domingo, 31 de janeiro de 2021

Encontro Com Socorro Almeida

  ANO III - EDIÇÃO Nº 426


O MELHOR CAMINHO

Tentando me acostumar com seus mistérios
E conhecê-los bem para aliviar a dor
Entre pedras e espinhos eu caminhei...
Caminhei, até ferir os pés, e nada achei
Que pudesse me mostrar o que é o amor!

Outros mistérios conheci, como a paixão
Dessas que devoram a alma de um homem
De palavras insanas que só consomem
E fazem padecer um ingênuo  coração...

Caminhei até sentir-me fraco e doente
Até me deparar com um rosto amigo
Que me disse suave e serenamente
"Enquanto buscas o amor em braços inimigos
Renegarás o amor do Pai, teu Salvador!"

E uma luz iluminou todo o meu caminho
Me debrucei em pedras, hoje sem espinhos
E nunca mais eu duvidei... nunca mais
Nem conheci amor melhor que esse Amor!

Socorro Almeida
Recife, 03/01/2021
 

ACORDO DE PAZ

Teus sentimentos estão a se afastar dos meus
Se já não sentes mais como é doce amar
Quando a ausência de ti for minha verdade
Sem coragem baixa os olhos ante o meu olhar.

Teu silêncio, realidade que já se faz cruel
Tua presença se extingue de mim, amargamente
Uma palavra e outra se escondem em teu sorriso
E eu já nem sei o que tens em tua mente.

Há muito percebi, por tua indiferença
Que teu amor por mim já não existe mais
Quero crer que possamos ser amigos
E que tudo termine como deve ser... em paz!

Socorro Almeida
Recife, 24/11/2020


 DESENCONTROS

Enquanto caminhas entre sândalos perfumados
Te procuro pelas ruas mal cheirosas das periferias
Quisera estar contigo nesta hora, e embriagada
Pelo cheiro natural do teu corpo amado
E nada mais para mim, por certo, desejaria.

A vida segue nos encontros desencontrados
E os sândalos que perfumam teus pés cansados
Desfolham-se sobre o meu colo entristecido
Que nada mais promete daquele amor amigo
Se hoje se encontra mais perdido que desejado!

Socorro Almeida
Recife, 09/01/2021
 

ENQUANTO ISSO

Não me iludo com teus andares
Na maciez dos teus passos ao caminhares
Em direção a mim como se não tivesse
Outro caminho que não fosse esse.

Não te iludas com os meus olhares
Não te vejo como queres que  eu veja
Tudo o que me encanta nessa peleja
Simplesmente morre por me duvidares.

Tanta pose não convence teus encantos
Enquanto teimas em mostrar o que não és
Serenamente te aguardo em qualquer canto
Até que chegues finalmente aos meus pés!

Socorro Almeida
Recife, 26/12/2020


 EU LEVO COMIGO

Sob as pedras de aras em um jardim solitário
Recuso-me o pranto em lágrimas de dor
Em voz uníssona, em coro de anjos
Que eu ouça orações que  falem de amor.

Os dedos cruzados que ora descansam
Compõem as vértebras de um corpo conciso
Inertes, sem vida, a outrem não cansam
Agora se inflamam em largos  sorrisos.

Da mão que um dia o teu corpo tocou
Os doces carinhos já não  sentes mais
Que em tu'alma repouse um mundo de paz
Que eu levo comigo nossos sonhos de amor!

Socorro Almeida
Recife, 26/11/2020

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 Imagens: Pixabay

domingo, 24 de janeiro de 2021

Um Domingo Com Elisabete Leite

  ANO III - EDIÇÃO Nº 425

 

O ESVOAÇAR DO AMOR

Ah! Já faz tempo que não te vejo
Foi o nosso amor que o vento levou
Se perdeu num esvoaçar de desejos
E pela tua ausência ele se encantou...

Foi teu voo indeciso e bem distante
Que causou essa insensível emoção
E nada sobrou, além dos instantes
Que maculou a minh'alma e coração...

Ah! O poema perdeu o tema de amores
Os sons fugiram da suave melodia
Mas, eu sou uma revoada de cores...

E a doce magia voltou a minha poesia
O meu mundo se encheu de flores,
da Primavera que floriu em meu dia.

Elisabete Leite


EU SOU ASSIM!

Sou um ícone de força e coragem
Ah! Nasci para amar e ser amada
Minha essência é linda paisagem
Meu interior tem aura iluminada...

Eu sei sorrir nos momentos de dor
Mas também, sei chorar na alegria
Sei doar amizade e autêntico amor
Sou versos, rimas, inspirada poesia...

Sei amar, por igual, meus rebentos
Minh'alma é uma Estrela Cadente
Vivo de escolhas, não de lamentos
Sou verdadeira, amiga confidente...

Senhora livre, dona de meu destino
Sou como borboleta que sabe voar
Tenho sorriso leve e olhar cristalino
Simplesmente sou, o brilho do luar!

Elisabete Leite
 
A FONTE DE INSPIRAÇÃO

Forte centelha que define a fantasia
Que inspira a lindeza do amanhecer
A riqueza da natureza de cada dia
O crepúsculo que mescla o entardecer...

A fonte de magia e airosa inspiração
Que tinge e enche o inane d'alma
O vazio das lacunas nos corações
Brota o milagre do versejar que acalma...

Flama que pinta com luminosas cores
A sonoridade das rimas na alegria
A suavidade entre dores e amores
A liberdade do cenário que irradia...

O olhar sentido em cada verso inspirado
A força da luminosidade que contagia
Uma visão completa e vital do imaginado
A luz do poeta que transforma tudo em Poesia.

Elisabete Leite

 
OLHARES NOTURNOS

A natureza abre cortinas esvoaçantes
Mostra os vários olhares noturnos
A lua cintila nas marés ondulantes
A dama da noite vai e vem em seu turno...

Adorna o balanço das ondas à Beira-mar
O céu se veste de azul-marinho cintilante
A imaginação vai alçando voos devagar
Pelo cenário imaginado e marcante...

É o deslumbre do anoitecer de cada dia
Que mostra ondas flutuantes e marés vazantes
Tudo é realmente perfeito, notável harmonia...

Sigo viagem através de meu olhar ambulante
Nessa imagem que me inspira farta poesia
Que transforma o que vejo em versos volantes.

Elisabete Leite


AMIZADE SIMULTÂNEA

Amizade genuína é algo grandioso
É um doar-se saudável e constante
Um afago n'alma, abraço caloroso
Troca de sentimento concomitante...

Ela é duradoura, não é passageira!
Vai criando raízes ao longo do tempo
Vai germinando como árvore sementeira
Fortalece os laços, não é passatempo...

Na amizade sincera há gratuidade,
Não existe cobrança, só bons alentos
Carinho, muito amor e cumplicidade...

Com emoções e grandes momentos
Retrato da mais completa amizade
Que sobrevive ao sol, ao frio e vento.

Elisabete Leite

 

SELMA, A GALINHA CARIJÓ

Há muito tempo atrás, na época em que até os animais falavam, havia uma Fazenda habitada por adoráveis criaturinhas, eram diferentes tipos de aves, animais de estimação e uma patrulha do barulho, Galos e Galinhas, que viviam aprontando pelos galinheiros dos quintais...
          A Galinha Selma se achava a dona do pedaço, vivia falando para os animais visitantes: - Vão embora! “Cada um em seu quadrado”. E os animais saiam correndo, com medo das bicadas dela, pois Selma colocava qualquer bichinho grande ou pequeno para fora do seu poleiro. A Galinha vivia desfilando toda formosa e ciscando os milhos que ficavam espalhados pelos caminhos, ela andava toda faceira, balançando seus quadris, que a sua bela plumagem branco acinzentada voava pela ação do vento. A deslumbrante Galinha Carijó vivia esnobando o Galo José que era perdidamente apaixonado por ela, porém de pirraça ela vivia soltando suspiros de amor pelo Galo Terêncio, conhecido nos galinheiros, como o bonitão. O Galinho José não era considerado como bonito, pois era de uma única cor e bastante franzino, mas muito bom de coração, ele gostava de ajudar as outras aves. Já o Galo Terêncio era da raça Pedrês, ele tinha um topete de despertar emoções, um verdadeiro galã dos galinheiros. Mas, nem sempre a aparência comprova a evidência...
Um certo dia, chovia bastante naquela fazenda, o cenário era desesperador, pois os galinheiros estavam totalmente alagados não havia quase nenhum lugar que estivesse enxuto por lá, o chão estava todo encharcado de lama, que dificultava a locomoção das aves, Galos e Galinhas, principalmente as Galinhas Caipiras/Poedeiras (galinhas criadas para pôr ovos), pois elas precisavam aquecer os ovos. Mesmo com muita chuva, Selma resolveu passear para se amostrar para o Galo Terêncio, pois o mesmo havia conseguido um lugar mais ou menos enxuto no poleiro mais alto do galinheiro. Assim, Selma olhou para o alto e disse a Terêncio:
          - Olá Terêncio! Eu posso ficar ai com você?
          - Olá beldade! Estou no lugar mais alto daqui, tenho certeza que você não vai conseguir subir. Fique na sua! Disse-lhe Terêncio, esbanjando indiferença.
          O Galinho José ouvindo toda conversa, ficou com peninha da sua amada e resolveu oferecer à Selma o seu lugar. E disse-lhe:
          - Selminha, você quer ficar aqui comigo? Sei que não é muito alto, mas meu poleiro está enxuto.
          - Como ousas falar comigo, José! Limite-se a sua mera insignificância. Selma disse-lhe.
          - Perdão, por favor! Não queria me meter na sua vida. Disse-lhe José.
          Somente se ouvia no galinheiro muitas e muitas risadas: có, có, ró, có, có... có, có, ró, có, có... có, có, ró, có, có... O Galo José permaneceu cabisbaixo e muito triste, seu semblante era de pura decepção, pois ele gostava realmente dela. A Galinha Selma foi passando por cima dos outros Galos, Galinhas e Pintinhos, escalando os poleiros para chegar até Terêncio. Mas, algo terrível aconteceu, a galinha em um voo desajeitado despencou lá de cima e caiu humilhada no chão, ficando completamente suja de barro molhado. O Galo bonitão, o tal de Terêncio, nem saiu do lugar. Enquanto isso, o Galo José pulou, rapidamente, para junto da Selma, na intensão de socorrê-la.
  - Selminha, fale comigo! Você está bem? Por favor, fale comigo! Disse-lhe o coitadinho do Galo José quase chorando.
          - José, estou um pouco dolorida, mas penso que estou bem. Respondeu-lhe Selminha.
          - Selma, cuidado ao se levantar para não machucar as suas perninhas! Deixe que eu te ajudo! José falou com todo carinho e segurou pelas duas asinhas da amada ajudando-a.
Enquanto isso no poleiro, somente se ouvia risadas: có, có, ró, có, có... có, có, ró, có, có... era o Galo Terêncio que não parava de sorrir.
          A Galinha Selma estava horrorizada com a situação formada, ela nunca poderia imaginar a frieza do Galo Terêncio e a bondade do Galo José...
         Na manhã seguinte, as chuvas cessaram, o sol resplandeceu no horizonte, seus raios brilhantes e quentes conseguiram enxugar o terreiro do galinheiro. A Galinha Selma permanecia bem quietinha, descansando no primeiro poleiro, que foi cedido pelo Galo José, pois ele estava bem juntinho dela, cuidando do local, vigiando para ninguém a incomodar. Ela abriu seus belos olhinhos pretos e falou:
          - José, muito obrigada! Perdão, pelas minhas grosserias! Eu desconhecia os seus valores, sua bondade. Agora, muito te admiro!
          - Selma, não é somente bondade! Não precisa pedir perdão, você sabe que te amo! Respondeu-lhe bem calmamente.
          José abrigou Selma nas suas asinhas franzinas, mas bastante acolhedoras, esquentou seu coração e colocou para fora tudo que sentia por ela. Assim, os dois permaneceram juntinhos durante longas e longas horas...
          Os tempos passaram e a Galinha Selma aprendeu com aquela dura lição, ela passou a valorizar mais as outras aves, reconhecendo os nobres valores de cada uma. Selma e José se casaram, ela chocou muitos ovos e os seus pintinhos eram tão lindos quanto a mamãe Selma e o papai José.
         Segundo o ditado popular: “Quem vê cara não vê coração”.

Elisabete Leite – 17/09/2018

Alguns conceitos:
Enxuto – local onde não chove ou não está molhado.
Galinheiro ou Capoeira – é o nome dado a um galpão ou local onde se localiza o ninho, bem como lugar onde as galinhas são mantidas.
Poleiro – galho de árvore, pau roliço ou espécie de escada onde se acomodam as aves para dormir ou descansar.
Topete de galo – cabelo levantado (várias penas), na parte anterior da testa.

Nossas Pesquisas:  https://www.dicio.com.br
Wikipédia

Imagens encaminhadas por Elisabete Leite

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domingo, 17 de janeiro de 2021

Assim é o Amor

 

  ANO III - EDIÇÃO Nº 425

Imagens: Pixabay




Meu Filho

Para Geraldinho

Quando da vida uma sombra restar
Do que fui um dia e já não serei
Minha alma sem paz há de sempre vagar
Por outros mundos e outra vida terei.

Serei o beija-flor, delicado e ousado
Que suga o néctar das rosas...Ai de mim!
Serei a abelha que fabrica o mel adocicado
Serei a acácia que embeleza o jardim.

Serei o colibri, a borboleta...Que serei eu?
E voarei tão alto por esse céu sem fim
Que chegarei ao reino de Deus
E terei você bem pertinho de mim!

Marisa Alverga.




Time


If the time
Is relentless
The memory
Does not forgive.
With  memories
Of the  Past
I build the temple
Of the present
And pray the prayer
Of the future.

(O Tempo

Se o tempo
É implacável
A memória
Não perdoa.
Com as lembranças
do Passado
Ergo o templo
Do Presente
E rezo a prece
Do futuro.)

Marisa Alverga.

 
Certeza

Quando
Este amor for passado
E só a saudade restar
Como epitáfio gravado
No mausoléu do tempo
Por certo lembrarás alguém
Que te quis bem
Pois ninguém sendo amado
Como tu és
Poderá deixar
De amar também!

Marisa Alverga

 
 

 



 
 

 


 Páginas Amerelas

Quando um dia
O meu nome
For apenas saudade
Para alegria de uns
E tristeza de alguns
De uma coisa
Tenho certeza
Nem uns, nem outros
Se esquecerão  de mim!
Deixarei registrada
A minha passagem
Pela terra.
Nem o ódio,  nem o amor
Poderá jamais riscá-la
Das páginas amarelas
Da vida!

Marisa Alverga


Credo

Creio no amor
Como fonte perene de alegria!
Creio na amizade
Inventada
Para colar os pedaços
Que o amor vai deixando
Por onde passa.
Creio na razão
Que apesar do amor
Impõe suas regras.
Creio nos homens
Que Deus criou
Creio em você e em mim
Porque creio no amor.

Marisa Alverga
 
 A INCOERÊNCIA DO POETA

Se o poeta finge uma dor que não tem
Como explicar uma lágrima descontente
Que lhe cai do rosto tão  suavemente
E diz que não é por nada nem por ninguém...

Se o poeta finge ser o que não é
Como explicar essa coisa tão  bonita
Que lhe sufoca a alma embevecida
Pela divina imagem de uma mulher.

É nos versos que lhe cabe toda a dor
Quando ele ama, ele ama intensamente
E quando odeia, diz que é pela arte

Só se sabe que o poeta é um sonhador
Suas dores são sentidas só  internamente
Mas, seu amor é sentido por toda parte.

Socorro Almeida 
Recife, 28/12/2020

UM BREVE ADEUS

Quando minhas mãos se curvarem entristecidas
Dos meus dedos só a carne enrijecida
Tocar a tua pele e não sentires nada
É sinal que a morte nos roubou a vida...

Quando a mortalha cobrir todo meu rosto
E nada mais restar senão  desgosto
Não te culparei pelo pranto que derramas
Cuida da saudade deste ser que te ama...

Enquanto isso, eu te aguardarei no céu
Sem queixas, sem dores, e sem lástimas
Com o sorriso de quem te amou demais...

Entre as estrelas viveremos felizes e ao léu
E tudo o que ficar na terra serão as lágrimas
Que pela dor da despedida  choramos... nada mais!

Socorro Almeida
Recife, 27/12/2020

 
POR VIDAS SERENAS  

Pra nossas vidas eu só quero a cura
Mas sem rezas, orações ou benzeduras
Sem mãos e bocas que se igualam em pecado
Que profetizam o bem sem que o tenham desejado.

São serenas as lembranças que nos cercam
Não são ilusões de um pobre sonhador
É num momento assim que a busca da verdade
Vem suavizar nosso coração cheio de dor.

Por isso não nos rezem orações nem benzeduras
Afastem-nos das hipocrisias ou inverdades
Busquem-nos no amor que nos dê a cura
Pra finalmente sentirmos o que é felicidade!

Socorro Almeida
Recife, 24/12/2020

 
ASSIM É O AMOR

Não fales do amor, se não o sentes
Não sabes do prazer que ele causa
Se tens a ilusão de ser feliz
Antes de mais nada, crie asas.

E voe... quanto mais alto melhor
Pra longe do que julgas  insensato
Quando o amor não é real, é  fato
Que a vida sem ele não tem valor

Ele é incapaz de mensurar as ilusões
Tampouco te condena às desilusões
Simplesmente preenche a tua alma
Com sofridas e intensas emoções.

Assim é o amor, se quiseres conhecê-lo
Pequenino e grandioso, livre e libertador
Eu, que o conheço, sei que o mereço
E sou feliz por amar-te, meu amor!

Socorro Almeida
Recife, 08/01/2021
 
 
 
 

domingo, 10 de janeiro de 2021

Quem Sou?


 ANO III - EDIÇÃO Nº 424
Imagens: Pixabay

 

O CURIOSO

Certa noite alguém por mim passou
E sem demora perguntou
Amigo pra onde tu vais
Nem pensei logo respondi
Tava distraído e nem percebi
Que a sua curiosidade
Era mesmo pura maldade
Que o cabra nem seguia pra frente
Nem se destinava pra trás
Parado aonde está
Pergunte novamente
Seja firme não temas
Vou lhe responder e digo mais
De onde tô chegando
É da minha conta
Da sua conta
É pra onde tu vais
Olhe pra se mesmo
Se toque veja o seu ermo
Seja prudente siga
De rumo pra frente
E não olhe pra trás

Baltazar Filho.
Guabiraba, 04 janeiro de 2021

 
QUEM SOU?

A prova escolhida
O alvo desse mundo insano
A voz desse sistema corrompido
O médico que o fracasso curou
Um palhaço inteiro aos pedaços
Um humilhado sem esperanças
Sou a transformação de um destino
Um peregrino agricultor
Sou eu a mente sadia
A invenção da tecnologia
A globalização da ciência
A fusão confusa da medicina
A dor ou a mente vazia do infeliz
A coragem verdadeira de um sonhador
A cura da raça pra vida inteira
O grito de um fiel escudeiro
Serei eu o agasalho dos falidos
A porta crucial dos políticos
O sim e o não para a solução
O basta para a corrupção
Sou eu o grito o alívio o apelo maldito
Eu sou o sim e o não?
Quem sou?

Baltazar Filho 13/12/2020 


O CANTO DAS GARÇAS AZUIS

Era uma manhã linda esplendorosa
E no espaço bailavam as cores
Do alto podíamos ouvir turbilhão tenores
Era uma manhã de muita luz e sons
Com um brilho mágico e encandecedor
Não existia espaço para agasalhar o frio
E nem mesmo com o acalmar do frio
Existia o famigerado calor
Ouviam-se no alto dos céus
Entoar melodias estridentes
Era uma linda cantoria
Todavia era um canto diferente
Com agudos e graves que estremeciam na mente
Energicamente as nuvens envolveram-se de luz
E todo céu bailava com alegria
Na enérgica e reluzente melodia
Entoada pelos bicos dourados
Das saudosas Garças Azuis

Baltazar Filho 

 16/12/2020      

A correria do mundo embaraça os nossos laços


As noites significam que o mundo chegou ao seu limite
As linhas foram cortadas
O mundo despedaçado E eu sempre ao teu lado
Almejando um dia melhor para nós

Uma felicidade perante a dor de nossos corpos
A exaustão de nossas almas
Uma esperança em prol de nossa raça
Em teus braços despeço-me da realidade

Do sofrimento, suor e lágrimas
Meu coração bate buscando o teu
Mas a nossa eletricidade não é forte o suficiente
Então, deixe-me ir

Gabriela Mota, João Pessoa, 17/02/2020



Transbordando intensidade em um mundo vazio

Viver de mãos atadas em um mundo acorrentado nunca foi tão difícil
Estar presa a você, era fácil
Até você se desprender de mim
E acorrentar meu coração 

Quando o mundo nos leva as amarras de nossos corações quebrados
E nós sentimos todas as mágoas em nossos amâgos
Perdemos os nossos princípios mais belos
E encontramos a verdadeira face de nós mesmos
 
Olhe para aquele excêntrico espelho, despeje nele o seu sofrimento
Seu sangue e suor
E acabe com essa maldita máscara
Que esconde a tua beleza, nessa amarga escuridão
 
Com o teu coração despedaçado
Faça de minhas palavras juras de amor
Encontre nessa doce poesia
Todo o amor que foi teu algum dia

Gabriela Mota, João Pessoa, 03/01/2021
  

Escolhas cruéis demais para um belo coração

Quando os livros são esquecidos
Quando a prateleira está ao pó
Quando o mundo está desabando
É você que eu quero para me segurar

Quando a vida deixou de ser fácil
Quando as estrelas me atraiam mais que seres humanos
Quando o céu decidiu ser meu coração
Foi você que esteve junto a mim para contradizer e afirmar tudo

Quando o mundo se virou contra mim
Quando a lua parou de sorrir
Quando as cores da vida se findaram em qualquer lugar, menos na minha alma
Você me salvou da escuridão

Quando me humilharam
Quando todos gritaram até seus pulmões não abrigarem ar
Quando o mundo deixou de ser meu lar
Você não estava lá para mim

Me deixastes
Então agora, todas as noites, eu olho para o céu e almejo encontrar-te
Eu não sei suas razões
Entretanto, ainda te amo

Gabriela Mota, João Pessoa, 16/01/2020



“Se você pegar 100 formigas vermelhas e também 100 formigas pretas grandes e colocá-las em uma jarra, a princípio, nada acontecerá. No entanto, se você sacudir o pote com violência e jogá-lo de volta no chão, as formigas lutarão até se matarem. Acontece que as formigas vermelhas pensam que as formigas pretas são as inimigas e vice-versa, quando na realidade, o verdadeiro inimigo é quem sacudiu o pote. Isso é exatamente o que está acontecendo na sociedade hoje. Liberal vs. Conservador. Preto x branco. Máscara Pro vs. Anti Máscara, vacina vs. anti vacina. A verdadeira pergunta que precisamos fazer é quem está sacudindo a jarra … e por quê?”