domingo, 27 de junho de 2021

A Festa Junina do Blog Maçayó

 EDIÇÃO Nº 449
 

 UM SÃO JOÃO ANTES DA PANDEMIA 
 
          Falta pouco para o início da festa animada de São João, mas papai resolve comprar mais milho, pois mamãe tinha utilizado toda quantidade que havia em casa no preparo das iguarias...
          O arraial já está todo enfeitado, bandeirolas coloridas ornamentam o cenário, balões bailam suspensos no ar, folhas de bananeira e coqueiro adornam os postes de iluminação e, muitas barraquinhas espalhadas de um canto a outro na praça do coreto, como: barraca de comidas típicas, de quentão e batida de limão, de vários sabores de sorvetes, de maçãs do amor (que aqui no Brasil, são comuns no período junino), até mesmo a barraca do beijo. Eu, como sempre, na janela de casa apreciando à paisagem, os últimos detalhes para o evento tão esperado; sonhando acordada, embevecida pela magia da lua, rasgo da noite o véu, e vou dialogando comigo mesma: “Que indecisão, meu Deus, ainda não escolhi com quem vou dançar quadrilha, até agora não tenho par.” Logo, desperto dos meus suspiros de amor, pelo vozeirão de papai que me chama:
          - Julinha! Filha, por favor! Venha aqui!          Eu, jovem sonhadora, ao ouvir papai gritando, corro ao seu encontro, e digo-lhe:
          - Para que tanto grito, papai, estou aqui?!
          - Filha, preciso encontrar minha carteira, estou saindo, para comprar mais milho, sua mãe utilizou tudo que tínhamos na pamonha, canjica, milho cozido, bolo de milho e se esqueceu do milho assado; já estou atrasado, pois ainda tenho que colocar mais lenha na fogueira, antes de acendê-la; não iremos fazer feio, quando se trata da nossa comunidade, ela merece uma inesquecível festa de São João.
          Olho para papai, e penso que ele deve estar mesmo nervoso. Aproximo-me dele, beijo-lhe o rosto, e falo devagar:
          - Papai, a carteira está no bolso da sua camisa.
          Ele fica desconfortável, sai da sala e me deixa na indecisão: Afrânio ou Altan? Vou à cozinha tomar um café, pois o aroma do bolo de fubá está aguçando meu apetite.
          - Boa noite, mamãe! Posso pegar uma fatia de bolo?
Mas, ela nem olha para mim. Fica falando sozinha: “Almas cozinheiras venham me ajudar, para a canjica não embolar.”
Pego um pedaço de bolo, e saio em seguida.
           Resolvo falar com Altan, porque gosto dele e minhas amigas dizem que ele também gosta de mim; vou dizer-lhe que aceito o convite. E Afrânio irá arrumar outro par. Pela fresta da janela vejo Altan colocando mesas e cadeiras nas barracas, me aproximo devagar, e falo:
          - Olá Altan! Eu vou dançar quadrilha contigo.
          - Olá Julinha! Fico feliz! Você sabe que gosto de você. A gente se encontra na festa.
          Depois de falar com Altan, solto suspiros de felicidade e volto correndo para casa, pensando com meus botões: "vou me divertir muito com ele.”
          É hora do início da festa! Fico na barraca do beijo esperando por Altan. Aproveito para observar as matutas e matutos cheios de estilo, que estão circulando vestidos a caráter; muito xadrez, babados, saias rodadas e coloridas. Logo, o forrozeiro puxa o fole da sanfona, e começa o arrasta-pé no salão. Olho para o céu e lá vejo um balão subindo, a fogueira já está queimando, soltando brasa em várias direções. Ah, é a festa animada de São João! Senhor Padilha, o puxador da quadrilha, começa improvisando a marcação: “Atenção, atenção pessoal! A quadrilha já vai começar, escolham seus pares e venham dançar, a noite toda, até o sol raiar.” Logo, Altan se aproxima de mim, segura minha mão e me tira pra dançar. Os casais se posicionam um à frente do outro e começam a se animar; enquanto
Afrânio com minha melhor amiga ficam sorridentes a dançar. Sr. Padilha continua marcando os passos: “Cavalheiros segurem suas damas, vão dançando com cuidado para não caírem no salão, pois as comidas já estão sendo servidas, temos milho verde, canjica, pamonha e quentão; quero muita animação agora, tudo na Paz, sem confusão. Olha chuva no Arraiá! Anarriê! Alavantú! Olha o balancê! Olha a cobra! É mentira!...
A quadrilha termina e, o forró pé de serra continua no salão, fico dançando com Altan, e sua mão  esquenta a minha mão. Que emoção! Fomos respirar um pouco, o luar está deslumbrante e ficamos bem juntinhos. Ele olha para mim, e diz:
          - Julinha, eu gosto de você!
          Fico sorrindo, um pouco acanhada, e digo-lhe:
          - Altan, eu também gosto de você! Mas, hoje é dia de festa! Vamos continuar dançando no salão.
          E assim, foi a noite inteira, muita festa, forró e animação!
          Viva São João! Viva!
.
Elisabete Leite
(Antes da Pandemia as Festas Juninas eram pura tradição.) 

 
  VIVA SÃO JOÃO NO BLOG MAÇAYÓ! VIVA!

O Blog Maçayó está em clima de festa
Hoje é o nosso São João improvisado
Vamos cantar e dançar com modesta
Para que o forró seja sincronizado...

Vestidos a caráter para nossa seresta,
Declamações de poemas e cordel encantado
O Blog Maçayó está em clima de festa
Hoje é o nosso São João improvisado...

Quentão, canjica, pamonha no salão de festa
Queremos todos dançando com cuidado
Para que a degustação não fique indigesta
E o Arraial festivo continue animado
O Blog Maçayó está em clima de festa.

Elisabete Leite
 
 SÃO JOÃO

Quando é noite de São João
No acender da fogueira
Queimas de fogos, balão...
Inauguram a brincadeira.

Crendice, adivinhação...
Já são regras rotineiras
Quando é Noite de São João
No acender da fogueira.

Algum Pedido Bobão
À Deusa Casamenteira
Solteirona de bobeira
Pescando algum solteirão
Quando é noite de são João.

                   Valdemar Guedes
 

 Recordando a noite de São João

Entre as muitas lembranças
que bem guardo
a fogueira traz grande recordação,
ao lembrar da minha terra posso ver
a quadrilha ao som do forró,
do xaxado e do baião.

A música que me faz estremecer
me transporta com leveza
ao meu torrão.

Saudade e alegria posso ter,
pois, são boas as lembranças, e o coração
palpitando acelerado, sem doer
povoa o sonho, antes do adormecer, então...
acordado sinto o passado
e me encho de emoção, recordando
as noites inesquecíveis de São João,
em Pirpirituba, minha terra, meu torrão.

Luiz Manoel de Freitas
Pirpirituba - PB
 
 
 FESTA JUNINA

Vejo estrelas bailando
Num dueto de amor,
luar dos apaixonados
Aquecidos no calor,
No acerder da fogueira
Das festa de interior.

Lembranças das festas juninas do tempo das noites frias, dos amigos reunidos
Para mais uma quadrilha, quanta alegria havia o cheirinho da comida que das barracas subia e o brincar quem diria pescaria, tiro ao alvo era uma correria, para a barraca do beijo no final pra lá se ía.

E hoje, quem diria
Vivendo em contramão
A alma fica isolada
Disfarça o coração
nas lives raízes juninas
O São João da televisão.

Rizonete Alves de Souza
      23/06/2021

 
 
 MARIA FUMAÇA DO FORRÓ

Embarcamos na Maria fumaça
Partindo da cidade de Galante
Dançando forró com Graça
Com destino a Campina Grande

O desembarque do trem do forró
Na pista da Vila da folia
A sanfona chorando em dó maior
No sitio São João com alegria

Chegamos no parque do povo
O show de Elba ia começar
Muito arrasta pé até o dia raiar

No maior São João do mundo
Dançando um baião animado
Coberto por um céu estrelado

                Baltazar Filho
         23 de junho de 2010
 
 VIOLEIRO SAUDADE
De: PEDRO PASSAMANI

Meu dedilhar tocava corações.
Nascido da alma, rimava emoções.
Em noite de cantorias pacholas,
Fluíam poesias, versos, canções.
Era alegria sem medos ou desencantos
Nos festejos de São João.
Em arraiais de homenagem ao santo,
Supremacias de violas.
Vivi livre, sem conhecer tristezas,
Sem desenganos. Era só beleza!
Passa o tempo e a vida se evade.
Pouco a pouco vira castigo.
Os verdes anos se foram comigo.
Do violeiro, ficou somente a saudade. . .
 

 Almas Cozinheiras.

Véspera de São João, 23 de junho, anos 60... Na manhã daquele dia, em uma rua chamada Santa Fé, incrustada na Levada, na pequena e agradável Maceió Dona Lourinete, convocava as "almas cozinheiras", acorda seus seis filhos e começa a distribuir tarefas: “Jorge, Toinho, Socorrinho, Lucinha, Fátima, Betinha, vamos começar. Você vá pegar folhas de bananeira, você vá descascar os milhos, guarde as folhas mais verdes, vá ralar o milho, cuidado com as mãos, separe as espigas para assar ...”. Seu Jessé já tinha comprado duas mãos de milho no dia anterior.

Daquele momento em diante, não se parava mais. Dona Lourinete era o chef, era o mestre, era o regente, era o técnico de futebol; mostrava, fazia, mandava desfazer, repetia, brigava .... Não parava um minuto, nem nós.

No final da tarde, após um intenso e prolongado dia, todos estávamos cansados e felizes. Sobre a mesa vários pratos de canjica que Betinha não deixava embolar, uma especial era para o Jorge; pamonhas que não abriam quando estavam sendo preparadas. Pé de moleques enrolados em folhas de bananeiras que Toinho ajudou a tirar do pé, e limpou.  Se Dona Lourinete era o mestre, Socorrinho era a contramestre, supervisionava tudo e fazia um pouco de tudo. Fátima e Lucinha faziam e ajudavam em tudo.

Após tanto trabalho, cada um pegava e dividia um grude para provar, uma delícia. O beiju para o café da noite, estava sequinho. O enorme caldeirão de milho verde ainda cozinhava no velho fogão. A mesa era complementada por bolo de milho e suspiros. E todos suspirávamos aliviados e felizes por ter dado conta do recado.

Todos os anos era a mesma festa, até que crescemos, saímos de casa, pois a vida assim nos obrigava, mas levamos na alma tais lembranças. Ontem passei o dia com Fátima e Betinha, na casa de Fátima, quando elas foram orientadas pelas “almas cozinheiras” e reproduziram aqueles momentos felizes de nossa infância e adolescência. Passaram o dia na cozinha, e no final da tarde a mesa estava repleta de travessas de canjica, bolo de milho, bolo de macaxeira, pamonhas e outras delícias.

                                                               Feliz São João

Jorge Leite, 24/06/2018.

 

Festas Juninas - Imagens Google



 
 
 
 

domingo, 20 de junho de 2021

Um Olhar Além do Horizonte

 EDIÇÃO Nº 448
 
  Cantinho da Tia Beta
 
   UM OLHAR ALÉM DO HORIZONTE
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Maria da Luz é uma boa menina que vive a sonhar. Ela mora, com os pais, em uma simples casinha no vilarejo. A garota é uma criança iluminada, muito alegre, de bem com a vida e seus raios de bondade brilham por todos os lugares. Mesmo sendo muito humilde, ela consegue ver beleza ao seu redor. Ela é prestativa e gosta de ajudar todo mundo. Quando Maria da Luz passa por alguém seu brilho reluz no coração das pessoas, que logo, ficam iluminadas também. O seu pai, José da Luz, é um ajudante de carpinteiro que ganha o pão de cada dia fabricando pequenos objetos com sobras de madeira e depois os vendem na feira livre. Já sua mãe, Maria Anunciada, é a lavadeira de toda vizinhança, uma trouxa de roupa aqui e outra ali e, vai ganhando trocados para ajudar nas despesas. A menininha vive soltando suspiros de felicidade pelos quatro cantos da casa. Ela varre o quintal, canta suaves melodias, toca e rega as flores que, logo, desabrocham para o mundo.
          Certa tarde, Maria da Luz vai ao quintal, como de costume, e fica sentada embaixo da velha bananeira revivendo sonhos que sonhamos acordados, e lá fica meditando e se questionando o que pode existir por detrás do arco-íris, além do horizonte. É nesse momento de meditação que ela adormece... De repente, ela é transportada para outro lugar; um cenário de cores, onde margaridas valsam ao som do vento e, o manto verdejante que cobre o campo tem aroma de jasmim. Logo, ela veste-se de flores e fica andando pela relva exalando pura essência do campo. O silêncio é quebrado pela voz doce de um garoto, que diz:
          - Olá menina, você mora por aqui? Eu me chamo Raio de Luz e você?
          A menina olha admirada para o garoto e percebe que ele é encoberto por um brilho incandescente composto por sete cores (vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, anil e violeta), ele parece até o próprio arco-íris em forma de gente. Ela se aproxima dele, e fala:
         - Uau Raio de Luz, você parece que tem um arco-íris ao seu redor! Aqui tudo é tão lindo! Chamo-me Maria da Luz.
         - Sabe Maria da Luz, por aqui, as cores se fundem e tudo fica colorido! Mas você também é iluminada.  
O garoto olha fixamente para o rosto da menina, e continua falando:          
        -Vejo uma Luz brilhante a sua volta! É a Luz da bondade.  Somente pessoas especiais conseguem enxergar por detrás do arco-íris. Aqui, o coração é o olhar das pessoas. Venha comigo, quero te mostrar além do horizonte.
          Os dois saem colorindo e iluminando tudo. Os bons sentimentos estão presentes em  cada pedacinho de chão. A garotinha, logo, pôs-se a pensar: “Meu Deus, aqui é o Paraíso!”. Eles seguem até um local que é trespassado por raios argênteos do sol, que formam faixas douradas, na relva macia e salpicada de flores. A garota olha para o menino e diz:
  - Raio de Luz, aqui é o Paraíso? Tudo é calmaria e a Paz habita em meu coração!
          - O que é fantasia para alguns, pode ser paraíso para outros. O importante é saber separar o que é sonho do que é realidade. Maria da Luz, você deve continuar iluminando tudo por onde passar, enquanto eu vou continuar colorindo o seu dia a dia. O Amor é o sentimento mais puro existente na natureza das pessoas. Seja sempre Luz e permita que os bons sentimentos toquem seu coração. Agora, feche os seus olhos. Disse-lhe o garoto.
          Quando Maria da Luz desperta, já é noite, as estrelas brilham com intensidade e brincam de esconde-esconde por entre nuvens no céu. Um deslumbrante luar ilumina o quintal da casa da garota... Sua mãe se aproxima dela, e pergunta-lhe:
          - Querida, você ficou dormindo por tanto tempo! Por onde você esteve? Fez falta por aqui!
         - Agora, estou aqui mamãe! Isso é o que importa! Estive sonhando acordada, e fui além do horizonte; lá por trás do arco-íris, fui recarregar minha Luz de Amor e deixar minha essência colorida. Posso ajudá-la?
        A mãe da garota olha para ela, beija-lhe o rosto, e diz:
         - Maria da Luz, eu já lavei e passei toda roupa; você pode  entregar na casa de dona Filó?
          - Sim, vou fazer isso agora! Mamãe, eu amo muito a minha família! Disse-lhe a garota.
          - Filha, nós também amamos você! Exclamou sua mãe emocionada.
          O tempo passou... A menina cresceu rápido, mas continua iluminando as pessoas por onde passa. Ela se veste de cores e vai pintando o cenário ao seu redor.
          Que a Luz da bondade toque o coração de cada um.
          Uma história com final feliz! Acredita quem tem Fé.
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Elisabete Leite
 
 EU AINDA CRIANÇA

Cabelos dourados e com tranças
Um bonito laço vermelho do lado
Tinha sorriso angelical de criança
Meus sonhos eram rosas e alados...

Minha vida de encantos e fantasias
Uma caixinha com belas surpresas
Meu Universo de Contos e Poesias
Era repleto de cores e muita beleza...

A criança viajou em sua inspiração
Cruzou fronteiras, novos horizontes
Cresceu no tamanho e imaginação
Voou alto, olhou os verdes montes...

Meu mundo ainda é doce e colorido
A minh'alma permanece de criança
Meu interior tem um jardim florido,
e todo dia, me encho de esperança.

Elisabete Leite
 

 ENCONTRO DE POETAS
 
 Deusa proibida

Seus olhos são as janelas da alma
Seu sorriso algo incomum de tão belo
Sua boca verdadeiramente deliciosa
Seu cabelo curto vermelho é muito lindo

Aos poucos viajo na vibe de teu corpo delicioso e quente.

Aos poucos você me leva mais ao ápice do prazer.

Seu cheiro me deixa louco por mais e mais.

Quando nossos corpos se encontram perco totalmente na noção.

Estou completamente perdido em seu encanto deusa proibida.

José Neto
Pirpirituba PB.
 
 QUADRILHANDO NO SÃO JOÃO

Boa noite a todos, na nossa chegada!
Vamos quadrilhando sem rumo na estrada.
Junina animada numa noite enluarada.

Em noite de São João, de grandes festejos.
Caminhar na roça e subir no pau de cebo.
O bom do arrasta pé é na luz do candeeiro.

Se a quadrilha se enrolar ou errar o passo

Boa noite a todos, vamos dançar no mato!

              Baltazar Filho
               24 de junho de 1998
 
  Fértil interior        
      Luiz Manoel de Freitas

Revolto como a terra arada
Fértil como o humo orgânico
Errado como ser humano
Perdão ao Senhor eu clamo.

Forte, sob Tua proteção, me sinto
Aguço o meu clamor e chamo
Oh Deus perdoas os meus desenganos
E livra-me de qualquer ato insano

Liberta-me da insanidade,
Como água molhas o solo fértil
Do meu coração, que não está deserto,

Pois, ocupas cada  espaço e plano,
No interior ativas o  meu ânimo
E por Ti…  eu perdoo, como ser humano
 
  Dores Abaixo da Pele

Nem sempre nossas vestes nos esquentam
Nem sempre nossa alma nos reveste
O sangue está debaixo da pele
Mas é ele que nos alerta que algo está errado
Em nossos corpos celestes
- Casacos também sentem frio

Gabriela Mota, 22/01/2020, João Pessoa
 

 Conselho

Sabe mulher
Você é cheia de predicados.
Inteligente
Capaz
Virtuosa
Tudo que faz
Tem valor inestimável
Inspira
E se inspira.
E essa inspiração
Vinda de dentro
sem filtro, sem demagogia,
sem falsidade e sem desdém.
Assim acontece quando se entrega ao sentimento de amor a vida e ao próximo.

Sol&Lua@
28/05 às 19:06
 
 Minha Alma
Minha alma embriagada sente sede
Sente medo de sair da escuridão
Fica triste ao pensar que já foi lúcida
E se pergunta pra que serviu tanta razão.

Minha alma embriagada quer dar saltos
Não para a vida que lhe norte a incerteza
No silêncio se transforma em sobressaltos
De uma palidez pútrida em sua baixeza

Minha alma embriagada curva-se a Deusa 
Na Incerteza do amor de uma paixão
Se desespera pela falta de pureza
Sofre perdas, dores, convulsão.

Embriagada minha alma sofre insultos
Com palavras, com gestos inoportunos
Ajoelha, reza, implora indultos
Como um velho inspetor de alunos.

Minha alma adormece em tuas dores
Tenta crer que já foi santa e impura
Suas lembranças é um circo de horrores
Em lençóis sujos de vermelho-púrpura.
 
Jorge Leite
19 de junho de 2021
 

 
 

domingo, 13 de junho de 2021

Amor em Siluetas

 

  EDIÇÃO Nº 447
 
 LEITURA DE DOMINGO
 
O AMOR E SUAS ESTAÇÕES
.
O amor é leve tanto quanto as folhas secas das árvores que caem no Outono, ardente como o calor do sol no Verão, perfeito como o desabrochar de uma flor na Primavera, tão aconchegante quanto uma noite fria de inverno, mas também pode ser tempestuoso, dependendo das emoções. O amor se faz presente em todas as estações.
O sentimento amor é muito intenso para ser inventado, ele cresce a cada dia mais e mais, no silêncio da Paz interior de cada um, impulsionado pela força de vontade dos dois. O amor é um sentimento que desconhece limites, chega suave e vai ultrapassando fronteiras, porque ele preenche todos os espaços d'alma, os pontinhos separados, todos os momentos de desertos, todas as arestas vazias do desamor. O verdadeiro amor, também ultrapassa os limites da emoção e da razão; quase sempre na paciência de uma construção poética, que vem fluindo do âmago, bem devagar, às vezes sem rima e sem métrica, só na liberdade do compor de cada poeta. Que sabe cativar e valorizar nas ações o que é simplesmente amar. O amor é  assim: em um simples olhar, ele acontece! Não só o olhar da visão, mas com o olhar do coração.
O amor intenso sobrevive as grandes e difíceis tribulações da vida, vence o tempo, e brinca de esconde-esconde com a distância e ausência, supera as dores trazidas pela ventania e pelas adversidades. Mas, é no silêncio que ele se encontra; o amor é movido também pela paixão; é a união perfeita dos dois momentos, amor e paixão, por isso ele se torna puramente esplendor.
O amor é assim! Ele não demarca o tempo, voa na companhia do vento, sem pensar no antes e nem depois.
Porque o amor não tem hora para acontecer, vai se instalando bem devagar... como versos construídos em uma melódica canção, porque o amor é um momento poético no coração, como o desabrochar da poesia, o seu sentimento e a sua forte emoção.
O amor se constrói no pensamento, se espalha pelos demais órgãos vitais e se instala no coração.
Afirmo pela minha experiência de quem sabe cantar o amor: "Que o amor é um Rio de emoções que deságua no Mar do coração de quem ama, e forma um oceano de sensações."
Ele é assim, sem muitas  explicações! Simplesmente amor por amor.
"Qualquer forma de amor vale a pena sentir, viver e provar."
Viva o amor!
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Elisabete Leite
(Para todos os apaixonados)
 

“Caça e Caçadores”

Engraçado!
Sentado num parque a observar,
homens todos apressados,
com suas melhores roupas,
bem perfumados;
procurando encontrar uma presa.

Algumas poucas mulheres
passavam de lá para cá.
E todas embonecadas
pareciam também procurar,
suas presas, suas feras,
que as pudessem domar.

Continuava sentado a observar,
e neste vai e vem,
não sabia quem caçava quem.
Pouco importa. As coisas acontecem.

Os homens e mulheres
caçavam-se mutuamente.
Eram caças e caçadores,
não importam os observadores.

Eles estavam livres e puros
para serem caça e caçador.
E quem sabe,
Após ser caça
Surgisse um grande caso de amor.

E assim acontece...

Jorge Leite, São Paulo 1991.

 

 ENCONTRO DE POETAS

A CONQUISTA DO AMOR

Ah, é impossível não te amar!
O teu olhar me faz estremecer
Agora, vivo só para te enamorar
Grande satisfação te conhecer...

É um deleite sentir tuas mãos,
Que desvendam todo meu corpo
Teu amor habita em meu coração
Sinto teus beijos pelo meu rosto...

Ah, tua voz que diz: eu te amo!
Abrigando-me em teu abraço,
Logo, pelo teu nome eu clamo
Aquecida dentro dos teus braços...

Quero ficar a todo instante contigo
Aquecer-te com meu intenso calor,
Ah, vais dormir e acordar comigo!
Eternizando nossa história de amor.

Elisabete Leite

SUSSURROS DE AMOR

Ah amor, que cruzou meu caminho!
Deixou meu jardim sem espinhos,
Preencheu minha vida com carinho
Coloriu meus dias bem de mansinho...

Colocou esperança em meu coração
Fez meus risos saírem com sensação
Transformou meu inverno em verão
A minh'alma se encheu de emoção...

Amor que o destino trouxe para mim
Que faz a flor desabrochar no Jardim
Quando vai, deixa uma saudade, sem fim
Ah amor, que me faz ser feliz assim!

Fala para mim, eu te amo, todo dia!
Faz parte dos sonhos e das alegrias
Canta para mim diferentes melodias
Retribuo-lhe com afagos e poesias.

Elisabete Leite
 

Bodas de Paixão

O tempo vai passando devagar
E marca bem nossos momentos
Da manhã de sol brilhante
Do arco-íris no céu
Dos tempos e contratempos
Da dúvida do sim
Do não querer dizer não
Vai passando, tudo lentamente
Os momentos de fugas e decepções
Aquelas mensagens de amor
Revelada em seu coração
Marcas no tempo das lágrimas escondidas  
Daquela quase despedida
Lembro das mensagens que não eram suas
Mas que me faziam sofrer
Até pensar em desistir  de amar você
O meu coração plangente
Gritava de dor para desistir do seu amor
Mas você falou,em uma mensagem
Que amenizou minha dor
Só se olhar olhos nos olhos para tudo terminar
O que mal começou,  não pode   assim acabar,
Naquele momento, renasceu em mim
A força  para continuar
Pois o verdadeiro não podia assim desmoronar
Você provou o seu amor
E com muita alegria em
2021 vamos comemorar
 As  nossas Bodas de Paixão
E o nosso amor viverá.

Rita de Cassia Soares
Pirpirituba 31/12/2020

Fitar

Atiraste em mim sem piedade
O teu tiro me estremeceu
O meu corpo ficou sem dono
 Laçado por um amor somente teu

O teu fito com o meu fito
Se comprometeram aquela manhã
Numa cena de Hollywood
Entre a mocinha Jane e o herói Tarzan

Aquele fito retrocede a décadas
Pareceu coisa de criança
O arco- íris foi testemunha à época

O fito trouxe a tona uma lembrança
De um amor guardado no peito
A partir daquele fito formou-se uma aliança.

Emiliano de Melo
Guarabira 09/12/2020
 

Caminhada

Tão longe e tão próximos.
Sentimentos expostos.
Terras longínquas
O que deveria afasta-los
Os une.
Amigos, amantes ou
Almas gêmeas?
Que ignora tempo e distância.
Uma dupla que trilha caminhos
há milhares de anos.
Caminhos desconhecidos
a serem desbravados.
Nesse ritmo estarão a desfrutar das maravilhas prometidas por Deus.
Transbordando em seus corações,
a mais infinita tranquilidade e inquietação jamais sentidas. Na interminável antítese das suas vidas.

Sol&Lu@
Pirpirituba 18/05

Tempo
Vejo o tempo passar
aos meus olhos, como névoas por sobre as águas do mar.
Vejo a vida se esvaindo entre os dedos dos homens maus intencionados;
Vejo o amor se esforçar para mostrar o que há de melhor na terra;
Aí olho e vejo os homens se abstendo de tudo que é bom para viver o mais cruel dos atos.
A descrença em Deus!

Sol&Lu@
Pirpirituba 18/05
 

MAR DE ROSAS 🌹

Se o mar fosse mesmo de rosas, teria as suas bordas rebordadas pelas pétalas das rosas amélias.
Se as rosas formassem um tapete espumante cobrindo o oceano com a sua extensão abundante.
Variava a sua cor, as rosas perfumavam o seu desagradável odor e o aroma ficaria degradante.
Mas, imaginem se o mar predominase a sua cor, a maresia perdesse o seu forte odor e fosse substituído por insenso no ar?
Harmonizaria o denso aroma de suas águas, contemplaria o cheiro maravilhoso das rosas.
E seus segredos misteriosos poderiam compartilhar.
Mas, as rosas não falam, simplismente exalam um perfume revigorante semelhante a um bálsamo secreto, extraído do fundo do mar.
Se o mar fosse bordado por rosas brancas, teria em suas bordas pétalas rejuvenescedoras para conservar a sua plenitude e o planeta embelezar.

               Baltazar Filho
          20 de maio de 2021
 
Contradições Morrem
Luiz Manoel de Freitas

O som do silêncio massageia minha alma,
Como o toque angelical dos dedos teus.
A claridade da escuridão reflete em mim,
Como o brilho do teu olhar que me ilumina.

Alucinado pelo teu cheiro, escuto o trovoar
No silencioso grito de SOS do trovão que ecoa,
Enquanto, o raio corta o firmamento e cai sobre a terra
matando a rosa, que por ventura não é única,
Já que sua semente brota, ao calor do sol gélido,
E aquecida pela chuva.

Floresce, como um novo e sólido sentimento.
Aquele que nos enche de furor. É o amor,
Que de tão verdadeiro flui, transpõe, transpassa,
Porém, tropeça nas contradições que contrariam,
Mas não matam. Morrem.

Pirpirituba- PB 
 

À Minha Saudade
Sheyla Maria

Ao ter saudade de ti, minha saudade,
No jardim dos meus sonhos te encontro,
Rego a lembrança que então me invade,
Com as lágrimas que caem do meu pranto.

Não quero tê-la murcha decaída,
Desbotada, feia e amassada,
Pois és a razão de minha vida,
Dá-me a certeza que fui amada,

Traz-me de volta o mais belo sorriso,
Um olhar terno meigo e profundo,
A paz e o aconchego que preciso,
O beijo mais doce que existe no mundo

Reviver os Momentos
 
Já vivenciei
Muitos casos, fatos e atos da minha vida.
Tive momentos de grande alegria e tristeza.
Momentos de grande presteza,
De admiração e dedicação à natureza,
Momentos cheios de beleza,
Que fizeram me sentir uma alteza.

Em alguns precisei optar, ocultar, negar e renegar,
E até foi necessário me guardar e resguardar.
Em outros apresentei, representei e até detestei,
Mas, amei, vacilei e sonhei.

Momentos que não registrei,
Aqueles que guardei e as noites que te dediquei.
Nos anos que te esperei, um século atravessei
Estrelas contei, nunca terminei,
E nada posso esquecer,
Tenho mais é que reviver.

Dalvanira Freitas
 
 CANTINHO DO CORDEL
 
 COMUNIDADE

Famílias esfaceladas
Dissabores, confusão
Poder Público dita regras
Provoca insatisfação,
Rixas e rivalidades...
Pra fazer comunidade
Não basta só ser cristão.

É o custo da união
A sua sobrevivência
Poder que emana da cúpula
Não traz boas consequências
Nem mesmo a própria igreja
Por esforçada que seja
Promove a sua existência.

Humildade é a essência
Do ideal da igualdade
Só com os dons disponíveis
E Gestos de Humanidade
Nossas ovelhas perdidas
Resgatar-lhes, dar-lhes vida
Fazemos comunidade.

Promover atividades
Num esforço por igual
Desempenhar cada ação
Vendo os outros como tal
Comunidade perdoa
O perdão é coisa boa
É o mais essencial.

Pra o poderoso, é normal
Ver o menor se reduzir
Provoca seu sofrimento
A fim de lhe destruir
Somente em comunidade
Surge a oportunidade
De forças pra resistir.

O cristão deve servir
Está na lei claramente
Só nascem comunidades
Da ação conjuntamente
O Serviço Voluntário...
Não apenas por salário
É um meio eficiente.

Desafio permanente
No seu mundo inibido
De Deus, privilegiado
Pelos outros, esquecido
O humilde, quem mais serve
Sendo ele quem mais deve
Receber e ser servido.

Vida em comum, faz sentido
Quanto à evangelização...
Testemunhar Jesus Cristo
Na pessoa dos irmãos   
Dos testemunhos vividos  
Decerto o mais exigido
Está na fração do pão.

Entre os primeiros cristãos
Tudo era fracionado...
Punham tudo em comum
Surtia bons resultados
Quem possuía riqueza
Dividia com a pobreza
Não tinha necessitados.

O pobre é menosprezado
Não tem reconhecimento
No seu total desconforto
Por faltar-lhe provimento
Mas vive em comunidade
A Cristo, tem lealdade...
E n’Ele encontra alento.

                      Valdemar Guedes