levy Assunção Gomes de Lima Filho e Ana Lívia Mauricio Gomes de Lima.

É ator escritor poeta, coreografo e servidor Público aposentado da Rede estadual. Iniciou na dramaturgia aos quatorze anos encenando a peça “A cigana no Tempo de Hoje” no palco do Colégio Estadual de Guarabira, Integrou a Diretoria da Escola de Samba Unidos de Santa Terezinha de 1985 a 1990, como diretor de fantasias e mestre sala. Compôs os cinco Sambas de Enredo, dando três títulos de campeã a escola. Em 1987 fundou o Grupo de Teatro “Espaço Livre”. Diretor do Teatro Geraldo Alverga de 1995 a 2002. Presidiu a Quadrilha Junina “Quadrilhando é um Xodó de 1982 a 2005. Coreografou a quadrilha Junina Nação Nordestina da Cidade de caiçara de 2007 a 2010 Coordenou o Setor de Eventos e Cultura do Educandário Nossa Senhora de Lourdes de 1991 a 2010. Autor e escritor de 23 textos para o teatro. Premiado como Melhor Ator por duas vezes no Festival Nordestino de Teatro de Guarabira com as peças “UM Caipira em Terra Estranha” e “Que Maravilha”.

UM NATAL DIFERENTE

Clarinha era uma criança linda, mas muito triste porque morava praticamente dentro de um hospital. A garotinha era portadora de um tipo de tumor localizado no cérebro, que fora descoberto há algum tempo; os médicos lutavam pela saúde da menina e tentavam minimizar os sintomas da doença. Era época natalina e o hospital estava todo decorado, com luzes coloridas e bolas de diferentes cores. O hospital era especializado em vários tipos de câncer infantil, e o que não faltava era criança circulando pelos cômodos daquele prédio. Dr. Jorge, o neurologista da linda Clarinha, foi falar com sua mãe sobre a doença dela, e disse-lhe:

- A senhora sabe da situação da sua filhinha. O resultado do primeiro exame não esclareceu se o tumor dela é maligno ou benigno, vamos realizar um novo procedimento cirúrgico, para definir o tratamento adequado. Assim, precisamos da sua autorização.

- Dr. Jorge, é quase Natal, mas se realmente for necessário, eu autorizo. Respondeu-lhe.

Já era noite quando a menina observou que sua mãe estava chorando, e disse-lhe:

- Mamãe, por que a senhora está chorando?

- Minha filha, o que você desejaria ganhar nesse Natal? Perguntou-lhe:

- Mamãe, eu quero ficar curada. Respondeu-lhe.

Mãe e filha saíram para passear no pátio, e lá Clarinha olhou para o céu e viu uma estrela brilhante se aproximando dela, parecia até uma estrela cadente. Logo, a menina fez um pedido: “Ela pediu para ficar curada".

Dois dias depois foi realizado o procedimento cirúrgico e retirada do tumor para análise...

Era véspera de Natal e o hospital se organizava para a festinha da criançada, com a patrulha do sorriso para animar os pequeninos... Os integrantes da patrulha circularam por todos os cômodos daquele hospital, levando sorrisos e distribuindo presentes. Logo, eles entraram na enfermaria de Clarinha e um dos integrantes colocou na mão da menina uma boneca e um envelope dourado. Assim, ela leu em voz alta o resultado da Biópsia, que confirmava que o tumor era benigno. Logo depois, Clarinha emocionada, desejou um Feliz Natal a todos...

Os tempos passaram e Clarinha cresceu forte e saudável.

A Fé faz o impossível acontecer!

Elisabete Leite (FELIZ NATAL!)

NATAL DE LUZ E AMOR

Peço a Deus, recolhida, em oração
Para que o nosso Natal seja de Luz
Que a Paz habite em cada coração
Pois é a mão de Deus que nos conduz...

Que enche nossa alma de claridade
Que provoca a comunhão entre irmãos
Pois precisamos de amor e fraternidade
As pessoas merecem viver em União...

Peço que o vírus seja banido da terra
E que a justiça prevaleça entre a humanidade
Amor seja a semente que se enterra
E dela germine bons frutos, a Caridade...

Peço a Deus, constrita, em prece
Que seja expulso da terra o desamor
Viver em harmonia a gente merece
Para que o Natal seja de Luz e Amor.

Elisabete Leite


25 de dezembro

Encontrei sentado num banco de praça
Um homem de semblante pensativo aparente
Seu olhar não saia dos paralelepípedos irregulares
Ao lado conseguia ouvir o ranger dos seus dentes.

Olhou para mim e disse estar decepcionado
Este ano não poderá cumprir sua missão
O governo não lhe dará permissão para tal
O proibido lhe trouxe tristeza e desilusão.

No passado era só alegria e emoção
As famílias sonhavam a chegada desse dia
O mais famoso nasceu na humildade do chão.  

Mas agora a alegria ficou para trás Renas,
Renas, presentes e Papai Noel não pode
Sem calor humano não terá Natal jamais.

Emiliano de Melo
Guarabira-PB, 11 de dezembro de 2020


PAPAI NOEL EXISTE?!
De: Socorro Almeida

Essa época natalina me faz lembrar de uns acontecimentos da minha infância. Eu era uma criança muito traquina e adorava discutir com os amiguinhos, dizendo que Papai Noel não existia, e tomei como desafio dar a eles uma prova disso.

No final de uma tarde de domingo, véspera de Natal, eu saí de casa sem ser vista, em direção à praça de um bairro de Olinda, chamada de Praça do Jacaré. Ao lado, beirando a rua principal, havia uma retreta onde, nessas ocasiões festivas, a prefeitura contratava uma banda que fazia a alegria das crianças do bairro. E, maravilhada, já ouvia de longe a banda tocando Jingle Bells.

- Agora sim, vou atrás de encontrar esse tal de Papai Noel!

Do lado direito da retreta avistei um Papai Noel feito de argila, bem gordinho, de barba branca...cheguei bem pertinho pra ver se ele falava comigo. Do lado esquerdo, outro Papai Noel, que também nem se moveu e nem falou comigo, e só tinha olhos pro menininho muito fofo que tinha no colo.

- Ora, sabe de uma coisa... se ele fosse de verdade, teria falado comigo! - E corri de volta pra casa, disposta a debochar dos meus amiguinhos.

-Eita! Tanta gente em frente a minha casa!... Com certeza estão me procurando...

- E aí?! Encontrou com ele? - perguntou Toninho

- Claro que não! Eu te disse que ele não existe!

- Existe sim! Ele está lá dentro da tua casa! - Arregalei os olhos, incrédula...

- Mentira sua! - Gritei

- Pois então vai ver! - Disse Toninho, debochando de mim.

- Ô, Ô, Ô! Estava me procurando, Maria?! Pois aqui está a boneca que me pediu! - E colocou nas minhas mãos um pacote quase do tamanho de mim... E foi embora na sua charrete, puxada pelas renas e iluminada só pela luz das estrelas.

Agora que eu cresci, aprendi uma coisa muito importante: a visão da verdade está em nossos corações. São os nossos sentimentos que nos movem a acreditar que Papai Noel existe... aqui, ou ali, em toda parte...e aonde formos ele irá conosco, porque ele está dentro de nós. Ele se vai, mas quando a gente menos espera, ele volta... sempre no final do ano. E nós, crianças, ficamos por aqui perpetuando essa imagem, sempre em busca da verdade, de atenção e muito carinho, não é?!

FELIZ NATAL!!

Neste Natal

Neste Natal, meu bom Jesus
Venho pedir-te o firmamento azul celeste
As estrelas d'alva da vida cintilar
Neste Natal quero o sol, o céu, quero a luz!

Neste Natal, meu querido Senhor
Quero a reza da Missa e o canto
Da prece que une. Quero a beleza da flor,
Quero a graça. A ternura o encanto, o amor

Que não seja simplesmente em vão
Nossa passagem pela vida
E guardemos todos no nosso coração

Está lição primorosa
"A mão que empunha uma arma
Pode plantar uma rosa "

Marisa Alverga

Marisa Alverga Cabral, nasceu em Guarabira, Estado da Paraíba, filha de João Bezerra de França e Elvira Alverga Bezerra, no dia 17 de outubro de 1937. Reside na rua Dom Marcelo Pinto Carvalheira, nº 1173 – 2º andar- Bairro Novo, Guarabira, PB.
É formada em Letras pela UEPB.

Livros publicados: SIFONIA DO ADEUS - ´poesia – 1983; POR CULPA DO DESTINO – contos – 1985; SOMBRAS DO PASSADO – contos – 1983; SONHOS ESPARSOS- poesia – 1991; VELEIRO DA SAUDADE – POESIA -1991; NA VARANDA DA VIDA – crônicas 2003; ENCONTROS E DESENCONTROS/ MEETINGS AND DISAGREMENS – POETRY – 2013; MENSAGENS SEM FRONTEIRAS – 2016.

Tem poesias traduzidas para o inglês, francês, espanhol, grego e chinês.

A Revista SELECTED Wrinting (Colorado) – Estados Unidos, em seu nº 14 publicou o conto ALÉM DA IMAGINAÇÃO (DO LIVRO Por culpa do destino) MEU AMIGO FÁBIO do livro SOMBRAS DO PASSADO FOI PUBLIADO PELA Revista Nacional – Rio de Janeiro – RJ.

Integra a ENCICLOPÉDIA DE LITERATURA BRASILEIRA editada pelo Ministério de Educação e Cultura – 1990 – rio – RJ e a primeira Antologia de Poetas e escritores do Brasil, selecionados pela Revista Brasília, com o conto O jogo da vida.

Um Natal Diferente

Quando estendo meu olhar no verso
Pra falar de algo que não faço ideia
Deste novo Natal esquisito e adverso
Triste e diferente, até na Galileia

Nesta página rabisco esta odisseia
Falando de um Natal submerso
Diferente dos tempos de Panaceia
Este Natal, Senhor tão imerso

Papai Noel perdeu seu lindo trenó
Está disperso no Egito feito Faraó
Que Natal, meu Deus tristonho...

Vejo todas as Nações em puro desatino
Nosso universo perdendo o destino
Buscando renascer seu sonho.

Rita de Cassia Soares
15/12/2020

O Belo Natal

Natal, com amor e gratidão
Uma data de emoção
De encontros e reencontros
Buscando a felicidade da Criação

No dia que nasce o menino Jesus
A felicidade de toda uma nação
E nasceu o simples menino
Com tanto amor no coração

Nesta página sigo minha declaração
De alegria com esta ocasião
Pois és tão amável e companheiro
Vem aqui, para este festejo

Comemoramos neste dia abençoado
A união da família e os sorrisos expressados
Porque o nosso Jesus é isso, amor e esplendor
Demasiadamente feliz, por nosso louvor.

Gabriela Mota de Lima Luiz, João Pessoa
15/12/2020

Natal
 
Foram tantos os Natais
Que passamos juntos ou sois,
São tantas lembranças,
Tantas vivências,
Tantos nós!
Foram tantas alegrias,
Tantos presentes dados
Outros tantos quebrados,
Foram tantas paixões
Sem fé sem brasões,
Foram uniões e desilusões.
Foram tantos natais iguais
Tantos sentimentos dados,
Tantas esperanças e renascimento,
Tantas roupas novas,
Sapato apertado nós pés
Um laço no cabelo
A estrela de Belém
O presépio encantado
O parque de diversão
Foram tantos Natais
Todos iguais.

Enfim um Natal diferente!
Um Natal nunca existente
Um Natal pra se esquecer
Um Natal Doente, demente
Um Natal com um só sentimento
Um Natal onde reinará
Não o Menino Jesus
Não reinará Maria nem José,
Onde reinara o MEDO.
A desesperança,
Onde esquecemos os necessitados
Não trocaremos presentes
Pois tudo nos foram tirados
Não teremos roupas novas
Nem calçados apertados
Teremos a mentira reinando como verdade
Teremos o MEDO a nos acompanhar
E uma máscara nova
A esconder tantas outras usadas
Enfim um Natal Diferente.

Jorge Leite
Madalena, 15 de dezembro de 2020

 Imagens: Natal - Artfile.ru




domingo, 13 de dezembro de 2020

Inspiração - Um Domingo com Elisabete Leite

 ANO II - EDIÇÃO Nº 420

Tema das Imagens - Inspiração


SEM INSPIRAÇÃO

Elisabete Leite

Hoje acordei sem inspiração
Meu dia amanheceu sem brilho
Os versos da poesia sem emoção
E as rimas sem nenhum estilo...

Um grito preso na garganta,
Sufocava a minha respiração
Lágrimas regavam as plantas
Para elas não perderem sua ação...

O arco-íris não mostrou suas cores
O sol nem resplandeceu no céu
No coração somente havia dores
Enquanto as rimas voavam ao léu.

Meu dia amanheceu só nostalgia
Como uma Primavera sem Flor,
Saudosos são os versos da poesia
Ah! Sentimento que o tempo levou.

VIVO SEM PRESSA
Elisabete Leite

A vida vai passando, bem depressa
O tempo não espera para acontecer
Não sei viver caminhando na pressa
Sou grata pela vida, faço por merecer...

O tempo passa em grande velocidade
Sonhos chegam, sem eu nem perceber
Trazem realizações, a plena felicidade
Vivo sorrindo, é um modo de agradecer...

Não fico sentada em cima do muro
Faço escolhas, tomo boas decisões
Oferto, sempre, sentimento fecundo
Os fortes abraços e aperto de mão...

Demoro nos carinhos, passo meu calor
O dia a dia já é áspero, sou bem suave!
Sobrevivo sim, em cada gesto de Amor
Sou leve como pluma e voo como ave.

VOCÊ DISTANTE
Elisabete Leite

O verão chega sem luminosidade!
Não vejo o sol que é fonte de calor
Sem sua presença, vivo na saudade
O tempo escurece sem o seu amor...

Sem você, o meu dia é só tristeza
O vazio toma conta da minh'alma
Minha poesia perde a sua beleza
Sua ausência rouba toda a calma...

Não posso viver com você distante!
Se você é a centelha que me alumia
Ainda sinto o seu carinho constante
Fico sem inspiração para tecer poesia...

Não sei, se tudo, é sonho ou realidade!
Penso que nossa história está esquecida
Ah! Como dói essa tal da saudade!
Amo você por toda a minha vida.

 DOCES SAUDADES
Elisabete Leite

Saudade dos tempos de outrora
Da minha tranquila casa no campo
Do balançar na rede da varanda
E do inebriante aroma de alecrim...

O café quente cheirando no fogão
O bolo de fubá na mesa do terraço
Da paixão que ficou pelo caminho
Do primeiro beijo e do forte abraço...

Saudade do banho de chuva no quintal
Da natureza que acenava para mim
Ah! O cheiro forte de terra molhada!
E o gorjeiar da passarada no jardim...

Morar no campo era viver cada segundo
Era aprender saudáveis lições, todo dia
Minha vida era uma aquarela de cores
Sim, lá a felicidade realmente existia.

NATUREZA É AMOR (Sondel)
Elisabete Leite

Ah! O melhor da vida é saber amar
Sentir a brisa suave acariciar a face
Contemplar o belo de uma noite de luar
Deslumbrar-se com estrelas e seus enlaces...

Com é bom sentir o sopro do vento!
O abraço acolhedor da Mãe Natureza
Olhando o sol nascer lá no horizonte
Sabendo que a vida é repleta de riqueza
E se o sol insistir em não aparecer
Deixe a luz da essência resplandecer
Olhe para o céu e agradeça por tanta beleza.

ESQUECI VOCÊ!
Elisabete Leite

Sim, já não sinto a sua presença!
Esqueci os nossos sentimentos,
Joguei fora os meus carinhos por ti
Rasguei o diário dos nossos momentos...
Ah, difícil colocar um ponto final!
Quando reticências persistem em continuar
Insistindo em nosso sonho de amor
Trazendo à tona os instantes de dor...
Não quero reviver tristezas e sofrimentos
Nem falar de solidão e melancolia
Sentimento sem amor é puro tormento
Prefiro continuar tecendo minhas poesias...
Quero riscar você da minha vida
Apagar de vez, você, da minha história
Melhor caminhar sem norte, perdida
Que deixar você ocupar a minha memória...
Você, por mim, somente tinha desprezo
Meu amor já não morava em seu coração
Relacionamento sem amor, eu não mereço
Vou ficar só, é minha escolha, e decisão!
Continuar com esse sentimento é tolice
Não irei preservar o que machuca e faz doer
Eu prefiro seguir um outro caminho,
Ser feliz, viver livre e parar de sofrer.
Pequenos Contos para Ler aos Domingos

O conto que postamos hoje, da poeta e contista Elisabete Leite, foi publicado na Revista Revista The Bard de dezembro. Junto ao conto publicamos a capa da revista e foto do conto publicado e o endereço eletrônico da mesma. Parabéns  Elisabete Leite por mais uma conquista no mundo literário.

MISTÉRIO NO HOTEL CENTRAL
Elisabete Leite

Alfredo acordou enauseado pelo cheiro forte de cerveja choca que vinha do bar daquele hotel xexelento. Ele fixou seu olhar em um ponto qualquer, e disse:
- Deus, que final de semana sinistro! 
O silêncio foi quebrado pela voz da arrumadeira dos quartos:
- Bom dia! Posso arrumar o quarto?
- Obrigado senhorita, mas eu quero ficar sozinho! Respondeu-lhe.
O vento soprou forte e trouxe consigo recordações dos momentos que antecederam à morte fatídica do amigo Miguel...
Alfredo foi retomando passo a passo, e lembrou que havia saído mais cedo do Banco para se encontrar com o amigo. Lá, Miguel fez um convite para eles e mais duas amigas passarem o final de semana naquele hotel...
Alfredo e Miguel marcaram o passeio para o dia seguinte... Os rapazes acordaram e foram apanhar Sandrinha e Amélia, que já esperavam por eles... A viagem foi longa até o Hotel Central. O local tinha aspecto desagradável, mas era rodeado pela natureza. Depois de acomodados em dois quartos, eles foram tomar cerveja no bar do hotel. Após muitas geladas, resolveram dormir. Alfredo saiu com Amélia e Miguel com Sandrinha... De repente, um grito rasgado e um tiro solto no ar. Alfredo tomou um susto, percebeu que Amélia não estava na cama, e saiu correndo até o quarto do amigo... Chegando lá, ele encontrou Miguel morto no chão. E observou que Sandrinha também não estava no quarto. O mistério era triplo! Pouco depois, um policial chegou e solicitou que Alfredo não se ausentasse do hotel até segunda ordem... Alfredo foi despertado das suas recordações, por um policial que explicou o que acontecera na noite anterior:
- Boa tarde, senhor Alfredo! Pela manhã, encontramos no matagal, os corpos de Sandra e Amélia, e do ex-namorado da vítima Sandra. Junto ao mesmo estava à arma dos crimes e do suposto suicídio dele. Vamos abrir inquérito para elucidar essa tragédia. Portanto, o senhor por hora, está dispensado. Alfredo retornou ao trabalho, e foi ao velório de Miguel. Os tempos passaram... Alfredo nunca se esqueceu da morte do amigo e das duas colegas, por questões de ciúmes... Ele só não conseguia entender o porquê da morte de Amélia. 
Mas isso, será outra história.





domingo, 6 de dezembro de 2020

Amigos Poetas

 ANO II - EDIÇÃO Nº 419

Tema das Imagens -  Amigos

AMIGOS POETAS

Socorro Almeida

Difícil é falar de mim mesma como poeta, pois há tantos poetas em nossa história, dos mais simples aos mais enigmáticos, dos mais alegres e sorridentes, aos mais tristes e nostálgicos, tão relevantes quanto eu. Mas, o que importa é que, ao penetrar nesse mundo, me deliciei com as emoções mais edificantes e fui construindo o meu próprio mundo, num alicerce inabalável. Essas emoções moram aqui, neste Cantinho do Saber, através do qual tantos poetas maravilhosos conheci e com quem muito aprendi. E como prova, trago alguns dos meus poemas inéditos, que também são frutos do maravilhoso incentivo que recebi de todos. 


ALMAS SÍMIAS
Socorro Almeida

Não! Não quero ser amada somente
Sem sentir a emoção de quem sente
O frio na espinha, o sabor de um beijo
O calor do abraço, o colo fremente
O sorriso da boca de quem mente
Só para não admitir seu desejo.

Não quero sentir o amor indolente
Em lânguidos carinhos que não ensejo
Nem me basta ouvir sob o diapasão
Os acordes perfeitos do meu violão
Sem que me externe ao som dos meus desejos.

É perfeito demais este meu sentimento
Pra não ter que sonhar com um amor assim
Almas símias, iguais e tão somente
Sejam uma para a outra o alimento
Em noites de amor ao som de um bandolim!
 
Recife, 24/11/2020


VOU EMBORA DAQUI
Socorro Almeida

Vou embora daqui
Só não me pergunte o porquê 
Tudo aqui cheira a mofo
E seu amor faz doer.
Vou embora daqui
Apreciar as estrelas
Sob qualquer teto de palha
Repousar em sofá de navalha
No chão argiloso de massapê!
Vou embora daqui
Pra tudo que em minha pele me açoite
Em dia que não é dia
Ou noite que não é noite
Até que eu pare de ouvir
Falar de você!
Vou embora daqui
Ainda que eu me acovarde e chore
Tanto, tanto, que em lágrimas me afogue
Por essa ausência que me faz padecer
Por essa dor que eu também não suporte
Até que eu tenha que de saudade morrer!

Recife, 20/11/2020

CUIDA-TE DO BEM ENGANADOR
Socorro Almeida

Das ingratas que te cercam, cuida-te
Das ações infectas de quem diz "amo-te"
Escórias que habitam nas  lamas e esgotos
Te mostram imagens de pureza, aos montes.

Cuida-te do vendaval de beijos ardentes
Da podridão que exala de bocas vis
Das promessas vãs de lábios carentes
Desses seres hás de ouvir o que jamais se diz.

Eu, que fechei os olhos a uma alma louca
Ao som dos leves passos de uma meretriz
Por sorte não vaguei no escuro de sua toca
Por sua indolência em me fazer feliz!

Recife, 21/11/2020
 

BEATLEMANIA
Socorro Almeida

As lembranças amargas dos anos dourados
Desafiam as vozes harmoniosas dos Beatles
Em dancings noturnos, em jogos de azar
Beirando a loucura do cheiro do pó
Agonizam frente aos seus ideais
E ignoram que sejam pobres mortais!

Se eles soubessem o que seja o amor
Capaz de arrancar-lhes do peito a dor
Fariam do ventre que lhes deu moradia
O inevitável regresso à fonte da vida
Seu último direito àquela guarida
Sem o apelo do "Help" da Beatlemania!

Recife, 29/11/2020


Comentário de Domingo


O Retrato de Simonetta Vespucci
Antônio Jessé Leite

Retrato de Simonetta Vespucci é uma pintura a óleo sobre tela (57 x42 cm) do pintor renascentista italiano Piero di Cosimo, datado de cerca de 1480 ou 1490

Ela chegou a Florença, o berço do renascimento italiano, como noiva de quinze anos, seu marido Marco Vespucci era um nobre e tinha laços estreitos com os Médici. Em poucos anos, Simonetta Cattaneo de Vespucci catapultaria à fama como a mulher mais bonita da Itália, amada de uma cidade inteira.

Simonetta Cattaneo de Vespucci foi a musa de Botticelli e a ′′ supermodelo ′′ Florentina do século XV da Itália.

Nascido numa vila perto de Gênova, alguns acham que foi Porto Venere e se casou aos 15 anos e morreu aos 22, a sua curta mas doce vida inspirou um dos maiores artistas do Renascimento e os homens mais ricos do mundo.




Os poetas Elisabete Leite e Socorro Almeida, de Recife; Emiliano de Melo e Rita de Cássia, de João Pessoa, informam aos amigos mais um sonho realizado; a publicação da Antologia "Sonhos de Poetas". É com orgulho que o Blog Maçayó destaca esta publicação. Boa leitura!