domingo, 27 de fevereiro de 2022

Domingo Sem Carnaval

 
 
 Blog Maçayó

Edição Nº 478

 
Carnaval do Arlequim- de Joan Miró
  LEITURA   DE   DOMINGO
 
 VENTURAS E DESVENTURAS DE UMA SONHADORA

          O Tempo parecia parado, nenhuma folhagem bailava no ar, o vento resolveu ficar estacionado, só esperando a chuva passar. Maria Helena foi até a janela da sala na intenção de escutar o tamborilar dos pingos d'água na vidraça, sendo sonhadora por natureza, precisava sentir os olores das coisas; necessitava com urgência, de aventuras e sensações para escrever. Mesmo chovendo ela precisava passear um pouco, contemplar o verde da natureza. A garota tinha um sonho, ela queria escrever sobre o seu cotidiano de vida. Sendo assim, vestiu uma roupa confortável, pegou sua sombrinha colorida e um agasalho para protegê-la do frio e segui andando tranquila pelo calçadão; um pouco mais à frente cruzou com um amigo da faculdade e parou para cumprimentá-lo:
          - Bom dia, Paulo! Você não estava na faculdade ontem? Cheguei a procurá-lo!
          O rapaz olhou fixamente para Helena, e respondeu-lhe:
          - Bom dia, Heleninha! Ontem amanheci indisposto e achei melhor ficar em casa. Posso ajudá-la?
          A garota abriu um largo sorriso, e disse-lhe:
           - Paulo, você não imagina o que  aconteceu, o professor de Latim fez um teste surpresa, em dupla, e eu sabia o quanto você é bom nesse idioma, mas você não apareceu. Sem nenhuma opção, fiz dupla com Luiz Carlos e não consegui tirar uma nota favorável. Amanhã haverá outra prova.
          Helena e Paulo continuaram conversando, calmante. De repente, o inesperado aconteceu, um caminhão de carga tombou em plena avenida e toda carga de melancia desceu ladeira abaixo atingindo os veículos e os pedestres; gerando assim, uma confusão total. Foi uma correria geral para todos os lados. Helena foi atingida em cheio, caiu feio e precisou imobilizar o braço direito, enquanto com Paulo nada aconteceu. A garota voltou para casa transtornada pelo tumultuado acontecimento, entrou conversando com seus botões: "que azar, eu não esperava por essa. Como irei responder a prova de amanhã! Fui em busca de aventuras e nada encontrei, além de desventuras." Logo após, deitou para descansar e adormeceu. Acordou cedo, tomou um analgésico, ainda sentia dores no braço, foi correndo para a faculdade pois teria prova no primeiro horário e não podia chegar atrasada. Quando Helena entrou na faculdade percebeu um clima pesado, como se um rio, com águas turvas, houvesse preenchido todos cômodos e corredores. Tudo vazio! Helena parou no rol de entrada e perguntou ao porteiro:
          - Sr. Manoel, o que aconteceu por aqui?
          - Moça, o seu professor de Latim faleceu, subitamente, essa manhã. E todos estão no velório. Respondeu-lhe.
          Helena saiu arrasada pelo terrível acontecimento, porém precisava participar do velório, foi apressada para à capela onde estava sendo velado o corpo do professor de Latim... Entrou cabisbaixa no recinto, gostaria de não precisar passar por aquilo, mas tudo aquilo fazia parte do cotidiano da vida dela. Devagar se aproximou do caixão, olhou o rosto embranquecido do mestre e pôs-se a chorar, sentindo-se tonta encostou o corpo no caixão, que com seu peso caiu no chão. A correria foi grande, gritos de pavor e muito choro; nesse cenário mórbido Helena também caiu e desmaiou. Quando acordou o velório já havia acabado, o local estava vazio e ela estava se sentindo perdida diante de tantas desventuras. Pouco minutos depois, seu amigo Paulo entrou no local para falar com ela, e foi logo dizendo:
          - Heleninha, você melhorou? Fiquei preocupado contigo e achei melhor deixá-la descansando.
          A moça olhou diretamente nos olhos do amigo, e disse-lhe:
          - Paulo, eu preciso me benzer! Tantas coisas que estão acontecendo comigo, já não sei o que pensar.
           Paulo sorriu, e respondeu-lhe:
          - Heleninha deixe de pensar asneiras, pois tenho uma novidade ótima para lhe contar. Ganhei uma viagem com hospedagem em hotel cinco estrelas e com direito a uma acompanhante. Você quer me acompanhar?
          Helena abriu um largo sorriso e respondeu positivamente.
          O tempo passou rápido... Helena e Paulo após a viagem nunca mais se separaram. Tempos depois, Helena conseguiu escrever seu livro tão sonhado, contanto as venturas e desventuras de uma sonhadora.

Elisabete Leite
 
 UM SONHO REAL

No balanço da rede, fiquei a sonhar
Ah, um belíssimo sonho acolhedor!
Procurei-te no sol, estrelas e no luar
Foram momentos de puro esplendor...

Procurei-te na elegância do amanhecer
Até no desabrochar de uma bela flor
Toquei no arco-íris somente pra te ver
Mas, por lá, só encontrei a tua cor...

Procurei-te pela imensidão do mar
Adentrei devagar, sou poeta sonhador
Lá encontrei peixes e estrelas-do-mar...

Assim, penetrei fundo em meu interior
e encontrei-te escondido a me amar
Ah, o melhor da vida é o nosso amor!

Elisabete Leite
 
Di Cavalcanti
 ENCONTRO DE POETAS
Amor de fim de semana
Por:Manoel Firmino
Em:06/02/2022.

Chega a  sexta feira
Foi aquele alvoroço
Começou a bebedeira
Beijos, abraços, almoços,

Lá vem o sábado
Não houve mais cerimônia
Os Beijos e os abraços
Viraram atos sem vergonha.

Chegou o  domingo
Acabou toda gana
As juras de amor
Acabou no fim de semana.

manoelfirmino08@gmail.com
(83)986784726
 
Saudades de ti, Mamãe!

Quem tiver a sua mãe
Trate como uma rainha
Nesse dia tão especial
Não a deixe sozinha
Não perca a oportunidade
Depois será só saudade
Como queria ter a minha

Quando chega esse dia
A saudade me maltrata
Lágrimas corre nos olhos
Parecendo até cascata
O dia demora tanto
Do riso faz_se o pranto
Como você faz falta

O amor de uma mãe
Não tem como comparar
Quando cometes um erro
Ela vem ti aconselhar
É um amor sem fim
Que vive dentro de mim
Enquanto na terra habitar

Nunca hei de esquecer
Os ensinamentos seus
Não praticar a maldade
Querer só o que é teu
Praticar sempre o bem
Amar só o que tu tens
Pra ficar perto de Deus

Manoel Firmino
  
 Memórias

É o templo sagrado das lembranças
Que nos abre as portas do passado
Nós mostrando os caminhos desbravados
Alegria de nossas esperanças
Mergulhando nas mais belas heranças
Da cultura dos nossos ancestrais
Que nos deixa feliz cada vez mais
Por saber que foi muito aprendizado
O caminho sofrido foi trilhado
Na procura de tantos ideais.

Elias dos Santos
 
 Flores do monturo

Pequeninas flores...
Cores e liberdade
Quase imperceptíveis
Nos canteiros da cidade
Não são rosas perfumadas
Mas, estão pelos caminhos
Com suas cores diversas
Camuflam os passarinhos
Pequeninas flores...
Resistentes,atrevidas
Apenas flores do monturos
Que também enfeitam vidas.

Elias dos Santos.
 
Tu semeavas as palavras
E com aparência de soltas,
elas iam se multiplicando,

Fluíam como água de uma fonte
com pressa de serem.

Nessa seara em que trabalhavas,
Eu era teu ajudante, teu tradutor,
responsável por colhê-las no cesto
aglutinador da compreensão.

Tanta classe de palavras no cesto
havia e era preciso entendê-la,
Mas eu persistia na tarefa de ligar tuas palavras soltas, de compreender
suas aparentes contradições.

Porém não era para seres lidas,
Não era para seres compreendida,
Tu apenas era, e na palavra, te fazias
parábolas em mim, e mesmo incapaz
de te traduzir, amava ler tuas frases soltas que tinham um vínculo, um elo
embora não me fossem traduzíveis.

Eu me fazia ideia para compreender
o teu real objeto de haver.

@rioquepassa
 
Heitor dos Prazeres
TREM NA ESTAÇÃO

Por: Baltazar Filho
Em, 08/02/2022

Lembro da infância, inusitadas emoções.
O zunido dos trilhos, o balanço dos vagões.
No alto da colina, ranchos de taipas armados.
No pé da serra, fazendas e grandes arados.

Na semblante do maquinista uma satisfação
Crianças tremiam de medo, suavam as mãos.
O trem apitava, aparecia um frio no coração.
O trem soprava cuspindo fumaça, noutra direção.

E eu, ainda um moleque muito emocionado.
Pendurado na cintura da minha avó, agarrado.
A cada manobra do trem chorava preocupado.
Rezava o Pai Nosso e a Ave Maria, tudo errado.

Na última estação, funda a nossa aflição.
Era o nosso desembarque a Duas Estradas.
O sol se escondia e a lua chegava iluminada.
O escuro cobria a mata, no céu uma escuridão.
Na mão de vó, a luz fraquinha do lampião.

Pra chegar no sítio da família era uma manobra.
O caminho não tinha fim, passaram-se as horas.
Vó falando em Maria Fulozinha, uma anedota.
As cigarras e os grilos cantando e eu com medo das cobras.
Num era mesmo uma assombrosa história?

balfilho@gmail.com
 
ESTAÇÃO DA LUZ

Por: Baltazar Filho
Em, 08/02/2022

Um passeio radical, a largada do trem na estação.
A bandeirinha acenava, trem a vista a gente embarcava.
Em cada estação, desembarcava uma multidão.
A máquina embolava na ferrovia, café com pão, bolacha não!

O embarque e desembarque, era uma animação.
Crianças sentavam, tremiam de medo, suavam as mãos.
O trem apitava, o frio na barriga, um tremor no coração.
O maquinista puxava a manivela, subia a poluição.
A fumaça espalhava no céu, o trem apitava, mudava de direção.

Apontava a última estação, um alívio, fim da aflição.
Era o nosso desembarque, finalmente a Duas Estradas.
Eu abraçado na minha avó, agarrado na sua cintura, sem noção.

O sol se pondo, a lua chegando, a estrada clareava.
O escuro cobrindo a mata, no céu uma escuridão.
E eu com os olhos fechados, dentes trincados com medo de assombração.
As cigarras e os grilos cantando, os sapos na lagoa pulando, o rancho e um clarão.
Era o lampião aceso, clareando o terreiro, no sítio São João.

balfilho@gmail.com
 
 O AMOR E A SAUDADE

Foi sem querer que o Amor e a Saudade
Se encontraram na esquina do mundo
E o Amor lhe perguntou
Com ares de vagabundo:
- Por que teimas em fazer sofrer
O coração de um pobre rapaz?
Eu pensei que fosses diferente
Menos teimosa e contumaz!
- Porque sou aquela que não vê
Em que coração se abrigou
Só tu és o responsável
Pelo rapaz e sua dor!
Sou o vazio que deixaste
Em troca do teu amor!
- Mas eu o quis fazer feliz
Se não o fiz,  foi por maldade?!
- Eu só sei que agradeço
Por me dar oportunidade
De ser dona do teu coração
Pra continuar sendo Saudade!

Socorro Almeida
Recife, 17/02/2022
 
 EU TE AMO ASSIM

Amo com toda minh'alma
Com paciência e tolerância
Eu amo quem te traz
Sorrisos em abundância...
Amo quem te dá a mão
Em difícil circunstância!
E assim eu te vejo
No brilho das estrelas
No encanto do pôr do sol
Onde eu mais te beijo!
Nas cores dos horizontes
Nas fases da lua
No sorriso teu
Em tua face nua!
Oro por ti, com paciência
Por tua lágrima à distância
Por tuas horas em ânsia
A chamar por mim!
Porque te amo assim
E assim...te amo mais
Por nada mais ter importância!

Socorro Almeida
Recife, 18/02/2022
 
 
 G  A  L  E  R  I  A
 
D. Alighieri nasceu na cidade de Guarabira na Paraíba no ano de 1977.
Artista Plástico, Poeta, Músico, Ator, Artesão e Produtor Audiovisual.
Desde 1999 é voluntário do Projeto No Canto da Sala que leva a música, a poesia, para a sala de aula do infantil à universidade.
Membro da Academia de Letras e Arte de Guarabira "Casa de Marisa Alverga", ocupando a cadeira n°3 tendo Maria da Piedade de Paiva Medeiros como sua patronesse.
 
 
 
 
 

 
 
 

 
 SEGUNDA   LEITURA
                O Texto abaixo talvez nos faça entender o mundo atual. Países sem fronteiras, ideologias de Gêneros, o politicamente correto, os fofos, os entreguistas, guerras sem sentidos, pandemias fabricadas, o vitimismo, o coitadinho, aborto legalizado até o 6º mês de gravidez, o bandido visto como vítima da sociedade. O mundo hoje é um mundo fraco. O homem "macho" de hoje se preocupa com seu pet. preocupa-se com a ideologia de gêneros, não pune seu filho, se ele errar. Os professores distribuem canetas com bandeiras vermelhas de partidos. Adolf Hitler disse "Quanto maior a mentira, maior a chance de todos acreditarem nela". O mundo hoje é uma grande mentiras. 

Jorge Leite - Editor
 
Cândido Portinari

Machado de Assis

O SERMÃO DO DIABO

1893, setembro

Nem sempre respondo por papéis velhos: mas aqui está um que parece autêntico; e, se o não é, vale pelo texto, que é substancial. É um pedaço do evangelho do Diabo, justamente um sermão da montanha, à maneira de São Mateus. Não se apavorem as almas católicas. Já Santo Agostinho dizia que "a igreja do Diabo imita a igreja de Deus". Daí a semelhança entre os dois evangelhos. Lá vai o do Diabo:

 "1º E vendo o Diabo a grande multidão de povo, subiu a um monte, por nome Corcovado, e, depois de se ter sentado, vieram a ele os seus discípulos.

"2º E ele, abrindo a boca, ensinou dizendo as palavras seguintes.

"3º Bem-aventurados aqueles que embaçam, porque eles não serão embaçados.

"4º Bem-aventurados os afoitos, porque eles possuirão a terra.

"5º Bem-aventurados os limpos das algibeiras, porque eles andarão mais leves.

"6º Bem-aventurados os que nascem finos, porque eles morrerão grossos.

"7º Bem-aventurados sois, quando vos injuriarem e disserem todo o mal, por meu respeito.

"8º Folgai e exultai, porque o vosso galardão é copioso na terra.

"9ª Vós sois o sal do money market. E se o sal perder a força, com que outra coisa se há de salgar?

"10. Vós sois a luz do mundo. Não se põe uma vela acesa debaixo de um chapéu, pois assim se perdem o chapéu e a vela.

"11. Não julgueis que vim destruir as obras imperfeitas, mas refazer as desfeitas.

"12. Não acrediteis em sociedades arrebentadas. Em verdade vos digo que todas se consertam, e se não for com remendo da mesma cor, será com remendo de outra cor.

"13. Ouvistes que foi dito aos homens: Amai-vos uns aos outros. Pois eu digo-vos: Comei-vos uns aos outros; melhor é comer que ser comido; o lombo alheio é muito mais nutritivo que o próprio.

"14. Também foi dito aos homens: Não matareis a vosso irmão, nem a vosso inimigo, para que não sejais castigados. Eu digo-vos que não é preciso matar a vosso irmão para ganhardes o reino da terra; basta arrancar-lhe a última camisa.

"15. Assim, se estiveres fazendo as tuas contas, e te lembrar que teu irmão anda meio desconfiado de ti, interrompe as contas, sai de casa, vai ao encontro de teu irmão na rua, restitui-lhe a confiança, e tira-lhe o que ele ainda levar consigo.

"16. Igualmente ouvistes que foi dito aos homens: Não jurareis falso, mas cumpri ao Senhor os teus juramentos.

"17. Eu, porém, vos digo que não jureis nunca a verdade, porque a verdade nua e crua, além de indecente, é dura de roer; mas jurai sempre e a propósito de tudo, porque os homens foram feitos para crer antes nos que juram falso, do que nos que não juram nada. Se disseres que o sol acabou, todos acenderão velas.

"18. Não façais as vossas obras diante de pessoas que possam ir contá-lo à polícia.

"19. Quando, pois, quiserdes tapar um buraco, entendei-vos com algum sujeito hábil, que faça treze de cinco e cinco.

"20. Não queirais guardar para vós tesouros na terra, onde a ferrugem e a traça os consomem, e donde os ladrões os tiram e levam.

"21. Mas remetei os vossos tesouros para algum banco de Londres, onde a ferrugem, nem a traça os consomem, nem os ladrões os roubam, e onde ireis vê-los no dia do juízo.

"22. Não vos fieis uns nos outros. Em verdade vos digo, que cada um de vós é capaz de comer o seu vizinho, e boa cara não quer dizer bom negócio.

"23. Vendei gato por lebre, e concessões ordinárias por excelentes, a fim de que a terra se não despovoe das lebres, nem as más concessões pereçam nas vossas mãos.

"24. Não queirais julgar para que não sejais julgados; não examineis os papéis do próximo para que ele não examine os vossos, e não resulte irem os dois para a cadeia, quando é melhor não ir nenhum.

"25. Não tenhais medo às assembleias de acionistas, e afagai-as de preferência às simples comissões, porque as comissões amam a vangloria e as assembleias as boas palavras.

"26. As porcentagens são as primeiras flores do capital; cortai-as logo, para que as outras flores brotem mais viçosas e lindas.

"27. Não deis conta das contas passadas, porque passadas são as contas contadas, e perpétuas as contas que se não contam.

"28. Deixai falar os acionistas prognósticos; uma vez aliviados, assinam de boa vontade.

"29. Podeis excepcionalmente amar a um homem que vos arranjou um bom negócio; mas não até o ponto de o não deixar com as cartas na mão, se jogardes juntos.

"30. Todo aquele que ouve estas minhas palavras, e as observa, será comparado ao homem sábio, que edificou sobre a rocha e resistiu aos ventos; ao contrário do homem sem consideração, que edificou sobre a areia, e fica a ver navios..."

Aqui acaba o manuscrito que me foi trazido pelo próprio Diabo, ou alguém por ele; mas eu creio que era o próprio. Alto, magro, barbícula ao queixo, ar de Mefistófeles. Fiz-lhe uma cruz com os dedos e, ele sumiu-se. Apesar de tudo, não respondo pelo papel, nem pelas doutrinas, nem pelos erros de cópia.

                      Ortografia Atualizada.

 
Pablo Picasso

 

domingo, 20 de fevereiro de 2022

Recordando os Carnavais..

 
 Blog Maçayó

Edição Nº 477

 
Carybé (Hector Julio Páride Bernabó)
 
 LEITURA   DE   DOMINGO
O BLOCO DAS ILUSÕES
        

  Era terça-feira de carnaval do ano de dois mil e dezoito, o astro rei nascia radiante por entre as folhas verdes dos coqueiros, na exuberante Ilha do Sol Nascente, um local aconchegante localizado em um ponto qualquer do Nordeste. Eduardo Jorge amava blocos de rua e vivia constantemente cantarolando um bom frevo. Ele acordou muito animado porque, naquela manhã, o Bloco das Ilusões arrastaria centenas de foliões pelas principais ruas da Ilha, fazendo um grande desfile de máscaras e adoráveis fantasias; colorindo o cenário e contagiando a todos. Eduardo saiu apressado à procura da sua amada, Marina, para juntos desfilarem vestidos a caráter. Eduardo e Marina namoravam desde crianças e viviam trocando juras de amor, ele se aproximou da namorada, e disse-lhe:
          - Marina, minha querida, já estamos atrasados! Vamos depressa para a concentração do Bloco!
          Marina, olhou sem graça para Eduardo, e respondeu-lhe:
         - Ah! Pode ir na frente que irei depois. Ainda vou arrumar meu cabelo.
          Eduardo achou o posicionamento de Marina muito estranho, mas ficou calado e saiu sem nem olhar para trás, foi caminhando lentamente para a concentração do bloco que sairia da Praça do Coreto até a Avenida Beira-Mar.
            Eduardo era um jovem esbelto de cabelos castanhos, olhos negros e sorriso encantador, seu maior vício era a paixão arrebatadora que sentia pela misteriosa Marina, que aparentemente correspondia ao amor dele; pelo menos até aquele dia.
            Exatamente às dez horas da manhã o desfile tomou conta das principais ruas, e a execução de uma antiga marchinha contagiava todo mundo,  dando início oficialmente ao tão esperado evento. Assim, um trio elétrico tocava, com muita harmonia e interação, arrastando seus foliões:

"BLOCO DA SOLIDÃO

Angústia, solidão
Um triste adeus em cada mão
Lá vai meu bloco vai
Só desse jeito é que ele sai
Na frente sigo eu
Levo o estandarte de um amor
Amor que se perdeu no carnaval
Lá vai meu bloco e lá vou eu também
Mais uma vez sem ter ninguém
No sábado, domingo
Segunda e terça-feira
E quarta-feira vem o ano inteiro
É sempre assim
Por isso quando eu passar
Batam palmas pra mim
Aplaudam quem sorrir
Trazendo lágrimas no olhar
Merece uma homenagem
Quem tem forças para cantar
Tão grande é minha dor
Pede passagem quando sai
E comigo só, lá vai meu bloco, vai
Angústia, solidão
Um triste adeus em cada mão
Lá vai meu bloco vai
Só desse jeito é que ele sai
Na frente sigo eu
Levo o estandarte de um amor
Amor que se perdeu no carnaval
Lá vai meu bloco e lá vou eu também
Mais uma vez sem ter ninguém
No sábado, domingo
Segunda e terça-feira
E quarta-feira vem o ano inteiro
É sempre assim
Por isso quando eu passar
Batam palmas pra mim
Aplaudam quem sorrir
Trazendo lágrimas no olhar
Merece uma homenagem
Quem tem forças para cantar
Tão grande é minha dor
Pede passagem quando sai
E comigo só, lá vai meu bloco, vai..."

          Enquanto o povo cantava, Eduardo corria pela multidão tentando encontrar Marina. De repente, Eduardo fica inerte pela cena que jamais sairá do seu pensamento: Marina estava aos beijos com um desconhecido, que nem da comunidade era. O rapaz se aproximou do casal, e falou:
           - Marina, o que está acontecendo? Quem é este rapaz?
            A garota sorriu ironicamente, e depois respondeu-lhe:
           - Eduardo, deixe de besteira! Que no Carnaval ninguém é de ninguém. E saiu frevando.
           Eduardo ficou transtornado e completamente desiludido pelo fato ocorrido, e deixou O Bloco Das Ilusões quase chorando...
           Quando o desfile terminou já era quase noite, mas a avenida continuou tomada pelos foliões mascarados e fantasiados que pulavam e cantavam pelo calçadão as adoráveis marchinhas dos antigos carnavais.
           No outro dia, tudo voltou parcialmente ao normal. Marina foi procurar Eduardo para pedir desculpas, mas Eduardo havia viajado para uma outra cidade. E assim, até hoje Marina continua chorando rios de lágrimas por Eduardo que nunca mais a procurou.

Elisabete Leite - 13/02/2022

PASSANDO MEU RECADO

Ah, desculpe toda a minha franqueza!
Meu amor é intenso para ser inventado
Neste momento eu tenho toda certeza,
Não quero, de novo, sofrer como no passado...

Chorei tanto que às minhas lágrimas secaram
Tenho inúmeras chagas em meu coração
Os melhores momentos se eternizaram,
Mas acreditar em seu amor é pura ilusão...

Quero viver rimando versos, fazendo poesia
Sonhar dando asas à minha imaginação
Vivenciar um sentimento com paz e harmonia
Ser feliz, comigo mesma, é a minha missão...

Não acredito em quem não me valoriza
Quem expressa sentimento sem emoção
Não quero conviver com quem me desvaloriza
Prefiro viver sozinha, é a minha decisão!

Elisabete Leite
  
Carybé (Hector Julio Páride Bernabó)

 ENCONTRO DE POETAS
 
 MEDIUNIDADE NÃO É UM MITO
SÓ QUEM ESTUDA É QUEM SABE


Muitos tem o seu dom
Se usados com verdade
Para ser um homem bom
Não importa a idade
Que esse ônus Divino
Nas mãos sejas forte ou franzino
Raimundo, Divaldo ou Francisco
É tudo que vejo e acredito
Mediunidade não é um mito
Só quem estuda é quem sabe

Entre a vida e o espírito
Esta misericórdia recebo
Não quero entrar em atrito
Nesta força percebo
Que este povo brasileiro
E também lá do estrangeiro
Que este Poder concebo
Esta Ciência Divina admito
Mediunidade não é um mito
Só quem estuda é quem sabe

Autoridades já comprovaram
Sua pureza e agilidade
Outros com suas lutas
Ama seu irmão com verdade
Estes fluidos entendidos
E sendo bem a atividade
Do anciãos ao mais novo
Eu já vi ser atendido
Mediunidade não é um mito
Só quem estuda é quem sabe

Com uma planilha na mão
Outros em grandes salões
O importante é ter fé
E amor nos corações
Que o Bom Jesus de Nazaré
É quem comanda a sessão de pé
Com todos Seres Divinos
O conhecimento seja caboclo ou erudito
Mediunidade não é um mito
Só quem estuda é quem sabe

Esta Glória de abrir o mar
Do aleijado andar e o cego enxergar
Do morto cá no chão levantar
Das mazelas do corpo curar
Com o pensamento em Deus
E na Virgem Mãe Soberana
Que o Mestre amado entrega aos seus
De tudo já mostro e tenho dito
 Mediunidade não é um mito
Só quem estuda é quem sabe

D. Alighieri
 
 Vamos juntos buscar

Busco perfeição
Busque Perfeição
Pois outra coisa
É tão somente ilusão
Busque Perfeição

A ilusão de achar que seu ponto de vista está certo.
O ignorante só vê só enxerga um palmo além de sua testa.
Pra quê se achar o máximo usando menos de dez porcento de suas faculdades,
Na maioria das vezes sendo mal empregado
Busque Perfeição!

Busco perfeição
Busque Perfeição
Pois outra coisa
É tão somente ilusão
Busque Perfeição

Apontarmos erros é fácil
Quero ver fazer o que faço
Identifica-lo e corrigir passo a passo Busque Perfeição,
Lembre-se quem fala do outro a você a outro falará no mesmo julgo do que te falam,
Pode anotar, conferir, testemunhar.

Busco perfeição
Busque Perfeição
Pois outra coisa
É tão somente ilusão
Busque Perfeição .  

D. Alighieri
 
 ESPERANÇA EM MARTELO AGALOPADO

Admiro da mulher, a pujança
De poder gerar em si outro ser
Que aos seus olhos passa a crescer
E receber amor quando criança.
Párvulo que traz signo de esperança
Envolto no tecer de suas malhas,
Tecido do destino, das batalhas
Que a vida lhe apresentará.
A cria crescendo feliz, quiçá
Viverá sem cometer muitas falhas!

Bendito carrossel da esperança,
Tu que giras em torno da saudade,
Por que não garantes felicidade
No universo de toda criança?
O mundo não inspira confiança,
Pois há quem desflore, tire proveito
Da criança, lhe pode o direito
De sonhar em seu mundo infantil.
Ó carrossel, queremos-te gentil
A girar no mundo, sem preconceito!

A esperança não deve deixar
De no meio dos homens existir,
Nós temos o direito de sorrir,
De nos permitir ao maravilhar.
Quem sonha faz sua chama brilhar,
Sabe esperançar com paciência
Focando princípios, resiliência,
Como fazem os líricos poetas
Nos seus idílios de pujanças retas
Compreensíveis a Deus, à ciência!

Chico Mulungu
 11/11.2021

DITO NORDESTINADO

Ser um filho do Nordeste
É uma coisa a qual sou grato,
Leia bem o meu retrato
Se quiser fazer o teste,
Eu sou um Cabra da Peste,
O dito nordestinado.
Se não for do seu agrado
Perdoe-me a ousadia,
Piso em chão de poesia
Que me faz obstinado.

Na parede pendurado
Meu retrato coaduna,
Harmoniza, enche a lacuna
De um viver por mim sonhado,
Sofrido, mas muito honrado
Do jeito que mamãe disse
Pr’eu fazer, na meninice
De tanto amor e alegria
Quando o meu pai me dizia:
Eu não tolero arteirice!

Hoje vejo que a velhice
Para mim também chegou,
Meu circuito completou,
Vivo bônus... Que tolice!
Meu viver não é mesmice,
Eu vivo dia após dia
Submerso em poesia
Qual caboclo sonhador
Ou matuto rimador
Em completa sintonia.

Chico Mulungu
   11.11.2021

 
Chico Mulungu, poeta paraibano nascido em Cruz do Espírito Santo - PB e radicado em Guarabira. Seu nome de batismo é Francisco Severino da Silva e viveu toda sua infância em Mulungu-PB, terra natal de sua família. Tem 02 livros solos publicados: “Fio-Fio Cabelos de Sapo em A Multiplicação do Ovo (Contos infantojuvenis - 2015)” e “Transbordando Poesia (Poesia, cordel e soneto – 2019). Tem participação em 15 Antologias Poética de várias editoras de todo Brasil.
É cordelista membro da ACVPB – Academia de Cordel do Vale do Paraíba, da AVL – Academia Virtual de Letras e da AGLACMA – Academia Guarabirense de Letras e Artes – Casa Marisa Alverga. Integrou a “Coletânea Cordelistas Contemporâneos – 2017” e em 2020 integrou o “Dicionário Biobibliográfico dos Cordelistas Contemporâneos”, publicações da Nordestina Editora.



 
 
SEGUIR EM FRENTE
Por: Chico Mulungu
13.01.2022

I
Como um ente pecador
Do tempo sou passageiro,
Nordestino, brasileiro
A professar meu amor.
Eu sou temente ao Senhor
Criador de céu e mar,
Que nos ensina a amar
Pra que haja harmonia
No mundo que gera e cria
Todo ser que prosperar.

II
Combustível pra sonhar
Tenho pra seguir em frente,
Se há mormaço, tempo quente
Detendo meu caminhar,
Eu procuro me abrigar
Em sombra de juazeiro...
Quem nasceu pra ser guerreiro
Pisa firme o pé no chão
E escutando o coração
Segue seu norte primeiro.

III
É preciso ser ligeiro,
Recuar quando preciso,
O mundo traz prejuízo
Sob o tempo passageiro.
Avançar, ser pioneiro
É tudo que se precisa,
Viver é sentir a brisa
Que traz o sorriso ao rosto,
Este quadro estando exposto
Boa arte o eterniza.

CALANGUEAR
Por: Chico Mulungu
13.01.2022

I
Qualquer cabra que vagueia
No deserto da Caatinga
Não abre mão da moringa,
Do líquido que lhe norteia...
Se não o beber não mapeia
Muitos palmos nesse chão
E pode até ter visão
Fantasmagórica que assusta,
Um gole d’água lhe custa
Seu progresso no Sertão.

II
Neste ambiente é que ando
Vestindo a fauna e a flora,
Onde o lagarto não chora
Por viver calangueando
Sobre os lajedos predando
Ou seguindo presa a eito,
Num arrastar-se perfeito
Qual o disfarce fatal
Da mãe da lua, urutau
Ao camuflar-se com jeito.

III
Viro bacurau no oco
Como fosse pica-pau
Na Caatinga e passo mal,
Se não vejo o salta-toco
Gritando sem ficar roco,
Enquanto salta no arame
Farpado, que marca infame,
Os limites do cercado
Onde vai pastando o gado
Ferrado com sigla, nome.

IV
Na seca intensa evapora
Toda água e racha o chão,
Sem folha, a vegetação
Um novo ciclo incorpora,
Mas bode faz sua hora
Adaptado, nem liga.
Todo vivente se abriga
Na sombra do juazeiro
Que de janeiro a janeiro
É verde, coisa que intriga.

V
Neste árido ecossistema
Se a chuva não se demora
A cair, tudo incorpora
A normalidade extrema,
Carcará voa à jurema
Pra devorar sua presa
E a noite faz-se acesa
Pela luz do vagalume,
Enquanto exala perfume
Das flores da natureza.

VI
Quando deixar este mundo
E no céu eu for morar
Se puder, irei voltar
Sempre à Caatinga, segundo
O aprendizado profundo
Que esse ambiente me deu,
Bioma que protegeu
Saber em meu intelecto,
Perpassa-me o retrospecto
Da vida em meu apogeu.

NAUTA EM DIVAGAÇÃO
Por: Chico Mulungu
13.01.2022

Meu ser chora febril, a desilusão
Atordoadora do que restou
Em mim, de um alguém que já me amou
E que também foi a minha paixão.

Busco entender porque me deixou
Esse amor, sem ouvir meu coração.
Tornei-me um nauta em divagação
Em um mar de pensamentos, que sobrou.

Neste pélago, tenho por companhia
A lua que me inspira poesia
E vela intensamente, meu penar.

Sonho, um dia arpar nalgum trapiche
D’outro amor, para que não se espiche
Minha veemente digressão no mar.

SÃ POÉTICA INFINITA

Sinto influência do céu
E o zodíaco me palpita,
Rege o meu poetizar.
Sou feliz por minha dita
Ser apreciar o belo,
O pitoresco, o singelo
Na Mãe Natura erudita.

Procuro nos versos meus
Transmitir fascinação...
Adentrando alma de flores
Na noite, em contemplação,
Enchendo-me do perfume
Das rosas que vagalume
Clareia na escuridão.

Se a verve me possui
Com sua porção bendita,
Minha alma entorpecida
De alucinógena amanita,
Percebe o verso fluir
Tendendo-se permitir
À sã poética infinita.  

Procuro manter meu ser
Livre de improbidade,
Puramente em consonância
Com estado de humildade.
Permito-me a alegria
Ao transvazar poesia
Da minha capacidade!

Chico Mulungu
     06.91.2022

CENTENÁRIA GUARABIRA

Aos pés da cordilheira da Borborema,
Estática estás, bela Guarabira.
Garça azul que turista admira
Nos contemplares da Serra da Jurema!

Toca da poeta Marisa Alverga,
Terra de Nossa Senhora da Luz,
Do Pavão Misterioso que seduz
A quem os traços do cordel, enxerga...

Tu que fostes Vila de Independência,
És hoje berço em suficiência,
De tantos artistas. Chão de poesia!

Ó Centenária, urbe pioneira!
Abraças a todos quão hospitaleira,
Aos que te visitam, és só alegria.  

Chico Mulungu
    26.11.2021
 
 Guarabira, 134 anos de emancipação política.
Parabéns, querida Rainha do Brejo da Paraíba!
 
Carybé (Hector Julio Páride Bernabó)
 

José Luís de França Segundo - Zé Luís, como é conhecido popularmente, nasceu em 25/03/1965 na comunidade rural de Impueira, município de Pirpirituba PB, filho dos agricultores, João Luís de França e Sebastiana Maria da Conceição, cursou o ensino médio na Escola Estadual Augusto de Almeida, onde integrou a comissão que lutou e buscou a implantação do ensino médio para o município, autodidata nas artes cênicas, é ator e foi diretor de Grupos Teatrais. Como compositor, escreveu várias letras de cantos para as comunidades, assim como Hinos para entidades e escolas. Foi professor pela Diocese de Guarabira. Em 1996 destacou-se como o Conselheiro Tutelar mais votado do Estado da Paraíba. É membro da Academia de Letras SAGRADA FAMILIA (ALSF) com sede em João Pessoa. Zé Luís foi idealizador da tradicional festa de São José do bairro da Caixa D’água - Pirpirituba Pb. Em 1983 escreveu  sua primeira peça de teatro intitulada “O Amor Vence Barreiras”, em 1993 começou a escrever cordéis e outras poesias. É autor de várias poesias entre outros. Publicou o livro “Contos e Recantos de nossa Terra - Pirpirituba em versos, obra onde em versos faz um resumo da belíssima história de nossa cidade. Atualmente ele é Agente Comunitário de saúde.
  
O Sentir dos  Sentidos

Sentir, 
O que pode ser ansiedade
A presença distante dá saudade
No reverso do simples da razão
É um Ser que sozinho é solidão
Por entre rostos buscando te encontrar
De relance desejo o teu olhar
Das perguntas as respostas mais amena
Qual perfume da flor da açucena
que exala aroma a se respirar
Há um longo caminho a caminhar
Um até logo que parece um adeus
Que corrói e destrói os sonhos meus
Sentimentos de angústia ou tristeza
Tão humilde que esconde a grandeza
De um querer padecer pra retornar
Esse poema eu quero te ofertar
Pra na vida jamais ter que sofrer
Ah, quem dera eu pudesse escolher
Só assim o sentir tinha razão
E acabar de vez com a solidão
Por que "Sim" o bom da vida é AMAR.
        
Zé Luís -Pirpirituba agosto de 2013
 
 Moise, Presente !

O Brasil do carnaval,
Do samba, do futebol
De belo raiar de sol
De tanto potencial
Vai se mostrando brutal
Quando o assunto é racismo
Vê-se a alta de um fascismo
Bem no seio da Nação
Gente perdendo a visão:
Cegueira e barbarismo

Moise aqui foi vitimado
Violência com paulada
Escrevo muito chocada
Com o que foi noticiado
Calmantes? Quero um bocado
Mas antes vou versejar
Pra algum coração tocar
A qualquer hora do dia
E uma simples poesia
Possa uma mão afagar

Era um jovem Congolês
Que veio refugiado
Sem ter dinheiro guardado
Quis seus duzentos da vez
Pelo trabalho que fez
Deveria receber
Nunca imaginou morrer
Por aquela mixaria
Com tanta selvageria
Que me custa descrever

Bem no Rio de Janeiro
Lá na Barra da Tijuca
Um inesperado machuca
Faz doer o mundo inteiro
Como em "O Navio negreiro"
Castro pôs-se a declamar:
"Em sangue a se banhar
(Num)... estalar de açoite
Homens negros com a noite
(Vão)...Horrendos a dançar "

É certo que a escravidão
No Brasil anda arraigada
Ficou muito impregnada
Na elite da exclusão
Atraso pra evolução
De uma Nação Soberana
Que pouca energia emana
Para o quesito equidade
Há cinzas de iniquidade
E muita pessoa insana

As cores de uma bandeira
Distintas das raciais
Algumas menos iguais
Outra parece maneira
Tez branca não é barreira
Cor negra parece afronta
Mas o vermelho desponta
No sangue de um cidadão
Que ao querer transfusão
A cor da pele não conta

Cristine Nobre Leite
 
 AQUELE TROVADOR

Eu sinto saudade daquele trovador
Às escondidas sob a nossa janela
Sem que eu, ou a minha mãe soubesse
Se aquele canto tão cheio de amor
Era dirigido a mim, ou dirigido a ela.
A gente disputava cada canção
Sem nem saber quem era o  trovador
Os acordes perfeitos, os dedilhados
Entre as cordas do seu  violão
Enchiam o mundo e o céu de amor!
Como toda mulher, tivemos curiosidade
Quem era que cantava à luz das luas?...
Seu amado esposo, meu saudoso pai!
As canções eram cantadas pra nós duas!
Agora eu me pergunto saudosamente
Se eu seria capaz de amar assim
Se eu tivesse um trovador só para mim!...

Socorro Almeida
Recife, 11/02/2022

MOTIVOS

Eu caminhei, e caminhei, além dos motivos
Porque nada o que fazer eu tinha
Encontrei pessoas com motivos tolos
Carregando tristeza, assim como a minha!

Senti pena ao vê-las desorientadas
E a uma delas eu ousei perguntar:
- Que fazes por aqui, e por que choras?
Deves ter muitos motivos pra chorar...

- Não! Apenas curioso em conhecer
Outras mulheres e deixei a  minha
Agora eu não sei como voltar!...

- E quanto a você, meu rapaz
Que faz aqui nesta cidade?
- A intransigência dos meus pais
A quem não tenho que ceder
Às suas tolas vontades!

Aí, eu me pergunto...e quanto a mim
O que estou fazendo aqui
Se nem motivos tenho pra fugir?!

Socorro Almeida
Recife, 22/01/2022
 
 
G  A  L  E  R  I  A 
 
 
 
 
 
 

 

"Fico feliz em poder, através da minha obra, homenagear o carnaval que é a alegria dos foliões, dos brincantes, dos maracatus, dos caboclinhos; principalmente o frevo de Capiba e do povo pernambucano com sua cultura e tradição, por isso intitulo minha exposição no Blog Maçayó de: Amor ao Carnaval. Mais um ano sem o tradicional Carnaval, mas o frevo será sempre motivo de alegria para os nossos corações." Elias dos Santos.