domingo, 25 de abril de 2021

Chuvas de Poesias

 EDIÇÃO Nº 440

  ENCONTRO DE POETAS

A minha chuva

É cheia de MUITO amor
É feita para TODOS amar
É repleta de MUITA bênção
É contemplada COM  calor

A minha CHUVA é assim
O sol LOGO se esconde
Os PÁSSAROS se alegram
E COMEÇAM a cantar

Assim é a NOSSA  chuva
Recheada de SAUDADE
E regada COM poesia
Onde TUDO  é alegria

O bem-te-vi BEM ali
E o arco-íris LÁ no céu
E nós DOIS abraçados
No BARQUINHO de papel

Dueto:
Emiliano de Melo
Rita de Cassia Soares

CLIMA DE CHUVA

Vejo a chuva cair devagar
Logo lembro você aqui
Aquecendo todo meu corpo
Beijando com fúria minha boca

E os sussurros ao pé do ouvido
Deixando-me louca, enfurecida
Não apenas porque és bonito
Tudo porque estás ao meu lado.

É tarde e a chuva continua
E eu em teus braços ainda nua
Sentindo aquele prazer
Que satisfaz a mim e você.

Rita de Cassia Soares
Pirpirituba Paraíba Brasil
19/04/2021


Índio

A guerra nunca acabou,
Ninguém nunca cedeu,
Enquanto finjo que tudo está em paz,
No Brasil, mais um Índio faleceu.

O filho mais puro pede socorro,
A terra é parte dele, e a ela, ele pertence,
O que a cobiça almeja, o seu coração não sente,
Mas a certeza de um novo conflito é sempre permanente.

Meu Deus, quando isso vai acabar?
Quando nosso índio vai poder finalmente descansar de tanta luta,
De tanta incerteza,
De tanta insegurança,
De tanta negação,
De tanto preconceito,
De tanto MASSACRE?

Não só do corpo, mas também da alma.
Que já sofreu tanto
Na cana, no ouro, no café e na borracha,
E que hoje ainda sofre com decretos de uma política CANALHA.

Carlos Gutemberg
19/04/2021
 

FILHO DO SERTÃO

Não sou estudado
Mas tenho educação
Faço verso engraçado
Com amor e inspiração
Moleque criado no mato
Sou filho de Maria e João

Meus pais são agricultores
Filhos legítimos do sertão
Sou menino criado na roça
Comendo cabeça de camarão
No jantar pirão de mandioca
No almoço mandioca e pirão.

             Baltazar Filho
      30 de setembro de 1989
 

EU FÊNIX

Entre murmúrios e gritos
Encontrei-te na imensidão
Dos nossos desejos
Ah! Viajo no tempo,
Pergunto ao vento
O momento dos beijos...
Sentimento calórico
Olho no olho e toque no rosto
Cheiro forte de suor no corpo
Desejo infinito quanto o céu
E como a areia fina do mar...
Transfigurar-me-ei em teu olhar
Um encontro casual, entrega fatal
Nossos corpos ardentes
Eu Fênix em chamas
Na hora do renascimento...
Em pleno ato de pureza
De um amor só nosso
Tão verdadeiro e por inteiro,
Como progressão geométrica
Crescente a todo instante...
Mesmo distante
Inerte quando te vejo
Na volúpia dos nossos momentos
Com veemência e beijos.

Elisabete Leite

LEITURA DE DOMINGO
 
 
 ROMANCE PRIMAVERIL

          Era Primavera, a estação das flores, dos amores, da fragrância das gardênias pelo ar. Era momento de elegância, de sensibilidade, como o desabrochar de uma flor ou o gorjeiar de um pássaro a voar. Elisa era uma jovem sonhadora que vivia suspirando pelos quatro cantos da casa, ainda alimentava um amor do passado, um sentimento que havia se perdido ao longo do tempo, mas que ela insistia em encontrar...  Uma garota que precisou deixar a sua terra natal, ainda adolescente, para dá continuidade aos estudos. Até o término do Ensino Médio ela morava com seus pais em um pequeno vilarejo do Nordeste, lá onde o vento fazia a curva , local onde os seus avós continuam morando. Elisa era apaixonada pela natureza, ela passava horas recordando o momento que conhecera Eugênio. Precisamente, o seu primeiro encontro com o garoto, o dia em que eles se conheceram e se apaixonaram. Elisa olhou para um canto qualquer do quarto, e retrocedeu no tempo...   
           Há anos atrás, ela foi passar um final de semana com seus avós maternos na sua cidade de origem... Durante toda viagem, a garota olhava o deslumbrante cenário pela janela do trem, seus olhos percorriam do verdejante campo até os altos montes, as brancas nuvens viajavam ao léu e destacavam-se no azul do céu; por lá o aroma era de poeira, mato e terra molhada. De repente, a  menina avistou o pequeno vilarejo onde nascera. Seus olhos brilhantes se encheram de lágrimas, pois ela tinha saudade dos seus avós. Logo, ela viu o avô encostado à velha marquise de um armazém, era a última estação e retorno do trem. De repente, algo chamou a sua atenção, um jovem rapaz em cima do telhado de uma das casas, salpicava um beijo para ela, a garota retribuiu com um suave sorriso e logo depois, a cena sumiu de seu quadrante de visão. Pela janela ela acenou para o velho José, seu adorável avô, que retribuiu com um largo sorriso estampado no rosto. O trem deu um apito longo e estacionou bem em frente ao avô da garota, que correu ao seu encontro.
          A jovem Elisa desceu apressada do trem, abraçou o avô, e foi logo perguntando pela sua avó:  
          - Que saudade, vovô José! Sinto muito a falta de vocês, que às vezes chego a chorar de tanta emoção. Vovozinho, como vai à vovó Laura?
          Seu velho avô passou os dedos na alva cabeleira, e respondeu-lhe:
          - A sua avó ficou preparando sua sobremesa preferida, um bolo de cenoura com calda de chocolate.
          - Uau vovô, que delícia! Respondeu-lhe Elisa.
          Os dois saíram abraçados em direção ao vilarejo principal. Chegando ao destino, a garota aproveitou o momento em família, e logo depois foi descansar um pouco... já era final de tarde quando Dona Laura entrou no quarto, que a garota descansava, e quebrou o silêncio:
          - Elisa, vá se arrumar que vamos para uma quermesse na Praça do coreto.
          A garota olhou para sua avó, e respondeu-lhe:
           Ah, que saudade das quermesses! Pois vamos, quero matar muitas saudades.
           Era noite quando elas chegaram ao local do evento. Todo cenário estava enfeitado e iluminado. Muitas barraquinhas coloridas com as principais e tradicionais comidas, e jogos de diferentes modalidades. Uma barraca, em especial, chamou a atenção de Elisa, a barraca do beijo, e para sua surpresa quem estava no comando era o jovem que havia salpicado um beijo para ela, pela manhã em sua chegada. A garota vacilou, mas se aproximou em seguida. Sabe-se que (barraca do beijo é uma atração festiva onde a pessoa que comanda a barraca beija quem ali vem por dinheiro, frequentemente para levantar recursos para uma entidade religiosa da comunidade, ou ainda por caridade). Elisa colocou algumas moedas na caixinha de coleta e fechou os olhos esperando seu beijo no rosto, porém Eugênio beijou suavemente os lábios da jovem que desabou de tanta emoção. Logo depois, ele disse-lhe:
          - Oi, menina linda! Sou Eugênio. Nunca te vi por aqui!
          Elisa enxugou uma lágrima que rolava em sua face rosada, e respondeu-lhe:
          - Olá, sou Elisa! Estou passando um final de semana com meus avós. Mas, já morei nesse vilarejo.
          Eugênio deixou outra pessoa cuidando da barraca e foi passear com Elisa. Eles passearam e ficaram juntos durante toda a quermesse, como também o final de semana. Assim, eles se apaixonaram de imediato. Um amor à primeira vista. Ficaram se comunicando por meses, mas depois as mensagens pararam. E Elisa nunca mais o esqueceu. Ela voltou ao seu ritmo normal, porém sempre viajava no tempo à procura de seu grande amor.
          Um certo dia, Elisa chegou mais cedo da faculdade e ficou surpresa quando sua mãe falou que um certo Eugênio estivera à procura dela, e prometeu que voltaria logo mais à noite... já era noite quando Eugênio voltou para falar com Elisa. A mãe da garota foi até os aposentos da filha e disse-lhe que Eugênio a esperava na sala. A jovem Elisa tremia da cabeça aos pés quando ficou cara a cara com o único amor da sua vida. Ele se aproximou de Elisa, pegou sua mão, e disse-lhe:
          - Elisa, não adianta reconstruir o passado. Vamos viver o presente e construir um futuro juntos. Você quer casar comigo? Porque eu nunca deixei de te amar.
          A garota olhou bem dentro dos olhos do rapaz, e respondeu-lhe:
          - Eugênio, eu te amo! Claro, que quero casar contigo.
           O rapaz beijou-a intensamente e foram construir uma vida juntos.
          O tempo passou rápido... Elisa e Eugênio se casaram, tiveram filhos e foram muito felizes.
          Uma história com final feliz! O verdadeiro amor não se perde no tempo, pelo contrário, se fortalece ao longo do tempo.

           Elisabete Leite
 
 
SANGRENTO CANGAÇO

Cangaceiro justiceiro, defensor das leis do cangaço no Sertão.
A sua palavra era um tiro, escrevia com sangue no papel.
Chamava-se "Virgulino", sobrenome "Ferreira", o vulgo Lampião.
Cumprimentava com a aba do chapéu, mirava com um olho só, atirava até em Coronel.

Perseguido pelos macacos do governo por todo Sertão.
Seu bando não tinha paradeiro, mas o alvo era lampião.
Sempre ameaçados por tocaias no mato armadas.
Caindo na mira de Virgulino, a alma estava encomenda.

Tinha na sua companhia uma formosura de mulher.
Maria era formosa e bonita, fiel ao seu grande amor.
Bem afeiçoada, dançava um forró, até doer o solado do pé.
Nordestina de sangue no olho, mulher macho sim senhor!

Lampião pelo coronelismo sertanejo era respeitado.
Mas pelos macacos do governo, perseguido e sentenciado.
Seu bando foi covardemente rendido e todos degolados.
Expostos na frente da igreja, registrando na história, o fim do cangaço.

                Baltazar Filho
           21 de abril de 2015


DEIXOU-ME FEITO UM PIÃO

Estou procurando por você
És Lua que me alumia
Corre aqui chega me ver
Flor do meu bem querer

No seu colo me desmancho
Deslumbro-me em seu sorriso
Porque és o meu encanto
Meu jardim mais colorido

A namoradinha preferida
Apossou-se de minha vida
Amarrou-me feito um pião

Aprisionado e de castigo
Nos seus braços amarrado,
Trancado em seu coração.

                 Baltazar Filho
           12 de junho de 1990


UM SONETO IMPROVISADO

O sol resplandece brilhante no céu
Pensamentos buscam o seu olhar
Nuvens vagam fascinantes ao léu
Dúvidas influenciam o meu pensar...

As horas demoram uma eternidade
O coração bate em ritmo acelerado
Ah, minha vida padece de saudade!
Meu corpo em pedaços, dilacerado...

A tristeza rouba a minha liberdade
Lágrimas deixam o rosto ensombreado
O inane d'alma leva minha felicidade...

Enquanto o mundo continua esmerado
Já os versos têm várias sonoridades
Nesse nostálgico soneto improvisado.

Elisabete Leite


RONDEL
MÁGICO DA VIDA

Ah, como eu queria ser um mágico!
Para poder colorir esse momento
Deixar tudo novo e muito prático,
Fazer florescer bons sentimentos...

Iria minimizar tristezas do trágico,
Deixar o povo feliz, sem sofrimento
Ah, como eu queria ser um mágico!
Para poder colorir esse momento...

Mudaria quase tudo, mais o básico
Acabaria com todo esse tormento
Faria um novo modelo de gráfico,
Mudanças seriam os ensinamentos
Ah, como eu queria ser um mágico!

Elisabete Leite

 CONHECER
 
 INTRODUÇÃO À GEOMETRIA SAGRADA _ parte V- final

Triângulos retos perfeitos

Os triângulos 3/4/5, 5/12/13 e 7/24/25 são exemplos de triângulos retângulos cujos lados são números inteiros.

O triângulo 3/4/5 está contido na chamada “Câmara do Rei” da Grande Pirâmide, junto com os triângulos 2/3 / root5 e 5 / root5 / 2root5, utilizando as várias diagonais e lados.

Os sólidos platônicos

Os 5 sólidos platônicos (Tetraedro, Cubo (ou Hexaedro), Octaedro, Dodecaedro e Icosaedro) são modelos primários e ideais de padrões de cristal que ocorrem em todo o mundo dos minerais em inúmeras variações. Esses são os únicos cinco poliedros regulares, ou seja, os únicos cinco sólidos feitos dos mesmos polígonos equiláteros e equiangulares.

Para os gregos, esses sólidos simbolizavam OS CINCO ELEMENTOS BÁSICOS, fogo, terra, ar, espírito (ou Aether, a fonte dos demais) e água, respectivamente. O cubo e o octaedro são duais, o que significa que um pode ser criado conectando os pontos médios das faces do outro. O icosaedro e o dodecaedro também são duais um do outro, e três mutuamente perpendiculares, retângulos dourados que se dividem mutuamente podem ser desenhados conectando seus vértices e pontos médios, respectivamente. O tetraedro é dual consigo mesmo.

Cubo de Metatron

 O Cubo de Metatron

Na geometria sagrada, o arcanjo Metatron regula o fluxo de energia Divina na forma de um cubo místico, conhecido como o Cubo de Metatron, que contém todas as formas geométricas da criação e representa os padrões que compõem tudo que EXISTE.

O Cubo de Metatron contém imagens bidimensionais dos sólidos platônicos [acima] e muitas outras formas primitivas.

A Flor da Vida

Ela é o padrão geométrico da criação e da vida, em todo lugar.  Na verdade, não há nenhum conhecimento, absolutamente nenhum conhecimento no Universo que não esteja contido neste padrão da Flor da Vida. Diz-se que grandes mestres concordaram em mais uma vez revelar esta antiga sabedoria, conhecida como a Flor da Vida. Ela é um código secreto usado por muitas raças avançadas e por navegantes espaciais. O código da Flor da Vida contém toda a sabedoria similar ao código genético contido em nosso DNA.

Esse código genético vai além das formas comuns de ensinamento e se encontra por trás de toda a estrutura da própria realidade universal. Todos os harmônicos da luz, do som e da música se encontram nessa estrutura geométrica, que existe como um padrão holográfico, definindo a forma tanto dos átomos como das galáxias.

A Flor da Vida

O símbolo da Flor da Vida se encontra inscrito nos tetos do Templo de Osíris, em Abidos, no Egito. Sabemos hoje que o símbolo da Flor da Vida também foi encontrado em Massada (Israel), no Monte Sinai, no Japão, China, Índia, Espanha, entre muitos outros lugares.

Escrito por Bruce Rawles, sacred-geometry.com – Autor do livro de fontes de design de geometria sagrada

 


“Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela; e porque estreita é a porta, e apertado o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem”.  –  Mateus 7:13,14

“Quem anda com os sábios será sábio; mas o companheiro dos tolos sofre MUITA aflição”–  Provérbios 13, 20



Imagens- Pixabay_Google

 

domingo, 18 de abril de 2021

Um Domingo Arrebatador

  EDIÇÃO Nº 439

  ENCONTRO DE POETAS

 
 COMUNIDADE X DIVISÃO

As Divisões Sociais
São tristes realidades
Ruindo um contexto básico
Da nossa sociedade
Esse, apesar de influente
Encontra-se decadente
Chama-se comunidade.
.....
Em meio às dificuldades
Precisamos conhecer
O porquê das divisões
E o que podemos fazer
A nível de sugestões
Procurando soluções
Pra o problema resolver.
.....
Uma nação deve ter
Um mínimo de educação
Onde nos falta cultura
Sobra inveja e ambição
Ira, individualismo,
Preconceito, carrancismo
Provocando a divisão.
.....
Poderio, dominação...
Entre Classes Sociais
Pessoas gananciosas
Com maneiras ilegais
Religiões diferentes
Pensamentos divergentes
E costumes desiguais.
.....
Questões Políticas, Morais
Egoísmo, imposição...
Excesso de autoridade
Rancor, discriminação
Perseguições Idiotas
Que governantes adotam
Como administração.
.....
Com nossos dons em ação,
Suprimos necessidades
Ajuda mútua é vital
No convívio em unidade
Tudo se solidifica
Pois, o homem necessita
Viver em comunidade.
.....
Origem, afetividade...
Tudo faz aproximar
Cultura e religião
Ou Crendice Popular
Amor Fraterno e partilha
No refúgio da família
Vêm em primeiro lugar.
.....
A Classe Alta está lá
Agenda sempre lotada
Opta por se isolar
Fica descompromissada
Assim, a comunidade
Existe pela metade
E está ameaçada.

Valdemar Guedes
Poeta Cordelista.
 
 
PAIXÃO ARREBATADORA
 
Queria uma paixão daquelas
Que faz o coração acelerar
E boca secar.
Faz os olhos brilharem.

Aquela paixão que queima,
Mas que permanece,
E de repente se entrega,
Da forma mais linda.

De um jeito mágico,
De maneira arrebatadora,
Se joga com vontade,
E simplesmente, vive.

Allana Maria Pontes
Pirpirituba PB
 
Allana Maria Pontes Carvalho de Sena, filha de Pirpirituba - PB, em 09 de maio de 2000. Interessou-se pela escrita quando despertou o amor pela literatura no convivido com professores, que além   de   servir de inspiração, estimulavam, mostrando a importância de seguir este caminho. Avançou, segundo ela, na idade, e hoje aos dezenove anos, para muitos ainda menina, dedica-se e inspira-se sempre no amor.
Como amante das letras persegue o novo e nesta perseguição deparou-se com o poeta Luiz Manoel de Freitas, e a partir desse encontro se reconheceu escritora. Tornando-se Colaboradora do Cultural do Projeto Reviver publicou seus primeiro trabalhos na obra REVIVER Coletânea Literária, produzida pelo Projeto em 2020.
 
 Também já fui moço
Luiz Manoel de Freitas

Quando duas lágrimas escorrem no rosto,
A primeira é saudade, a segunda, desgosto
De histórias vividas, pois também já fui moço.
Quando as lembranças me chegam
Eu encaro a verdade,
Não me sinto sofrido com a tal realidade,
E quando a brisa ativa a memória,
Me leva ao que foi mocidade,
Em meio a memoráveis pensamentos,
Eu agradeço, não estou no relento,
Sou grato por tudo, por todo momento,
Pela dádiva da vida, pelo sagrado viver,
Pois relembrar não me leva a sofrer.
E ás lágrimas que chegam fazem parte
Do meu jeito carente de agradecer.
 
Não Confundir
Luiz Manoel de Freitas

Não quero confundir
o sentimento de amor, de amizade
de bem-querer, de bondade,
com um desejo ardente,
com quentura caliente
que mantém um fogo insistente
que o gozo pode apagar.

Não quero que aconteça a nós dois
Um antes, um agora, um depois,
Que jamais pode voltar.

Deixemos esse fogo de lado,
Não vamos morrer afogado,
E um entre nós se matar,
Matando o que foi plantado
Antes até de colher.

Não pretendo dar um passo errado
Depois de ter alimentado...
Pois, se afastar significa sofrer,
Se tem sentimento envolvido,
A amizade e amor, fazem sentido,
Não se trata só de prazer.
 
Reais Devaneios 
Luiz Manoel de Freitas

A subjetividade expressa
a minha última realidade nos versos que escrevo.
Como cachoeira despejo em queda
a dor que me leva à nostalgia,
revelada em cada verso da minha poesia,
subjetiva e louca que, gritando alto e rouca,
sonoriza em românticas estrofes
o que carrego em mim, o que vivo,
sonho e extravaso em cântico,
subjetivamente angelical,
e realisticamente humano.

Louvores misturam-se com temores,
e arde no peito a carga das paixões,
e a perplexidade das ilusões.
O que faz de mim um sentimental sonhador,
que  expressa, em versos, seus reais anseios,
perceptíveis sentimentos e subjetivas histórias,
imaginárias e fatais,
vividas como a verdade do céu,
ou como os devaneios da Terra.
 

 Luiz Manoel de Freitas, nascido em Pirpirituba – Paraíba. Cirurgião Dentista/UFRN, titular da Sociedade Brasileira de Dentistas Escritores - SBDE, Licenciado em Artes/UFBA, escritor cronista, contista, poeta. Nove livros publicados e participação em 12 antologias/coletâneas. Organizador de três coletâneas literárias produzidas pelo Projeto Reviver. Idealizador do Projeto Reviver, ONG que executa o Projeto Rede Literária: ler, entender, interpretar e escrever
 
 
 


 LEITURA DE DOMINGO
 
 SAUDOSA CIRANDA, CIRANDINHA
 
Ciranda, cirandinha vamos todos cirandar, dava-se início a cantoria, vamos dar uma meia volta e começávamos a dançar.
Exaltando os ícones criadores desse ritual, com muita honra podemos destacar: Mestre Bere, Vó Benta e Lia de Itamaracá.
A ciranda tem um gracejo pontual, sensualizada pelo gingado do corpo e envolvida pelo balanço das ondas do mar.
As mãos confiantemente se apertam, os braços fielmente se entrelaçam, a alma na imaginação faz a emoção viajar.
A brincadeira entrava pela madrugada e os cirandeiros não paravam de cirandar, os marcadores cochilavam, os dançarinos descansavam, mas só paravam a concentração ao vê o sol raiar.
A coreografia da ciranda é muito simples, formação da grande roda, pé direito pra dentro, o esquerdo se apoia, braços erguidos pra cima, pé direito pra fora, equilíbrio de pensamentos, leveza com emoção, paciência da alma, um show de apresentação.

              Baltazar Filho
          24 de junho de 1999
 

Rondel: um poema com forma fixa

Muitos tipos de poemas possuem forma fixa. Os sonetos, os cordéis e os haikais, por exemplo, seguem formatos fixos: todos devem ter o mesmo número de versos e estrofes. O haikai deve ter apenas 3 linhas e 17 sílabas poéticas. Sua forma é sempre a mesma, não varia nunca.

Rondel é uma variante do rondeau. Rondeau é uma das várias formas fixas da poesia lírica francesa na canção dos séculos XIV e XV. A forma completa de um rondeau consiste em quatro estrofes. O primeiro e o último versos são idênticos; a segunda metade da segunda estrofe é um refrão curto, que tem como texto a primeira metade da primeira estrofe. A forma, que se originou na França do século XIII, foi mais tarde usada por poetas de língua inglesa como Edmund Gosse, Robert Louis Stevenson e William Ernest Henley.

Para que um texto poético seja considerado um “rondel”, deve-se seguir algumas regras de formatação que consistem em:

             Conter treze versos divididos em três estrofes (duas quadrinhas e uma quintilha)

             O primeiro e o segundo versos devem ser repetidos ao final da segunda estrofe.

             O primeiro verso deve ser repetido também ao final da terceira estrofe.

             O esquema de rimas deve ser ABAB ABAB ABBAA: isso significa que o poema inteiro só terá duas rimas (“A” - a do primeiro verso - e “B” - a rima do segundo verso).

Como exemplos temos dois poemas de Elisabete Leite no formato RONDEL; Os poemas Brilho da Esperança e o poema Sinestésicas Sensações.

BRILHO DA ESPERANÇA (Rondel)

O Sol resolve nem resplandecer!
Brinca de se esconder pelo céu
Deixa às escuras o amanhecer
enquanto nuvens vagam ao léu...

A árvore quer luz para florescer
Para trazer o seu verdejante véu
O Sol resolve nem resplandecer!
Brinca de esconder pelo céu.

O ciclo da vida inicia no alvorecer
O Astro Rei precisa sempre brilhar
Para acalorar o novo amanhecer,
Que traz esperança em seu renovar
O Sol resolve nem resplandecer!

Elisabete Leite
 
SINESTÉSICAS SENSAÇÕES (Rondel)

Sou sinestesia de várias sensações
Um eco vibrante e solto no universo
Uma lágrima perdida na imensidão,
Coração pulsando e desejo imerso...

A Poesia, cores, odores e emoções
Alegria, tristeza, um barco submerso
Sou sinestesia de várias sensações
Um eco vibrante e solto no universo...

Partitura da mais deslumbrante canção
Um poema rimado em cada verso,
Melodia que toca a alma e coração
O transbordar de sentimento no reverso
Sou sinestesia de várias sensações.

Elisabete Leite
 
 
 CONHECER
 
 INTRODUÇÃO À GEOMETRIA SAGRADA _ parte IV
 
 

Toroides

Girar um círculo em torno de uma linha tangente a ele cria um Torus, que é semelhante a uma forma de rosquinha onde o centro toca exatamente todos os “círculos girados”. 

A superfície do Torus pode ser coberta com 7 áreas distintas, todas as quais se tocam; um exemplo do “problema do mapa” clássico, em que se tenta encontrar um mapa onde o menor número de cores únicas é necessário. 

Neste caso tridimensional, 7 cores são necessárias, o que significa que o Torus tem um alto grau de “comunicação” em sua superfície. A imagem mostrada é uma visão “panorâmica”.

 

                                                    Imagem panorâmica de um Torus

Dimensionalidade

A progressão do ponto (0-dimensional) à linha (1-dimensional) ao plano (2-dimensional) ao espaço (3-dimensional) e além nos leva à questão – se o mapeamento das dimensões de ordem superior para as inferiores perde informações vitais (como podemos observar prontamente com as ilusões de ótica resultantes do mapeamento da terceira para a segunda dimensão), nossa “fixação” com um espaço tridimensional introduz distorções cruciais em nossa visão da realidade às quais uma perspectiva de dimensão superior não nos levaria?

Fractais e geometrias recursivas

Fractal é uma figura da geometria não clássica muito encontrada na natureza, isto é, um objeto em que suas partes separadas repetem os traços (a aparência) do todo completo (padrão repetitivo), como por exemplo na Brássica oleracea e no floco de neve de Koch. O termo, criado em 1975 por Benoît Mandelbrot, é uma tentativa de se medir o tamanho de objetos para os quais as definições tradicionais da geometria euclidiana falham.

Um fractal é um fenômeno natural ou um conjunto matemático que exibe um padrão repetitivo em todas as escalas. Se a replicação for exatamente a mesma em todas as escalas, é chamado de padrão auto-similar. É sempre fascinante como a natureza propaga a mesma essência, independentemente da magnitude de sua expressão … nosso espírito não tem espaço, mas pode manifestar aspectos de sua individualidade em qualquer escala. 


geometria fractal é o ramo da matemática que estuda as propriedades e o comportamento dos fractais. Descreve muitas situações que não podem ser explicadas facilmente pela geometria clássica, e foram aplicadas em ciência, em tecnologia e em arte gerada por computador.

Um fractal é um objeto geométrico que pode ser dividido em partes, cada uma das quais semelhante ao objeto original. Diz-se que os fractais têm infinitos detalhes, são geralmente autossimilares e de escala. Em muitos casos um fractal pode ser gerado por um padrão repetido, tipicamente um processo recorrente ou iterativo.

 Continua na próxima edição do Blog Maçayó.
 
Google - imagem da Ciranda