domingo, 31 de outubro de 2021

O ESPLENDOR DA NATUREZA

EDIÇÃO Nº 468 

TEMAS DAS IMAGENS: NATUREZA (PIXABAY)

 "Vamos cuidar, proteger e amar uns aos outros. Somos todos, filhos de Deus, frutos do mesmo pomar." Elisabete Leite 

 ENCONTRO DE POETAS

A MASSA DO AGRESTE!

Nós que somos filhos do Nordeste
Retratos vivos, projetados para o futuro
É duro tentar a sorte em outro lugar
Em terra desconhecida na vida crescer.

Ser pau de arara pra toda obra, na cidade grande
Enfrentar a realidade e arranha-céu erguer
Sou nordestino, um braço forte, a fera do norte
E na metrópole não faço corpo mole para viver.

Zé sai do Nordeste para capital
Na ilusão de um novo mundo erguer
Sobrevive aos riscos e a violência
Zé trilha um novo rumo, para na vida vencer.

Derrama sangue suor e lágrimas
Bate de frente com os guardiões do poder
Decepcionado, Zé arruma a sua mala.
Toma punho de sua viola e toca a sua moda, para sobreviver.

Baltazar Filho
02 de março de 1898

 A MAIS BELA!

É ela, entre todas a mais sensual
Simpática, atraente, talvez a mais bela
Musa das passarelas, enredo de carnaval
É mesmo entre as mais belas, esmera é ela.

Livre, solta, deslumbrante, sorridente
Feliz com a vida, linda de viver, entre os lençóis
Escorada a trave de uma janela, tão somente
Atraída pela sonoridade dos afinados rouxinóis.

É mesmo entre as mais simples, a mais bela
No meio das sensatas a menos severa
Das mais próximas, menos problemática é ela
Determinada, sem exageros, exata e correta.

Baltazar Filho
17 de setembro de 2021


Carta ao meu amor 

Você é fonte de inspiração natural para mim
Aquela que move meu coração
 com uma força sem medida
Aquela me faz permanecer em
êxtase 
Somente  em pensar no seu
respirar.
Ah, amada minha!
Como desejo você nos meus
braços, este sentimento  forte que me falta o ar.
Não posso mais permanecer, sem
a sua presença. É exatamente
assim que me sinto. 
Hoje você é a dona dos meus mais profundos pensamentos. 
Pensamentos de afeto, gratidão, 
dentre os melhores  existentes...
Ah, amada minha!
Faz morada definitiva  em mim, não
me permita mais a solidão das noites  frias e vazias. 
Hoje te escrevo e expresso tudo o
que és, é desejo para mim.
Tão somente para mim!

Sol & Lua


Partida de um amor

Cadê você?
Em um momento ao meu lado, 
Em seguida desaparece,
Por quê?
Por quê?
Não se vá, não entristeça meu coração, que tens como posse.
Não me abandone!
Desejo você como meu próprio
respirar, meus sentidos estão
ligados a ti, você me faz ter ânimo,
para prosseguir nesse mundo árduo e vil. Por quê? Por quê?
Se várias vezes disseste  me
amar...
E que seríamos para sempre. 
Hoje meu coração se divide, e se
rompe com a sua partida. 
Amávamos um ao outro, com
muito fervor 
Éramos, um casal perfeito. 
Mas a fatalidade nos separou...
Amor meu grande amor...
Um dia, quem sabe, um dia, nos encontraremos 
Sinto sua falta...

Sol&Lua 19.10.21

O AMOR QUE VOCÊ NÃO CONHECE

Não me abrigo à sombra de espúrios amores
Só a você lhe é dado tamanho absurdo
Às vozes do mundo você finge que é surdo
Ante a fúria dos seus desmedidos rancores...

Não conhece o perdão, sentimento bendito 
Que há milênios Jesus nos pregou na terra
Se encanta apenas com um orgasmo banal
Em leitos vulgares que num minuto se encerra...

Proclama aos seus a ilusão de ser homem
Capaz de preencher o vazio de uma mulher 
Não sabe você a que ridículo se expõe 
Impondo a ela carícias que ela não quer...

Voltando no tempo, muitos anos pra trás 
Acredite na Eva que Deus criou pra você 
A abençoada mulher, que de sua costela 
Um paraíso lhe deu, para o Amor conhecer!

Socorro Almeida 
Recife, 21/10/2021

 DEUS E O CEDRO

Não se preocupe comigo, está tudo bem
Não sou mulher de me abater facilmente 
"Sou qual o cedro que perfuma o machado"
E deixou em você o seu perfume também.

Talvez pense que eu seja soberba ao ponto 
De me julgar acima de tudo, mas não sou
Eu sei que só Deus está acima de nós 
Só você provou estar acima de Deus, meu amor! 

Vá em paz e me esqueça, se for capaz
Os caminhos são longos, e a vida é breve
E quando se cansar dessa ilusão fugaz
Abrirei a porta em sorrisos doces e leves.

Terá aprendido que Deus é nosso aliado 
Que o cedro não perfuma inutilmente
O coração de um andarilho sofredor 
Que agora sabe onde o cedro Deus plantou!

Socorro Almeida 
Recife, 21/10/2021
LEITURA DE DOMINGO 

A CRÔNICA QUE NUNCA ESCREVI 

           Acordo um pouco apreensiva, me olho no espelho, observo algumas novas rugas, mais alguns fios de cabelos brancos e me sinto agradecida por continuar viva. Vejo o clima, pela janela da sala, sol ameno e temperatura suave, e resolvo caminhar pelos quarteirões. Quero continuar me sentindo viva para poder interagir com o meio-ambiente, olhar o belo da natureza, sentir os olores primaveris, que é um momento tão saudável para a vida da gente. A caminho do Sítio da Trindade, um local apropriado para fazer caminhada, sigo observando tudo ao meu redor, me encosto em uma velha árvore e vejo uma lagarta verde se equilibrando em cima de um galho fino, em busca de um lugar mais alto e seguro; pego um graveto e ajudo a peludinha a subir mais rápido. Logo, resolvo entrar em uma padaria para tomar um café junto ao balcão, porém desisti no último minuto e continuo seguindo o meu destino. Não estou querendo escrever, quero mesmo é aproveitar o clima primaveril e agradável. Paro um pouco para descansar, respiro fundo para sentir o aroma inebriante da terra molhada, já que havia chovido ao amanhecer. Difícil mesmo é ficar sem escrever, já que um trecho da crônica que nunca escrevi, fica martelando no meu pensamento. Inspiro e ponho a refletir: "não me considero uma escritora, porém escrevo até nos papéis higiênicos dos toaletes femininos". Sem forçar abro um grande sorriso! E nesse contexto, resolvo voltar para apanhar papel e caneta na padaria, já que não trouxe o celular, porém algo chama a minha atenção, um papel amassado no chão, bem à frente, me questiono se devo apanhá-lo, acho que servirá para eu escrever, mas e a caneta? Tomo fôlego e apanho o papel, desamasso o coitadinho; pronto já tenho papel! De repente, cruzo com um senhor distinto, paro e peço uma caneta. Ele me deixa com a caneta e vai embora sem nem olhar para trás. Sento no degrau de uma casa qualquer e passo a escrever o título: "A Crônica que nunca escrevi".
          Horas depois, volto para casa cheia de talvez. Venho segurando aquela folha de papel desamassada e toda escrita com um conteúdo que nem pretendia escrever; muito mais aliviada e tranquila. Porém, imensamente cansada pela caminhada que nem cheguei a fazer.

Elisabete Leite
REMINISCÊNCIAS DE AGOSTO 

Ah, até parece que foi ontem!
Porém tanto tempo já passou...
Ainda sinto o aroma das chuvas 
O cheiro forte da terra molhada
Do último inverno que acabou.

Os pingos d'água no telhado 
Seu tamborilar na vidraça da janela
Aves somem no resto de neblina
Olores e sinestésicas sensações 
Renovações da vida em passarela.

O sol se escondeu e não nasceu 
O colorido da flor que murchou 
As nuvens em tons de cinza,
O arco-íris que nem resplandeceu
E somente a saudade que ficou.

Tantas recordações de agosto...
Café, bons livros e lembranças 
Instantes de vazio e muita solidão 
O inane da alma que muito clamava 
Por cores, liberdade e esperança.

Elisabete Leite 

RECORDANDO POESIAS 

Além-Mar 

Barco cortando as águas,
Cortando as ondas,
Cortando o mar.
Barco que traz saudades,
Que traz lembranças,
Do além-mar.

Barco cortando as brumas,
Cortando os ventos,
Cortando o ar.
Barco que traz lembranças,
Que traz saudades
Para sonhar.

Barco correndo arisco,
Feito um feitiço,
No seu cantar.
Barco da esperança
Quantas lembranças
Do além-mar.

Barco pura saudade
Qual vaidade
No seu bailar.
Barco que me carregas,
Para os teus braços
No meu sonhar.

Barco quantas lembranças,
Quantas saudades
No seu andar.
Barco minha esperança
É que me leves
Para o além-mar.

Jorge Leite

EU E O LUAR 

Lindo o verde destas matas! 
Encanto-me com o barulho das cascatas
O sol em brasa meu corpo maltrata
Banho meu corpo nas lindas águas. 

Que lindo céu, que lindo luar!
Brisa que leva as águas pro mar
Toca meu corpo, entrego-me ao luar
Meu corpo despido pro luar afagar.

A noite é pura quando há luar!
Quero nessa pureza o desejo matar
Quero que a brisa venha me encontrar. 

No leito das cascatas vou dormir e sonhar
Deleitar-me com o luar, até o sol nascer...
Tudo seria bom se o luar fosse você!

Rita de Cássia Soares
 
 NOS MARES DA ILUSÃO

Peguei meus remos e resolvi navegar
Nos mares tranquilos do meu coração
No meio da viagem me deparei contigo
Com a mesma ideia de viver na ilusão.

Que pena, então, eu senti de nós dois
Em nossos barcos brincando de canoeiro
Se naufragarmos, o que faremos depois  
Se nem talento temos, de um timoneiro.

Voltemos no fluxo da maré, chega de ilusão
Se fores o Tristão dos mares que sonhei
Sou a Sereia daquelas ondas onde deixei
Repousar os sonhos de um pobre coração!

Socorro Almeida
Recife, 17/12/2020

SONHOS ALÉM-MAR

Tantas Primaveras que voam
Trazem esperança de floração
Novos momentos que avoam
Novos sonhos, nova Estação...

Tantas mudanças além-mar
Momentos de plena renovação
É preciso partir, voar, navegar,
Velejar muito além da emoção...

Buscar o cheirinho do Alecrim,
Acordar e sentir total sensação
Regar a nova Flor de um jardim...

Tantas Primaveras além-mar...
São sonhos realizados por mim
Sinto-me viva em meu sonhar.

Elisabete Leite – 02\06\2019

domingo, 24 de outubro de 2021

A ESSÊNCIA DA ALMA

EDIÇÃO Nº 467

 "Na essência somos iguais, nas diferenças nos respeitamos."

(Santo Agostinho)


 LEITURA DE DOMINGO

 O PACIENTE DOUTOR 

           Já era Primavera, mas o clima, naqueles tempos, parecia pardacento, as roseiras viviam desfolhadas e sem espinhos, e os jardins sem o colorido da estação. Já os olores da vida estavam sem essências qual andorinhas sem verão.

          JS era um médico brilhante, um sábio viajante, que vestia o seu jaleco para voar pelos corredores dos hospitais sombrios, levando a luz do bem aos pacientes, não só através das suas habilidades médicas, mas pelo dom da cura, por meio da força do amor. Muito cedo ele conheceu o sabor da vitória, garoto franzino por fora, porém grandioso por dentro, sempre foi conhecido como o chorão da família, mas inteligente por natureza. Ele ainda adolescente, conseguiu ser aprovado em seu primeiro vestibular para Medicina na Universidade Federal de Alagoas, um nordestino com louvor. "Sua mãe vivia dizendo que toda a sua prole seria doutor". 

          Mas, JS era também muito bom sonhador, conseguia viajar dando asas à imaginação e o seu ofício de ilustre poeta vinha do âmago do coração... Certo dia, o doutor ficou acometido por uma doença misteriosa, e assim se transformou em um paciente doutor; ele foi realizar uma grande viagem em um renomado hospital. Entrou como paciente e foi acolhido por anjos vestidos de jalecos brancos e JS sentiu na própria pele o sabor da bondade.

 Entrou pela porta de emergência, a sua mente não estava na referida instituição, mas viajando sem rumo certo, operando milagres, cumprindo uma nova missão. Encontrou pelos caminhos, entes queridos que já tinham mudado de plano; pacientes que navegavam por outros mares. Foi uma viagem difícil porque as estradas se cruzavam, e os devaneios, de mestre escritor, estavam presentes em sua memória. O paciente doutor presenciou cenas doloridas, viu pessoas negativas, momentos de solidão e tristeza, sentiu sua alma completamente vazia, que procurava o sentido do amor, a essência da vida. JS consegui sair do estágio crítico, passou a receber visitas e em um certo momento se encontrou com outra irmã viajante. 

A caçula Beta, como era chamada por ele, entrou triste naquele grande corredor do hospital, porque sentia muita a falta do irmão, necessitava urgentemente da saúde dele para continuar suas viagens, alçando seus voos pela imensidão. 

          Ela adentrou no quarto devagar e JS estava em um leito branco, cercado por anjos, se aproximou, e quebrou o silêncio:

           - Olá, querido irmão! Como tem passado? Quem sou eu?

            O paciente doutor olhou fixamente para sua irmã, e respondeu-lhe quase chorando: 

           - Claro, é Beta! Minha irmã, passei por momentos difíceis, tive alucinações terríveis, fui machucado e machuquei quem não merecia! Estou muito triste!

          Sua irmã olhou com muito carinho para ele, e disse-lhe:

           - Querido, somos viajantes! Estamos poetas e ultrapassamos todos os nossos desafios. Você fez uma longa viagem, mas já retornou. Teve a chance de conhecer o outro lado da vida, porém Deus mandou você de volta, para concluir a sua missão, neste plano físico. Irmão, esse momento não é de tristeza e sim de gratidão e alegria. Os seus amigos estão esperando por você. Permite-se florescer, que já é Primavera! Ela acariciou a longa barba do irmão e saiu em seguida.

           A sonhadora Beta deixou o hospital pensativa. Falando baixinho consigo mesma: "meu Deus, meu irmão teve uma experiência fantástica! Parecia uma outra pessoa, com semblante cálido, sem marcas de tempo e sorriso brilhante. A viagem foi positiva para ele. Na verdade, ela se sentia um pouco aliviada depois que falou com irmão.

          JS permaneceu por mais um tempo no hospital, aguardando o resultado dos últimos exames. Ele estava descansando da longa viagem que fizera...

           O tempo passou... JS se recuperou, mas jamais se esqueceu da sua dolorida experiência de ser um paciente doutor.

Elisabete Leite 

A ESSÊNCIA DA POESIA

Nem tão longe, nem tão perto
O corpo, alma e emoção.
A mão que descreve o verso
Desperta um genuíno sentimento,
Faz transbordar o coração...
A leveza em cada palavra
O olhar em várias direções
A sinestesia, nuances e cores
Ah, tudo causa sensação!
Cheiros e múltiplos perfumes
Misturam-se ao olhar da criação
Tons, brilhos, inspiração e olores
Na alma da poesia em construção.
O valsar e entrelaçar das letras,
Que vão tomando corpo e formação
A sua musicalidade e harmonia.
E o poeta dando asas à imaginação
vai versejando a essência da poesia.

Elisabete Leite


A ESSÊNCIA DA ALMA

Ah, é bela a natureza da minh'alma!
Minha essência resplandece todo dia
Inebria o meu Ser e me deixa calma
Faz aflorar todas as minha energias...

O sangue circula fácil pelo coração,
Logo desperta a magia na minha vida
Faz fluir, do âmago, grandes emoções
E traz de volta a felicidade perdida...

Que reluzente é o brilho de meu olhar
A luminosidade ofusca a minha visão
E faz renascer minha vontade de amar...

Assim, o amor brota de várias sensações
Incandescendo até no cintilar do luar
Envolvendo-me em salutares vibrações.

Elisabete Leite 


ENCONTRO DE POETAS 
DOCE AMIZADE 

Muita coisa há de supérfluo  nesta vida
Tanta coisa que se ama sem dar valor
Sorrisos encontrados em cada esquina
Sem o prazer de sentir o mesmo amor.

Mas, há coisas perfeitas neste mundo
Os lagos, os rios, os campos, os mares
Os jardins, e o perfume das rosas...
Ainda que dores pelo caminho encontrares
A vida ainda assim é maravilhosa!

Nem sabe porque lhe digo essas coisas
Nem imagina o quê de que mais me orgulho 
Muito mais ainda por existir neste mundo 
A criatura que sabe o valor disso tudo.

A grandeza da amizade, a dor da saudade 
De todos os valores, o maior  bem-querer 
Que encontramos no mais longínquo coração 
É sua amizade por mim, e a minha por você!

Socorro Almeida 
Recife, 29/05/2021

A INCOERÊNCIA DO POETA

Se o poeta finge uma dor que não tem
Como explicar uma lágrima descontente
Que lhe cai do rosto tão suavemente
E diz que não é por nada nem por ninguém.

Se o poeta finge ser o que não é
Como explicar essa coisa tão bonita
Que lhe sufoca a alma embevecida
Pela divina imagem de uma mulher!

É nos versos que lhe cabe toda a dor
Quando ele ama, ele ama intensamente
E quando odeia, diz que é pela arte...

Só se sabe que o poeta é um sonhador
Suas dores são sentidas só internamente
Mas seu amor é sentido por toda a parte!

Socorro Almeida 

Recife, dez/2020

         
PING PONG

Uma ação do tempo...
Indefinido!
Um amor...
Proibido!
Sentimentos 
Possibilidades!
Mente sã...
Vida lúcida!
Uma cor...
A mais bonita!
Uma flor...
A mais bela!
Amizade...
Verdadeira!
Maldade...
Sedutora!
Críticas...
Destemida!
Paixão...
Desilusão!
Esperanças
Solução!

Baltazar Filho 
06 de agosto de 2021

BRAVO ROMANCE!

É de tirar o chapéu
O que outrora aconteceu
Sobre os comentários ao léu
Do romance, "Julieta e Romeu".

Na ficção uma inverdade
Talvez uma mera invenção
Um folhetim sem maldades
Cruel realidade, dura ilusão.

Trágico suspense
Um ingrato destino
Um amor descrente
Preso ao infiel destino.

Destinos castigados
Dias angustiantes
Corações estraçalhados
Paixões crusciantes.

Baltazar Filho
05 de agosto de 2021


RECORDANDO POESIAS
Minha Alma

Minha alma embriagada sente sede
Sente medo de sair da escuridão
Fica triste ao pensar que já foi lúcida
E se pergunta pra que serviu tanta razão.

Minha alma embriagada quer dar saltos
Não para a vida que lhe norte a incerteza
No silêncio se transforma em sobressaltos
De uma palidez pútrida em sua baixeza

Minha alma embriagada curva-se a Deusa 
Na Incerteza do amor de uma paixão
Se desespera pela falta de pureza
Sofre perdas, dores, convulsão.

Embriagada minha alma sofre insultos
Com palavras, com gestos inoportunos
Ajoelha, reza, implora indultos
Como um velho inspetor de alunos.

Minha alma adormece em tuas dores
Tenta crer que já foi santa e impura
Suas lembranças é um circo de horrores
Em lençóis sujos de vermelho-púrpura.
 
Jorge Leite
19 de junho de 2021
 

FOI ASSIM

Meus olhos quando te viram, se apaixonaram
Minha mente foi te desenhando
Minha boca quis te contar que nosso encontro
Estava marcado pelo destino.
Estava nascendo entre nós
Uma linda história de amor.
Naquele momento, eu senti
Vontade de te dar um beijo
Minhas mãos quiseram te tocar
Meus braços queriam te dar um abraço
Meu caminhar queria ir em tua direção.
Meu coração quis te pedir
Que te alojasses dentro dele
E ali ficasses eternamente.
Foi então que pedi
Um conselho pra mente e pro coração
Os dois responderam numa só voz:
O amor é divino. Ame e seja feliz!
 
Cândida Nunes
LÁGRIMAS DE MULHER

Essas lágrimas em teu rosto, mulher
Lavam a dor da indagação.
Fale, fale tudo o que quiser
Para tudo tem uma solução.

Não é fácil ser tudo que ela quer
Quando surge aquela interrogação...
Fazendo um julgo qualquer
Seguindo a sua razão.

Não tentes julgar o meu enigma
Pois dentro de mim tem o estigma
Um grande mistério que se cifra....

E digo, Deus tem a conclusão
Por isso, não deve sofrer contestação!
Mulher, meu coração  ninguém decifra!

Rita de Cássia Soares
Pirpirituba 07/03/2021

DE TOLA QUE EU SOU  (AAL)

Falei contigo dos antigos amores
Ficaste, então, com um olhar de temor
Falei de todos que eu deixei para trás
Pensando talvez de matar de ciúmes
Chorei sem querer... de tola que eu sou

Falei da saudade dos antigos valores
Dos salões de festas e das serenatas
Da esteira em que meu peito pulsou
Por um amor cruel que quase me infarta
Chorei sem querer... de tola que eu sou

Falei das canções cantadas ao vento
Dos boleros e rumbas, valsas e blues
Dos encantos que vêm seguidos de dor
Das gotas de orvalho nos lagos azuis
Chorei sem querer... de tola que eu sou

Como pude zombar do teu coração?
Dos olhos castanhos tão cheios de amor
Do afago, a mão que em meu corpo tocou
Do abraço envolvente, dos teus beijos ardentes?
Que agora perdi... de tola que eu sou!

 Socorro Almeida
"Poema que faz parte de seu livro "Mulher de Todas as Rimas & Outras Poesias".
 



FELICITAÇÕES E HOMENAGENS 
Ser Poeta

Ser Poeta, é ser sensível 
À  vida e aos elementos 
Captando a sua essência 
O valor dos sentimentos...

É  chorar de alegria 
Sentindo,  profundamente,
O Amor escorrendo em lágrimas 
Do fundo d'alma da gente...

E a tristeza sentida
É  extravasada em versos 
Escoando a nostalgia 
Desse nosso universo...

É  viver em plenitude
Num limbo de provação 
Que se transforma, somente,
Em nuvens no coração...

A alegria de viver,
Desespero, luto e dor
Fazem a vida de um poeta
Resplandecer de Amor...

Amor por tudo e por todos,
Pela vida e pela morte...
Se você for um poeta,
Você teve muita sorte!!!

           ❤️Tásia Maria


"Somos poetas de todas as rimas
Nos versos cantados de nossas canções
Seja nas almas cheias de saudade
Seja no pulsar de nossos corações!"

Socorro Almeida

Imagens Diversas: Pixabay



domingo, 17 de outubro de 2021

AS CORES DO AMOR


 EDIÇÃO Nº 466


 "Amor nas entrelinhas com reticências para não se acabar, se ponto e vírgula tinha, a gramática vou mudar" Elisabete Leite



 ENCONTRO DE POETAS

 

NOSSAS LOUCURAS


Esses tremores em teu corpo quando te toco

Pelo ardor que trago nas  palavras indecentes 

Gratidão nesses teus olhos tão impacientes

Até os anjos se calam e se afastam sorridentes...


Só nós dois agora em nosso leito, meu amor

A buscar nos braços um do outro um jeito

De encarar as nossas faces já sem cor

Pelas loucuras que explodem do nosso peito.


Ouve apenas o silêncio de nós dois

Achega-te mais neste corpo que é teu

O que quiseres dizer, deixa pra depois 

E acalenta o meu coração que adormeceu!


Socorro Almeida 

Recife, 29/08/2021



 

POR QUE CHORO?


Aonde vai dar o caminhar das gerações

Os voos angustiantes dos passarinhos

Que não sabem onde  encontrar seus ninhos

Pelo canto que não ouço mais... 

Como vou ouví-los agora?

Quais árvores vão me dar frutos

Se elas choram sob fumaças

Pelas folhas queimadas que caem

Pelas sombras que não tenho mais...

Onde encontrá-las agora?

Pelo choro da criança que não nasceu 

Pelos filhos que não abracei

Como vou tê-los agora?...

Agora que eu sei porque choro

Até choraria bem mais

Se eu soubesse o que fazer

Dessa saudade que faz

A gente padecer de tristeza 

Ou gritar pro mundo doente 

Que viver ou morrer... tanto faz!


Socorro Almeida 

Recife, 07/10/2021



COR-IDENTIDADE 


Busco a nossa identidade 

E penso nas tendências do racismo 

Descubro as controvérsias das etnias 

E foco um típico exemplo do racismo 

Encontro nas formas científicas

E tento em meus versos explicar 

A genética simulando as raças 

Dentro das classificações raciais 

Enfatizo a separação irracional 

Invento as raças 

Buscando desvendá-las 

Portanto a raça mãe identifica 

Enaltece a realidade biológica 

A genética explica 

O DNA resultado da nossa cor

Variabilidade humana destaca 

Nossas combinações raciais. 


Rita de Cássia Soares 

Pirpirituba 20/11/2009.

 


MOMENTOS


Tudo na vida são momentos

Até mesmo EU

Que não passo de mais um

Que preenche o momento

Que por sua vez completa

O que chamamos de VIDA!

Amanhã talvez chegue lá 

HOJE estou até não sei quando

Mas o AMANHÃ é apenas

O pensamento do AGORA

Só sei que gosto muito de vocês 

É prego batido e ponta virada!


Emiliano de Melo 

Guarabira, 15/04/2020



*LIBERDADE*


Quero a desilusão.

Aprender a sair, aprender a viver,

Eu deixei depreciar meu coração ao caminho,

Tudo isso quando eu era jovem.

Enfim, sempre soube disso,

É inevitável.

Porém, tenho pagado o preço,

De ser quem eu sou,

Sei que não sou o único nesse embarque.

Não sinto arrependimento, mas algo soa similar,

às vezes sinto meu reflexo, não sou eu.

Mas quero viver um pouco mais,

Olhar para o horizonte, e perceber possibilidades.

Sinto minha vida passando rápido demais.

É como se estivesse preso na cadeira de cinema,

Assistindo com lentes acromáticas.

Sinto falta dos meus amigos,

Do meu lar, da minha mãe tocando meus cabelos.

Sinto falta de uma vida, como festa de criança.

Mas, isso já faz algum tempo, muito tempo.

Caminhando nas ruas em que cresci,

Eles não me reconhecem mais,

É como tivessem receio de mim

Penso em coisas para falar,

Um bom dia, alguma coisa.

Mas, eles não têm ideia de quem sou,



Na luz do dia!


Jailson Pereira, Pirpirituba, 2020 (em algum momento da pandemia).



Fotografia 


Sorria para a foto,

Finja estar perfeito.

Ajeita tua postura

E esquece todos os teus medos.


Por favor, esconde as marcas roxas.

Elas não são atraentes.

Então, vá logo e vista outra roupa,

Para deixar os pais contentes.


Quando terminar, deves ficar bem amostra.

Você pertence a uma vitrine de loja

Logo, não resista e mantenha-se posicionado. 

E apenas deixe que te vejam -avaliem- como um bom manequim fotogênico.

Ou vais ser deixado de lado, assim como teu gênero.


Ah! E não desvie o olhar, ninguém quer ver-te sangrar.


Pronto! Agora podes quebrar a compostura, porém só tenha cuidado para não deixar a mente cheia de muitas fraturas.

Enfim, Já não disse? Está livre.

Vá! Saia plástico, mas em silêncio e nem pergunte o que deves fazer.

Só ande em frente e morda a língua até ter tinta suficientemente para escrever.


Amaury Autory 

Pirpirituba PB



COMENTÁRIOS NO ESTILO CORDELISTA 


No Encontro de Poetas

Deu Chuvas de Poesias

Com Emiliano e Rita

A MINHA CHUVA inicia

A Minha Chuva é assim:

Amor pra ti e pra mim

Onde tudo é alegria.

.....

CLIMA DE CHUVA irradia

Trazendo um corpo aquecido

Sussurros ao pé do ouvido

Daqueles que enlouquecia.

ÍNDIO, vem com a Guerra Fria

Na qual indígena é o vilão.

Cabeça de Camarão...

Fresco, pescado na loca

Junto ao Pirão de Mandioca

Vêm com FILHO DO SERTÃO.

.....

EU FÊNIX traz sensação

De desejos, sentimentos

Cheiro de suor no corpo

Nas volúpias dos momentos.

Um amor puro e crescente

Corpos em chamas, ardentes

Em pleno renascimento.

.....

E, para deleitamento

Com lágrima de emoção

ROMANCE PRIMAVERIL

Traz beijo e declaração.

Assim, o romance diz:

Que foi um final feliz

Cheio de amor e paixão.

.....

Do Cangaceiro e o sertão

Fala: SANGRENTO CANGAÇO

Justiceiro, cabra macho

Virgulino, o Lampião.

DEIXOU-ME FEITO UM PIÃO

Onde encontrá-la? Cadê?

Corre aqui, venha me ver!

Prisioneiro e sofrido...

És meu Jardim mais florido

És flor do meu bem querer.

.....

O sol a resplandecer

Um corpo dilacerado

Coração acelerado

De saudade a padecer.

Isso leva a entender:

UM SONETO IMPROVISADO.

Fiquei bastante encantado

Com o RONDEL: MÁGICO DA VIDA

Por querer ver colorida

A vida e tudo ao seu lado.

.....

A Emiliano de Melo

Meus sinceros parabéns

Rita de Cássia é refém

Desses aplausos sinceros

Um parabéns paralelo,

Eu dedico a Gutemberg.

E a Baltazar, que consegue

Cumprir bem o seu papel

A Elizabete e o RONDEL

Meu sincero aplauso segue.


Valdemar Guedes

Poeta Cordelista.

Guarabira-Pb.



O MEU POEMA!


Tem enredo diversificado, são contextos livres, nada demasiado.

Não é demasiado porque é sucinto, simples, verdadeiro.

Verdadeiro tratando-se da realidade, sem devaneios.

Sem devaneios, porque é real, sério e conectado.

Conectado com a realidade, sem demasiadas fantasias.

Não impera-se além da imaginação, tem firmeza, é realista.

É realista porque é edificante, baseado em fatos normais.

O meu poema é sucinto, eficaz, criativo, não é imaginário.

Por ser versátil e condizente com a vida, é criticado.

Criticado positivamente por grandes referências da literatura.

O que me torna humildemente sociável e regozijado.

O meu poema com rima ou sem rima, é levemente ousado.

O meu poema por ser simplório ele é sábio, com perfeições e imperfeições.

É espirituoso, renovador, regionalista e também lendário.

Lendário cheio de emoções, um resgate das fontes naturais, com abstratas inspirações.


               Baltazar Filho

       28 de setembro de 2021

 


 País das maravilhas: São Saruê

Viajei para um lugar,
Era um distinto país
Vi gente muito feliz
E ares pra me encantar
Havia fruto em pomar
Flor viva em jardineira
Verde/amarelo em bandeira
Água doce em riachão
São Saruê era então
Um país à brasileira


Um país das maravilhas
Era esse São Saruê
Vale à pena conhecer
Há  belezas, muitas ilhas
Há belos filhos e filhas
Que vivem em harmonia
No mundo quem não queria
Nesse lugar ter morada
Natureza preservada
E um mar de alegria

Cristine Nobre Leite

(Homenagem a Manoel Camilo dos Santos)

                                                                  

 

  Eterno inverno

Joguei as estrelas para fora da janela
E tentei buscar uma forma de encontrar a luz
Mas ela era minúscula sobre o breu daquela cidade
E todos eram cegos para as coisas que importavam
Então quando a cidade sentiu o inverno
Desejaram a dádiva que eles não poderiam ter
O calor

Gabriela Mota, João Pessoa, 13/10/2021

 


Todas as noites o mundo cai sobre nós 


Em meio a tantas dores fatais 

Entre todos as cores incabíveis na paleta do universo 

Você foi o cura para remediar meus dias mais loucos 

E entre todos os loucos do mundo 

Resolvi ser a mais louca por amor 

E encontrei em você tudo que me faltava 

A sanidade.


Gabriela Mota, João Pessoa, 09/10/2021



Conheceu, ele é seu; ela é dele

Um ao outro consentiu e viveu

Amarras, garras e nada expele

Entranhas, dores, afetos; o céu


Um longe só existe no deserto

Seixos, areia escaldam os pés

Judeus andam e chegam perto

Da cidade vista por seu Moisés


Que ele e ela porém se desejam

Até buscam uma cidade para si

Como repouso é o que almejam


Talvez eles cheguem mesmo ali

E juntos, separados; não importa

Ermo exige ser ágil como Naftalí


_Rio que passa_



LEITURA DE DOMINGO 


AMOR, VINHO E INVERNO 


          Era uma manhã de inverno fria, silenciosa e penetrante; o vento soprava e o clima congelante não permitia que a bela Helena se levantasse… Ela já estava atrasada, para o primeiro dia em seu novo emprego. O dia estava fleumático e muito chuvoso; Helena levantou-se, afastou devagar as cortinas e estirou seu braço como se quisesse segurar a chuva, queria tocá-la, sentir sua fragrância. Ela virou-se e foi se trocar, não queria perder a primeira condução... Ao chegar ao trabalho, a jovem percebeu um clima pesado, e somente salas vazias. Ela foi ao atendente, e perguntou:

        - Bom dia, senhor! Sou a nova digitadora. O que aconteceu?

       - Bom dia, jovem! O diretor da empresa faleceu hoje, e não haverá expediente, mas a senhorita pode falar com o diretor adjunto, na sala ao lado. Disse-lhe. 

       Ela entrou na sala, e não acreditou no que viu. Sentado de cabeça baixa estava alguém que ela conhecia muito bem, um amor do passado. Ela quebrou o silêncio, e disse-lhe:

      - Gustavo, é você? Há tanto tempo! Você estava em Londres?

      Um jovem de cabelos negros, barba expressa e bem elegante, respondeu-lhe:

      - Heleninha, que prazer em revê-la! Estou de passagem. Não soube mais notícias suas!

      O rapaz se levantou, a envolveu em um abraço, e a beijou nos lábios. A garota retribuiu o selinho e eles ficaram conversando por horas, que nem notaram o tempo passar...

 


          A chuva persistia e o casal continuava conversando. De repente, Gustavo levantou-se foi até o frigobar, pegou uma garrafa de vinho e duas taças. Aproximou-se de Helena, afastou os seus cabelos, deixando o pescoço dela exposto, segurou-a em seus braços, molhou os seus lábios com vinho, e beijou-a ardentemente. A garota entregou-se por inteira, de corpo, alma e mente. Os gemidos invadiram os corredores vazios daquele ninho de amor, enquanto o vinho molhava a saliva do casal que não parava de se beijar e amar. A noite fria foi aquecida pelas chamas ardentes da paixão e assim, tudo ficou consumado. Gustavo e Helena dormiram em companhia do vinho... 


          Já era quase manhã quando os dois foram ao velório do diretor da empresa, e nunca mais se separaram. Eles jamais se esqueceram daquela noite de amor, vinho e inverno.


Elisabete Leite



À BEIRA-MAR 


Banho-me em seu espumante lençol 

Com a brisa acariciando o meu rosto

Em uma fascinante tarde de arrebol

À beira-mar sentindo um suave gosto...


Ao som do gorjear dos pássaros no céu 

Em sintonia com o vai e vem das ondas

Fico boiando em seu espumante véu, 

De lá pra cá na cadência das águas brandas...


Reminiscências banham a minha memória 

Como atos de uma peça teatral

O último ato acaba com o desfecho da história 

Sem desvendar o personagem principal...


Logo o cenário tinge o céu de escuridão 

Mas o luar resplandece com o seu esplendor 

Vai colorindo com nuances o meu coração 

Tornando-me coadjuvante desta cena de amor.


Elisabete Leite 



AME-ME ASSIM!

Ame-me sozinho para ninguém saber
Ah, eu quero você, somente para mim!
Amor que veio lá de dentro de teu Ser
e deixa o mundo com aroma de jasmim...

Espalhe o teu amor pela natureza,
Para que as aves possam descobrir 
Um sentimento repleto de grandeza 
Assim, elas trarão teu amor para mim...

Ah, ame-me com intensa satisfação!
Como o sopro do vento ao entardecer 
Deixe o amor fincar raízes em meu coração 
Para que eu jamais possa te esquecer...

Ame-me por nada, sem nenhum motivo 
Sim, simplesmente por querer me amar
Tu sabes que também és correspondido 
O tempo passa, mas o amor não passará.

Elisabete Leite 


FELICITAÇÕES E HOMENAGENS 

PROFESSOR

Sendo este o teu dia,
Quero te homenagear,
Mesmo sem saber o que falar,
Impus-me essa ousadia.
Teu dia é todo dia,
Afinal, vives para ensinar.
Ensinar só não, vives a educar,
Com amor, serenidade e alegria.
Professor, és proteção e segurança,
Ensinamento e orientação.
Ensinas e orienta com o coração,
Iluminando a mente da criança.
Benditos mestres e mestras,
Que tornam livre uma nação.
Fazendo de cada indivíduo um cidadão,
Trabalhando sem horas extras.
No trabalho de cada professor,
Que hoje abraço com carinho,
Agradeço um pouquinho,
a dedicação desse herói educador.

Pedro Passamani


"Quem nunca sentiu o Amor, jamais conseguirá enxergar Poesia no desabrochar de uma flor"
Elisabete Leite


Imagens Diversas: Pixabay


terça-feira, 12 de outubro de 2021

A MAGIA DA CRIANÇA

EDIÇÃO Nº 465

"A criança consegue enxergar muito além do horizonte, por trás do arco-íris, ela se sente dentro das narrativas, se envolve como se fosse o próprio personagem do enredo". (Elisabete Leite)

CANTINHO DA TIA BETA 

 DOCE INOCÊNCIA

Entre a realidade e a fantasia
A criança viaja pelo seu mundo
O Universo de sonhos e magia
É agradável, colorido e fecundo...

Doce inocência que tinge a vida
Onde imaginação voa no tempo
Escolhendo a sua cor preferida,
Vai colorindo o seu passatempo...

Letras se juntam e formam Amor
Uma palavra doada por gratidão
O branco se une ao colorido da flor
E a pureza fica dentro do coração...

Criança acredita em lendas e fadas
Até no palhaço que sorrir de alegria
A criança quer ser feliz, bem amada
Na simplicidade ela enxerga Poesia.

Elisabete Leite



BOITATÁ E OS PROTETORES DAS MATAS 

           Era uma deslumbrante noite primaveril, a estação mais florida e colorida do ano, mas naquela noite o vento soprava tão quente que parecia até que já era verão. O luar resplandecia dourado por entre as folhas verdejantes das palmeiras, que balançavam sem parar, e as estrelas reluziam com tanta intensidade, como se quisessem narrar algum segredo. Logo, a dama da noite resplandeceu no céu  com seu dourado véu deixando o cenário novelesco...
          Os inseparáveis primos, Pedrinho e Salomé, corriam pelo caminho de Pedra em direção a um pequeno riacho na intenção de se refrescarem com um agradável banho noturno; eles estavam passando um final de semana no campo, na casa dos tios. Um local lindo, em uma casinha simples, dentro da Fazenda Olho D'água. Local onde o irmão da mãe de Pedrinho era o cuidador de cavalos.
           A Fazenda era uma propriedade belíssima, tinha área verde por toda sua extensão, pois o que não faltava por lá era muita diversão para os primos aventureiros. Pedrinho e Salomé viviam cavalgando pela relva sem rumo certo, tomavam banho de bica, se molhavam no lamaçal, corriam atrás das cabras leiteiras e  bebiam o leite quentinho direto nas tetas... Porém, naquela noite os primos estavam pressentindo um clima diferente, principalmente Pedrinho, e pouco demoraram no banho. Pedrinho falou para Salomé que algo iria acontecer:
           - Prima Salomé, eu estou sentindo um clima pesado, e o tempo escureceu repentinamente, acho que alguma coisa vai acontecer.
           Salomé fez uma cara de espanto, e respondeu-lhe:
          - Pedrinho, deixe de besteira! O que pode acontecer por aqui, tudo parece tão calmo. Eu bem que gostaria que algo acontecesse, para sairmos dessa mesmice. Eu também me sinto diferente, mas você sabe muito bem, que não vivemos sem uma boa aventura. Quem sabe se um lendário do folclore vai aparecer em nosso caminho!
            Pedrinho olhou para Salomé, e continuou falando :
           - Prima, olhe para o céu e veja como as estrelas estão num pisca-pisca constante, a lua fica acenando para a gente, como fosse se comunicar, ela até se escondeu por trás das nuvens. Deixe aflorar a sua sensibilidade e sinta o universo, ele está diferente! Eu tenho certeza que alguma coisa irá acontecer, Salomé! Vou apanhar o livro de aventura que ficou guardado dentro da mala; só assim a gente poderá se prevenir do que vem pela frente.
           Salomé olhou para o céu, e disse-lhe:
           - Não vejo nada Pedrinho, deixe de imaginar coisas! Pode ser um temporal que está se formando! Vamos para casa que é  melhor. 
           Salomé também estava sentindo algo diferente, porém não queria assustar o primo. Os dois seguiram pelo caminho de volta, bem devagar... De repente, eles avistaram algo brilhando por entre as folhas das palmeiras; o objeto reluzia tanto que parecia até uma bolo de fogo. Pedrinho ficou perplexo, completamente mudo, somente aguardando o inesperado visitante. O fogo foi aumentando de intensidade, e se aproximando deles. O fogaréu aumentava sem parar, enquanto os dois primos não paravam de tremer. Logo, Pedrinho olhou para Salomé, sem entender nada, e disse-lhe baixinho:
           Prima Salomé, eu estou temeroso pelos acontecimentos que virão! Acredito que estamos sonhando, mas se não for sonho. O lendário do Boitatá veio nos visitar, porém resta saber o real motivo dessa inesperada visita.
           Salomé olhou firmemente para Pedrinho, e respondeu-lhe:
           - Primo, eu estou com muito medo! Vamos procurar se comunicar com ele?
           - Sim prima, vamos tentar! Respondeu-lhe Pedrinho.


           Subitamente, uma grande cobra verde, de cabeça de fogo com vários olhos incandescentes por dentro, que se agrupavam e até parecia uma tocha olímpica, pulou na frente deles. Logo, o suspense foi quebrado, e ela começou a falar em línguas estranhas e cuspindo fogo para todo lado. Os primos que ainda continuavam com calafrios de tanto medo, permaneceram parados. 
          O visitante parou de cuspir fogo e começou a falar normalmente, e disse-lhes:
           - Desculpe se assustei vocês, é que estou precisando de ajuda. O danado do Curupira falou para mim que vocês são amigos da Natureza, que vivem protegendo o meio-ambiente, a Flora e a Fauna. Preciso urgente voltar à floresta, mas por algum motivo estou me sentindo confuso e não reconheço o caminho de volta. Uma parte da floresta está queimando, um incêndio de grande proporção. Eu vivo no coração da floresta e protejo as matas contra incêndios. Disse-lhe o lendário Boitatá.
           Pedrinho olhou para o Lendário, e disse-lhe:
          - Cobra Lendária, vamos ajudá-lo! Você vai precisar se esconder enquanto resolvemos tudo; aproveite para descansar e recuperar suas energias.
          E assim, Salomé continuou falando:
          Já conhecemos muitos outros Lendários e passamos por grandes aventuras com eles. Seja forte que você é um exímio protetor das matas. Seja bem-vindo!
          Assim, os três se dirigiram ao celeiro, local onde o Boitatá ficaria escondido para descansar, enquanto os primos providenciariam alguns mantimentos e mapas para devolverem o Lendário em segurança ao seu local de origem.

           Pouco tempo depois foram acordar o Boitatá para seguirem  viagem... Pedrinho e Salomé, com folhas de palmeira, saíram apagando os focos de incêndio de um lado, enquanto o Lendário com seu encantamento apagava do outro lado. Subitamente, o Boitatá parou, e disse-lhes:
            - Amigos, o incêndio está controlado e eu já me localizei. Vocês ajudaram bastante e o que eu precisava mesmo era de um bom descanso. Quero agradecer-lhes pela hospitalidade e ajuda de vocês. A União faz a força! O Curupira não mentiu em nada. Vocês não são lendários do folclore, mas são os verdadeiros Protetores das Matas. Agora descobri o significado da palavra amizade! Vocês são grandes aventureiros e meus amigos.
           Pedrinho olhou com admiração para o Lendário Boitatá, e respondeu-lhe:
           - Siga em Paz, lendário protetor das matas! Você agora é nosso amigo e sempre será, quando precisar, é só chamar.
           Assim, num passe de mágica  a cobra de fogo desapareceu e os primos voltaram correndo para a casa da Fazenda...
         Já em casa, o garoto Pedrinho  retirou o livro de dentro da mala e leu o título: Boitatá e os Protetores das Matas. O garoto fechou o livro, o colocou na estante e foi descansar na casa da árvore. Pedrinho estava muito feliz em haver descoberto o verdadeiro sentido das suas aventuras: a Valorização da Cultura,  a Preservação da Natureza, o significado das lendas e seus diferentes olhares dentro do folclore.
          O tempo passou... Pedrinho e Salomé cresceram e cada um seguiu seu destino, porém eles jamais irão se esquecer das lendas, dos personagens das estórias e dos momentos inesquecíveis das suas aventuras.
          Viva o dia da criança!

Elisabete Leite

AMOR & RESPEITO

A criança quer ter Amor e Carinho
Não sofrer abuso e nem pancada
A doce inocência do seu rostinho
Ah, deverá ser sempre preservada!

Criança precisa se sentir acolhida
Ter o seu coração cheio de alegria
Viver uma infância livre e protegida
é o seu sonho colorido de todo dia.

A criança merece ser bastante feliz
Cantar, brincar e dançar lindamente
Até ganhar beijos na ponta do nariz
O seu universo dever ser atraente...

Criança tem que ter um lar e nome
Muita segurança em seu caminhar
Saúde, educação, não passar fome
Seus direitos temos que respeitar.

Elisabete Leite


 

ENCONTRO DE POETAS 

Inocência de Criança 

Que lindo de se olhar
A Inocência das crianças...
Na pureza de suas almas,
Que a maldade não alcança.

As atitudes e gestos
Com um dom angelical,
Sempre falando verdades
Nunca desejando o mal...

Ajudando aos precisados
Com um Amor diferente...
E tanto desprendimento,
Que emocionante a gente...

Ah! Se os adultos lembrassem
Que foram crianças assim...
Jamais seriam egoístas 
E teriam esse Amor sem fim...

Às vezes fico pensando,
Porque nós mudamos tanto!
Pra nos defender do mundo
Vamos perdendo o encanto...

Vestimos uma couraça 
Pra nos proteger do mal...
Perdemos a nossa essência 
E a Inocência, afinal!

         ❤️Tásia Maria
 


COMO DEIXAR DE SER CRIANÇA!

Ser menino ou ser menina 
Que importa quando se é criança?
Sou menina tão pequenina
Bem reservada, pois é assim
Que a mamãe me quer!
Ainda não estou no tempo
De sonhar como mulher!

Ela me disse muitas vezes:
Filha, seja ainda essa menina 
Vai chegar o dia que sua boneca
Será uma peça pra ornamentar
A cabeceira de sua cama...
Não vai mais sonhar como criança 
E nesse dia vai perceber 
O que é amar de verdade
Ao ter nos braços outro ser
Pra lhe mostrar que a felicidade
É ser primeiro uma criança 
Pra finalmente ser mulher!

Socorro Almeida 
Recife, 12/10/2021
 

 
DOCE LEMBRANÇA 

Ah! O que eu não daria pra voltar no tempo
Pés descalços, correndo o risco de me machucar
Inventava coisas que até Papai do céu duvida
Ignorando apelos da mamãe a me chamar...

Brincar de bola, mesmo sem chutes a gol
Isso não era o mais importante pra mim
Bem melhor era a alegria de dar um show 
E impressionar a "mina" de beleza sem fim...

Amarelinha não era a brincadeira preferida 
Da meninada que comigo brincava
Com a intenção inocente de uma criança 
-"Vamos brincar de esconde-esconde, garotada!"
Pra que num cantinho bem reservado
Roubasse um beijo daquela menina
O mais doce beijo da minha infância!

Socorro Almeida 
Recife, 12/10/2019

 
PEDRINHAS DE BRILHANTES

Uma canção inesquecível, ó maninha!
Se minha rua fosse toda de pedrinhas
Eu mandava pavimentar e ladrilhar
Com pedrinhas reluzentes de brilhantes
Só para vê o meu bem querer passear.

Ressonando na magia do sonho eu ouvia
"Se roubei o seu mimoso coração
Levitando num sono leve, chega sorria
É porque te quero bem, uma dócil canção.

Versos solfejados com perfeita entonação
Nessa rua tem um bosque, afável e bonito
Tem um nome lindo chamado de solidão
O templo onde mora um anjo muito querido
O cupido que flechou o meu pobre coração.

               Baltazar Filho
        09 de julho de 2021

SAUDOSA CAPELINHA DE MELÃO!

Memória fantástica, a capelinha de melão!
Uma canção mimosa pra criança dormir
Ninava para adormecer e acordar São João
Uma magia, ele adormecia só em ouvir.

Capelinha de melão é do menino João
Cheira a cravo, exala a rosa, a manjericão
Quanta sutileza no balbuciar da canção!
As brincadeiras tinham muita animação.

As cantigas de rodas, saudosa diversão
As palmas seguiam um ritual com alegria
As meninas versavam com empolgação
Os meninos repetiam o refrão em calmaria.

Capelinha de melão, cheirosa!
É de São João, linda canção!
É de cravo é de rosa, mimosa!
É de manjericão, acorda João!

               Baltazar Filho
          08 de julho de 2021
 


 PÉS PEQUENOS

Procuro-te na infância
Minha boca é testemunha
Mãos alheias incentivam
Caio no primeiro passo
Sorrisos e palmas
Levanto-me, ando e caio
Sorrisos
Ando e ando
Palmas
Ando, corro e caio
Ando, corro e sorrio
Ando, corro, sorrio e não caio
Fico em pé
Ando, corro, sorrio, pulo e não caio
Estou de pé.

Emiliano de Melo
  
 

 
 FILHOS DOS VERSOS

Cada palavra é  escrita com emoção
Alimenta nossa alma e o nosso coração
Cada verso transforma nossa vida
Vira filhos da alegria gerados com exatidão
Toca suave e acalenta os  desejos
São nossos filhos e filhas sem raça e nem cor
São nossas poesias que a nossa inspiração gerou
Um ventre chamado coração
Que o nosso Deus abençoou
E o universo com carinho consagrou.

Rita de Cássia Soares
Pirpirituba 05/ 05/ 2021

 

 
 
RECORDANDO COM INCLUSÃO
 
Recordações

Tantas coisas aprendi,
Tanto tempo já passou,
Parece até que esqueci.
Mas nada disso mudou.
Ficaram todas guardadas
No fundo do coração,
Sonhando com o dia
De poder lhe ensinar.

Tantas coisas aprendi.
Espero poder mostrar
Como se faz uma pipa
Também como empinar
Vendo-a subir no céu,
Nas asas da ventania
Com ela seguem os sonhos
E todas as fantasias.

Nas pequenas bolas de gude
Tão coloridas quanto a vida,
Quero te ensinar as batalhas
Algumas delas perdidas,
Mas tantas foram vencidas
Na base da pontaria
Causando tanta alegria.

Como rodar um pião
Na palma de minha mão
É coisa que aprendi
Com meu amigo Tião
Quantas brigas travamos
Por um pedaço de chão
No qual pudesse rodar
Somente o nosso pião.

Nas noites de São João
Além das adivinhações
Tudo era alegria
Quando se soltava balões.
Quantas guerras travamos
Atrás das bananeiras
Onde as armas, simplesmente,
Eram os temidos rojões.

Somente com valentia
Jacaré a gente aprende
Nas cristas das ondas altas
Nós seguíamos contentes
Mesmo que o prêmio seja
Um corte no nariz da gente.
E não se podia chorar,
Pois quem chora
Não é valente.

Tantas coisas aprendi
E quero tanto mostrar
Como armar alçapão
Passarinho poder pegar.
Calango se caçava
Com tiro de atiradeira
As balas, tão bonitas,
Eram de carrapateira.

Pescar com caniço,
Quanta emoção
As piabas que pescávamos
Devolvíamos para o mar
Pescador que se preza
Piaba não quer levar.

Tantas coisas aprendi
Que choro só em lembrar
Todas guardei bem trancadas
No fundo do coração
Tendo a esperança que um dia
Tudo poder lhe ensinar.

Jorge Leite, São Paulo – Recife, 1970 - 2018
Publicado em 18/08/2018 e 29/12/2018
 
 

 
 
"Que a magia da vida realize sonhos, pois tudo é possível no Universo da Criança". 
(Elisabete Leite)
 
 
Imagens Diversas: Pixabay e Google