domingo, 21 de novembro de 2021

Almanaque de Domingo - Poesias e Macrofotografias

 
Edição Nº 471
Tema das Imagens: Macro fotografia


ENCONTRO  DE  POETAS

OS ESPINHOS QUE NOS ENTRELAÇAM

Sempre foi em um dia ensolarado
Que o mundo presenteou-me com flores
As mais delicadas rosas
Até as mais espinhosas acácias...

Sempre em um dia de verão
Mas, as estações vêm e vão
E quando o inverno permanece
Apenas os casacos me aquecem...

As geleiras se prendem ao chão
O mundo se desfaz em vão
E eu, jogada aos pés
Das flores e poesias
Esperando trazer de volta
A ventania de algum dia!

Gabriela Mota
João Pessoa,11/11/2021

O JOGO DE AMAR

Os teus lábios podem
Até esconder tua verdade
Mas, o teu coração é incapaz
De mentir para o meu.
E todas as canções
Que conduzimos ao nosso amor
Foram jogadas perante a dor
Mas, nós sempre vamos nos completar
Por meio do amor
Ou com o que ele trará!

Gabriela Mota
J. Pessoa, 29/10/2021
 

O QUE A ALMA NÃO VÊ 

Ele fora lúcido e sensato quanto você e eu
Seus sentimentos eram tão límpidos e doces
Quanto divinos são os anjos do céu
Mas, seria mais feliz se amado fosse...

Solitário e sem guarida, anda entre as quimeras 
Sorri, mas nada encontra na caminhada
Das alegrias e esperança que um dia tivera
E agora, muito mais triste, chora por nada.

Inclina-se, até os joelhos tocarem o chão
Levanta o rosto, em lágrimas, banhado
E sussurra, julgando que ninguém o ouve...
"Meu Deus, por que vivo  tão amargurado?"

Surpreso, escuta uma voz suave e doce
"Volta! Retorna ao lar que deixaste para trás
Aprecia a natureza, paraíso que Eu te dei 
E nunca mais dessas amarguras provarás!"

Socorro Almeida 
Recife, 26/10/2021

O QUE EU QUERO 

Não quero ter a pose do leão...eu não!
Nem quero ser a tristeza da meretriz
Ou nas hienas, o sorriso das amantes...
Eu quero apenas ser feliz!

Não quero ter a grandeza dos continentes 
A enfadonha arrogância dos imbecis 
A exuberância inconteste dos oceanos...
Eu quero apenas ser feliz!

Não quero mais o futuro desse aprendiz
A ilusão de seus sonhos corrompidos
A dignidade dos valores suprimidos...
Eu quero apenas ser feliz!

Por uma vida dolorosa e antiética
Na tolice ou ignorância do infeliz 
Não pertenço a essa classe tão patética...
Eu quero apenas ser feliz!

Socorro Almeida 
Recife, 15/11/2021


TUDO NA PRESSÃO 

Num tempo tão conturbado, meu Deus...
Que até parece estarmos inertes
Ou longe da civilização...
Esse povo não tem compreensão 
Só sabe cobrar duramente
Deixando sofrida a nossa mente 
A PA invertida, pressionando o coração 
Somos lunáticos ou perdemos a razão
Nesse mundo mais que sofrido?!...
Meu Deus! Por que tanta pressão?
Até se fôssemos máquinas humanas 
Nós teríamos limitações!
Chamo isso de hipocrisia 
Seja mais humano, meu irmão! 
Tudo na vida é passagem
Cada um tem uma lição 
Guardada no coração... 
Uma boa semente plantada
Regada com muito fervor
Floresce até nas pedras 
E exala um perfume de amor!
Só precisa do amor cristão 
Que tão poucos conhecem 
Ou praticam com exatidão 
Para quê, num tempo tão atípico 
Cobrar com tanta pressão?
Somos velas em nevoeiro
Somos um trem na estação 
À espera do tempo de Deus 
Então, para quê tanta pressão?

Rita de Cássia Soares 
Pirpirituba, 11/11/2021

NADA IMPOSSÍVEL

Nada impossível 
Só um monte de possibilidades 
Nada além do possível
Apenas amontoados detalhes.

Como trabalhar honesto
Crescer na desmedida 
E ser feliz, justo, sincero
Está de bem com a vida.

Nada impossível
Só mesmo o essencial
Ser compreensível 
Um cristão normal.

Já conheci metade do país
Do mundo sou um vencedor
Um sonhador voraz e feliz
Viajei de trem e até de metrô...

Viajei de avião, também de navio
Cheio de medo, sem coragem
No pão de açúcar por um fio
Bom foi passear de carruagem.

Nunca quis nada demais
Só o básico para viver
Um pouco de dignidade
Tudo isso me fez vencer.

              Baltazar Filho
     09 de novembro de 2021

SEXAGENÁRIO

É para brindar, polir
Lapidar, e se enveredar
São seis décadas inebriantes
É motivo de se orgulhar
É real, é fato, é semelhante

E prazeroso, confiante
Se debruçar, se envolver
Se ater, não ser inconstante
Não obstantemente se prender

Sexagenário é hilário
Extravasado, malicioso 
Um sessentão aguçado
Estupidamente audacioso.

                 Baltazar Filho
       02 de novembro de 2021
 
 
 LEITURA  DE  DOMINGO

ALÉM DO OLHAR        

          Vocês já viram um arco-íris? Claro, provavelmente sim. Embora poluição das grandes cidades possam o impedir de ver tão imponente fenômeno físico é bem possível que sim. Quem sabe em fotografia milimetricamente fotografado por um artista profissional. Fenômeno ótico completo de significados e curiosidade. Ele é o resultado da refração e reflexão da luz através de gotículas de água. Falam que a luz é branca, como a da lua cheia ou do gelo do iceberg e é resultado da percepção de nossos olhos das sete cores (vermelho, laranja, verde, azul, anil e violeta) misturadas. A ciência de hoje descortina completamente o que seja e como é formado o arco-íris que na verdade não é um arco como vemos e sim uma circunferência. 
          Na mitologia grega, Íris é a deusa do arco-íris, que como um arco, ela une a terra e o céu e seria a mensageira dos deuses para os seres humanos. Porém tenho uma simpatia profunda pela mitologia Irlandesa e outras estórias afins sobre o arco-íris. Nelas em seu encontro com a terra (final do arco que inicia no céu) tem um pote contendo ouro em pó. Este local nem sempre é um lugar acessível mas, pelo prémio, vale a pena arriscar à exploração e respectivos desafios. Imagina-se que seja um pote de barro da forma e cor que costumamos ver na literatura egípcia e nordestina. Suas dimensões devem ser idênticas aos utilizados nas casas de Taipa sitiadas no alto sertão do nordeste do Brasil, para armazenar e esfriar a água de beber. A lenda citada diz ainda que eles são guardados por gnomos de cabelos brancos, barbas da mesma cor e extensas e chapéu colorido de forma cônica, graciosos porém muito malvados quando perturbados por ambiciosos atrás do ouro do pote. Aliás, a presença dos gnomos é uma constante em muitos ambientes infantis, juvenis e de origem isotérica. Mas à tentação de efetivar tamanha aventura, ir em busca do pote de ouro, é muito forte mesmo diante de tanto mistério. 
          O ouro sempre ensejou desavenças, guerras e fantasias. Eu mesmo, pretenso a não dar crédito ao que não seja real, ficaria satisfeito com uma colher de mexer café, rasante daquele precioso conteúdo do pote. Imaginem o que o ser humano faria com um pote (um pote usado para armazenar água tem altura, aproximada, de 88cm) do desejado minério?

ANTÔNIO JESSÉ LEITE


CONSTRUTOR DE SONHOS

          Era uma manhã primaveril, o sol já havia resplandecido no horizonte e, através dele, se iluminavam as brancas nuvens que dançavam na abóbada celeste. Diferentes espécies de flores coloriam o quintal da casa do garoto, conhecido, pelos seus próximos, como “Capiauzinho”; naquela pequena cidade interiorana, de Minas Gerais...
          A casa do Capiauzinho, garoto, então, com seus dez anos de idade, se destacava, não pelo luxo, nem pela ostentação, das demais. Tinha janelas e portas protegidas e camufladas por parreirais de uva e maracujá, pois , aquele menino, desde pequeno, possuía o instinto de semeador e de cuidador da Natureza... Diziam, sobre ele, que falava com as plantas e os animais...  e que interagia, como se amigos ou irmãos, com os diversos pássaros que visitavam seu quintal; provia-lhes comida e cuidados, pois que, ao seu derredor, não havia mais que fazendas de eucalipto e braquiária. A rotina do, esperto, Capiauzinho, que já era um garoto sabido, desde muito pequeno, era sempre a mesma: acordava ao alvorecer, quando o sol ainda brincava com a aurora, atrás do mato, e começava, assim como todo bom garoto criado na zona rural de Minas, as suas “obrigações”: levava milho e lavagem aos porcos; jogava milho e canjiquinha para as galinhas e pintinhos; varria os terreiros; buscava água para o pote e filtro... à tarde, tomava seu banho no poço do regato que havia na divisa do sítio, de onde podia contemplar o esvoaçar das borboletas sobre as flores e escutar o gorjear das aves que passavam buscando os campos de alimentação. O menino ficava, horas, sentindo a brisa fresca acariciar seu rosto, sempre com o olhar fixo no céu; longe do tempo e do espaço, a pensar no futuro... O Capiauzinho tinha um sonho, que esperava concretizá-lo quando crescesse: Ele queria ser Escritor, para poder passar mensagens de sentimento de Amor ao próximo e, como propósito, ele almejava que todos vivessem em total comunhão...
Enquanto menino, teve pouca oportunidade de frequentar a escola, onde já entrou sabendo quase tudo que continha o currículo escolar da época; mas, apesar disso, sabia bem mais coisas do que o normal para a sua idade. Ele dizia aprender com a vida, pois passava horas e horas lendo livros de sabedoria milenar, Mahatma Gandhi, era seu preferido. Gostava também de ler pensamentos e mensagens edificantes. Em suas horas de folga, aproveitava, na íntegra, o que a natureza sabiamente oferecia; a grandiosidade de todo espaço verdejante da Flora e toda riqueza da Fauna, oferecidas de graça... O garoto vivia na simplicidade, vestia-se sem ostentação; amava calçar uma chinela de dedo, ou mesmo, ficar com os pés no chão, sentindo a terra. Enquanto as outras crianças viviam empinando pipas ou jogando bola de gude, ele se sentava no chão ou ficava recolhido, sozinho, sob a copa das frondosas árvores, lendo os livros que tanto apreciava; da tardinha até o início da noite era hora de debulhar milho, catar feijão e outras tarefas que se faz dentro de casa ou à beira da porta; e ouvir seu pai tocar, na viola ou violão, as canções simples, que o velho mesmo, ou algum amigo, havia composto; e como o velho tinha paciência de ensinar o filho a afinação e as notas simples que tirava daqueles instrumentos...
          Um certo dia, o garoto Joãozinho, que morava próximo à casa do Capiauzinho, ficou muito machucado, pois veio a cair de um Jatobazeiro (uma das árvores mais frondosas do Cerrado), quando tentava resgatar sua pipa, entre os galhos... A mãe do Capiauzinho, sabendo que o filho era diferenciado, pois que, sempre, buscava a Sabedoria e a Fé; pediu-lhe que fosse à casa de Joãozinho, como se a visitá-lo, para lhe dar algum alento; pois que situação era grave: o garoto estava com graves sintomas de febre, quase à convulsão, todas as tardes.. Dona Maria, a mãe do Capiauzinho, encontrou-o sentado, em uma pedra, no quintal. Ela aproximou-se do filho e disse:
          - Capiauzinho, meu filho, eu quero que você vá à casa de Joãozinho para animá-lo um pouco, ele está acometido por uma febre estranha e não pode sair de casa. Estamos preocupados, pois pode ser que ele não resista.
Capiauzinho, mesmo não entendendo direito o porquê do pedido da sua mãe, pois que não sabia como dar ânimo ao colega, acreditou que aquilo poderia ser um aviso dos Céus. Falou consigo mesmo: “Meu Deus, se a mim foi atribuída esta missão, devo acatar a ordem, de mamãe, sem questionar. Somente peço-lhe Senhor orientação para obter êxito”. E respondeu:
           - Sim, mãe, irei visitá-lo agora mesmo.
           E, imediatamente, saiu em direção à casa do Joãozinho. Chegando lá, encontrou um clima de tristeza e amargura, que se notava no semblante de todos...  E, antes de ser notado pela família, se ajoelhou à um canto da varanda, onde entrou em Estado de Oração, pedindo aos Céus que interviessem, restabelecendo a saúde do seu amiguinho querido... Sentiu um leve tremor percorrer toda a sua pele, e uma Luz, como se a revestir todo o seu corpo; e as suas mãos aquecidas, como se segurasse uma lâmpada acesa entre elas... E nesse estado, radiante, adentrou a casa, sem nem mesmo se dar à praxe de cumprimentar os donos. Chegando ao quarto, notou que Joãozinho ardia em febre, inconsciente e delirante, pela infecção dos ferimentos que a queda lhe imputaram. Aproximou-se do garoto tocando-lhe a testa, com suas mãozinhas, ainda aquecidas, permanecendo, assim, por alguns segundos... logo depois deixou o recinto, cabisbaixo... recolheu-se cedo ao seu quarto, se sentindo muito cansado, como se algo houvesse sugado suas energias e, caiu em sono profundo. Foi despertado por vozes que vinham do corredor. Levantou-se e olhou pelas frestas da porta de seu quarto; sua visão dava diretamente no comprido corredor. Viu que sua mãe gesticulava com alguém... não podia acreditar no que estava vendo, era o Joãozinho; logo pensou: “Será que ainda estou sonhando!”. Já ia sair do quarto, quando sua mãe entrou.
          - Meu filho, quero contar-lhe uma boa nova... Joãozinho está curado. Ele esteve aqui, agora mesmo; trazendo uma vasilha de doce de pequi, pois disse que sonhou contigo, onde os dois, juntos, brincavam entre pequizeiros iluminados, e que você passava uma luz muito bela, de suas mãos para a cabeça dele. Disse-lhe sua mãe.
          - Obrigado mãe, foi um milagre dos Céus! Disse-lhe o filho.
          Anos se passaram... o garoto Capiau cresceu, ele tornou-se poeta e escritor, tem vários livros editados. Capiau conseguiu construir seu sonho: mensagens edificantes de Amor, em versos rimados e fidedignas palavras, para aqueles que acreditam na Verdade.
          Que o Amor habite em nossos corações e a Fé continue realizando milagres...

Elisabete Leite
(Com participação especial do poeta e escritor Violeiro Mineiro Capiau) 
(In Memoriam)
 

NATUREZA É POESIA

Caminho pelos campos e relva florida 
Contemplando o verde da Natureza 
A Flora e Fauna, cada forma de vida
Tantas raridades e similares belezas...

Subo as montanhas e escalo serras
Respeito os dois acidentes geográficos 
Vou retirando o joio do trigo pelas arestas 
Pisando em todos os espaços e gráficos...

Espanto-me com tanta grandiosidade! 
A gentileza do nosso Deus Criador
Que nos doa o verde e suas preciosidades 
Tudo de graça, com perfeição e amor...

Devemos preservar as dádivas oferecidas! 
Pois temos o Sol que ilumina todo dia
Já no amanhecer temos o dom da vida
Resta-nos versejar a natureza que é poesia.

Elisabete Leite


LEITURA  COMPLEMENTAR

Macrofotografia

A macro fotografia é a fotografia de pequenos seres e objetos ou detalhes que normalmente passam despercebidos no nosso dia a dia; são fotografados em seu tamanho natural ou levemente aumentados através de aproximação da câmera ou fazendo uso de acessórios destinados a este tipo de fotografia; as macros fotografias são exibidas em tamanho bastante ampliado para maior impacto visual.

Classicamente, o campo da macrofotografia está delimitado pela captura de imagens em escala natural ou aumentada em até cerca de dez vezes seu tamanho natural (entre 1:1 e 10:1 de ampliação), mas uma definição precisa está cada vez mais difícil, uma vez que as muitas câmeras digitais usam sensores diminutos. Por outro lado, muitas fotos são obtidas à distância, com o uso de teleobjetivas para captura da imagem, e nem por isso a foto capturada deixa de ser uma macrofotografia.

A macrofotografia é um ramo da fotografia voltada aos pequenos objetos, mostrando aos nossos olhos detalhes muitas vezes invisíveis a olho nu. Utiliza técnicas para projetar o objeto com ampliações, ou seja, a imagem pode ser aumentada em até dez vezes seu tamanho natural.

É importante também deixar claro que macrofotografia e fotografia close-up se trata de técnicas totalmente diferentes pois enquanto a close-up trata de fotografar algo com muita proximidade, a macrofotografia como dito acima trata de ampliar o objeto a ser fotografado.

Pode parecer algo complicado inicialmente, mas esse tipo de fotografia tem se tornado mais popular do que você imagina. Os profissionais de estúdio aproveitam para capturar fotos de macro de folhas e insetos mantendo o total controle sobre a iluminação.

Porém muito se engana que esse tipo de fotografia pode ser realizado apenas em estúdio. Os amantes da natureza podem passar horas em busca de tesouros escondidos entre as flores e folhas e fazer belíssimas fotos macro e mesmo onde a gente nem imagina poder encontrar fotos interessantes como o quintal de nossas casas na macrofotografia isso torna possível.




Imagens:PIXABAY






domingo, 14 de novembro de 2021

Um Domingo com Debret

EDIÇÃO Nº 470
Tema das Imagens: Jean- Baptiste Debret

                      Senhora comum em meio aos seus afazeres diários - Jean-Baptiste Debret.

  ENCONTRO DE POETAS

 DUELO DE AMOR

Somos dois na disputa por esse amor
Frente ao outro, a mirar o coração  
Se valer a pena esse duelo entre os dois
Um de nós, abatido, cairá ao chão.

Sei que serei eu por julgar-me invencível
Não sabes tu que há muito fui derrotado
O tiro que me abateu, neste instante lembrado
Veio desses olhos de olhar indivisível.  

Teus cabelos desalinhados pelo vento forte
Ora se debruçam em teu colo amado
Ora se atrevem a correr para o vento

Deponho as armas, imploro por tua sorte
Estou vencido e do teu amor sedento
Pedindo a Deus viver a vida ao teu lado!

Socorro Almeida
Recife, 14/04/2021

 DÍVIDAS DE AMOR

Fui caminhando entre a sorte e o azar
A mais cruel, entretanto, foi a sorte
Que abracei empolgada em ser feliz
E de amor morrer antes que se importe.

Foi o que pensei, porém, já era tarde
Pra negociar os horrores da sua inveja
Ou da paixão que mascara toda verdade
Pelo amor sincero que o coração almeja.

E nos jogos de azar de cada esquina
Onde dívidas se acumulam e não são pagas
Deixei meu coração por garantia...

Mas o tempo que tudo mata e desatina
Fez as minhas dores muito mais amargas
E sem sentir, eu... já por você morria!

Socorro Almeida
Recife, 26/04/2021


Execução de punição por flagelo - Jean-Baptiste Debret.

MEMÓRIA DE CRIANÇA

Acordei em um domingo
Cedinho, de manhãzinha!
E uma alvorada daninha
Badalava o sino da capelinha
Embaixo das árvores
Acolhedoras e sombrias
Olhava pra cima e ouvia
Um canto chiado e fino
O semblante da tarde caindo
E eu criança corria sorrindo
Em busca do meu sonho de menino
De longe podia vê na estrada
A carroça e o boi guiando
Uma voz rouca solfejando
Para a carroça não enguiçar
Com o lenço amarrado, cobrindo o cabelo!
Amarrado feito uma rodilha
A minha avó torrava café com alegria.
E ajuntando as criações no terreiro eu via
O seu coração palpitar
Desatava o nó do cabelo, amarrava as cabras no chiqueiro
O café no fogo já subindo cheiro e eu a esperar!
O beiju no côco com queijo
O tradicional cabeça amarrada, pra nosso paladar saciar.

Baltazar Filho

07 de novembro de 2021

ANJOS

Com um leve bater de asas
Sinto a brisa que tu emites
Teu toque tão delicado
Ao encostar em meu rosto
A luz que emana em teus olhos
Deixa meu coração taciturno
São tão profundos
Que me perco no teu oceano
Anjo, guarda nosso segredo
Anjo, voa livre pelo azul dos céus
Anjo, esse é meu desejo apaixonado
Sejas minha luz no céu
Pois irei te procurar em alto mar
No polo norte ou até
Do outro lado do mundo
E quando te encontrar
Irei descansar em teus braços
Meu belo e doce anjo
Então, me leva para um lugar
Em que te amarei para sempre.

José Neto
Pirpirituba, 21/10/2021
 

                                 Família Brasileira no Rio de Janeiro . Jean-Baptiste Debret

Alguém

Alguém com amor me disse:
Dá pra vida ser mais bela
Mesmo na escuridão
Não perca o brilho dela
Levante um pouco da cama
E olhe pra quem te ama
Sorria, mesmo chorando
E não fique com vergonha
Tem tanta gente que sonha
Em sorrir te abraçando...

Lucas Lima
Abril/2021

 Você é capaz

Recomece, não desista
Insista em arriscar
Se você não conseguiu
Nunca pare de tentar
Pois todo gol só é feito
Por quem se arrisca em chutar.

Às vezes nossos problemas
Nos deixam agoniado
Mas o segredo está aí
Bem pertinho do seu lado
Mudar o seu pensamento
Te trará bom resultado.

Sempre tente outra vez
Pare no caminho não
A estrada nunca muda
Pra quem sabe a direção
E não fica perdedor
Quem nasceu pra campeão.

Você pode conseguir
Mesmo sendo um rapaz
Uma mulher, um idoso
Só uma coisa é eficaz
Prove para você mesmo
Que você já é capaz!.

Lucas Lima
Setembro/2019

A vida

A vida tem seus mistérios
Difíceis de desvendar
Ninguém, sabe ao certo
Quando o tempo irá passar
Só temos uma certeza,
Tudo vai se acabar.

Você pode ter dinheiro
Mas ao tempo ninguém paga
Somos uma vela acesa
Se soprar, ela se apaga
E a vida é tão pesada
Que as vezes nos esmaga.

Assim, então, o que fazer
Para ser realizado?
Jesus Cristo já dizia
É amar e ser amado
Vivendo aqui no presente
Sem os erros do passado.

Entenda que tudo passa
Nós vamos passar também
Procure querer ficar
No coração de alguém
Mas isso só é possível
Se praticarmos o bem

Lucas Lima

                                    Funcionário a passeio com sua família - Jean-Baptiste Debret


  LEITURA DE DOMINGO

 UM ENCONTRO NO CAIS      

          É uma manhã de Outono... com ventos que sopram em várias direções. As folhas amareladas voam até caírem ao chão. O gorjear dos pássaros junta-se ao tamborilar dos pingos d’água que descendo do céu cinzento, despertam a Flora e a Fauna. Parece até inverno, os raios argênteos iluminam o horizonte de um canto a outro. É uma trovoada que chega surpreendendo.
          Júlia acorda soltando suspiros de felicidade porque hoje é um dia muito importante para ela. A garota terá um encontro com seu grande amor no final da manhã. A moça, na flor da juventude, sonha em ser feliz ao lado de quem ama. Uma jovem considerada linda, de pele morena, cabelos longos e olhos amendoados. Ela vive constantemente sorridente; é uma grande admiradora de natureza e ama contemplar o esvoaçar das borboletas pelo jardim; caminha em passos lentos, afasta um pouco as cortinas e percebe que o tempo está chuvoso. Volta-se em direção ao criado-mudo com seu olhar fixo em um porta-retratos, onde está a foto de um belo jovem. Júlia suspira fundo, e diz baixinho: "Augusto tenho tanta saudade de você". Olha para o relógio e pensa: “Meu Deus, estou atrasada! O navio de Augusto já deve ter chegado ao Cais do Porto. Eu preciso correr contra o tempo.” Veste-se apressadamente e sai correndo em disparada até o portão, para não perder a última condução da manhã...
           Devia passar das onze horas quando a garota chega ao Cais; a chuva continua forte e se mistura aos longos cabelos encaracolados da bela jovem; obrigando-a a se proteger embaixo da marquise de um velho armazém abandonado. Olha para frente e vê um enorme navio atracado no local de embarque e desembarque de cargas e passageiros. A jovem aproxima-se e percebe um clima pesado, como se um mar, de águas turvas, houvesse passado por ali, deixando apenas holocausto. Havia vários marinheiros de semblantes tristes circulando calados. Ela imediatamente para em frente à entrada e, pergunta a um jovem marinheiro:
          - Moço, o que aconteceu por aqui?
           O rapaz olha para Júlia e respondeu-lhe:
          - Senhorita, um jovem aspirante da Marinha acaba de falecer.
          Júlia continua as suas indagações:
          - Desculpe-me a intromissão! Por acaso, o senhor sabe o nome do aspirante que morreu?
          - Sim, dona moça! O nome dele era Augusto! Respondeu-lhe o rapaz.
          A garota fica atônita, deixando o local cabisbaixa, aos prantos. O encontro com Augusto era motivo de alegria, mas agora ele estava morto. Os suspiros de felicidade, se transformam em lágrimas de tristeza. De repente, sente uma mão pesada sobre seu ombro, e uma voz suave que diz:
          - Meu amor, por que você não me esperou? E por que você está chorando? Estou com tantas saudades!
          Júlia não consegue acreditar no que estava ouvindo, aquela voz é inesquecível, só pode ser do grande amor da vida dela. A garota olha bem nos olhos de Augusto e se atira nos braços dele buscando conforto. Ele a envolve em um longo abraço, enxuga as lágrimas que escorrem pelo rosto aflito da garota, procurando tocar seus lábios na boca dela e beijam-se, apaixonadamente. Júlia pergunta-lhe:
          - Augusto, alguém disse que você havia morrido. Explique-me, por favor!
          O jovem olha para a mulher amada e responde-lhe:
          - Meu amor, foi uma confusão; tinha outro aspirante com meu nome, apenas o sobrenome era diferente. Foi terrível o acontecido, mas eu estou aqui, para realizar o nosso encontro de amor.
           Augusto continua sorridente e segue falando:
         - Meu amor, eu tenho um presente para você. Espero que goste!
        O rapaz coloca a mão no bolso direito da calça, tira uma caixinha embrulhada com um laço de fita vermelho e entrega para Júlia. A jovem fica emocionada, com as mãos trêmulas abre o embrulho e para a sua surpresa é um par de alianças. Augusto aproveita e faz o pedido:
          - Quer se casar comigo? Eu te amo!
         - Sim, também eu te amo! Diz a garota toda feliz.
          Eles se abraçam e se beijam perdidamente, selando assim o compromisso tão desejado.
          O tempo passa... Eles se casam e são felizes.
       
Elisabete Leite

 A LUZ DO MEU OLHAR

Ah, se você soubesse!
O quanto é intenso o meu amor
É tão forte quanto o brilho do sol
Tão reluzente quanto as estrelas,
É tão inebriante quanto uma noite de luar...

Ah, se você soubesse!
Jamais você deixaria de me amar
Nunca ignoraria a minha saudade
Acharia em seu olhar o meu olhar
Não se esqueceria da minha imagem...

Ah, se você soubesse!
Como eu desejo viver ao seu lado,
Tocar o seu rosto, beijar a sua boca
Envolver-lhe em um longo abraço
Consigo dormir, sonhar e acordar...

Ah, se você soubesse!
O quanto é real o meu sentimento
Jamais me deixaria sonhar acordada
Iria recuperar os nossos momentos,
Para caminharmos por novas estradas.

Elisabete Leite

                               Capataz pune escravos em propriedade rural - Jean-Baptiste Debret

 LEITURA COMPLEMENTAR

Jean-Baptiste Debret

 Jean-Baptiste Debret chegou ao Brasil em 1816, compondo a Missão Artística Francesa. Era formado pela Academia de Belas Artes da França, além de sua formação em Engenharia. A situação política da França, aliada à tristeza da morte de seu único filho, trouxe Debret ao Brasil. Seu olhar atento para a vida cotidiana nos legou uns dos mais importantes registros do início do século XIX no Brasil.

A Missão Francesa ao Brasil ocorreu a pedido de Dom João VI, e pretendia criar uma Academia de Belas Artes no Rio de Janeiro. A princípio, o trabalho de Debret tinha o objetivo de criar grandes telas oficiais para Corte Portuguesa no Brasil, além da decoração dos eventos reais.

Tornou-se professor da Escola Real de Artes e Ofícios, e foi um dos responsáveis pela primeira bandeira do Brasil independente, cujos traços e cores se mantiveram na bandeira atual do país.

Motivado pela curiosidade do irmão, com quem trocava correspondências, Debret dedicou-se a registrar o verdadeiro Brasil. Tinha um interesse especial em retratar a escravidão e a cultura indígena.

A influência do Iluminismo foi fundamental na escolha dos temas de seus retratos. A proposta da Enciclopédia de Denis Diderot — uma das grandes referências do iluminismo francês — era acumular em livros uma grande quantidade de conhecimento.

Seguindo esta proposta, Debret dedicou-se a retratar costumes, festas populares, relações de trabalho, ocas, casas, utensílios, a fauna e a flora brasileira. Também anotava informações sobre os temas escolhidos e viajou por várias cidades do Brasil.

Jean-Baptiste Debret passou quinze anos em terras brasileiras, entre 1816 e 1831. Após esse período, decidiu retornar à terra natal. O motivo mais provável de seu retorno à França foi a publicação de seus trabalhos na Europa.

Assim, publicou em Paris entre 1834 e 1839 os três volumes da obra Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil, onde exibia as suas gravuras com comentários e descrições detalhadas.

Apesar da obra não ter obtido o sucesso comercial esperado por Debret, tornou-se uma importante referência histórica. Seu olhar detalhado para cenas cotidianas nos deixou imagens que, não fosse seu interesse peculiar, não teríamos a oportunidade de conhecer.

Outros artistas estrangeiros, como o alemão Johann Moritz Rugendas, também fizeram importantes registros da realidade brasileira do século XIX.

 Autor: Alfredo Carneiro – Editor do netmundi.org

                 Família guarani capturada por caçadores de escravos - Jean-Baptiste Debret

 

  RECORDANDO POESIAS

Dúvidas

Dúvidas que assolam minha alma,
São demônios que fustigam o meu ser,
São temores que perturbam minha paz,
São desejos que machucam meu coração,
São meus sonhos que se desfazem no cotidiano
Desfazendo em pedaços meus castelos
Feito de cartas de um baralho desgastado
Pelo tempo, pela vida e pela dor.

Jorge S Leite
Recife, 29-11-1992

Saudades

Hoje estou com saudades,
Mais do que ontem,
Mais do que antes,
Muitas saudades.
Não sei se é maior
Ou melhor,
Sei que estou com saudades.

A saudade saiu do coração,
De sua quietude.
Tomou conta de mim,
Dos olhos que choram,
Dos pelos que sentem,
Da pele sua.
Dos lábios que lembram os teus,
Da boca que clama teu nome,
Da carne, dos ossos, dos nervos.
Hoje a saudade é gente.
É humana.
És tu.
Sou eu.

Recife, 04/09/2001
Jorge Leite

 

  IMAGENS: Netmundi.org

                                              Bandeira brasileira - Jean-Baptiste Debret