domingo, 26 de setembro de 2021

As Cores da Primavera

 EDIÇÃO N º   462
 Tema  das  Imagens:  As   Cores   da   Primavera

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
LEITURA   DE   DOMINGO
 
 A GAROTA DO SINAL

           Início de Primavera, sol radiante, ventos amenos e cenário colorido, mas para Emília todos os dias eram sempre iguais: tristes e acinzentados. Garota bonita de olhos negros e cabelos encaracolados, porém vivia escondida por trás de um semblante sério e sofrido, porém tinha um coração generoso. Menina que despertou muito cedo para o trabalho e a dureza da vida, queria concluir o Ensino Médio para oferecer aos irmãos uma situação de vida melhor que a dela; precisava trabalhar pois que sua mãe estava muito doente, e vivia constantemente em cima de uma cama. Seus irmãos, os gêmeos Júlio e Túlio cursavam o sexto ano do Ensino Fundamental, e para Emília garantir os estudos deles, precisava se desdobrar. A garota trabalhava duro em plena pandemia da Covid-19, vendia máscaras de tricô em um sinal próximo à escola que estudava, em horário contrário ao das aulas. E na sala de aula, além de aprender os conteúdos programáticos, vivia tricotando as próprias máscaras que vendia, belos acessórios em cores variadas; os professores permitiam já que sabiam do histórico da adolescente.
          Certa manhã, Emília chegou cedo ao local de trabalho, no sinal de sempre, veio vestida de esperança, usava verde para simbolizar o que sentia: vestido simples, sandália rasteira, um lenço prendendo suas madeixas, uma máscara em tom verde-limão e sua cesta com os acessórios, ela estava pronta para seu ofício diário. A garota sentiu que alguém a observava, levantou o rosto e viu um carro verde parado, aguardando o sinal abrir. De repente, um rapaz se aproximou do automóvel e anunciou o assalto, um grito no ar, e logo depois o homem saiu caminhando normalmente, carregando uma bolsa feminina,  enquanto uma senhora ficou dentro do carro gritando por socorro; o movimento de coletivos não estava intenso, e Emília não pensou duas vezes, o sinal abriu, mas ela correu para ajudar à senhora; entrou no carro, viu que a vítima não tinha ferimentos, e a orientou a estacionar mais à frente, em um local seguro. Já em segurança, Emília quebrou o silêncio:
            - Sou Emília, a senhora está bem?!
            A mulher, ainda muito nervosa pela situação formada,  olhou diretamente para Emília, e respondeu-lhe:
           - Sou Antonieta, estou insegura, mas bem! Que coincidência, sempre a vejo neste sinal vendendo máscaras de crochê.
           - De tricô, porque tem maior elasticidade, são forradas e muito seguras. Respondeu-lhe Emília.
           As duas ficaram conversando para minimizar os danos do assalto. Logo depois, um policial se aproximou e devolveu a bolsa que já havia sido recuperada, e a mulher agradeceu. Assim, tudo voltou ao normal. A jovem Emília continuou vendendo suas máscaras, como se nada tivesse acontecido, até o início do turno das aulas...
           Em uma manhã como outra qualquer, Emília estava aguardando o sinal fechar quando ouviu alguém chamando por ela: "Emília, aqui!"
A garota olhou para o outro lado, viu um carro verde estacionado, e logo percebeu que era Dona Antonieta, a mesma mulher do assalto no sinal, e correu ao seu encontro, e falou:
           - Dona Antonieta, que prazer revê-la! Tudo bem?
            A senhora sorridente olhou para ela, e disse-lhe:
            - Emília, o prazer é todo meu! Estou bem, e vim especialmente para falar contigo. No dia do incidente não tive condições de falar contigo, mas agora posso.
            - Então, pode dizer! Respondeu-lhe a garota.
            Dona Antonieta olhou carinhosamente para Emília, e continuou falando:
           - Emília, eu sou dona de uma grande loja de confecções na cidade e gostaria de comprar-lhe todo estoque de máscaras de tricô que você tenha; como também, no início quero que você trabalhe na minha loja como estagiária, e depois quando você concluir o Ensino Médio, será minha sócia. Posso contar contigo?
            A jovem Emília não podia conter suas lágrimas que se misturavam ao suor do seu rosto, ainda soluçando, balançou a cabeça em sinal de afirmação e deu um abraço afetuoso na bondosa senhora...
           O tempo passou... Emília, a garota do sinal, se formou em designer de moda, e com ajuda de Dona Antonieta, abriu a sua própria loja de confecções, de nome Esperança; seus irmãos cresceram e se tornaram independentes, enquanto sua mãe passou a ter uma melhor e saudável qualidade de vida.
            Enfim, todos foram felizes!

Elisabete Leite
 
A ESPERANÇA É TUDO

A Esperança é uma edificante Luz,
A mão de Deus que abriga e alumia
Também protege, acolhe e conduz
Livrando-nos do vírus na esquina...

A Esperança ilumina os desertos
É o oásis que minimiza a aspereza
A clareza nos momentos incertos
Melhor caminho, a fonte da certeza...

A Esperança clareja a escuridão
Sim, é um brilho no final do túnel!
É a partitura de uma doce canção
O sabor suave e adocicado do mel...

Que vai dissipar o inimigo invisível
Uma aliada da Fé na hora da Oração
A Esperança pode tornar tudo possível
É a Luz do Amor dentro do coração...

Elisabete Leite
 
 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
  ENCONTRO   DE   POETAS
 
 A CRUELDADE DO HOMEM

É triste precisar de alguém nesta vida
Ninguém mais se entende, tampouco se amam
Nas inversões de valores pra curar as feridas
Mais doentes se tornam e  ainda difamam.

Ao olhar para o outro enxerga o inimigo
E surtos psicóticos atingem o mundo
Mulheres, crianças, e até os amigos
Quem nos ama, no céu, de vergonha está mudo.

É cruel assistir nossos filhos morrerem
Pela bala perdida do fuzil de um bandido
Mas sabemos que somos todos culpados
Por negar-lhes amor nesse mundo perdido.

O Dono do mundo e a Virgem Maria  
Assistiram à morte do seu filho inocente
E não pense que hoje Jesus morreria   
Agonizando na cruz por nós novamente!

Socorro Almeida
Recife, 28/04/2021
 
 A FORÇA DA MULHER

Há tantas de nós, tantas que te querem
Tantas mulheres tolas que te desejam
Que não enxergam a beleza de si mesmas
Só imagens inexatas de seus espelhos!
Brancas, negras, pobres ou ricas
Têm o poder à força de seus apelos
Em sua alma o branco da fé
enaltecida!
E um dia, ao final de nossa luta
Não questiones o valor que em nós desejas
Se somos pobres, brancas ou negras
Somos ricas de amor, por um instante que seja.
E tu, homem cruel, que não enxergas nelas
A beleza das cores que a natureza fez
Bem dosada nos tons divinos das aquarelas
Tua força diante a delas se desfez!

Socorro Almeida
Recife, 17/09/2021
 
 
 
 
 SÍLABAS MUSICAIS

Doremi, pode ser um nome comum.
Mas, também pode ser um nome próprio!
Do-Re-Mi,  sílabas de notas musicais.
Mas também, sílabas de nomes pessoais.

Do de Dolores, Domênico Dalvina!
Re de Regina, Rosália, Rosiclea!
Mi de Milita, Milena, Minervina!
Ajustam os acordes, o timbre, a capela.

Do é uma nota aguda de som grave.
Re é uma nota vibrante e expansiva.
Mi é uma nota atenuante e suave.
Notas que tornam as melodias expressivas.

Dramatizar é expelir a emoção.
Reestruturar uma composição.
Minimizar o medo na atuação.
Da vida ao drama, brilho a uma canção.

                Baltazar Filho
         03 de setembro de 2021
 
 SONHO OU UMA DISTORÇÃO DO SONO?

Sonho, ou um sono perturbado?
Talvez uma alucinação, sem ação.
Levitação de um adormecer atordoado
Um sono intranquilo, oculto na escuridão.

Uma dormida confusa da imaginação
Uma transmissão escusa do inconsciente
Repouso neuro, que causa efeito e reação.
Resíduo armazenado no cofre da mente

Sonhos! Revelações do subconsciente.
Atos acometidos, vivido no presente.
Fatos existentes reais, ou inexistentes.
Relato presente e passado, coeficiente.

Vestígios do sono, pesadelo conturbado.
Sonhos com mundos estranhos, futuros.
Sensação de está dormindo, acordado.
Por linhas cruzadas, num mundo obscuro.

               Baltazar Filho
        30 de agosto de 2021
 
 

 
 Por entre rochas, penedos, abismos
Em teu aberto coração pranteia rios
A derramar prantos desde os cimos

Teus pés caminham cheios de brios
Faz Selene pairar no azul atro do céu
Noites e noites tens n'alma calafrios

Porque deixaste o teu amado ao léu
Sem tua graça, padecer em chamas
Do teu semblante a morte tira o véu

Rio que passa
 
 
 MARISA ALVERGA (Acróstico)

Mulher mãe, mulher poeta, mulher amiga
Aquela que na dor se esconde no sorriso
Rainha da arte dos versos e das rimas
Inda que na tristeza de uma despedida
Saudade lhe cause um mar de lágrimas
Amenizada no encontro de uma alma querida.

Armou-se de abraços, beijos e carinhos
Lindos e vertiginosos sonhos de amor
Vida abençoada que em seu próprio ninho
Em versos se fez e se guardou na dor
Rios de lágrimas que hoje  derramamos
Gritos de saudade de nossos corações
À eterna poetisa que tanto amamos!

Dueto:
Rita de Cássia Soares
Socorro Almeida
 
 


 Esperança

Sentimento verde...
Da cor do meu olhar,
Que está tão cansado,
De tanto, tanto, esperar....

Por dias muito melhores,
E a vida bem mais  leve...
Com um grande amor no peito,
Onde a alma vibre e se eleve...

E que a Esperança nunca morra,
Na clorofila do meu olhar...
Pois preciso dela na vida,
Pra  continuar a sonhar...

Um sonho verde, brilhante,
Com vários focos de luz...
Cada um foco, um desejo,
Que ao meu coração seduz!!!

              ❤️Tásia Maria
 
 Por um grande amor

Corremos todos os riscos,
Por um grande amor...
Perdemos, até, o Amor próprio,
Sem nenhum temor...

Superamos obstáculos,
Os medos vão, todos, embora,
Quando a paixão nos invade,
Perdemos o tempo, a hora...

Um grande amor nos embriaga,
E nos deixa fora do EU...
Bêbada de amor fica a alma,
E o coração,  fica Ateu...

Tudo isso acontece,
Por um grande amor...
Que se eterniza em  sonhos,
Ou se inferniza em dor...

                 ❤️Tásia Maria
 
 
 
 ESCOLHAS

Escolhas...
Me tornei refém das minhas... quem nunca?
Algumas delas tomadas de forma repentina
Ou sem nenhuma reflexão...
A conta sempre chega e não há a quem culpar
Somos autores da nossa própria
Construção desconstruída
Voltar atrás não é permitido
Frustrante?...Talvez!
Assumir as responsabilidades
E pagar pra ver os resultados
"É o que temos para hoje!"
Mas, ainda assim viver é uma dádiva.
Sabemos que fracassos e decepções
Fazem parte da caminhada...
Resta-nos fazer a diferença
Onde quer que estejamos
Levando amor aonde quer que sigamos
Somente assim o peso de nossas escolhas
Se tornará mais leve
E elas, por Deus, abençoadas!
 
 LEMBRANÇAS

Noite chuvosa!...
Entre tempestade e raios
Aqui estou eu...
Sentado em uma poltrona, lendo
Imaginando o quão maravilhoso seria
Se tu estivesses comigo!
Poderíamos estar juntos
Tranquilos e apaixonados
Vivendo a magia do querer
Porém, a vida nos levou
A distintos caminhos
Como um castigo...
Como o sufocar em um dia de calor
Assim me sinto sem tua presença
Tudo se mantém como essa noite
De raios e trovões
Fenômenos que nos fazem ver
A nossa inferioridade
Quando queremos ser
Uns mais que os outros
Assim acabamos nos afogando
Nas lágrimas de nosso sofrimento
E o que nos resta é a lembrança
De um inesquecível sentimento!

Sol&Lua
Pirpirituba,14/09/21
 

 
 
 

domingo, 19 de setembro de 2021

Setembro Amarelo

 

 EDIÇÃO N º   461

 Tema  das  Imagens:  O   Suicídio   nas    Artes 
 
 Ophelia_John Everestt Millais
   ENCONTRO  DE  POETAS
 
 ÚLTIMA SÚPLICA

Ao veres essa figura patética e estática
E sorrires sem disfarce num sorriso infame
Pisas e escrachas, mas não difames
Esta pobre infeliz que talvez inda te ame.

Culpar-me à sorte, ou ao cruel destino
Por pensar ter sido o melhor para mim
Indignar-me é o que tenho do desatino
Das lágrimas, a cântaros, até o meu fim.

Do que me resta da força que inda me sobre
Vem da súplica humilhante, mas necessária
Pela qual te peço, se talvez te importes

Dar o último alívio às cruéis escaras
Que de tuas mãos por certo tenho agora
E afagas minha alma ante a minha morte!

Socorro Almeida
Recife, 22/04/2021
 
 PLANETA LUZ

Lua, estrela de tamanha grandeza
Planeta luz, que irradia a escuridão
Cristal lunar, a hipnotizar a natureza
Magnetizar o mundo, clarear a amplidão.

Globo astronômica de raios florescentes
A iluminar o percurso lunar da Santa Cruz
Esfera giratória que irradia os continentes
Reluzindo o celebre altar do menino Jesus.

Estrela linear de raios magnéticos
Cheia, nova, crescente ou minguante
Tens o formato enigmático e estratosférico
Do cavalo de São Jorge e seu semblante.

               Baltazar Filho
        30 de agosto de 2021
 
Édouard Manet_Le Suicidé
 
 Quando somente nos restar o silêncio
Face a tudo que quer calar nossa voz
Só nos teus olhos a palavra evidencio

Visto que a mudez se apossou de nós
Entre a muita gente inútil é se exprimir
Em meio a muitos somos sempre sós

Por isso eu desejo de teus olhos ouvir
O som, a palavra, o gesto que há em ti
Seja resposta branda a troar no porvir

Rio que passa
 
 
 Sem Poesia

"Nada será como antes"
A vida não tem solução
Por mais que eu queira
Não entendo nada.
O que tentei reter
Fugiu entre suspiros
Fugiu na contramão
Simplesmente se foi
Morreu de antemão.

Pensava ser feliz, quisera.
Tinha um sorriso no rosto
O suor escorria entre as mãos
Nada enxergava, estava feliz.
Nossos corpos bailavam
Em ritmos quentes
Afagos e beijos sem tédio
Sem pausa nos amávamos
Tudo pura ilusão.

Sussurravas meu nome
Acompanhados de ais,
Abraços quentes demais
Pensei ouvir mais uma vez
Prestei atenção
Trocastes meu nome
Numa explosão sensual
Tenso fiquei, esperei
Errastes mais uma vez.

Jorge Leite
 
Pieter Bruegel_O Suicídio de Sauls
 
  NEM TUDO É FESTA
             (Continuação)
.
Festa é culto, é oração
É forma de bendizer   
Louvar ao Deus Criador
A Cristo se converter
É sentir-se arrependido
Dos pecados cometidos
E Jesus lhe absolver.
.
Festa é se fortalecer   
Crescer na fé do Senhor
Não praticar injustiça
Mas semear o amor
É viver com humildade
Ter solidariedade   
Com o pequeno sofredor.
.
Ser evangelizador
Como igreja caminhar
O Cristo ressuscitado
Para o mundo anunciar
Recompensados seremos
Se de graça recebemos
De graça devemos dar.
.
É se solidarizar
Com o pobre na sua dor
Pagar o salário digno
Ao homem trabalhador
Viver com dignidade,
Retidão e honestidade
No plano que deus deixou.
.
É ser bom entendedor
Dos direitos que se tem
Compromissos e deveres
Reconhecê-los também
É amar e ser amado
Respeitar e ser respeitado
Sem discriminar ninguém.
.
Somente fazer o bem
Renunciar o que é mal
Amigo ou adversário
Tratá-los de modo igual
Buscar em Cristo ter paz
Dizer não a satanás
O inimigo infernal.
                                            Continua...
Valdemar Guedes
 
 MOMENTOS

Tudo na vida são momentos
Até mesmo EU
Que não passo de mais um
Que preenche o momento
Que por sua vez completa
O que chamamos de VIDA!
Amanhã talvez chegue lá
HOJE estou até não sei quando
Mas o AMANHÃ é apenas
O pensamento do AGORA
Só sei que gosto muito de vocês
É prego batido e ponta virada!

Emiliano de Melo
Guarabira, 15/04/2020
 
Melancholy_Edvard Munch
  MEU AMOR

Você diz que eu tenho
O beijo mais atrevido
Que faz seu corpo ferver
E toda palavra tremer

E eu digo... você tem
Mãos carinhosas
Macias e maliciosas
Que fazem meu corpo
Em segundos gemer

O  brilho do seu  olhar
Não posso esquecer
Um suor tão gostoso
Que me dá muito prazer.

Esse amor é tão forte
Dilacera minha alma
Deixando-me alucinada
E apaixonada por você!

Rita de Cássia Soares
Pirpirituba,15/04/ 2020
 
 SETEMBRO AMARELO

Vamos colorir a vida em tons de amarelo
Deixar setembro cheio de nuances e cor
Preencher o vazio com um sorriso belo
Tecer versos, rimas e poema acolhedor...

Apoiar quem precisa de muito carinho
Encher o inane da alma, sendo porto seguro
Amparar, ajudar e nunca deixar sozinho
Ser sol para clarear os momentos escuros...

A depressão não é brincadeira, é doença
Convém ficar junto, ser abrigo na solidão
Ser um ombro amigo faz toda diferença
Quem sofre precisa de bastante atenção...

Brilhe e ilumine o final do túnel, de quem precisa
Não ignore! Toda doença exige prevenção
Seja um oásis no deserto, pelo dom da vida
Deixe transbordar o amor dentro do coração.

Elisabete Leite

 
Muerte Werther_Goethe

 LEITURA   DE   DOMINGO

 AMIZADE E POESIA

          Marina acordou tremendo de frio, era inverno, e o sol permanecia escondido por trás dos montes, não deu o ar da graça, ficou dormindo tranquilo, deixando o cenário cinzento e sem brilho. A garota precisava se levantar, mesmo com o clima penetrante e com chuva, pois o recesso da pandemia havia terminado e ela já estava atrasada para o retorno à escola...
           Ruivinha, como era conhecida na comunidade, era uma garota muito popular, tinha cabelos ruivos encaracolados, pele rosada e com sardinhas pelo rosto, uma garota de bem com a vida. Normalmente, ela vivia cantarolando pelos quatro cantos da casa ou suspirando por nada. Era amante da Poesia e excelente aluna de Língua Portuguesa; aos seus dez anos de idade seu passatempo predileto era improvisar pequenos poemas, versos e rimas azuis, esses poeminhas que uma garota de dez anos costumava copiar no diário ou presentear aos amigos. Morava com os pais em uma casa modesta, mas bem aconchegante na zona norte da cidade.
          O primeiro dia de aula era sempre muito emocionante, uma satisfação para os estudantes reverem os antigos amigos da escola e os novatos que sempre migravam de outras Instituições. Ruivinha mal entrou pelo portão de acesso, deu de cara com sua amiga inseparável, a falante Martinha. As duas se abraçaram e começaram falando sem parar, elas ficaram naquele ti ti ti de sempre, conversando antes da socialização e das boas-vindas.
          - Oh Ruivinha, como você está diferente! Que linda, com nuances nos cachos! Disse-lhe Martinha.
           Ruivinha olhou fixamente para sua amiga, e respondeu-lhe:
          - Não existe mudança, apenas cortei um pouco o tamanho dos cachos e mudei meu visual. Deixa disso, amiga! Você é muito gentil.
        As duas se dirigiram à sala de aula e entraram sorridentes, felizes da vida. Ansiosas para o retorno às aulas.
         Logo, a professora começou a falar das disciplinas, do material escolar, dos livros, das avaliações, das atividades, do comportamento dos estudantes, do uso ao banheiro e entre outros informes de praxes do primeiro dia de aula. Continua...
         As amigas, não prestavam muita atenção ao que a professora falava, pois o que elas queriam mesmo era o momento do intervalo para rever todos os amigos da escola. De repente, a professora pediu silêncio, e falou:
         - Marina, você repassou os conteúdos no recesso? Fez algo construtivo?
        - Bem professora! Eu registrei tudo no diário. Até improvisei alguns versinhos novos. Respondeu-lhe Ruivinha.
          A professora continuou falando:
       - Marina, que bom! Você poderia declamar um poema para nós?
        Ruivinha tomou fôlego, tirou a máscara da mesma cor do fardamento, e começou a declamar um poema, em homenagem aos amigos: 

POEMA ABC DO AMIGO

Amigo te acolhe em todos os momentos
Briga contigo para te alertar do perigo
Cumplicidade é o maior dos sentimentos
Dádiva que te alimenta, um saudável trigo
Ensina-te o bem, sem fazer julgamento...

Fiel companheiro na dor e na solidão
Guarda na memória os instantes de alegria
Humilde na hora certa, sabe passar gratidão
Interpreta tua fala, pois tem sempre sintonia
Jamais te abandona, em qualquer situação..

Kit de todos os sentimentos da Natureza
Liberdade para dizer, Bom Dia!
Manda mensagens de carinho e gentileza
Nunca esquece a tua preferida melodia
Oferece abrigo na hora da dor e tristeza...

Perfeito para guardar todos os segredos
Quando te aceita, como tu és, realmente
Ri e chora contigo, encobre os teus medos
Sempre perdoa teus erros, sorridente
Toma iniciativa e diz: “eu te amo”, logo cedo!

Único que sabe doar sem esperar receber
Valoriza e respeita o teu modo de pensar
Xinga e briga somente para te defender
Watt de Luz, que ilumina o teu caminhar
Yoga que medita a melhor maneira de viver
Zela pela amizade, um amigo que sabe amar. (Elisabete Leite)

          Quando Marina terminou de declamar o poema, a professora e os alunos bateram palmas, e ela se sentiu a sensação do momento, uma personalidade. Assim, que as aulas acabaram as amigas saíram juntas em uma conversa comprida que não se acabava mais, pois o assunto do momento era o Poema de Marina.
          Os tempos passaram... Marina cresceu e se tornou uma adorável poeta.
        
Elisabete Leite
 
 
Frida Kahlo_The Suicide of Dorathy Hale
 
 
 
 

 
 
 NOTA    DE    PESAR
 

 

O Blog Maçayó, em nome dos seus editores e dos seus colaboradores, vem manifestar os votos de Profundo Pesar pelo falecimento da professora, escritora, poetisa e gestora cultural Marisa Alverga Cabral, ocorrido na manhã de ontem, sábado, 18 de setembro de 2021.

Marisa Alverga colaborou com nosso blog apresentando vários de seus trabalhos, entre os quais “Meu Filho” publicado no dia 17 de janeiro de 2021, edição nº 425.

São os votos de pesar e reconhecimento de todos que participam como colaboradores e leitores do Blog Maçayó.

Meu Filho

Para Geraldinho

Quando da vida uma sombra restar
Do que fui um dia e já não serei
Minha alma sem paz há de sempre vagar
Por outros mundos e outra vida terei.

Serei o beija-flor, delicado e ousado
Que suga o néctar das rosas...Ai de mim!
Serei a abelha que fabrica o mel adocicado
Serei a acácia que embeleza o jardim.

Serei o colibri, a borboleta...Que serei eu?
E voarei tão alto por esse céu sem fim
Que chegarei ao reino de Deus
E terei você bem pertinho de mim!

Marisa Alverga.

 Publicada no dia 17 de janeiro de 2021, edição Nº 425.

 

                                                               Marisa Alverga Cabral

 S A U D A D E S

 

 


domingo, 12 de setembro de 2021

Esperando a Primavera

 EDIÇÃO N º   460 

 Tema  das  Imagens:  PRIMAVERA -  IPÊ
 

  ENCONTRO  DE  POETAS
 
 

Sueli Ordonhes nasceu em São Paulo capital, mas trocou a vida corporativa da cidade grande, pela tranquilidade do interior, tornando-se professora de crianças. Sempre amou escrever, e com a pandemia, passou a publicar seus textos e áudios como uma forma de escrita curativa.
 
 
 
 QUERERES

Quero viver a vida
quero frio na barriga
quero poesia no pé do ouvido
ouvir minhas músicas preferidas
Assistir o nascer do sol
diante do mar
e ver da montanha uma
noite linda de luar
Quero alegria simples
descomplicada, sem contramão
pés na areia, sem chinelos
ou lareira acesa, vinho e violão
Quero fogueira com sarau
pode ser com chocolate quente
quero risadas, gargalhadas
quero gente!
Quero assim mesmo
tudo junto e misturado
quero vento no rosto
cabelos despenteados
Quero comida caseira,
leveza, balançar
na rede, calmaria
quero é vida com poesia.

Sueli Ordonhes
 
 MEUS VERBOS

A manhã fria
gelou sua pele
revestindo-a
de recomeços
despertos...
Na janela
pela fresta
tímida-solar
certezas
azuis iam
lhe cobrindo
o colo
os ombros
e os olhos...
Verdades-nuas
claridade-luz
pura e crua...
Trazia o centro
equilíbrio-vento
cada coisa
em seu lugar...
Respostas-calor
conjugavam
seus verbos
seu corpo
seu “Ser e Estar”.

Sueli Ordonhes
 

 ESPAÇOS VAZIOS

Enquanto caminhava pelas ruas, entristecida
Pessoas tentavam ocupar seus corações
Entre aquelas que apenas sorriam para a vida
Em meio aos abraços e beijos de ilusões.

Lembro dos momentos mágicos que passei
Ao lado de quem me deu tantas alegrias
Volto aos mesmos lugares, não vejo ninguém
E não sei se vale a pena reviver aqueles dias.

Sentimentos confinados em espaços vazios
E o chão marcado à sua escolha, à sua sorte
Por símbolos em cruzes onde agora pisam
Se quiserem sobreviver aos riscos da morte.

Lembro da mão que me afagava docemente
Dos abraços, dos beijos, da felicidade
E desse maldito que me deixou sem piedade
A mercê do vazio e das dores da saudade!

Socorro Almeida
Recife, 05/09/2021

O AMOR E O TEMPO

Pagamos um preço alto pelo amor de alguém
Achando que o tempo cura a ferida que deixou
Pensamos que ele é nosso amigo, mas não é
Passa veloz, rindo muito da nossa dor!...
Enquanto somos jovens nem o percebemos
Às escondidas, à espreita, ele nem se importa
Com as rugas que lança ao nosso rosto
E se diverte... ante a juventude morta!

O tempo, pois, não expira e só magoa
À medida que as nossas vidas passam
Mas é tão sábio quanto as intenções de Deus
Que o fez na medida certa e com sabedoria...
As dores do amor se apagam com o tempo
O verdadeiro amor nem o tempo se atreveria!...

Socorro Almeida
Recife, 30/08/2021
 
  Coragem, Brasil!

Quando me lembro, ainda criança,
Do grande orgulho de ser brasileira,
Minh'alma vibra e recorda com graça
Momentos lindos, no hastear da bandeira...

Ficava olhando,hipnotizada,
Ela subindo, linda, imponente...
Verde, amarelo, azul, branco e escrito:
Ordem e Progresso no coração da gente...

Hoje, porém,  me sinto assustada
Com o que fizeram do meu Brasil querido...
Mancharam a honra de nossa terra amada,
Mataram o orgulho do povo sofrido...

Só cabe à nós, uma reação tomada...
Para tirar da lama da corrupção,
O Brasil querido, nossa terra amada,
E guarda-lo dentro do nosso coração!

               ❤️Tásia Maria
 
  O GLOBO GIRANDO

Passeando pelas vertentes do inconsciente
Vou monitorando os degredados das gerações
Numa inconstante batalha no subconsciente
Por um poder catastrófico e de corrupções.

Caóticas assembleias de políticos loucos
Governantes parasitas com atitudes imorais
Líderes farsistas de um comando tortuoso
Regências em ruínas, lideradas por desleais.

Religiões confundindo os fiéis combatentes
Feitores tiranos em manchetes ideológicas
Tiranos, poderosos, sarcásticos, descrentes
Ogros facínoras de uma sociedade morta.

Manipuladores, contagiosos, sucumbidos.
Imortais invisivelmente não reconhecidos
Mortais a mercê da sorte, maltrapilhos.
Organizações constituídas por subversivos.

                  Baltazar Filho
         30 de dezembro de 1980
 
 

 Fitar

Atiraste em mim sem piedade
O teu tiro me estremeceu
O meu corpo ficou sem dono
 Laçado por um amor somente teu

O teu fito com o meu fito
Se comprometeram aquela manhã
Numa cena de Hollywood
Entre a mocinha Jane e o herói Tarzan

Aquele fito retrocede a décadas
Pareceu coisa de criança
O arco- íris foi testemunha à época

O fito trouxe a tona uma lembrança
De um amor guardado no peito
A partir daquele fito formou-se uma aliança.

Emiliano de Melo
Guarabira 09/12/2020

Beijos

Senti seu beijo no corpo meu
Aquele abraço cheio de ternura
Confesso meu coração estremeceu
E logo pensamos fazer loucura

Aquela loucura só você e eu
Deitei na cama com formosura
Vibramos de paixão e tudo aconteceu
Voltamos a adolescência pura!


Nosso corpo  todo entrelaçado
Um amor quase escancarado
Cheio de gozos e muitos desejos

Ah! Como essa tarde foi vibrante
Você mergulhou no corpo fascinante
E eu mais uma vez degustei seus beijos!

Rita de Cassia Soares
Pirpirituba 27/07/2021
 
LEITURA   DE   DOMINGO
 
 
 ANÁLISE POÉTICA

Análise do conto "A cartomante" de Machado de Assis

        A obra A cartomante apresenta elementos de superstição, apresenta questões de metafísica, aqui colocada em dúvida quanto a crença nela empregada; apresenta o tema do adultério e recorre a obras de Shakespeare uma prática frequente nos contos e romances do autor fluminense.
        O conto inicia com uma citação da obra Hamlet que aborda a questão dos mistérios metafísicos que fogem à nossa compreensão. Essa introdução é inserida para reafirmar a crença de Rita em cartomantes porque o Camilo, cético que era, ria dela que acreditava em adivinhos. Esse tema metafísico é visto em Hamlet quando por ocasião da visão do fantasma do pai do príncipe pelos guardas que são desacreditados por Horácio. Também vemos em Macbeth aves que são tidas como agourentas e que dão à obra um caráter místico.
        Há no conto a polarização homem/mulher que enfatiza as diferenças entre esses seres tão complexos e ao mesmo tempo belos. A Rita afirma que os homens não acreditam em nada e assegura que os presságios da cartomante são críveis. Entre eles há juras de amor que retomam característica do Romantismo e aqui vai cair em descrédito por conta da influência realista. O narrador afirma que Rita citava Hamlet sem saber o que mostra aqui que a personagem era dada a pouca leitura ou pelo menos lia apenas romances açucarados.
        O ceticismo de Camilo se apresenta quando ele ia argumentar contra mas se calou porque não queria lhe arrancar as ilusões e relata que ele era supersticioso também na infância mas que aos vinte anos perde essa característica. Essa ideia, amiúde, é vista nas obras Machadianas e pode-se citar o próprio Bentinho que a exemplo de Camilo foge da religiosidade. A questão paternal também é destacada no conto ao valorizar algumas profissões em detrimento de outras mais simples. Camilo acabou sendo funcionário mas contra a vontade de seu pai que o queria médico e também parecia ser um bom vivant pois ele "preferiu não ser nada, até que a mãe lhe arranjou um emprego público."
 
AS PERSONAGENS
 
        Ao analisar as personagens, percebe-se uma relação direta entre seus nomes e seu comportamento psicológico no decorrer do conto. Tecerei algumas considerações a esse respeito, começando por Rita. Esse nome significa "pérola", "criatura de luz", "iluminada". É um diminutivo de Margherita, nome italiano do qual surgiu Margarida que veio do grego margarites que por sua vez originou-se do latim Margarita. Uma descrição belíssima da personagem confirma essa ideia quando afirma: " ... Era graciosa e viva nos gestos, olhos cálidos, boca fina e interrogativa." há algo mais candente do que o olhar de uma mulher? Essa mesma característica remete a Capitu da qual se diz ter os olhos de ressaca. Ou seja, as mulheres machadianas são de temperamento forte e decisivo.
        Agora será a vez de Camilo. Esse nome significa " filho do primogênito", "mensageiro", e "menino de coro". No conto o temperamento de Camilo também desemboca nesse significado pois registra que ele é mais novo do que todos, registra que é "ingênuo na vida moral e prática. Faltava-lhe a ação do tempo, como os óculos de cristal, que a natureza põe no berço de alguns para adiantar os anos". Pode-se notar uma semelhança entre Camilo e Bentinho quanto a essa candidez que há em Camilo. Bentinho também depende da mãe que toma decisões por ele e salvo engano ele também é mais novo do que Capitu.
        Vilela vem do latim vulgar Villella que significa 'pequena quinta.' o narrador afirma: "No princípio de 1869, voltou Vilela da província..." Provavelmente ele não era urbano e desejava ascender socialmente através de seu ofício de magistrado. Essa relação urbano e rural é uma marca nas obras literárias que refletem a questão da notoriedade nas personagens. Vilela era uma pessoa extravagante e sempre se mostrava solícito em atender às demandas da vida social que ele levava.
        Outra questão suscitada no conto é o tema da Barcarola. Ela é um tipo de cantiga de amigo da lírica galego-portuguesa que acolhe temas ligados ao mar ou ao rio cujo sujeito se acha diante do mar e a ele confia suas mais íntimas inquietações. E coloca seu olhar perdido perante a imensidão das águas. Quando Camilo consulta a vidente, ela o coloca de frente à janela sobre o qual uma réstia de luz bate em seu rosto como uma forma de torná-lo cego frente à cartomante que está contra a luz e é capaz de enxergar o rapaz. Passada toda a análise sobre a questão da consulta, ao término dela a consultante entoa uma barcarola e logo depois que Camilo sai dali em direção à casa de Vilela, Camilo olha para o mar e percebe o abraço entre a água e o céu como uma sensação de que seu anseio fosse confirmado pela previsão da cartomante.
        Outros elementos são vistos no conto como os da mitologia grega como o carro de Apolo. Sua tarefa era guiar seu carro com quatro cavalos a fim de mover o sol através do céu mas não avançarei nesse quesito e porei fim a esse breve comentário.

Enoque Barbosa da Silva.
 
 

CONTO
 
 UMA HISTÓRIA DE AMOR E DOR

          Era final de inverno, cenário pardacento e frio, onde a chuva insistia em cair sem perdão e nem razão, deixando a terra encharcada e o céu iluminado pelos trovões. Alice era uma jovem sonhadora que vivia suspirando pelos quatro cantos da casa, e que alimentava um amor jovial pelo primo Honório, um jovem ambicioso que só pensava em fama, dinheiro, carros, bebidas e baladas. Ele fazia questão de não notar a presença de Alice, e nem tão pouco, queria reconhecer o sentimento dela por ele. A jovem garota vivia com seus tios, os pais de Honório, por questões de estudo, pois que os seus pais moravam em um vilarejo muito distante, e ela precisava concluir o Ensino Médio e ingressar na Universidade...
           Era um domingo, Alice fechou o livro que estivera lendo e foi à cozinha conversar um pouco com sua tia que preparava um reforçado desjejum matinal, ela se aproximou devagar, e quebrou o silêncio:
           - Bom dia, tia Estela! Está frio e chove bastante!
           Dona Estela olhou para a sobrinha que acabara de entrar, e respondeu-lhe:
           - Bom dia, querida Alice! Venha degustar um bom pedaço de bolo de cenoura. Sabe querida, estou apreensiva! Honório vai fazer canoagem com alguns amigos, e o clima não está propício.
           - Titia, Honório não tem noção de perigo, não se interessa por nada, e nem ataca conselhos de ninguém! Fique calma, por favor!Disse-lhe Alice, carinhosamente.
           De repente, Honório entrou no recinto, sem cumprimentar ninguém, tomou um copo de suco e saiu em seguida. Dona Estela o chamou, mas ele simplesmente ignorou, fez que não ouviu, e sumiu sem nem olhar para trás...
            Era quase final de tarde, o clima continuava tempestuoso, quando um amigo da família telefonou para Dona Estela comunicando que Honório havia sofrido um terrível acidente, na competição de canoagem, e estava hospitalizado. Alice e Dona Estela foram até o hospital na esperança de saber notícias do rapaz, já que o pai de Honório estava viajando a negócios. Lá no hospital, o médico plantonista informou que Honório havia sofrido um traumatismo craniano e teria que ficar em coma induzido por questões de segurança do mesmo. Logo depois, Dona Estela passou mal e Alice precisava ser muito forte naquele momento em que o destino resolveu mostrar a outra face da moeda. Poucas horas depois, o médico informou aos familiares e amigos que Honório dificilmente iria sobreviver, pois não apresentava sinais de melhora, e se sobrevivesse ficaria com graves sequelas...
          Todos os dias, a rotina de Dona Estela e Alice era a mesma, do hospital para casa e da casa para o hospital. Certo dia, elas foram informadas, pelo neurologista, que Honório ficaria paralizado por um tempo, mas que poderia voltar a andar, por meio de exercícios, força de vontade, perseverança e muita disciplina, e que em muito pouco tempo receberia alta hospitalar. A luta das duas só estava começando. Finalmente, Honório recebeu alta, e precisaria recomeçar uma nova vida, mesmo diante de tantas dificuldades.
           Já em casa, Alice e Dona Estela se revezavam dando suporte ao jovem Honório, que precisava de muito amor, compreensão e ajuda. A garota Alice não foi só uma prima para Honório, foi também uma grande amiga de todas as horas; sempre presente, passando conforto, carinho e acolhimento. O tempo seguia o seu trajeto normal e Honório foi descobrindo, aos poucos, tantas virtudes em Alice, que logo acabou enxergando amor nos olhos dela e em seu coração...
           Alice formou-se em Fisioterapia e passou a se dedicar exclusivamente a Honório; ela não media esforços, tudo em prol do bem-estar e recuperação do homem que amava.
           O tempo passou rápido, Honório conseguiu se recuperar, mudou completamente as suas atitudes, se casou com Alice e eles foram muito felizes, foi na hora da dor que ele descobriu a força do amor.

Elisabete Leite
 
 DORES DO AMOR

Folhas mortas voando pelo chão
É o vento que traz total desamor
O coração partido de desilusão,
O tempo carrega seu esplendor...

Sentimento que deixa decepção,
E esconde o desabrochar da flor
Até o nascer do broto na estação
Só resta uma vida inteira de dor...

Tristezas comprimem o coração
A incerteza retira da vida, o sabor
Deixando sem briós, só comoção...

Tudo fica sem brilho, sem o calor
A alma, vazia, perde a sensação,
São dores da vida, dores do amor.

Elisabete Leite
 
 
 Ipê
 A típica árvore de Ipê é a denominação de uma grande variedade de espécies do gênero Tabebuia e Handroanthus, sinônimos e ambos da família Bignoniaceae. É muito conhecido por sua beleza, exuberância das flores e ampla distribuição em todas as regiões do Brasil. Os ipês são caducifólias, ou seja, perdem todas as folhas que são substituídas por cachos de flores de cores intensas. São árvores de grande porte que gostam de calor e sol pleno.

Atualmente, o pau-Brasil é a árvore nacional e o Ipê é considerado a flor nacional. Suas flores possuem forma de funil, como se fossem uma cornetinha, podem ser elas amarelas, roxas, rosas, brancas e até verdes. Floresce entre junho e novembro, começando pela cor roxa e rosa, depois o amarelo e por último o branco. Elas caem no decorrer de uma semana, cobrindo o chão com a sua cor.

O nome ipê origina-se da língua indígena tupi e significa casca dura. O mesmo também é conhecido como pau d’arco, porque antigamente os índios utilizavam a madeira dessas árvores para fazerem os seus arcos de caça e defesa. Ou seja, há muito tempo o ipê é utilizado como matéria-prima em razão da boa qualidade da madeira, tendo como características principais:

  • Muito densa e forte;
  • Pesada e dura, difícil de serrar;
  • Grande durabilidade mesmo quando em condições favoráveis ao apodrecimento;
  • Alta resistência aos parasitas e à umidade;

Considerado uma madeira nobre, o Ipê possui um material excelente para estrutura de obras, em ambientes externos e até mesmo em detalhes decorativos. Pode ser usado também em construções de pontes, vigas, esquadrias, pisos, escadas, móveis, peças, na fabricação de instrumentos musicais, de portas e janelas, dentre muitas outras finalidades.

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Imagens: Google - Ipê