domingo, 25 de julho de 2021

Domingo de Festas

 EDIÇÃO Nº 453
Tema das Imagens: Pretty Woman (Girls)
 
  ENCONTRO DE POETAS
 
 OS CÃES LADRAM...

Olha que essa paixão fria e deslavada
Afugentou meus cães bravos e adormecidos
Numa peleja e outra a me morderem
Como se fôssemos desconhecidos.
Não há, porém, correntes e  calmantes
Que embarguem seus cruéis ataques
Num gesto irracional das mentes dominantes
Vitoriosos, se lambem, me olham e latem
Se não há mais agora o que lhes bastem
Se retiram a procura de outros amantes!
E aqui me encontro sob a carne dilacerada
Ninguém viu, ao meio-fio, essa desgraça
Agora entendo aquela frase tão falada
"Os cães ladram e a caravana passa!"

Socorro Almeida
Recife, 24/04/2021

EM RAZÃO DE MIM

Ele gosta de falar do mar
Das ondas sobre a areia
Das cores do arco-íris
- promessa de Deus aos homens.
Ele gosta de falar das flores
A cada uma lhe dá um nome
Mas que só as rosas têm
O encanto que vê em mim.
Ele gosta de me perguntar
Por que as nuvens choram tanto  
Se tem o mundo aos seus pés?
Por que os oceanos aceitam os rios
Se tantas águas têm?
Ele costuma me dizer que é mentira pura
Só haver mistério entre o céu e a terra
Se em meus olhos há tantos mais!
Que as profundezas dos oceanos
Não lhe causam medo
Mas o meu olhar, sim!
Que os tremores que a terra faz
São os abraços que lhe dou.
Que a natureza só finge ser malvada
Porque é menos má que eu!
E eu... já que não tenho as respostas
Vou me deixando ser amada
Exatamente assim...
Como se ele só existisse
Em razão de mim!

Socorro Almeida
Recife, 03/05/2021

O AMOR

O amor não dói, não machuca, não fere,
O amor não repulsa, não incomoda, nem repele,
O amor não bate, não mata, não expele,
Mas conjuga a vida, transforma e ajunta
Os momentos que nos trazem felicidade,
Com a alegria que de pouca, se faz muita,
E quando não se tem a certeza, se pergunta:
Você está feliz?
O amor é só o amor,
Exclui do seu cardápio a dor,
Abraça e se une em clamor.
Buscando a felicidade, expressa só bondade,
Assume a cada passo da vida,
Apenas a lealdade!

Desperte, portanto, amor…
Ele não tem raça nem tem cor,
Com sexo ou sem sexualidade,
Nada é mais importante nesta vida
Do que o amor...
Que se expressa de verdade.

Luiz Manoel de Freitas

MINHA DECISÃO

Quanta verdade me sai do peito,
Quanta emoção me preenche a alma,
Meu coração me revela calma,
Eu sinto paz, sobre o meu leito.

Em nada me perturba a solidão.
Até porque, não a sinto por aqui,
Estar só, não é ser solitário,
Estar sozinho não é tão ruim.

Trago no pensamento uma multidão,
Falo com cada um através da mente,
Troco ideias, poesia e cânticos,
Acredito em todos, pois não sou descrente.

Mesmo que seja divergente,
Não vou ceder a sua posição,
Ainda que me veja irreverente,
Ser eu, íntegro, sincero e consciente,
Queira ou não queira, é a minha decisão.

Luiz Manoel de Freitas

Poema para minha mãe

Neste Natal, de 2020, bem atípico,
Porque a pandemia nos detém,
Gostaria de lhe dar esse presente,
Pois sei que gosta de poemas também...

E é na poesia, que melhor expresso AMOR,
Pois ela toca bem na alma do meu ser...
Por isso quero lhe homenagear, agora,
Dizendo do AMOR que tenho por você...

É um AMOR meio escondido, disfarçado...
Mas, tão Profundo que aperta o coração...
De admiração, de orgulho, bem dosado,
Pelo que sempre fez, até hoje: GRATIDÃO!

Você é, mesmo, uma mãe abençoada...
Se dividindo em mil, por todos nós..
E agora, bem mais velha e vaidosa,
Ainda tem lugar, pro AMOR dos bisavós...

Por isso, nesse Natal eu lhe bendigo...
Embora,  não podendo lhe abraçar,
Receba esse poema como presente,
Pois, foi com você que aprendi a AMAR!!!

                 ❤️Tásia Maria

AS HORAS DE MINHA VIDA.

As horas de minha vida.
Vão passando devagar.
São lentas e passivas,
E não me deixam contar.
O relógio bate, bate...
Em seu ritmo controlado.
Meu coração, ao contrário.
Bate sempre acelerado.
Ouço um bater esquisito...
Quando estou pensando.
É a máquina do tempo,
Que a vida está marcando.
As horas vão passando,
Os minutos acompanhando.
E aquele relógio apontando,
As horas de minha vida,
Que naquela despedida,
Não pude me conter.
Olhei o relógio e disse:
__ Deixa o tempo passar,        
Mas, não deixe ele me esquecer!
Deixa esse tempo correr,
E as horas seguir passando
Porque eu vou caminhando pelas estradas além.
Decidir meu destino.
Que só a mim convém.
Passaram-se  muitas horas...
E o tempo também passou.
Só não passou a saudade,
Que em meu peito ficou.
As saudades
que eu senti,
Com aquela despedida.
O tempo ficou marcando,
Nas horas de minha vida!

Marizete Santos.

SAUDOSA CAPELINHA DE MELÃO!

Memória fantástica, a capelinha de melão!
Uma canção mimosa pra criança dormir.
Ninava para adormecer e acordar São João.
Uma magia, ele adormecia só em ouvir.

Capelinha de melão é do menino João.
Cheira a cravo, exala a rosa, a manjericão.
Quanta sutileza no balbuciar da canção!
As brincadeiras tinham muita animação.

As cantigas de rodas, saudosa diversão.
As palmas seguiam um ritual com alegria.
As meninas versavam com empolgação.
Os meninos repetiam o refrão em calmaria.

Capelinha de melão, cheirosa!
É de São João, linda canção!
É de cravo é de rosa, mimosa!
É de manjericão, acorda João!

               Baltazar Filho
          08 de julho de 2021

PARADOXO  

Vivo no nexo da sua razão
No sentimento quase oculto
No nosso verbo temporal
Na sede de um deserto
Vivo, eu sei que vivo
O amor retribuído
Em versos e canções
Nos encontros planejados
Nas noites de chuvas
Nas manhãs de verão
Eu sei que estamos vivendo
O nosso amor e a nossa
paixão
E o brilho do nosso sentimento
Não é justo respondê-lo
Apenas no coração.

Rita de Cassia Soares
Pirpirituba 19/07/2021
EU E AUGUSTO

O meu pé de tamarindo não é tão frondente quanto o de Augusto.
Mas, a brisa das manhãs o paquera todos os dias.
Seus cachos ondulados têm o mesmo charme que os de Augusto.
O sabor dos seus frutos é tão delicioso quanto qualquer um.
Um dia meu pé de tamarindo terá semelhante importância  que o busto de Fafá.
Não há de quê chorar, mas canseira sim, de trabalho!
Meu pai também se foi, mas não levou saudade, deixou.
Se pudesse ficaria na eternidade, à tua sombra
O meu testamento não teria validade
Pelo desejo de tua sombra, tamarindo!

Emiliano de Melo
Guarabira  10 de fevereiro de 2019

Belle Mademoiselle

Lindos cabelos longos e castanhos
Com belas esmeralda no olhar
Um sorriso maravilhoso e fofo.

Sua pele tão branquinha como neve
Sua boca tão macia e linda
Com seu batom vermelho borrado aos poucos de um beijo.

A pretty woman (uma bela mulher)
simply a spectacle (simplesmente um espetáculo)

José Neto
Pirpirituba PB.
 
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 LEITURA DE DOMINGO
 
RODOLFO E O VENDAVAL
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          Era outono, o vento soprava ameno espalhando folhas amareladas pelo chão, cenário encantador, que se estendia do plano até a serra, fazendo fluir fortes emoções; era o espetáculo de mais uma estação. Estela, garota naturalista, que trocou a agitação da cidade pelo sossego do campo, vivia intensamente na companhia da Flora, da Fauna e de seu amiguinho felino de estimação,  o gatinho Rodolfo, seu fiel companheiro de todos os instantes; nada era mais importante e gratificante para ela de que os momentos de interação com ele e a natureza, parecia até que ela compreendia a linguagem das plantas e dos animais...        
           Certa manhã, Estela notou que o vento soprava com mais intensidade, as roupas esvoaçantes no varal, queriam informar que algo estava para acontecer, mas a garota nem imaginava o que poderia ser. A jovem procurou por Rodolfo, porém não o encontrou, ficou inerte, imaginando onde seu amigo poderia estar escondido, assim começou a chamá-lo, carinhosamente:
          - Rodolfo, aqui bichano!
Tenho uma tigela com boa ração para você saborear! Vem aqui menino querido! Rápido que já vai chover!
           O silêncio persistia e a garota começou a ficar preocupada. Rodolfo vivia livremente e nunca havia desaparecido, até o presente momento. De repente, o céu escureceu, a chuva começou a cair forte, raios riscavam todo espaço celestial, o ruído ensurdecedor do trovão se fazia presente; eram os primeiros sinais que uma tempestade estava se formando. Estela ficou mais apreensiva ainda, quando um vento forte e tempestuoso veio derrubando tudo pela frente, quase não tinha um lugar seguro para a garota se abrigar. Logo, um redemoinho se formou e Estela se segurou na velha cadeira de balanço, que ficava no terraço, mas a coitadinha da cadeira se quebrou de tanto rodopiar; a mesa onde estavam as frutas do desjejum matinal, ficou suspensa no ar, e foi de encontro à cabeça da garota que desmaiou em seguida, e quando despertou estava em outro lugar. Ficou assustada, se perguntando, o que havia acontecido: "- Meu Deus, será que estou morta?!" "- O que houve, e que lugar é esse?!" E pôs-se a chorar, descontroladamente...
           Estela olhava de um lado para o outro, sem entender nada. De repente, abriu-se, a seus olhos, a visão de um esplêndido jardim que, trespassado por raios argênteos do sol, formavam faixas douradas, na relva macia e salpicada de madressilvas e margaridas. Ela permaneceu triste, mas por entre os galhos e troncos, Estela avistou seu querido amigo Rodolfo abanando a cauda peluda para ela, como se
quisesse se comunicar, miava e girava sem parar. Ele usava vocalizações para expressar suas emoções e dava grunhidos para Estela compreender sua linguagem. Rodolfo queria a todo custo se comunicar com ela. Logo depois, a jovem se viu diante de dois caminhos: de um lado uma luz obscura, provavelmente o olho do vendaval, e do outro seu amiguinho Rodolfo, que parecia até sorrir, ele mostrava-se confiante, com olhos de quem ama. A garota ficou perplexa, completamente indecisa, sem saber qual caminho deveria seguir. Não sabia ao certo, se era melhor ficar ou fugir! Contudo, seguiu o comando do seu coração, e  correu até Rodolfo; todavia quando segurou seu amiguinho no colo, desmaiou mais uma vez, e despertou sentindo as lambidas de Rodolfo pela face; abriu os olhos devagar, e percebeu que estava cercada de entulhos, o vendaval havia deixado um rastro de destruição por todo lado, nada ficou inteiro, mas ela se sentia viva e segura ao lado do amigo. Estela afagou o dorso do amado felino, se levantou compassadamente, saiu passando por cima de um emaranhado de madeiras e lixos, que ocupavam todo caminho de pedra, e foi reconstruir a sua vida.
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Elisabete Leite
 

TAUTOGRAMA:
AMIGOS, AMOR, AMIZADE


Amor amigo acalma a alma
Aflora a autêntica amizade,
Abriga a admiração, adoração
Assim, afasta até a ansiedade!

A amizade alimenta a alma,
Acorda a afável anunciação
Abençoando ao acolhimento
Amor amável, adere a ação...

Amor amigo acolhe a amizade,
Acordando a afinidade, a adesão
Abraços, amparo, até aconchego
aos acertos, alicerce, ascensão...

A amizade amplifica a afeição,
Afeto aumenta a alusão a alguém
Alegria, apreço, abrigo, adoção
Amizade atrai atenção ao amar!

Elisabete Leite
 
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COMEMORAÇÕES
 
FELIZ ANIVERSÁRIO, JORGE LEITE!

          Definir meu querido irmão, Jorge Leite, é o mesmo que falar do Amor Fraternal, e de tantos outros sentimentos reunidos em uma única pessoa, porém somente os sentimentos salutares, aqueles que causam equilíbrio ao corpo e a mente, se fazem presentes. Como descrever um Ser Humano que, na verdade, é um dos motivos da minha felicidade e do meu crescimento pessoal e literário; é o mesmo que me olhar no espelho e vê a pessoa de Jorge em meu reflexo. Porque para mim ele faz parte do meu legado, tem influência diretamente na minha construção de vida. Jorge é, e sempre será, um ídolo para mim, um irmão herói. Minha vida é como um quebra-cabeça bem estruturado, cada parte chave para a formação de um todo, tem um toque mágico dele (Jorge), uma pincelada de ensinamento, as lições diárias que me impulsionam para minha realização pessoal. Jorge sempre acreditou em mim, em meus contos, em minhas crônicas, em meus poemas, em minha arte poética e literária de modo geral. O filme AO MEU MESTRE COM CARINHO, retrata muito bem a minha trajetória de vida ao lado dele, pois que Jorge para mim é um mestre, o irmão que eu sempre quis ter, que me ampara, me auxilia, me abriga, me ensina a arte de viver, e me define como a pessoa íntegra que sou.
          Jorge é livre por natureza, sua poesia retrata ele muito bem; já eu sou o seu oposto, sou clássica e colorida, e me amarro nas sonoridades das rimas, eu sou a melodia dentro da poesia, mas ele é a leveza de um pássaro Condor, a beleza do Colibri no ato de beijar à flor. Claro que juntos formamos uma unidade, porque somos irmãos que se completam. Ele é o meu todo, o meu mundo. Eu e ele formamos NÓS. A primeira pessoa do plural, não somos singulares, mas sim um conjunto.
          Jorge, amanhã 26/07 será seu PARABÉNS, mais um ano de vida ao seu lado. Sendo assim, quem faz aniversário é você, querido irmão, mas quem ganha o presente sou eu, pela satisfação de tê-lo ao meu lado. Um Feliz Aniversário, meu mestre! Muita Paz, harmonia, amor, alegrias, saúde, Fé e Poesia. Eu te amo incondicionalmente!
Da sua irmã mais nova,

Elisabete Leite, simplesmente Betinha ❤️
 
 
 FELIZ ANIVERSÁRIO, RITA!

Andorinhas gorjeiam de felicidade,
Cantam melodias suaves de amor
Anunciam alegres a sua nova idade
Em demonstração de afeto acolhedor...

Mais um ano de vida para agradecer
O seu doce sorriso tem graça e beleza
Rita de Cássia que chegou para florescer
e encher nosso dia a dia de cor e leveza...

Borboletas esvoaçantes parecem bailar
De flor em flor e jogam pétalas ao chão
Em sinal de comunhão ficam a encantar
Brindando o momento de congratulação...

Amigos expressam amor nesse versar
Como prova de carinho e consideração
e desejam sucessos em seu caminhar
Parabéns, querida Rita, de coração!

Elisabete Leite e Amigos - 24/07

Rita de Cássia, querida amiga, ontem (24/07) foi seu aniversário, um dia tão especial, por ser a data em que comemoramos a sua chegada ao mundo, eu quero lhe desejar mil felicidades e tudo o que há de melhor no mundo.
Que o seu percurso de vida seja longo e que nele nunca falte amor, amizade, saúde, paz e esperança para superar as asperezas nesse tempo de pandemia.
Sorria muito e seja sempre feliz! Nós gostamos muito de você e sabemos como é especial e única, generosa e amiga, e merece toda a felicidade, multiplicada pelo infinito! PARABÉNS e Feliz Aniversário! Beijinhos 🍾🥂🎂🎊🎊🎉🎉❤️💐🌼🍀🍃🍂.
 
 

  RECORDANDO 
 Promessas

Abrace-me.
Envolva-me em teus braços,
Sinta o meu corpo,
Deixe-me sonhar.
Envolva-me em teus sonhos,
Faça-me voar.

Minha pele queima,
Cheia de desejos
Meu corpo sua.
Quero que sejas meu
Que me possuas,
Que me tome nua,
Faça-me vibrar.

Beije os meus lábios
Ávidos pelos teus,
Toque minha pele
E me deixe nua,
Rasgue minha roupa
Abra minha alma
Faça penetrar
Todo seu ímpeto
Dentro do meu ser.
Vire-me ao avesso
Faça-me viver.

Deixe-me que seja
Tão somente sua
Na minha pureza
De poder fazer
Que você se sinta
Tão somente meu.
Os nossos corpos
Ao se dissolverem
Tornam-se um.
Tu estás em mim
Eu estou em ti
A nos possuir.

Quando afastados
Em nossos caminhos
Muito diferentes,
Direções contrárias
A nos separar,
Estaremos juntos
Em nossos momentos
Em nossos sonhos
A nos abraçar.

Jorge S. Leite
SP - Recife.

 

 
 
Imagens : Pretty Woman 
 
 

domingo, 18 de julho de 2021

Almanaque de Domingo

 EDIÇÃO Nº 452
 
  ANTES DO FUNERAL

          Albertina, entregue aos seus devaneios, olhava atônita a chuva pela vidraça turva da janela, que caia tempestuosamente e molhava o piso ocre da varanda. O dia estava pardacento, os ventos sobravam em todas as direções e, ela precisava ser forte, principalmente naquele momento, em que estava acometida pela dor da sua perda. A morte trágica e repentina de Alfredo Salazar estava deixando-a enlouquecida...
    
Logo ela iria para o funeral do amado esposo e começou a lembrar-se da noite anterior a sua morte. Alfredo estava diferente, entrou na sala de jantar cambaleando, falando alto como se estivesse discutindo com alguém, mas entrou surpreendentemente sozinho. Albertina que era casada há muito tempo com Alfredo jamais tinha o visto assim. Ela levantou seus olhos desanimados diante à cena, falou calmamente com o marido:
           - Querido Alfredo, venha tomar um pouco de chá comigo, é que estou sentindo você tão distante, como se estivesse ausente dos nossos momentos de amor. Sinto-me tão sozinha!
          - Querida Albertina, temos problemas financeiros, a nossa papelaria não está crescendo como eu pensava, com a nossa casa hipotecada é natural que eu esteja preocupado. Respondeu-lhe rápido, pois tinha um olhar perdido na imensidão do tempo.
          - Meu amado, vamos resgatar o seguro que você pagou durante tanto tempo. É para isso que serve querido! Disse-lhe Albertina.
          - Meu bem, o seguro que paguei foi de “vida” garante a proteção dos beneficiários aos herdeiros, em caso de meu falecimento, mas ainda estou vivo e quero continuar assim. Respondeu-lhe Alfredo e saiu imediatamente da sala.
          Albertina permaneceu tomando seu chá, ela estava temerosa pelos acontecimentos, mas precisava descansar, após o chá subiu, lentamente, as escadas em direção aos seus aposentos, foi quando entrou no quarto do casal que se deparou com a pior cena de toda a sua vida. Encontrou Alfredo baleado, caído no chão do quarto, completamente inerte, parecia morto e tinha um revólver em sua mão direita, o sangue escorria, ainda da cor de rubi, pela boca, nariz e ouvidos, seus olhos estavam esbugalhados, como houvesse levado um susto ou se surpreendido com alguma coisa. O cenário era de filme de terror, pois tinha sangue espalhado em várias direções.  Alfredo ainda chegou a ser socorrido, mas a residência do casal ficava muito afastada da cidade, dificultando o trajeto até o hospital e, o mesmo não resistiu ao ferimento da bala que perfurou o seu crânio e veio a falecer horas depois. Albertina chorou desesperadamente tudo que foi possível, que já não tinha mais lágrimas para derramar. Não conseguia entender o que tinha acontecido naquela fatídica noite, ninguém da casa escutou nenhum tiro, nem ela e nem os outros empregados que lá estavam e assim, todos foram interrogados. A causa da morte ficou notificada como suicídio, mas Miguel, o único irmão do falecido ficou desconfiado do resultado da perícia, pois Alfredo era canhoto e a arma que provocou a morte dele estava em sua mão direita. Porém a dor era tanta que Albertina já não raciocinava com precisão. O casal não tinha filhos e  ela precisava resolver tudo sozinha.
          Na manhã posterior à morte de Alfredo, antes do funeral, seria realizada a reconstituição da cena, muita dor para àquela mulher, tão sofrida, que soltava suspiros de tristeza pelos quatro cantos da casa. A chuva continuava a cair abundantemente, o som do tamborilar dos pingos da água nas vidraças despertava Albertina dos seus devaneios. Logo, o silêncio foi quebrado pela voz grave do mordomo que anunciava a chegada de Miguel e da polícia técnica.
          - Dona Albertina, o senhor Miguel já chegou e deseja vê-la.
          - Pode mandar entrar, por favor! Respondeu-lhe quase chorando.
          Todos aqueles acontecimentos causavam muita dor e sofrimento para Albertina, que se sentia usurpada, uma invasão de privacidade em sua vida. De repente, várias pessoas ocuparam os diferentes cômodos da sua residência, como também fazendo perguntas impróprias para ela, com teor maléfico. O pior momento daquela situação foi quando um policial perguntou para ela se o falecido era canhoto. A pergunta foi a gota d’água para Albertina que ficou tonta, não controlou o stress, e caiu desmaiada no chão da sala. Despertou já em seus aposentos, poucos minutos depois, ainda atordoada pelo enxame de perguntas mal intencionadas. Mais uma vez o silêncio foi quebrado, agora, pela voz firme do jovem Miguel.
          - Albertina, já está quase na hora do funeral. Estou aqui para acompanhá-la! Estão use preto para representar a sua dor!
         - Miguel, não seja tão sarcástico! Eu gostava de seu irmão e ele era muito importante para mim. Você melhor de que ninguém sabia que ele estava endividado e não suportava mais a pressão dos sócios.
          - Aplausos querida Albertina! Você sabe muito bem representar, é uma verdadeira artista, pois dormia comigo, quando o meu irmão viajava a trabalho, dizia me amar em nossas noites de luxúria, no aquecido do nosso ninho de amor, pois é à cama a nossa testemunha ocular, desse crime sórdido que você arquitetou.
          - Basta Miguel! Eu vou receber o seguro, vender alguns objetos e vamos embora daqui. Você sabe que te amo muito!
          - Albertina, tudo bem, eu vou retirar à queixa, para não ser preciso fazer a reconstituição da cena que foi adiada, hoje, por causa do seu suposto desmaio. Agora fique bonita que estarei te aguardando no carro.
          Miguel se afastou e seguiu em direção ao carro, procurava não ouvir os berros de Albertina que fingia chorar... O funeral transcorreu com muita comoção, pois lágrimas que escorriam dos olhos da viúva negra se misturavam com a chuva que insistia em não parar de cair, parecia até que era o choro do falecido.
      
Após o sepultamento, os policiais invadiram o cemitério, o delegado se aproximou da viúva e do irmão do falecido e disse-lhes:
         - Dona Albertina e Senhor Miguel, vocês estão presos pelo assassinato do senhor Alfredo Salazar. Vocês podem me acompanhar, por favor! O mordomo da casa procurou a nossa delegacia e mostrou um vídeo importantíssimo para elucidação do crime, onde à senhora atirava em seu falecido esposo na presença do senhor Miguel que foi o seu cúmplice na realização desse maquiavélico crime.
          Os tempos passaram... Albertina e Miguel foram julgados e culpados pelo assassinato e continuam presos respondendo pelo crime.

Elisabete Leite
 
 SORRISOS SEM RISOS

Foram tantos outonos matinais
Ah, tantas tardes sem o sol se pôr!
Muitos fevereiros sem carnavais,
Doces primaveras, sonhos de amor...

Tantos risos estampados no rosto
Carinhos, beijos e fortes emoções
O entardecer, as manias, os gostos
Uma saudade contida no coração...

Foram tantos invernos de solidão
E lágrimas que insistiam em cair
Um sol brilhante, porém sem verão...

Tantos lábios que não sabiam sorrir
Amor que sobreviveu por estações
E morreu na Primavera sem florir.

Elisabete Leite
 

POETRIX
Poema composto de título e uma estrofe de 03 versos (terceto), mas não confundir com o terceto, pois poetrix não é uma só frase dividida em 03 versos.
É variação do hai-kai (milenar japonês), mas de origem brasileira, criado pelo Poeta baiano Goulart Gomes.

FRANCISCANO
Dando recebemos,
consolamos ouvindo,
renascemos assis...tidos.

ALÍSIOS
E... ventos constantes
Amenizam a canícula,
Privilégio nordestino.

FAMÍLIA
Ancestrais ligações,
reencontros necessários,
resgates obrigatórios.

PROVAS
Resgate... ando,
Sigo vivendo,
Meu rumo... rezando

Rubens Barros de Azevedo
 
 Biografia
 
Rubens Barros de Azevedo, nasceu no Rio de Janeiro/RJ em 18/09/1937. Nos seus 82 anos é uma associação de disciplina e bom humor, dedicação e desprendimento, voluntário nato, esforço personificado em função de viver bem e melhor. Mentor e coordenador de eventos do Sarau Lítero Musical do Conselho Regional de Odontologia do RN - conhecido como Sarauterapia, desde 2004.
Preside a Sociedade Brasileira de Dentistas Escritores – SBDE. É membro permanente da comissão de organização do Congresso Sul Mineiro de Odontologia – COSMO, que se realiza há mais de 50 anos,
na cidade de Caxambu/MG. Titular da Academia Norte-Rio-Grandense de Odontologia. Graduado Cirurgião Dentista pela Universidade Federal Fluminense/1967, e nos seus mais de 40 anos de atuação clínica, oito foram exercidos em Portugal. Professor da Faculdade de Odontologia de Nova Friburgo, onde coordenou o Ensino e a Pesquisa.
Foi Presidente da Associação Brasileira de Fissuras Labiais e Palatinas/RN por 10 anos; hoje é Secretário da Associação de Pais e Amigos de Fissurados – APAFIS/RN. A sua forma de encarar as ações voluntárias como missão de vida, tem lhe rendido inúmeros títulos e homenagens, tais como: Homenagem por colaboração científica da Fundação de Ensino Superior e Centro de Ciências da Saúde Olinda/PE/1998; Honra ao Mérito e Troféu por relevantes serviços prestados à Odontologia Brasileira a Academia Tiradentes de Odontologia/2004 e ao Conselho Regional de Odontologia/RN/2005; Comenda Profª Lucy Dalva Lopes Mauro/2007; Honorário da Academia Caxambuense de Letras/MG; Homenagem da Câmara de Vila do Bispo/Algarve/Portugal. Já publicou 21 obras, entre as quais o livro Viver Melhor: É Possível? - 4ª edição. Nesta Coletânea se lança com nova proposta literária, e revela suas habilidades poéticas e cronicista. 


 ENCONTRO DE POETAS
  Eu sou assim...

Diariamente, me visto de Felicidade,
E me maqueio de Alegria...
Para ir "tocando" a vida sorridente,
Relevando as dores do dia a dia...

Brinco, sempre, com o que me faz sofrer,
Pois assim, minimizo a minha dor...
Uso isso, como escudo no coração,
Cansado, com o peso de tanto Amor...

Por isso, consigo sobreviver,
Me reinventando, todo dia, ao  acordar...
Minha Luz me suprindo de paz e Amor,
Reabastecendo, meu poder de Amar...

E assim, vou vivendo o meu viver,
Com a Poesia, como bálsamo, pra acalmar,
Meu Coração, já  cansado de sofrer,
Porém Feliz, de tanto se doar...

                 ❤️Tásia Maria
 
 DEVANEIOS NA PRAIA

Fui na praia e, observando o vai e vem das ondas, reencontrei nesses raros instantes da vida, uma calma íntima, um verdadeiro sentido de paz.
Meus próprios desenganos ou tristezas se afogaram em suas profundezas.
Observei um ponto distante, longínquo e fiquei pensando em  "VOCÊ ".
Seu vulto refletido nas águas verdes do Mar, vaguea disforme com as  ondulações frenéticas que a brisa marítima agita.
Volto a realidade .
De repente tenho a impressão de que a inquietude  das ondas, são mãos que me acenam trazendo- me lembranças singelas de você.
Por sobre as águas, como por encanto vislumbrei seu sorriso e escutei no sussurro do vento, sua voz envolvente a dizer-me:
__Como vai você ?
Estonteante e incontrolavelme ansiosa, voltei a ficar triste com o monótono soluçar das ondas que também choravam comigo.
 
Marizete Santos.
 

 
 CONSTRUINDO RIMAS

Escrevi um poema em tom de brincadeira
Um amigo boçal se atreveu a fazer
Arriscou-se nas rimas com boas maneiras
Mesmo sem rimas se arriscou a escrever.

Ficou divertido, quase uma obra-prima
Pareceu ser talentoso e ter potencial
Versos criativos, com estilo e rimas
Uma raridade poética, com primor especial.

Uma particularidade com humor e sabedoria
Acreditava-se ter carisma e talento nato
Construiu versos com estilo e categoria
Não é que o desajeitado escreveu exato
Foi como pousar certo para tirar retrato.

               Baltazar Filho
        07 de julho de 2021
 
Ver com coração
Vejo sem olhar seus olhos.
Vejo sem estar perto,
Vejo mesmo quando não estás,
Vejo-a todo o tempo.
Um verdadeiro  amor, nem sempre precisa estar junto fisicamente.
Mentes que amam estão sempre conectadas, mesmo na distância, por motivos necessários, viverão essa emoção sem se ver ou se tocar.
Viver, sem estar próximo do ser amado e senti-lo com tanta intensidade, é simplesmente Amar.

Sol&Lua.     
 Pirpirituba, 04/07/2021
 

Para minha Amada
Oh! minha amada!
Hoje meus pensamentos são seus.
Penso em seus beijos, seus lábios carnudos e famintos, sedentos de uma amor forte e quente.
Penso em você de todas as formas, me vejo totalmente alheio a realidade, me perco
em pensamentos
mais profundo.
Sentindo o pulso acelerar e um calor sem normalidade, aguça
minha mente ao imaginar seus beijos molhados e urgentes.
Ah! O seu perfume  entranhado em meus pensamentos gerando uma explosão de bem querer.
Sou tão apaixonado por ti, que vejo seus rosto e sinto tua presença em todo o tempo e lugar.
Você mexe com meu ser, com tamanha expressão que nem sempre sei discernir o  real  do inexistente.
Somente sei ser totalmente seu.
Amada minha.

Sol&Lua
Pirpirituba      
03/06/21
 
RECORDANDO 
 
 
  Freud  Explica
Enquanto Freud explica.

Enquanto Freud explica
Eu me estico na preguiça,
Com meus medos, meus temores,
Com meus erros e meus amores.
Eu só quero é viver,
Tomar minha cerveja,
Ficar maluco-beleza,
Beber do teu amor,
E nele sobreviver.

Enquanto Freud explica
Raul Seixas me indica
O caminho a percorrer.
É pegar O Trem das Sete,
É Tentar outra Vez,
Feito Metamorfose Ambulante,
É correr a todo instante,
É viver cada momento,
Num Sapato 36.

Enquanto Freud explica
A Mosca Cai na Minha Sopa,
Eu não tenho o que comer.
De repente eu me lembro
Do Cazuza e do Caetano,
“London, London” quanto engano,
Não quero entrar pelo cano,
Lanço-me ao abandono
Do teu corpo no meu sono.

Enquanto Freud explica
Eu me estico na preguiça.
E meu gibi eu vou lê.

Jorge S. Leite

Recife, 19-04-91
Ao som das músicas de Raul Seixas
E muitas e muitas Cervejas.

 Anos 90

Anos difíceis, ainda em São Paulo, com um pé em Pernambuco. Decisões, indecisões, tinha que assentar os pés em algum lugar que não fosse a alma, pois esta estava em frangalhos. Alguns meses antes tinha me separado de minha companheira mãe de minhas filhas, tinha separado minhas filhas. Família não é para se separar, e para estar junto, sempre. A vida nos apronta peças diariamente, algumas nem percebemos, outras nos transformam por inteiro. Transformar algo é mudar, é modelar, e nessas mudanças tantas coisas ocorrem, tantas coisas correm.

Anos antes surge uma Deusa, surge uma Musa de olhos de cor de esmeraldas. Um amor impossível, pois não era fadado para estarmos juntos, nesse momento. Possivelmente uma dobra do tempo nos colocou em um momento que não era esperado, eu tinha meu caminho a seguir, ela tinha seu caminho a seguir. Segui meu caminho, seguiu seu caminho. Destino.

Noite antes de voltar para Recife, pelo telefone, minha filha chorava e implorava “não vá pai, fique com a gente”. Mas outra filha já estava no Recife, “Pai, quando você vem, não tá bom aqui sem você.” Partido parti, pedaços de minha alma ficaram, outros tantos se foram, e inteiro jamais fiquei.

Três filhas, duas ficaram em São Paulo, hoje já donas de suas vidas. Outra filha veio para Recife. Ficou pouco tempo, retornou para São Paulo – Florianópolis e o Mundo. Hoje na Indonésia. Continuei no Recife, tinha um caminho a seguir, nem sei mais qual. A vida nos prega peças sempre.

E foi nessa época movimentadíssima que fiz a poesia acima. Se cada poesia nossa, se cada conto nosso tem uma história; essa é a história de “Freud Explica”.

Jorge Leite
Recife, 16/06/2018.
 
 Serigrafia de Fábio Marinho
 Estação de Trem

Estação de trem,
Uns partem, outros vêm.
Quem?

Corpos esquartejados,
Suados, malcheirosos,
Um pouco de perfume francês
Comprado nas calçadas e
Galerias da Prestes Maia.
Alguns olham para o céu,
Outros olham para o chão.
As pálpebras cansadas tentam fechar.
Os olhos embaçados querem chorar.
Lágrimas não têm;
Na estação de trem,
Uns partem outros vêm.

Corpos feios, moídos, perdidos.
Sonham com um colchão,
Um caixote, um caixão.
Sonham com um amor que não vem.
Sonham com a alegria,
E só tristeza eles tem.

A moça bonita, tão feia!
Seus cabelos grudados
Não valem um vintém.
Seu corpo suado só feridas contem.
Feridas que sangram,
Que queimam, que marcam,
Que lembram que um dia
Pensou que seria
Uma esposa somente,
Contente em seu lar.
E um amante impotente,
Nem isso terá.

O menino pivete
Esperando dar o bote,
Que sorte, ninguém percebeu.
Seus olhos brilharam,
Seu corpo dançou,
Quando a mão traiçoeira
Uma corrente levou.

A menina criança,
Com seu dente de leite,
Entrega seu corpo,
Sua alma, sua fé,
Ao deleite de homens,
Em troca do nada,
Do pão que o diabo,
Um dia amassou.

O velho encurvado,
Sentado, coitado,
Espera também.
Sua boca sem dente,
Espera contente,
Espera à sorte,
No vagão de trem.

E lá na estação,
Na estação de trem,
É a vida que parte,
É a morte que vem.  

Jorge Leite, São Paulo - Recife, anos 90.
 
 

Imagens das seções Leitura de Domingo e Encontro de PoetasMargaridas

Imagens da seção Recordando: Blog Maçayó de 16/06/2018

 

domingo, 11 de julho de 2021

Livro de Poesias

 
 EDIÇÃO Nº 451
 
  ENCONTRO DE POETAS
 
      Luiz Menezes de Miranda, poeta baiano, coordenou o Projeto Fala Escritor/BA, foi Diretor do Círculo de Estudo Pensamento e Ação/BA - CEPA. Participante em 16 antologias. Autor do livro Cabaré. Participou do XIII Parlamento Internacional de Literatura, Cartagena de Índia/Colômbia/2015. Psicólogo de formação. Colaborador Cultural do Projeto Reviver presente no Livro Reviver Coletânea Literária/2020
 
 
 
 DIFERENTE
De: Luiz Menezes de Miranda

Quanto mais vivo a vida,
Sinto-me mais existir,
Nas coisas de Deus.

Quanto mais existo,
Sinto-me mais filho dele,
Assim sou muito mais paz

Quando mais me vejo amigo,
Sinto-me muito mais irmão.
Quando pensam na guerra,
Sinto-me muito mais amor.

Quando mais me vejo nó
Sinto-me muito mais laço.
Quando mais braços longos,
Sinto-me muito mais abraço.

Quando mais me vejo longe,
Sinto-me mais saudade
Assim, o viver faz de mim,
Ser, um ser diferente.

Sou possuidor do dom
E da capacidade inerente.
No que a vida possibilita

Meu saber viver é assim,
Transforma, reforma.
Traz proximidade
Do meu, simples ser,
Em um ser, diferente!
 
Mais Poeta
De: Luiz Menezes de Miranda

Fotografar-me,
é a forma, mas fácil
de me escrever em poema.

Na minha própria imagem,
eu consigo captar o que existe
na essência dos meus versos.

Cada flash é uma revelação,
se não pôde ser escrita,
pode fotografada.

Quando eu me fotografo,
eu me apaixono,
não só por minha imagem,
mas também pelo momento
que me inspiro.
Assim, me sinto mais poeta.

Extraída do livro REVIVER COLETÂNEA LITERÁRIA – 2020
 

 
     Cecília Cavalcante é mineira de nascença, mas foi em Natal que passou boa parte de sua vida e criou raízes. Atualmente vive na Suíça. Formada em Letras e especialista em Leitura e Literatura, tem uma vasta lista de obras revisadas em seu currículo. O fazer poético surgiu ainda na adolescência. Desde então, não parou mais. Tem vários poemas espalhados redes sociais, especialmente no perfil do Instagram @cecilianear. Tornou Colaboradora Cultural do Projeto Reviver e através da intermediação da ONG participa da Antologia Poética – Poesia Prolífica em edição pela Editora Dríade. Filha de Pai escritor cordelista, poeta traz no sangue a sensibilidade de uma poetisa nata que teve a oportunidade de exercitar a habilidade da escrita desde sempre.
 
 Clemência
De: Cecília Cavalcante

Aceite minhas generosas desculpas
Digo a mim mesma
São do fundo do meu ser
Eu só quero que você volte
De onde você nunca deveria ter saído

Você me deixou
Me largou no mar de águas vazias
E eu só queria flutuar no mar de flores
No teu jardim que sempre foi vistoso
Eu só queria atenção
Pra te ter de volta

Dá a volta, moça
Vem pra cá
Recomeça
E aceite minhas generosas desculpas.
 
Providência divina
De: Cecília Cavalcante

Tu não esperavas
Nem eu
Nem ninguém

Aliás, só o bom Deus
De tudo sempre soube
Que horas a hora tem
Que tempo que as coisas vem

Hora de criança chegar
Pra tua vida embalar
Ensinar e aprimorar

Tua hora tá chegando, criança
Para enfeitar tua mãe
Igual adereço de cabelo
Que muda o rosto
Muda a moldura e a postura

Criança vem simbora
Vem deixar tua mãe
Com mil adereços no cabelo
Ela precisa de ti
Diz o Deus que tudo sabe
Que tudo providenciou
E Ele afirmou:
Já vingou!
 

 
      Marisa Alverga Cabral, nasceu em Guarabira-PB. É formada em Letras pela UEPB. Tem oito livros publicados, e tem poesias traduzidas para o inglês, francês, espanhol, grego e chinês. Filiada à UBE. Atualmente Presidente da Academia de Letras do Brasil de Santa Catarina – Seccional – Guarabira – PB.
 
 
 
 
DE TUDO UM POUCO
Já vi
Justiça que não faz justiça
Polícia que não policia
Educador que não educa
Amigo que não é amigo
Governo que não governa
Legislador que não legisla
Administrador que não administra!
- Esqueci alguma coisa?
- Ah, sim!
“PODER QUE NÃO PODE...
NÃO É PODER!”

Marisa Alverga
Guarabira PB.
 
PESADELO
 
Estavas no caixão, sereno e lindo
Aureolada a fronte, o olhar incerto
Estranho leito de flores coberto
Mais parecias um anjo dormindo.
Fiquei ali o teu sono a embalar
Naquele doce “dorme-dorme, filhinho”
Eu cantava pra você, Geraldinho
Uma doce canção de ninar.
De repente, a dor, a saudade, a revolta
Esqueci a canção de ninar
Canei o amor, esqueci de rezar
E fiquei a esperar tua volta.
E me lembrei do porquê da revolta
Da minha dor e também da saudade
É que estando na eternidade
Nem mesmo Deus pode me dar você de volta!

Marisa Alverga
Guarabira PB.
 
  Cantinho da Tia Beta
 
 UM SONHO DE CRIANÇA

         
          Carlinhos era um garoto sonhador, mas muito triste. Ele vivia com sua mãe e desconhecia a identidade do pai. Eles moravam em um assentamento de SemTerra, próximo a uma cidade interiorana no Nordeste. Sua mãe andava muito doente e, infelizmente o garoto precisava trabalhar para ajudar nas despesas diárias, com alimentação e remédios para ela. Carlinhos queria ter uma vida diferente, para poder aproveitar o seu tempo de infância: Estudar, brincar, conviver com os amiguinhos, fazer tudo que uma criança na idade dele costumava fazer. Pois, para ele, ser criança era aproveitar todos os momentos inesquecíveis com muita alegria. Mas, o menino não aproveitava essa etapa tão importante da sua vida. Precisava ser um adulto em um corpo de criança.
Todas as manhãs era a mesma rotina, o garoto acordava muito cedo, quando a Lua ainda brilhava no céu, para executar seu ofício diário. Ele seguia pela entrada esburacada, em companhia das estrelas que cintilavam no céu e o luar que iluminava o seu caminho, até o local de destino. Quando o sol começava a resplandecer, ele finalmente chegava ao Posto de Gasolina onde vendia pipoca e água mineral para os clientes que iam abastecer seus carros e caminhões. Lá permanecia até o anoitecer, quando retornava para casa, com o corpo cansado, mas com o dever cumprido. Porém, antes ele passava na pequena mercearia e comprava pão e leite para levar para casa. Como qualquer outra criança, ele tinha um sonho: “Queria passar momentos felizes em um Parque de Diversão.”
          Certo dia, chovia muito naquele lugar e, o clima estava tempestuoso. Carlinhos saiu mais tarde, pois ele ficou preparando o café da mãe, e como o tempo estava escuro perdeu a noção das horas. Logo, percebeu que sua mãe ainda não havia acordado, ele levantou o lençol que dividia a sala em dois cômodos e, se aproximou dela, e disse-lhe:
          - Mãe, a senhora está bem? Por que, ainda, continua deitada? Vou buscar um pouco de café, para a senhora tomar seus remédios.
O garotinho já ia saindo, quando sua mãe disse-lhe:
          - Meu filho, não estou me sentindo muito bem! Acho melhor você não sair de casa.
         Carlinhos ficou olhando para sua mãe que permanecia deitada, em um sofá velho, sem conforto algum; ele fitou àquela senhora sofrida, e responde-lhe:
          - Mãezinha, não temos mais açúcar, pó de café e nem ração para os animais. Eu preciso vender pipoca para trazer os mantimentos que estão faltando. Eu prometo-lhe voltar mais cedo. A senhora fica descansado e não se levanta.
          O garoto trouxe um copo com café para sua mãe, e saiu em seguida. Ele tinha pura tristeza em seu olhar, pois que não queria deixar sua mãe sozinha, mas precisava. Raios riscavam o céu de um canto a outro e a lama comprometia a correria do menino, para chegar mais rápido ao local de destino. Chegando ao Posto de Gasolina, de longe ele percebeu que já havia muitas pessoas circulando por lá. Ele se aproximou de um caminhoneiro, e foi logo perguntando:
          - Senhor, quer comprar pipoca e água mineral para me ajudar?
          - Menino, você não tem idade para trabalhar! Estou sem dinheiro trocado, mas bem que eu gostaria, de um copo d’água, para aliviar minha sede, seria um oásis nesse momento. Responde-lhe
          - Eu preciso trabalhar, estou com minha mãe muito doente e, não tenho pai. Moço, não tem importância pelo dinheiro, o senhor pode aliviar sua sede; a água está bem geladinha. Disse-lhe o garoto, quase chorando.
          O homem segurou a garrafa e tomou de um gole só, e depois pegou uma pipoca e saiu comendo tranquilamente. Logo voltou, olhou fixamente para Carlinhos, colocou sua mão no bolso direito da calça e tirou uma nota de Vinte Reais, e falou:
          - Pensando bem: tome esse dinheiro! Não precisa me devolver o troco.
         Olhou firme para o garoto, e continuou falando:
         - Jovem, você gosta de Parque de Diversão? Sou dono do Parque, Criança Feliz, que fica aberto aos domingos. E como cortesia, pela sua gentileza e pureza de coração,  deixarei um ingresso com entrada franca para você e um acompanhante nesse domingo. Traga um amiguinho e venha se divertir conosco. E depois deu um ingresso ao garoto. O menino ficou emocionado e pôs-se a chorar! Carlinhos não conseguia conter suas lágrimas de emoção. Era tudo que ele mais queria, ser criança, por um dia... O garoto entrou no barraco aos gritos:
         - Mamãe, a senhora está bem?
         - Estou bem, meu querido! O que houve? Disse-lhe sua mãe.
         - Encontrei um homem que me deu um ingresso, com direito a um acompanhante, para brincar no Parque de Diversão dele. Disse-lhe sorridente.
          Sua mãe viu o sorriso estampada no rosto do filho, ela ficou surpresa, pois o garoto nunca sorria. Ela mandou ele procurar Miguel, o filho da vizinha, para acompanhá-lo...
          Chegou domingo, o dia do passeio ao Parque de Diversão. Carlinhos e Miguel saíram cedo, e a mãe de Miguel foi os acompanhando até o local do evento... Os olhos das crianças brilhavam de tanta alegria, quando eles avistaram o Parque. Os garotos ficaram paralisados em frente ao portão, fascinados pelo cenário. O silêncio foi quebrado, pela voz de um senhor, que gritava:
          - Meninos, podem entrar por aqui.
          Era o mesmo homem do Posto de Gasolina, o dono daquele Parque, que continuou falando:
         - Garotos, vou colocar uma fita amarela no braço de cada um, que dará livre acesso em tudo.
         O Parque parecia simples aos olhos de qualquer outra pessoa, mas para os meninos era um sonho de criança. Eles queriam brincar em todos os brinquedos: na Roda Gigante, no Carrossel, na Barca, no Trem Fantasma, assistir ao espetáculo da Monga (mulher que vira gorila), entre outros. Logo, pararam em frente a barraca de Tiro ao Alvo e, Carlinhos acertou um ursinho de pelúcia. Foram na Roda Gigante, no Trem Fantasma e no Carrossel, eles queriam galopar suspensos no ar, e foram ao delírio na hora da Montanha-Russa, o que importava era a diversão. E por fim, saborearam: Cachorro-quente, pipoca, sorvete e algodão doce. Os garotos se sentiram realmente crianças!
Era noite quando o dono do circo anunciou que o parque ia fechar. Logo, as luzes se apagaram e todos foram embora.
O tempo passou... Carlinhos cresceu rápido, sua mãe se recuperou da doença e eles foram felizes.

.
Elisabete Leite
 
DOCE INOCÊNCIA

Entre a realidade e a fantasia
A criança viaja pelo seu mundo
O Universo de sonhos e magia
É agradável, colorido e fecundo...

Doce inocência que tinge a vida
Onde imaginação voa no tempo
Escolhendo a sua cor preferida,
Vai colorindo o seu passatempo...

Letras se juntam e formam Amor
Uma palavra doada por gratidão,
O Branco se une ao colorido da flor
E a pureza fica dentro do coração...

Criança acredita em lendas e fadas
Até no palhaço que sorrir de alegria
A criança quer ser feliz, bem amada
Na simplicidade ela enxerga Poesia.

Elisabete Leite
 

 LEITURA DE DOMINGO
 
 Rondel
APAIXONADO PELO SAMBA
Samba suave, num compasso envolvente
A façanha de um sambista muito estiloso
Sincronismo, firmeza no corpo e na mente
Deixa o sambista vislumbrado e orgulhoso

Samba com paixão, mostra que é potente
O boêmio fica envaidecido e pomposo
Samba suave, num compasso envolvente
A façanha de um sambista muito estiloso

Livre e solto vai sambando sensualmente
Exibindo-se num samba-canção fabuloso
Nos pés, um sapateado muito inteligente
Malandramente torna-se destaque exitoso
Samba suave, num compasso envolvente.

                   Baltazar Filho
              02 de julho de 2021
 
 DORES ABAIXO DA PELE

Nem sempre nossas vestes
Nos esquentam
Nem sempre nossa alma
Nos reveste
O sangue está debaixo da pele
Mas, é ele que nos alerta
Que algo está errado
Em nossos corpos celestes
- Casacos também sentem frio!

Gabriela Mota
João Pessoa PB.
 
 TENTARAM MATAR O AMOR

Em uma sexta-feira
Tentaram matar o amor
Tudo foi feito para destruí-lo!
Porém, esqueceram que o AMOR é imortal.
E ele foi:
Ferido
Cuspido
Machucado
Furado
Negado.
O amor foi crucificado, morto e enterrado
Mas, por ser amor
Ressuscitou e vive no meio de nós
Ele vive em nós.

José Neto
Pirpirituba PB.
 

 Ninho Vazio

Como é pesado esse Ninho tão  Vazio!
Como machuca essa ausência, esse abandono...
Principalmente, porque acontece numa fase,
Em que, já velhos, vamos nos fragilizando...

Quando se é jovem e se forma uma família,
Ninguém tem tempo de pensar que vão embora...
Que filhos crescem, casam ou não, mas vão pro mundo
Cada um, sempre, procurando suas melhoras...

E nós  torcemos pra isso tudo acontecer,
Pois aprendemos  que os criamos pro mundo
Mas, à  medida que isso vai acontecendo,
Nós afundamos em sofrimento profundo...

É uma mistura de sofrimento e prazer,
Saber que estão realizados e felizes...
E nós em casa em fase de aposentados,
Com as almas cheias de lembranças e cicatrizes...

Como é cruel, ficar com o Ninho Vazio!
Principalmente, se os filhos moram distante...
Cada um deles levou pedaços de mim...
E eu fiquei como meu Ninho...um Vazio constante!

            ❤️Tásia Maria
 
 EU E VOCÊ

EU SOU o pôr do sol,
Que morre ao cair da tarde.
Nas esferas siderais.
VOCÊ É a estrela vespertina,
Que brilha e que domina
As alturas divinas.

EU SOU a imaginação tardia
Que durante todo o dia
Espera um pedido teu.
VOCÊ É o símbolo do meu pecado
Que se erguendo acanhado
Se foi e me esqueceu.

EU SOU a lágrima perdida
que na face silenciosa, desliza
E em gotas caem ao chão.
VOCÊ É o  sorriso cativante
Que embala os amantes.
Unindo num só coração.

EU SOU a nuvem que se esvoaça.
Que se eleva nas alturas
Em rumo incerto e voraz.
VOCÊ É o vento que açoita
A esperança já morta
Nos embalos,
das auras celestiais.

EU SOU...basta!
Talvez eu seja louca,
Que soluçando a esmo
Nas ânsias de uma paixão.
VOCÊ É o bálsamo das minhas dores.
E sem você meu amor.
A vida não tem razão.

Marizete Santos
 

 

domingo, 4 de julho de 2021

Um Domingo Solidário

  EDIÇÃO Nº 450
   ENCONTRO DE POETAS
 
Tásia Maria Vilar Furtado, nasceu em Natal no dia 28/05/1951. Influenciada por amigos e pelo seu pai interessou-se pela música e literatura desde os 7 anos, encantando-se pela poesia desde então. Dedicada Fisioterapeuta, mas sem deixar a arte, especialmente a literária, contudo só após os 68 anos decidiu publicar seus trabalhos estimulada pelo Projeto Reviver do qual é Colaboradora Cultural, participou do “Reviver: Coletânea Literária”, e posteriormente de diversas antologias, inclusive da Editora Dríade. O mais breve possível pretende lançar o seu primeiro livro solo.


Ser Feliz
De: Tásia Maria Vilar Furtado
 
Ser feliz é um estado de ser...
Não  precisa acrescentar nada, só se é!
E esse estado, está na alma
Para todos os efeitos,
Pro que der e vier...

Sublimando sofrimentos,
Acrescentando poesia , música, encantamento...
Sentindo a essência plena da vida,
Sem nenhum tormento...

Ser feliz é distribuir felicidade...
Doar o que está sobrando em você,
Sentindo a plenitude desse dom
E se realizando em pode-lo fazer...

Consegui esse feito, apesar dos percalços...
Pois descobri, finalmente,
Que a felicidade  procurada fora,
Está  dentro da gente!
 
CABELOS BRANCOS
De: Tásia Maria Vilar Furtado

Como são lindos, os meus cabelos brancos
Longos e lisos esvoaçando ao vento...
Trazem lembranças de muitos anos idos,
Neles se embalam tantos sentimentos!

Quantas histórias estão guardadas neles,
Tempos felizes, outros de paixão,
Memórias lindas que não esqueceremos,
Pois estão guardadas no cofre do coração.

Gosto de vê-los e senti-los ao rosto,
Como a lembrar-me do quanto já vivi...
De quantas coisas já fiz na vida,
De quantas lágrimas e o quanto já sorri.

E hoje, em fase de mais calmaria,
Eu vou vivendo com os louros que colhi,
E admirando os meus cabelos brancos,
Como troféus da vida que venci.

Extraída do livro REVIVER COLETÂNEA LITERÁRIA - 2020


Marizete Santos, nascida  na cidade de Campina Grande/PB reside em Natal/RN, trazendo da infância cercada de alegria junto a sua numerosa família uma vitalidade, rica de esperança de um novo amanhecer rico de otimismo, fraternidade e amor.
Ainda adolescente começou a rabiscar seus poemas e revelou sua capacidade sonhadora, e o que ela chama de “fantasias imaturas” compôs o primeiro livro de uma jovem que anseia pela concórdia das gerações. Mulher de fibra  forte,  expande  sua  fé,  seu  amor e sua esperança nos seus cânticos de paz, transmitindo em seus poemas divergências e ternura, sem contradições, cultivando o gênero romântico. Como compositora entrega-se de corpo e alma as vibrações da música. Participa de Antologia Shogun  Editora e pela Crisalis Editora do rio de janeiro. Para a poetisa Marizete Santos “O tempo é um forte tranquilizante...Capaz de assinalar em nossas vidas, momentos calmos e pacíficos”.

NA ESTRADA DA VIDA.
De: Marizete Santos

Em exato e provável momento,
no friso do tempo.
Sofrimentos...
E lembranças espinhosas.
Depois de tanta ausência,
fragmentos de uma vida.
De quem se deixou ser,
nesta  como em outras lutas;
seu corpo incapaz de vencer.
E lá se vai, a enfrentar mais um dia...
Ocultar em véus escuros e soluçar tantos.
Lançará um olhar ao relento, e dirá:
__ Que vazio restou do mundo
Como é desesperado o crepúsculo!
Acima de mim, o céu não me compreende.
E olhando a terra  movimentar-se,
observando um ar de mistério;
por motivos circunstâncias...
Com um olhar frio e um ar de dúvida, pensará:
__ Não há de ser nada!
Eu olho e vejo a minha estrada,
que vai em busca de um ideal.
Foi contigo que sonhei um dia.
Que nesta longa estrada eu ia,
esquecida de meus desenganos,
queria ter; somente vinte anos...
Para viver mais tempo comigo.
A cabeça encostada em teus ombros.
Teus braços robustos me envolvendo.
Não pensar, é matar meu pensamento.
E todo instante perdido, é um sofrimento.
Por isso digo neste momento:
__ Tu não és um sonho!
És a existência.
Não importa o que eu diga.
O meu maior medo, é que não me ouças.
E no entanto, se tiveres me ouvindo diga:
__ Neste caminho, com as mãos entrelaçadas.
Caminhar ao sopro dos ventos e na lida.
Seguiremos juntos...
Na longa estrada da vida!

Cantinho da Tia Beta
 
   UM EXEMPLO DE GRATIDÃO
 
         
Era inverno, a estação mais aconchegante do ano, o frio estava penetrante como nunca visto no interior do Nordeste. Emília, uma garota sonhadora, que morava em um casinha simples, mas bem acolhedora, cercada por um jardim florido. Ela fechou o livro que estivera lendo e foi se deliciar com sucrilhos ao leite morno, com nozes e frutas, pois a garota gostava de se alimentar antes de dormir. A terra passava por um período nefasto, a Pandemia da Covid-19, trouxera muita insegurança para todo mundo, mas a natureza parecia não se abater com as influências externas, e o cenário continuava encantador; a garota morava sozinha, não tinha família, e vivia constantemente reclusa em seu lar. A jovem olhou pela vidraça turva da janela e observou que chovia intensamente, logo ficou a imaginar o cenário lá fora. O silêncio foi quebrado pela campainha que soava, insistentemente. Emília ficou temerosa, mas colocou um agasalho, máscara de proteção e foi atender à porta. Foi quando presenciou uma cena muito triste, viu uma jovem senhora com uma criança de colo, totalmente encharcadas, em sua frente. Ela observou que ambas usavam máscaras e pareciam pessoas distintas, quebrou o gelo, e falou:
          - Senhora, posso ajudá-la?!
          A jovem senhora olhou firmemente para Emília, e respondeu-lhe:
           - Olá, sou Raquel! Estamos precisando de abrigo para pernoitar. Meu carro quebrou logo aqui, meu celular descarregou e minha filhinha está morrendo de fome e frio. Então, observei que havia luz acesa na casa e resolvi arriscar.
          Emília sabia do risco que poderia enfrentar, mas não queria deixar mãe e filha ao relento, ela precisava abriga-las sem pensar nas consequências. Conhecia as normas de distanciamento social, porém aquele fato, era um caso especial.
           Emília colocou um sorriso no rosto, e falou:
           - Olá, sou Emília! Sejam bem-vindas! Podem entrar! Ali tem álcool em gel!
          Raquel agradeceu e entrou em seguida, a garotinha ficou chorando baixinho, provavelmente faminta. Depois dos esclarecimentos, devidas explicações e minuciosas apresentações, a jovem Emília alojou mãe e filha no quarto dela.
          (...) Logo depois, ela deu roupas limpas e secas para ambas, e foi preparar uma comida saudável e gostosa. Quando mãe e filha já estavam bem alimentadas e aquecidas, era o momento certo para Emília descansar. Então, ela foi deitar no sofá da sala, e logo adormeceu tranquilamente...
          Quando amanheceu o tempo estava favorável, clima agradável, sol aberto e poucas nuvens circulavam pelo céu. Até um arco-íris apontou por trás do resto de neblina e coloriu o horizonte. Parecia até que Deus estava retribuindo toda generosidade da jovem Emília, deixando o sol resplandecer com um largo sorriso. Como se fosse uma troca de gratidão! A garota se sentia feliz pela sua tamanha generosidade. Após o desjejum matinal, Emília ficou cuidado da criancinha, enquanto Raquel foi providenciar o conserto do carro. Quando o automóvel ficou pronto, as visitantes foram embora e tudo voltou completamente ao normal.
           Certo dia, Emília estava no sofá da sala, sonhando acordada, quando repentinamente a campainha tocou e um motoqueiro entregou-lhe  um ramalhete de flores silvestre e uma encomenda. Havia um cartão bem escrito, que dizia: "Querida Emília, quero agradecer-lhe pela sua hospitalidade, generosidade, acolhida e doação. Receba minha eterna gratidão e apreço, seguem pedacinhos de mim nas pétalas das flores, como prova de amizade, e nos bombons o carinho da minha filhinha. Gostaria que você viesse nos visitar, segue meu endereço em anexo. Da amiga Raquel e família."
          Os tempos passaram... Emília e Raquel se tornaram grandes e inseparáveis amigas, e Raquel considerava Emília como uma verdadeira irmã.
          Meses depois, a jovem Emília precisou fazer uma pequena cirurgia de emergência, e foi Raquel quem tomou conta dela até ela se recuperar totalmente. Assim, Emília com a sua generosidade ganhou uma nova família e nunca mais se sentiu sozinha.
           Doação e Gratidão são valores essenciais nesses momentos difíceis de Pandemia, enquanto o medo e a insegurança não acrescentam em nada na qualidade de vida do Ser Humano, são altamente destrutivos. Ninguém é uma ilha! Aqui não estamos sozinhos.
Quanto mais se doa, mais se recebe.

Elisabete Leite

 AMOR E DOAÇÃO

Abra o umbral do teu coração,
Deixe o Amor entrar e florescer
No solo fértil das nobres emoções
Ele vai ampliando o seu crescer...

Vá liberando as amarras do teu Ser
Soltando os salutares sentimentos
Que logo tu'alma irá resplandecer
E iluminará os insignes momentos...

Permita-se transbordar de Amor
Mas, o Amor fraterno, sem intenção
Amor doação, genuíno e acolhedor
Que fortalece o tic-tac do coração...

Germine a esperança em tua vida
A Fé até faz o impossível acontecer
Cura dores, acalma a alma dolorida
Vá doando Amor sem esperar receber.

Elisabete Leite
 

 LEITURA DE DOMINGO
 
 TERRA SOFRIDA VIRA ROCHA

Solo seco maltratado
Terra rachada e sofrida
Chuvas que tardam a cair
Prato emborcado sem comida

A terra grita com a quentura
Sem uma gota d'água no chão
Sem inverno não tem lavoura
O tempo não muda de estação

Joelhos curvados e mãos postas
Olhares pro céu no alto as mãos
Escutando o solo dobra as costas

A terra escuta o acelerar do coração
Seu pedido com devoção é renovado.
Cai a chuva, chove, chora na plantação.

                Baltazar Filho
          21 de junho de 2021
 
 UM SILÊNCIO NO CÉU

Um silêncio, o céu aquietou-se no firmamento, dormiam as nuvens.
Podíamos assistir o encantamento da aurora boreal.
O céu perdia o seu azul, as nuvens descansavam, os anjos tocavam as trombetas e no espaço espalhava-se um aveludado véu.
O céu em sua magnitude espalhava-se com o vento e uma linda garoa chuviscava fazendo o tempo chorar.
Senti o semblante da natureza  se desfigurar, as vestes azuis no céu se espalhar provocando as chuvas.
E a meteorologia acelerar a caída das águas, embelezando as nuvens, nuvens azuis, obrigando a natureza de emoção chorar.

                 Baltazar Filho
          14 de junho de 2022
 
 Meu eu, poeta
Sou um poeta louco.
O qual não se atenta, nem se apega a futilidades,
ou coisas banais.
Gosto de levar a alegria e diversão, conduzindo paz com sutileza.
Trazendo comigo a tranquilidade das emoções perdidas,
a felicidades naquilo esquecido.
O amor em tudo que vê.
Sendo apenas:
Um louco poeta!

Sol&Lua
Pirpirituba
24/06/21

Meu nome
Me chamo
Coragem
Força

Gentileza
Bravura.
Às vezes me chamo desaforo,
Atrevimento.
Me chama teimosia, porque viver é um ato resistência.
Me chamo
Empatia
Generosidade.
Me chamo euforia, intensidade é meu sobrenome.
Me chamo
Carinho
Paixão
Paciência.
Me chamo mãe, maternidade, uma dádiva a mim confiada.
Me chamo MULHER.
Flor e espinho.
Lágrima e sorriso.
Mais acima de tudo, exemplo de valor e Amor

Sol&Lua
Pirpirituba 19/06/20 às 01:45
 
 FILHOS DOS VERSOS

Cada palavra é  escrita com emoção
Alimenta nossa alma e o nosso coração
Cada verso transforma nossa vida
Vira filhos da alegria gerados com exatidão
Toca suave e acalenta os  desejos
São nossos filhos e filhas sem raça e nem cor
São nossas poesias que a nossa inspiração gerou
Um ventre chamado coração
Que o nosso Deus abençoou
E o universo com carinho consagrou.

Rita de Cassia Soares
Pirpirituba 05/ 05/ 2021

O Pingo

Bichinho abusado e insistente
Fica batendo na panela
Bem pertinho da gente
Desse da goteira do telhado
De madrugada deixa
Qualquer um intediado
Eu enrolado no lençol
Feito um pinto
Embaixo da galinha
Faço de conta estou
A ouvir uma nota musical
Mesmo assim, ouvir uma  música
Se repetindo a todo instante
É um tédio,
Pingo tem pena de nós.

Emiliano de Melo
Guarabira 30/06/2021
 


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