domingo, 27 de março de 2022

Um Domingo de Outono

 Blog  Maçayó

Edição   Nº   483

 

 LEITURA   DE   DOMINGO
 
NÃO FOI MINHA CULPA!

           O clima estava penetrante, mesmo sendo verão, nuvens escuras e pesadas cobriam a linha do horizonte por toda sua extensão; parecia até que o céu era o informante de um presságio... Berta fechou o livro que estivera lendo, se dirigiu até a janela e puxou as cortinas esvoaçantes para minimizar o frio do final de tarde. Logo depois, a jovem senhora foi até a cozinha preparar seu chá para degustar com torradas, mas percebeu que o pote de torradas estava vazio, pegou a chave do carro e se dirigiu até a padaria mais próxima. Mas, o trânsito não estava favorável, pois devido ao tempo, havia vários focos de engarrafamentos. De repente, a chuva começou a cair com grande intensidade e Berta resolveu voltar para casa, deu a volta no quarteirão e parou no sinal que estava amarelo, quando sentiu um grande impacto, desceu do carro, olhou de lado e percebeu que havia atropelado um ciclista. Ela se dirigiu até ele, e disse-lhe:
           - Jovem, desculpe-me! Não foi minha culpa! Não sei de onde você surgiu, repentinamente.
           O rapaz tinha um olhar perdido na imensidão do tempo e estava com o braço direito bem machucado. Ele tentou se levantar mas não conseguiu. Olhou diretamente para a jovem senhora, e falou:
           - Dona, fique calma! Eu não consigo me lembrar de nada.
           Em poucos minutos, começou a juntar muita gente e um guarda de trânsito assumiu completamente o controle da situação, e começou o julgamento de praxe:
            - Senhora, o que aconteceu?  A dona moça deveria ter mais cuidado ao dirigir nos dias de chuva! A senhora não sabe dirigir direito?
            Berta a essa altura já estava completamente desesperada, sem saber o que dizer. Olhou para o jovem guarda e respondeu-lhe:
          - Senhor guarda, não foi minha culpa, eu não sei de onde esse rapaz surgiu.
           Mas o guarda procurava culpar Berta, mesmo sem ter visto à cena, e ficou bombardeando a jovem senhora com colocações sem fundamentos:
          - A senhora vai ter que pagar todos os danos causados à vítima acidentada.
           A mulher chorava muito, e repetia sem parar: - não foi minha culpa!
           Poucos minutos depois, Berta levou o rapaz para o hospital, deu-lhe todo o apoio possível, comprou-lhes remédios e deixou-o em casa sã e salvo. Levou a bicicleta dele para ser consertada no outro dia. Quando Berta chegou em casa já era tarde da noite e estava totalmente exausta. Bebeu um chá, sem torradas, e foi se recolher.
          Já no outro dia, a jovem senhora acordou cedo, levou a bicicleta do rapaz para ser consertada, foi até a casa dele para saber como ele estava, porém antes passou em uma feira livre comprou diferentes frutas e foi tranquilizar o seu coração...
          Chegando à casa do rapaz , ela teve uma grande surpresa. O jovem falou para Berta que tinha se lembrado de tudo que havia acontecido na noite anterior. Ele foi relatando detalhadamente o que aconteceu de fato, e disse-lhe:
          - Dona moça, a senhora não teve culpa nenhuma! Eu tinha parado no acostamento para descansar, mas chovia muito, não vi seu carro no sinal e atravessei sem olhar, e assim minha bicicleta bateu de cheio na porta de passageiro do seu carro. A senhora não precisa pagar o conserto da minha bicicleta! Eu assumo toda culpa!
          A mulher olhou para aquele jovem tão honesto e agradeceu-lhe:
          - Meu amigo, assim já posso chamá-lo! Minha eterna gratidão! Eu repeti várias vezes: não foi minha culpa! Ninguém quis ouvir.
Mas, não precisa se preocupar, eu já paguei o conserto da sua bicicleta, amanhã ela estará pronta e nova de novo.
          O tempo passou rápido... A jovem senhora Berta continuou sua rotina de vida, normalmente, porém nunca mais se esqueceu daquele fatídico acidente, e sempre que passava por aquele sinal, repetia para si mesma: não foi minha culpa!

Elisabete Leite
 
O SENTIDO DA VIDA

Naveguei por infinitos mares,
Em busca pelo sentido da vida
Refleti sozinha e bebi em bares
Querendo encontrar uma saída...

Virei a minh'alma pelo avesso,
Procurei dentro do meu interior
Sorri, chorei e paguei alto preço
Senti na oração o peso do louvor...

Vesti-me de esperança e sonhos
Busquei na minha essência à luz
Iluminando os tempos tristonhos
Encontrei na Fé meu amigo Jesus...

Tudo em minha vida ficou colorido
Dando sentido aos instantes meus
O jardim da minh'alma ficou florido
Com a presença do Amor de Deus!

Elisabete Leite
 
 SORRISOS SEM RISOS

Foram tantos outonos matinais
Ah, tantas tardes sem o sol se pôr!
Muitos fevereiros sem carnavais,
Doces primaveras, sonhos de amor...

Tantos risos estampados no rosto
Carinhos, beijos e fortes emoções
O entardecer, as manias, os gostos
Uma saudade contida no coração...

Foram tantos invernos de solidão
E lágrimas que insistiam em cair
Um sol brilhante, porém sem verão...

Tantos lábios que não sabiam sorrir
Amor que sobreviveu por estações
E morreu na Primavera sem florir.

Elisabete Leite
 

 ENCONTRO DE POETAS
 
 DECISÕES E SEGREDOS

Dá-me a certeza do que anseio saber
Palavras são palavras que ecoam ao vento
Quero atitudes que me ajudem a viver
Decisões que somem aos flagelos do tempo.

Aos recantos da alma, uns poemas de amor
Em versos e prosas pro poeta chorar
Na paz de um abraço, um sorriso, um olhar
Que se ajustem aos sonhos de um trovador.

O perfume das flores nas pontas dos dedos
Que ao toque nos corpos que anseiam gerir
Suspiros de amor dos antigos segredos
Me elevem aos céus e me façam sorrir!

Socorro Almeida
Recife, 15/01/2022

TOLAS RECUSAS

E assim és tu, nesse teu amor gostoso
Palavras controladas, com medo de falar
Suspiros desvairados, tua boca a desejar
E eu fingindo o meu beijo te negar.

Nego muito mais, só pra te ver sorrir
Quanto tola eu sou, a me perder no tempo
Guardo tudo que é possível para o momento
Dessa tua loucura pra me possuir.

Expões tua nudez, descaradamente
Enquanto perco as forças e não mais reluto
Agora sou eu, de corpo e alma, nua...

Me agarro ao teu corpo, libidinosamente
Me resguardo do pudor, em um só minuto
Quantas vezes for possível ser somente tua!

Socorro Almeida
Recife, 11/03/2022

Amar, amar, amar e impedidamente
Em pugna querer o senso equilibrar
Enquanto tu existes em minha mente
Eu luto, contorço-me até me esfalfar

És força voraz maré de pensamento
Ponte inexistente, caminho do nada
Debato-me, afogo-me e só lamento
Balda e vã luta se faz nessa jornada

Alma que se debate em sentimento
Baldo, vida imersa no mar de perdição
Agitado batel em meio ao tormento

És mar revolto onde vaga meu coração
Sereia cujo canto o nauta perscruta
A fim de envolvê-lo no mar de emoção

Rio que passa

APENAS TU

Há dias que és Avassaladora
Como a fúria de um vulcão.
Em outros dias, és Brisa suave
Em noite de lua, no verão.
Em alguns momentos és a
Maluca
Mais apaixonante do recinto.
É a Doçura de fruta madura da estação.
És Rebelde, Insana, Valiosa...
Totalmente sem Juízo!
Em todo tempo é o Ser
Mais doce e mais Feliz do mundo!
E quando menos se espera chora.
Se descobre Imperfeita todos os dias.
Ainda assim és Amiga de todas as horas
A Parceira leal que alguém pode desejar.
O que mais almejas na vida é ser Amada
Na mesma intensidade
Como ver e encara a vida.
Entretanto és Mulher!
Tudo é peculiar a tua Natureza
Nesse vendaval de mistério.

Sol&Lua

O MELHOR DE CADA UM

Bom dia!
Boa tarde!
Boa noite!
São gestos tão simples e cheios de
Gentileza, afeição, simplicidade,
Condutas diárias!
Existem pessoas que, com seu simples
Chegar  ilumina tudo
Apenas com sua presença
Somos dotados dos dons, que à vida oferece
Pois somos feitos a imagem e semelhança do Criador.
Todos carregamos essas características
Resta saber se queremos
Externar esse melhor.
A bondade, a tranquilidade,
A harmonia, a simplicidade e o Amor...
Exercendo todo dia, virtudes que existe dentro de ti.
Pense que para ser bom,
Não Precisamos de nada
E precisamos  de tudo.
A essência do Deus que vive, em nós.

Sol&Lua
 

Naveguei por
TANTO MAR,
Pesquei PEDAÇO
DE MIM,
Quando ouvi
Tocar A BANDA,
Vi GENI
E O ZEPELIN
OLHOS NOS OLHOS:
DUETO,
Queria mesmo
um terceto
Você, eu e Tom
Jobim.

MEU CARO AMIGO,
O fim,
É dos FUTUROS
AMANTES,
O QUE SERÁ?
Diz aí,
Nada será como
Antes,
MEDO DE AMAR,
ABANDONO,
AMOR BARATO,
É dono,
Do DESALENTO,
Instantes.

Jocélio Francisco

A vida que se leva!

Ah! Com certeza e emoção,
Com um sentimento capaz
De um amor que satisfaz,
Numa firme demonstração
                     II
Do prazer que a vida nos faz,
Motivo de satisfação
De um passado em ação
Do poeta que se refaz
                    III
Pela força do trabalho
Ah! Com amor e carinho
Olhando sempre prá frente.
                     IV
Desde jovem que trabalho
Não esquecendo o espinho
Na essência, oh! Crescente!

Manoel Antônio Dos Santos
Guarabira-PB, 21/dez/2021 

É o fim

Acendo um cigarro, penso,
Medito, imagino, acredito
Não sei no que habita em mim,
No que penso, se é real.
Assim à vida me leva,
Indo prá onde não sei,
Só pensando, vou ficando,
Vou chegando ao fim.
Para trás as lembranças,
As saudades constantes
E também sem fim.
É um fogo ardente,
É vontade de ver alguém
Que a distância me impede.
É o fim!

Manoel Antônio Dos Santos
Jaguaribe - CE/1980.
 

 SEGUNDA   LEITURA
 
  CASARÃO DE CRISTAL

Construí uma casa com proteção eletrônica
Câmera biônica e acomodações seculares.
Idealizei as portas supostamente abertas
Com fechaduras metálicas e travas elétricas.
Paredes e quartos seguramente secretos e olhos biônicos.
Piscina térmica com hidromassagem e controle eletrônico.
Detalhei a mais inusitada estrutura
Com designer Niemeyer de moderníssima arquitetura.

A princípio, idealizei-a toda em vidro
Temperado, detalhado e transparente.
Logo mudei de ideia e troquei por placas
Blindadas em vidro fumê, de fibras potentes
Finalizei com esse implacável material
Iluminação de mercúrio, fechaduras de onix
Com as dobradiças de metal!
As esquadrilhas de bronze, portas parafinadas
Com cobertura de cristal!

Totalmente segura para proteger meu mais valioso tesouro.
Teto solar, jardim estrelar e o pátio moderno
E decorado com turmalina.
Era pra ser uma casa de vidro cristalizado
Mas transformou-se num palácio imperial!
Uma corte linda, à luz de candelabros
Móveis requintados, revestida em ouro e prata fina.
 
Baltazar Filho.
 
 

Na cidade, centenas de pessoas
Passam em minha frente.
Procuro um rosto amigo,
Um rosto conhecido
Só vejo espelho, dor, solidão.

Olho para os lados,
Procuro alguém;
Todos estão apressados,
Não prestam atenção.
Não escutam,
Seguem sem direção.

Apresso os passos,
Apressam os passos.
Isolo-me, isolam-me.
Estou só na multidão

Volto, revolto.
Faço o percurso que já fiz
Tantas vezes que não levam
A lugar nenhum.
E ao chegar, lá já estava,
Já me encontrava,
Só.

Jorge Leite

 Quietude


A alegria toma conta de minh' alma,
A natureza segue seu ciclo
Envolve-me.
Nada faço. Acompanho,
Sigo em frente,
Não me deixo abater.

As peças do tabuleiro são mexidas,
Ninguém perde,
O jogo não terminou.
Não haverá perdedores,
Nem empate,
Ambos sairemos vencedores.

Novos passos são dados sempre em frente,
Paramos para descansar
Tomo folgo, contínuo.
Não tem como recuar.
Não há volta no percurso.
É seguir, seguir.

Adiante o sol brilha iluminando o caminho,
Não há sombras nem passado,
O futuro é hoje.
Mãos dadas, passos firmes.
Em volta tudo é harmonia
Há quietude no coração.
Juntos seguimos o mesmo ritmo,
A mesma direção.

Corações quietos,
Quietude no existir.
O ciclo segue,
Agora seguimos juntos.

Jorge, SP 19/07/1991

 

  
 IMAGENS:Outono
 
 

 

domingo, 20 de março de 2022

Um Domingo Floral

 Blog  Maçayó

Edição   Nº   482


 LEITURA   DE   DOMINGO
 
 UM AMOR DE VERÃO COM POESIA

          Era final de verão no nordeste, o sol brilhava com tanta intensidade que o chão parecia até que estava fervendo, um resto de neblina se escondia por trás dos montes, enquanto as aves, em revoada, buscavam seus ninhos de amor. As aulas nas escolas municipais da colônia de pescadores, Mar e Poesia, teriam início após o final de semana. Maria Elisa, eterna sonhadora, estava ansiosa para o reencontro com seus amigos, ela vivia suspirando pelos quatro cantos da casa buscando na natureza inspiração para seus poemas improvisados de amor. A lua ainda brincava de esconde-esconde com as estrelas, mas a garota já está declamando seus versos para as rosas desabrocharem mais rápido, para que ela pudesse contemplar aquele espetáculo que para Maria Elisa não passava da mais bela Poesia.
          A mocinha continuava declamando para as diferentes rosas que adornavam o portão de entrada da sua casa. Os versos diziam assim:

AS FLORES DA NATUREZA

Oh, que formosa és tu Mãe Natureza!
Tu trazes as rosas para o meu jardim
Espécies de flores que são riquezas,
A Flora me doa o aroma do Jasmim...

A Petúnia me enche de calor e cores
A Violeta embeleza todos os meus dias
A Magnólia me faz recordar os amores
Os devaneios são instantes de Poesia...

A Margarida define as cores do campo
A Acácia demonstra toda sua elegância
Para a Rosa Amarela eu sempre canto,
Já Anêmona passa força e constância...

A Natureza tem grande valor para mim
O Açafrão cura, e transmite sabedoria,
A Calla Branca deixa uma Paz, sem fim
As flores me enchem de grande alegria.
Elisabete Leite

            Cachinhos de Poesia, como era conhecida na comunidade, porque  a garota vivia movida pela poesia e tinha cabelos encaracolados e dourados, era uma maneira de seus amigos a chamarem carinhosamente. Ela não se achava bonita pois tinha o rosto tomado pelas conhecidas sardinhas. Maria Elisa evitava os garotos, principalmente porque achava que eles iriam sorrir do rosto dela. A garota perdida em seus devaneios foi despertada pela voz da mãe que gritava por ela.
           - Maria Elisa, deixe de sonhar acordada e venha até aqui, agora!
           A garota saiu correndo em disparada ao encontro da sua mãe, e disse-lhe:
          - Mamãe, o que houve? Por que tanta gritaria? Estou aqui!
          A mãe olhou para Elisa e respondeu-lhe:
          - Daqui a pouco receberemos um ônibus de veraneio e eu preciso dos mariscos para fazer o caldinho. Vá logo ralar o coco, enquanto eu limpo os mariscos.
          Maria Elisa foi rápida em executar a sua missão para depois apreciar os visitantes. A garota pensou com seus botões: - vou declamar um poema de amor para os turistas quem sabe posso ganhar até uns trocados na praia. Ela vestiu uma roupa confortável e foi até a praia aproveitar o cenário que estava novelesco.  Ficou parada a declamar seu poema de amor. Os versos diziam assim:

EU & VOCÊ

Meu olhar cruzou com o seu,
A minha vida se transformou
Como mágica, o amor nasceu
É meu sonho, que você sonhou...

Ah, meu mundo se uniu ao seu!
Nessa história de eterno amor
Seu coração pertence ao meu,
Em um forte abraço acolhedor...

Minha música é a sua canção,
A vida é uma aquarela de cor
Sua face é fonte de inspiração...

Ah, é poesia, rimas e esplendor!
Que saiu de dentro do meu coração
Eu e você unidos pelo laço do amor.
Elisabete Leite

          Logo, várias pessoas se aproximaram dela para ouvi-la declamando e no final todos aplaudiram. Quando Maria Elisa já estava voltando para casa, ouviu uma voz suave que dizia:
            - Olá garota! Sou Eduardo quero dizer-lhe que você declama muito bem, eu gosto de poesia. Uau, você é linda! Seu rosto combina com as nuances do seu cabelo.
            Maria Elisa olhou nos olhos do garoto, e disse-lhe:
            - Obrigada! Sou dessa comunidade e você é turista?
           - Não, eu moro próximo daqui. Respondeu-lhe Eduardo.
          Os dois ficaram conversando durante todo o dia e nunca mais se separaram. O mar foi testemunha ocular de um amor de verão com poesia.

Elisabete Leite
Um Conto de amor a pedidos da aluna Laurinha.
 

 ENCONTRO DE POETAS
 
 Vida

Palavra pequena, existência imensurável...
Em sentido linear ou profundidade.
Uma vida não se exprime em palavras
Vivemos, apenas, com nossas singularidades...

Cada dia sendo único, inconstante,
Sem previsão  de tempo, de nada...
Todo dia é  uma surpresa diferente
Ao longo desse curta ou longa estrada...

A vida de cada pessoa é  única!
Quantas vidas existem nesse mundo...
E nos faz pensar nas diferenças
De cada uma, com sentimentos profundos...

Cada vida é  preciosa, uma dádiva,
Que recebemos como presente, ou não...
Procuremos lapidá-la até que brilhe
Com alegria e muito Amor no coração...
                     ❤️Tásia Maria

Inspiração

Minha Inspiração vem das estrelas
Numa noite sem luar...
Todas piscando, intensamente,
E me fazendo sonhar...

De um por do sol majestoso
Pintando o céu cor de laranja...
Vibrante, como os corações
De dois seres que se amam...

Vem de uma gotinha de orvalho,
Que treme na pétala da flor...
Como as mãos frias da donzela
Esperando o seu amor...

Do mar bravio e intenso,
Que deixa um bordado na areia...
Do voo solitário da gaivota
E dos mistérios das sereias...

Me inspiro com a natureza
E também com os sentimentos...
Que brotam na minha alma
Mas, moram no coração
Em todos os meus momentos...

                 ❤️Tásia  Maria
 
 DRUMMOND

Teu CORAÇÃO NUMEROSO
tua RUA DIFERENTE,
é UM SINAL DE APITO
um VERBO SER, coerente,
AMAR SE APRENDE AMANDO
de MÃOS DADAS, caminhando,
amando A UM AUSENTE.

A tua triste AUSÊNCIA
virou um CONVITE TRISTE,
um LEMBRETE na MEMÓRIA:
PARA SEMPRE, tu existe!
tá na NOTA SOCIAL,
no POEMA DO JORNAL
na CONSTRUÇÃO que persiste.

OS OMBROS SUPORTAM O MUNDO
ouvem a TOADA DO AMOR,
na RECEITA DE ANO NOVO
LIÇÃO DE COISAS, e o valor,
amor de MOÇA E SOLDADO
o AMOR ANTIGO, atado,
tem ESPERTEZA e sabor.

Tá NO MEIO DO CAMINHO
O SENTIMENTO DO MUNDO,
mostra que O MUNDO É GRANDE
em QUALQUER TEMPO, segundo,
O AMOR BATE NA PORTA
VIVER é o que conforta,
QUERO o amor mais profundo.

Seja numa ROMARIA,
mesmo, CABARÉ MINEIRO,
CIDADEZINHA QUALQUER
JOSÉ, responda primeiro,
antes da CANÇÃO FINAL:
Se existiu outro igual
ao DRUMMOND verdadeiro???

Jocélio Francisco
 

 OS DOIS PODERES

O Sol disse pra Lua como se fosse único:
- Tão tola ao pensar que iluminas o mundo
Não tens a luz natural que tenho eu!
Te aproveitas dos meus raios com soberba
Só apareces atrás da noite que nasceu!

Com toda sabedoria, a Lua lhe respondeu:
- O poder de iluminar o dia é todo teu
Não te invejo por essa tua capacidade
Tenho os que me esperam com ansiedade
Pra sonharem à luz que me deste por piedade...
És tão poderoso, tão belo e abrasador...
Mas foges de mim, sempre ao fim da tarde
Enquanto tenho dos enamorados o amor
Quatro vezes ao mês, cheios de saudade!

Socorro Almeida
Recife, 21/02/2022

RESPOSTA À LUA

Ela se aproxima à hora que bem quer
Debochada, inatingível e desafiadora
Deixa quaisquer que sejam as criaturas
Esperançosas e tristes a esperar
Numa ansiedade louca e esmagadora!

Ela sabe muito bem a hora de voltar
Imperceptível à sombra de suas nuvens
Indiferente à dor de todos os amantes
Que aguardam sob a luz dos vagalumes.

Tolo sou eu, encantado e embevecido
A suspirar perante o encanto dela
Se fosse apenas meu o seu amor...
Se no espaço só existisse eu e ela...
Eu lhe seria muito menos abrasador!

Socorro Almeida
Recife, 22/02/2022
 
 

 SEGUNDA   LEITURA
 
PERMISSÃO 

Mais um dia
Que Deus nos permite
Para sermos melhores.
Viver em unidade
Amar incondicionalmente
Sem restrições, apontamentos ou acusações...
Somente doando ao próximo
O afeto necessário
O ombro amigo
A palavra certa
Um abraço em Cristo.
E assim poder amenizar o sofrimento
De uma alma em aflição!
Essa é a permissão
De mais um dia para amar! 

Sol&Lua

SER AMOR
 
Ser amor
Ser verdadeiro, intenso e romântico.
Ser amor
Gostar, querer e perdoar.
Ser amor
Viver, beijar e abraçar
Ser autêntico e leal!
Quantas vezes acreditamos
Que o amor está próximo de nós!
Porém, nossas escolhas e erros
Nos levam às decepções
E o que devemos fazer
Quando somos surpreendidos
Por sentimentos que não combinam
Com o verdadeiro amor?
Devemos perdoar, ficar juntos
Consertar os erros e voltar a amar
Continuar a parceria
E se falharmos, então...
Como ser amor?
Só o amor nos ensina
A sermos corretos e justos
Firmes e sinceros
Porque virão outros erros
Ou más escolhas...
E ainda assim insistiremos
E podemos ser Amor! 

Sol&Lua
 
 Tribunal da Consciência

O tempo rasga as cortinas dos segredos
que em teu peito tinham escondido
maltrataste pessoas que te amaram,
humilhando aqueles mais sofridos
e sem dó teu orgulho te levou
para instâncias perversas da maldade
pois em te quase nada mais restou
fechando as janelas da bondade.
Tuas mentiras, segredos, falsidades
Tiraram de alguém tua esperança
Impedindo também de alcançar
o futuro que tanta gente alcança
Agora entras na tua paisagem
Não existe mais sequer um passarinho,
o rio que um dia te banhaste
por que agora já estás sozinho?
O teu espírito sem mais aguentar
De tanto segurar pediu clemência
e com tristeza resolveu te entregar
Para o grande tribunal da consciência.

Elias dos Santos.
 
 

 
 IMAGENS:ArtFile.ru
 
 

A Rosa de Hiroxima

Vinicius de Moraes
Rio de Janeiro , 1954 
 
Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas oh não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroshima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A antirrosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada. 
 

 

 

domingo, 13 de março de 2022

Um Domingo de Sonhos e Poesias

 
 Blog          Maçayó

Edição   Nº   481

 LEITURA   DE   DOMINGO
 
 
 UM SONHO CONSTRUÍDO

           Era quase outono, em uma cidade qualquer do nordeste do Brasil, mas o clima estava tórrido parecia até que era início de verão. As folhas dificilmente bailavam no ar, enquanto os ventos sopravam em outra direção. A pandemia da COVID-19 não havia terminado, e muita coisa ainda podia acontecer. O mundo, na verdade, estava todo voltado para a Guerra Russo-Ucraniana com muitos sonhos desfeitos e vidas ceifadas. Heitor, um jovem mecânico de automóveis, tinha um grande sonho, ele queria de alguma forma poder ajudar as pessoas vítimas de qualquer tipo de conflito social. O rapaz trabalhava dia e noite em sua pequena oficina, e nas horas de folga, buscava arrecadar donativos para pessoas necessitadas. Certo dia, em atendimento a um acidente de trânsito, teve a honra de conhecer Mariana, uma garota extremamente sensível, que trabalhava em um Projeto social, de arrecadação de donativos, para vítimas de diferentes naturezas. Mariana se aproximou devagar do mecânico, e puxou conversa:
          - Olá, sou Mariana! Trabalho em uma ONG com um Projeto de arrecadação de donativos e gostaria de fazer-lhe um convite.
           O rapaz olhou diretamente nos olhos de Mariana, e disse-lhe:
           - Olá, sou Heitor, em que posso ajudá-la?! Eu também gosto de ajudar a quem precisa.
           A jovem Mariana se aproximou um pouco mais do rapaz, e continuou falando:
          - Heitor, você gostaria de fazer parte da nossa ONG? Quanto mais pessoas determinadas a contribuir, melhor será. A nossa missão é humanitária, ajudar quem precisa é o nosso fator primordial! Temos diferentes ações: distribuição de sopa comunitária, doações de agasalhos, distribuições de cestas básicas e acolhida aos sem-teto.
          Heitor aceitou participar da ONG pois sabia que aquele Projeto poderia ampliar os seus horizontes e que de alguma forma iria contribuir na construção de seu sonho...
            Todas as noites Mariana, Heitor e vários outros voluntários percorriam as principais ruas daquele município distribuindo agasalhos e alimentação para os necessitados. A ONG ajudava muitos moradores de rua nesses tempos de pandemia, e assim o Projeto cresceu tanto que se ampliou para outros municípios vizinhos. As doações aumentaram a todo momento e muita gente sem casa e comida foram contemplados da melhor maneira possível.
           Heitor não media esforços, lutava como toda força possível, na intenção do bem-estar dos necessitados.
           O tempo passou... O jovem Heitor resolveu ceder parte da sua oficina para a construção de um abrigo que serviria de hospedagem para os moradores de rua. Seu sonho foi construído de verdade e ele se sentia feliz em poder ajudar às pessoas. Marina e Heitor continuaram unidos, trabalhando nas doações, tudo por amor ao seu próximo e na esperança de um mundo melhor.

Elisabete Leite - 08/03/2022
 
 QUEM ME DERA!

Quem me dera ser um mágico...
Colorir o negro da vida, o trágico
e do Bem fazer auspiciosa elegia
Trocar as tristezas pelas alegrias...

Brotar nos corações, muito Amor
Fazer as pessoas verem a verdade
Colocar a Paz, entre a Humanidade
Dissipar com as guerras, esse terror...

Trocar as lágrimas pelos sorrisos
Ah, descer os Céus, se for preciso!
Plantar a semente da Humanidade
Que brota dos galhos da Reciprocidade...

Quem me dera poder a vida mudar
E o avesso do hoje poder enxergar
Reconstruir cada chão novamente
Na cova, plantar uma nova semente...

De maneira simples, sem vaidade
Semeando o Amor em cada coração
Com justiça, união e honestidade
Espalhando bondade, sendo irmão.

Elisabete Leite
 
 
ENCONTRO DE POETAS
 
MEUS 7.7
Por: Manoel Antônio dos Santos
Em, 22/11/2021

Cantei meus anos, então
Ontem, a juventude,
Hoje, uma virtude.
No trabalho com razão.
Os anos são passados
E eternizados estão.
Memória é presente
E assim bem pensados
Todos anos vividos.
Curta é nossa vida
Ter missão é preciso.
Valorize os tempos
idos
Idade transcorrida...
Graças! Deus é conciso!

manoelantonio_santos@hotmail.com
(83) 99317.6895
 
 AGLA - UM SONHO REALIDADE
Por: Manoel Antônio dos Santos
Em: 22/11/2021

Foi sonhada muito antes
Não sei precisar quando foi
Não outros simpatizantes:
Alfeu Rabelo, o seu nome
Portanto, lhe agradecemos
Grande figura enaltecemos
Personagem de renome!
Marisa assim realizou
Hoje nos contempla do céu
Numa inspiração constante.
Seu nome se imortalizou
Está no céu, nas mãos de Deus!
Oh! Glória! Tão importante!

manoelantonio_santos@hotmail.com
(83) 99317.6895
 
 
Manoel Antônio dos Santos -
Natural de Pombal - PB -   Nascido em 22/11/1944, curso superior incompleto em Letras, Matemática e História, aposentado do Banco do Nordeste.
Atualmente Secretário de Indústria e Comércio da cidade de Guarabira-PB, Presidente da Associação Comercial e Empresarial de Guarabira-PB, 2° Secretário da Academia Guarabirense de Letras e Artes e, sócio fundador da referida Academia.
Tem trabalhos publicados em várias Revisitas, folhetim, etc,
Escritor, poeta e aprendiz de filosofia.
Dedica-se muito as causas sociais.
Por fim, amante dos livros.
 
 ANEDOTA ORA CANÇÃO PIAR

Por: Baltazar Filho
Em, 06/03/2022

Vou contar uma estória de amargar
É de dar um nó na garganta
E o canção piar
Cruzar as pernas, ciscar de rir
E o cabra frouxo gargalhar.

Agora veja mesmo se pode
O coitado comer galinha
E arrotar bode?

É do estômago embrulhar
O fulano ter dor de barriga
Se brincar dá um nó nas tripas
E a disenteria não controlar.

Que caninga peitada
A barriga desgovernada
Chiando fazendo zoada
Já sem ânimo, desfigurado
Com a vista embaraçada
O olho pra fora arregalado
E a cabeleira toda arrepiada.

balfilho@gmail.com
 

CARNAVAL SENTIMENTAL

Por: Baltazar Filho
Em, 09/02/2021

O carnaval veste de emoção
A alma sentimental
Pra jogar o folião na avenida
De forma avassaladora
Atraindo multidões em massa
É a única festa da folia
Que contagia com vigor
A mistura de todas as raças
Faz o público em massa
Balançar a praça com calor
Os foliões com seus fetiches
Banham-se de lança-perfumes
Respeitando suas religiosidades e crendices
É uma confraternização eufórica
Uma emoção nostálgica, contagiante.
O abraço do eterno enamorado
Do Arlequim ultra-mascarado
Saudades dos Pierrôs e das Colombinas
Dos confetes e serpentinas
Velhos tempos que não voltam mais
Mulheres trajavam-se de homens
E os homens vestiam-se de mulheres
Viravam a noite até raiar o dia
Esperavam a banda passar
Tocando trovas de amor
Numa respeitosa orgia
Ao som de varre, varre vassourinha
Despedindo-se da dor
Hoje saltam feito pipocas
Atrás de um trio elétrico
Esquecendo as tradições
Remexendo-se sem paixões
No gingado de um som magnético.

balfilho@gmail.com

Homenagem as Mulheres
Por:Manoel Firmino
Em:08/03/2022

Parabéns para as mulheres
Pela passagem do seu dia
Deus às cubra de bênçãos
Agradeço em poesia
Por ter sido carregado.
Em teu ventre ser gerado
Dona da minha alegria.

Parabéns para as mulheres
Sem elas o mundo
Não teria sentindo.

Manoelfirmino08@gmail.com
(83)986784726.

Mulher, terra inspiradora,
Onde Deus planta a semente,
No solo fértil do ventre,
És da vida a protetora,
Luz do mundo, genitora,
Mãe do tempo e do amor,
Teu instinto protetor,
É divina criação,
só terás comparação,
Com o Divino Criador.

Jocélio Francisco
 
 Guerreiras.

Ser mulher é uma grandeza
Sublime flor que espera
Ser respeitada e amada
Em  toda a biosfera
Quebrando o preconceito
O mundo será perfeito
Da Crosta à atmosfera.

Quem duvida que a força
Não está em nossa mão
Certamente desconhece
O que foge à razão
Que somos a pura essência
De Deus somos a presença
Da vida em comunhão.

Poder guardar outra vida
Para nós é um prazer
Pois se fomos escolhidas
É bom o dever fazer
Mesmo quando abandonadas
Vamos à luta arrumadas
Isso poucos podem ver.

Não importa se Maria
Se Zefinha ou Madalena
Importa que sou mulher
Isso sim, vale a pena
Não fugimos do pesado
Pois Deus é nosso aliado
E é nossa essa cena.

SILVINHA FRANÇA.
08/03/2018.
Araçagi- PB
 
Mulher

Homens, não me  levem a mal,
Mas eu  tenho que  dizer,
Sei  que não  vão entender,
Já  que mulher  não é normal,
Em um mundo desigual,
Somos mais que essenciais,
Na terra, fundamentais
E estamos em  atuação,
Rápidas  na decisão
Pois só  mulher, é  d +.

Olhar doce de criança
Guerreira feito  leão
Com dom da concepção
Traz ao mundo  esperança
Se entra na roda dança
Seja a música que for
Do Jardim, mais bela flor
Tudo inventa ou cria
É como a luz do dia
É  colo cheio de amor.

Paraiba turmalina
Feito  cacto do sertão
Mesmo errada tem razão
Aprende o que  ensina
Mulher é  mesmo menina
Que sonha, que fantasia
Que mesmo brava irradia
Sua essência de criança
Tem coragem, confiança
Sem mulher, morre alegria.

Mulher que  enfrenta  a dor
Que é dona do seu  nariz
Da vida  a melhor atriz
Protagonista onde for
Que enfrenta frio ou calor
Mulher é  mesmo arretada
Não  se abate por nada
É mãe, avó  e madrinha
Mulher é  mesmo rainha
E tem que ser respeitada.

Silvinhafranca79@gmail.com  22.05.2020



SEGUNDA   LEITURA

O POETA

Qualquer forma de arte é poesia
Épicos, Líricos ou Dramáticos
Eu sou o misto de drama e lirismo
Eu sou cético, antiético, pragmático...

Sou o fim de uma era ou o começo
Substancial a tudo que me basta
A dor do ventre, o choro do berço
O ímã que atrai ou o sonho que afasta.

O orgasmo que delira ao prazer do amante
O sorriso da criança, o colo que amacia
A ternura do peito, o sono repousante
A árvore que sombra a noite, e o dia.

Tudo o que inflama e causa amargor
Adormece de dia, e à noite desperta
O peito que dói, em delírios de amor
Porque sou imortal, eu sou um poeta!

Socorro Almeida
Recife, 04/12/2021

ASSIM É O POETA

Quando um poeta ama passa a falar sozinho
Diz coisas belas pra alguém que nunca viu
Manda, nos versos tristes, beijos que não sentiu
Chora feliz por seu amor, em outros ninhos.

Orgulhoso de si mesmo, dentro do limite
Que Deus impôs à sua alma amante
É tão humilde em sua dor constante
Que amarguras sente, mas não admite.

É capaz de se humilhar pelo amor de alguém
Com humildade, na paixão que o consome
Diz "eu te amo" pra quem nem sabe o nome
E segue doando amor, seu único bem.

Pois o poeta ama assim.. exageradamente
Esconde as lágrimas pra não fazer sofrer
A sua amada que não vê e nem sente
Que por ela é capaz de viver ou morrer!

Socorro Almeida
Recife, 22/08/2021
 
  Coisas de Poeta

Hoje li minhas poesias
E por estranha ironia
Fiquei triste.
Deu vontade de chorar,
Chorei.
Sem lágrimas pelo rosto,
Com lágrimas no coração,
Aqui sentado, pensando,
Em vão.

Hoje reli minhas poesias
Fiquei triste.
Não pelas poesias
Pois são meras palavras,
São símbolos no papel,
Não dizem nada,
Nada traduzem.
São meras palavras,
São palavras, palavras.

Hoje reli minhas poesias,
Fiquei triste.
Pelos sonhos que elas contêm,
Pelas ilusões que são criadas,
Por nada, por nada.
Mas o poeta tem que falar de amor,
Para poder rimar com dor.
Mas falar é só falar,
Não é receber nem dar.
Falar é só falar.

O poeta tem que ser triste
Para poder rimar com dor,
Mesmo sem rima.
Dor que vem do amor,
Amor engavetado em folhas de papel,
Amor simbolizado
Em palavras sem “sentidos”
Insensíveis, frias,
Por mais quente que representem
Pois são palavras faladas ou escritas
São palavras sem vida.

O poeta estar triste,
Relendo suas poesias,
Vivendo suas ironias.
Fazendo rimas.
Para poder se consolar,
Poder desabafar,
Ou quem sabe abafar,
Aquilo que não tem coragem
De gritar.

O poeta tenta fazer da vida
Uma poesia.
Mas a vida não tem “rimas”,
Tem caminhos e descaminhos.
A vida não tem “estrofes”,
Tem decisões e indecisões.
A vida não tem “quadras”,
Tem vida para ser vivida
Nos caminhos ou descaminhos,
Nas decisões ou indecisões,
Tem vida pra ser vivida.

O poeta reler suas poesias,
Sentado em harmonia
Com tudo que o cerca.
Ele não estar só.
Ele tem suas poesias.
O poeta é poeta,
E isso basta,
E isso é vida...
De poeta.

Jorge Leite
 
 POESIA

Quem é você?
Sou música suave para seus ouvidos
História contada, em versos, na hora
Relatados eternos dos tempos vividos
Sentimentos vindos de dentro pra fora.

Quem é você?
Sou palavras que fluem do âmago d’alma
 Fazem chorar e sorrir com muita emoção
O antídoto que cura as chagas, com calma
Levando o sangue a pulsar forte no coração.

Quem é você?
Sou vida criada e recriada, com perfeição
Composições em versos livres e/ou de rima
Gênero textual reconstruído, com intenção
Que transmite sentimento, uma obra-prima.

Quem é você?
Sou inspiração, um verdadeiro dom divino,
Concebido a poetas e escritores da arte real
Fazendo homenagens ao amor, paixão, violino...
Verdades escritas e criadas por um ser genial.

Quem é você?
Sou dádiva de Deus trazida, com grandeza
A pureza da criança e belo da flor que arrepia
Uma melodia escrita e cantada com beleza
Sou emoção, sou sentimento, sou POESIA.

Elisabete Leite
 
 

 Imagens: PIXABAY
 
 
 

 Existir

Acordei cedo, contemplei os pássaros,
as borboletas.
Acordei cedo, contemplei o céu, a lua
ainda brincava com as nuvens.
Acordei cedo, e percebi que poucos
estavam acordados.
Fui dormir tarde e refletir sobre a
existência e percebi que muitos ainda
não tinham acordado para a vida.

Elias dos Santos.

domingo, 6 de março de 2022

Um Domingo de Cinzas

 
 Blog Maçayó

Edição Nº 480


 
    
 
 
 
LEITURA   DE   DOMINGO
 UM ASSALTO NO METRÔ

          Era um Domingo de verão, o clima estava abrasador, sol brilhante, céu azulado e alvas nuvens vagavam ao léu de um extremo a outro. Estela Helena afastou as cortinas esvoaçantes da sala para deixar que o brilho do Sol entrasse. Foi até a varanda onde sua mãe estava tricotando uma manta, parou junto dela, e disse-lhe:
         - Mamãe, bom dia! Estou indo passar o domingo na casa de Laura, irei de metrô que é mais rápido.
          Dona Rita, mãe de Estela, olhou calmamente para a filha, e falou:
          - Minha filha, tome muito cuidado! Às vezes acontecem assaltos dentro do metrô. Procure um vagão com mais pessoas.
          A garota saiu da sala sorridente, achando que sua mãe estava falando asneiras. Ela vestiu uma roupa confortável, pegou os objetos pessoais e saiu andando com rapidez; desceu na estação que fazia integração com o metrô. Lá estava um vaivém de pessoas, sendo Domingo, todos queriam visitar seus entes queridos. Seguiu a orientação da sua mãe e ficou em um vagão bem lotado. Mas, na estação seguinte quase todos desceram, permanecendo apenas ela e um jovem, que por sinal bem apresentável. Estela ficou muito tensa temendo o pior, o metrô passou por um túnel e o ambiente escurece, quando o cenário clareou de novo, o jovem bem vestido, estava sentado ao lado dela. A garota tentou disfarçar sua aflição, mas já era tarde demais, e o rapaz anunciou o assalto, que foi logo dizendo:
          -  Dona moça, é um assalto! Passe seus pertences, celular e todo dinheiro que nada acontecerá.
           Estela tremia dos pés à cabeça, um frio na barriga e rubor pelo rosto. Sabia muito bem que não devia reagir, mas estava com pouco dinheiro e havia esquecido o celular na mesa da sala. Sendo assim, procurou negociar com o tal do rapaz bem vestido, e disse-lhe:
          - Moço, estou com pouco dinheiro e esqueci meu celular, por favor tenha calma!
           Porém, o moço parecia não querer ouvir o que Estela estava falando, e assim, bem rápido ele encostou o cano do revólver na testa da garota, e disse-lhe:
           - Dona moça, não estou para brincadeiras, passe logo todo dinheiro!
           Subitamente, o metrô parou e entraram uma jovem mãe com uma criança de colo e outra segurando na saia dela. A moça percebeu o assalto, tentou sair do vagão, mas a porta já havia fechado. O tal do jovem bem vestido, para piorar a situação, tomou a criança do colo da mãe, e a gritaria foi total. Estela aproveitou a situação formada e puxou a campainha de emergência, mas o rapaz enfurecido deu um pontapé na mãe das crianças que ficou estendida no chão. De repente, o metrô parou com rapidez e o tal do jovem bem vestido deixou o revólver cair. Por sorte de Helena a arma caiu nos pés da garota que segurou firme o revólver e apontou para o rapaz, assim, os papéis se inverteram. Mais uma vez, a campainha de emergência foi acionada e logo em seguida o metrô parou e dois policiais prenderam o homem bem vestido. E nada de anormal aconteceu, além do susto e muita gritaria das crianças.
          Após o terrível incidente, Estela desistiu de visitar Laura e voltou para casa transtornada. Contou para mãe tudo que havia acontecido e foi procurar descansar.
          O tempo passou... Certo dia, Helena foi tomar um café matinal na Delicatessen, da esquina de casa, sendo que sua visão dava para a calçada, e viu aquele jovem bem vestido do metrô, que já não estava tão bem vestido assim, olhando pela vidraça para ela. A garota percebeu a palidez no rosto do jovem e deduziu que ele deveria estar faminto. Helena pediu que o rapaz entrasse e ofereceu-lhe um saudável desjejum matinal. O rapaz degustou com rapidez, agradeceu e depois foi embora. Muitas vezes ele voltou para se alimentar e nunca Helena negou-lhe uma boa alimentação.


Elisabete Leite
 
FRATERNIDADE E UNIÃO

Nosso mundo está carente de Paz
De Fé, Igualdade, Carisma e União
E por isso, preciso e urgente se faz
Ter a Semente do Amor no coração...

Urge semear, também, Fraternidade
Em meio ao solo árido da desunião
Pois para se ter Justiça e Liberdade
É preciso todos os povos em União...

E todas as pessoas de todas as raças
Sim, viverem em igualitária condição
Como se, de um mesmo pão, a massa...

Pois para chegarmos a real Evolução
É compulsório que toda raça se faça
Numa mesma família, todos irmãos.

Elisabete Leite
 

 
 
 
 
 
 
 
 
 ENCONTRO DE POETAS
 
BUSCANDO A VIDA
Por: Fernando Carvalho
Em, 12/2021

Eu vou buscando a vida
Porque ela já me buscou.
Sou apenas seu passageiro
Desse tempo que me conduz.

O caminho mais perto da vida
Ė buscado dentro de você
O bom da vida é ser feliz
Mesmo com as advertências do tempo.

A vida que temos é a mesma
Que o tempo de Deus oferece.
Pois o sabor do tempo
Nos alimenta de saudades!

O SOL
Por: Fernando Carvalho
Em, 12/12/2021

O sol sempre aparece
Para nós a luz do dia.
Ele é responsável
Pela nossa iluminação diária
Mesmo se estivermos tristes
Ou em outro estado emocional
Ele vai aparecer

O Sol é tão importante
Para a vida dos seres diversos
Que se abre para todos nós

Olha o sol de novo!
E bem mais forte que ontem
Ele tem o tamanho da vida
Vida essa que nos inspira

Se abrir ou não a janela da alma
Iremos ter a iluminação da vida
O Sol, o Sol é Deus!

FERNANDO FERNANDES DE CARVALHO
Natural de Alagoa Grande - PB, radicalizado em Ibituba - SC.
Casado com Katharina Siqueira de Carvalho é Professor Universitário
graduado e especialista em Logística. É escritor, cordelista, poeta, jornalista e radialista profissional.
Presidente da Comunidade Cultural Literária Brasileira de Ibituba - SC
Foi Vice Presidente da ALBSC - Academia de Letras de Ibituba - SC
Membro Honorífico da Academia Guarabirense de Letras e Artes "Casa Marisa Alverga"- Guarabira - PB
Diretor Presidente do Grande Jornal de Santa Catarina
Diretor da Revista Web Foco livre.com.br . Diretor e idealizador da Agenda Solidária 365.
Apaixonado pela família e Amante da arte.
 

 
Poemas de Lucas Lima
 
Se é verdade o que dizes
por que me magoas tanto?
Queres mesmo ver meu pranto
deixar-me aborrecido?
Eu não sei mais o que digo
é melhor ficar calado
pelo menos ao meu lado
vou sentir que o silêncio
poupará-me um momento
de ficar tão magoado.

Lucas Lima

Homenagem aos 100 anos da Semana de Arte Moderna

Nos escritórios, nos poemas
em versos ou em canções
sentimos os corações
de quem nos quer nos falar
ou talvez, seja contar
um pouco da nossa história
das lágrimas dores e glória
em nossa literatura
nossos heróis da cultura
quiseram fazer memória.

Lucas Lima

 
A ILUSÃO DE QUERER

Eu queria sentir tudo o que vem de você
Tudo que eu tenho direito, queria sentir
Por que hoje sofro se você quer partir?
Se tudo o que eu quis foi apenas viver...

Viver pra você, e você não me quis
Hoje o que pede, bem que eu queria ter
Só para sentir, como seria você
Amando-me assim, com seu jeito de ser.

Se direitos não tenho, que importa agora
Desejar tanto você, nessa vida malvada
Ser feliz com você, ou olhar para o nada
Um futuro vazio, dos sonhos de outrora?!

Você pode ir, mas não me venha dizer
Que só em meus braços o seu mundo sorri
Que é o meu amor a sua razão de viver
Pois eu não quero chorar, ao vê-lo partir!

Socorro Almeida
Recife, 07/12/2021

A FORÇA DA MULHER

Há tantas de nós, tantas que te querem
Tantas mulheres tolas que te desejam
Que não enxergam a beleza de si mesmas
Só imagens inexatas de seus espelhos!
Brancas, negras, pobres ou ricas
Têm o poder à força de seus apelos
E em sua alma o branco da fé enaltecida!
E um dia, ao final de nossa luta
Não questiones o valor que em nós desejas
Se somos pobres, brancas ou negras
Somos ricas de amor, por um instante que seja.
E tu, homem cruel, que não enxergas nelas
A beleza das cores que a natureza faz
Bem dosada nos tons das aquarelas
Tua força diante a delas se desfaz!

Socorro Almeida
Recife, 17/09/2021 
 
 


 MUNDO UTÓPICO

Às vezes defendemos algo
Que imaginamos ser verdade
Quando a verdade é apresentada
De forma fantasiosa.
Nessa defesa há
Um "vai com as negas"
O que há séculos foi criado
Para justamente arrebanhar
Os exércitos de "advogados"
Do mundo utópico.
Mas as lágrimas que seus olhos veem
Caindo dos olhos alheios
Podem não ser a emoção
Do imaginário daquele momento!

Emiliano de Melo
Guarabira, 10/02/2022
 
 SILÊNCIO

Respeite o meu silêncio
O meu grito, minha dor
Respeite minha saudade
Meu choro e meu clamor!
Respeite o nosso sonho
Esses momentos de calor!
Respeite a minha voz
Falando ao seu ouvido
Como é grande o nosso amor!
Daquele jeito escondido
Embriagado, embevecido
Tão gostoso que faz valer
Cada encontro com você!
Respeite tudo, até porque
Tudo se transforma quando estou
Lado a lado com você!
Olho no olho, corpos suados...
Extravagantes, apaixonados
E esse prazer escancarado!

Rita de Cássia Soares
Pirpirituba, 01/03/2022