domingo, 29 de maio de 2022

Chuvas de Outono...

 
 
 Blog  Maçayó

Edição   nº  491

 

  LEITURA   DE   DOMINGO
 
 
 OS SINOS DOBRAM

          Era um domingo de maio, em São João Del Rei, cidade setecentista de Minas Gerais...  Aproximadamente às 17 horas, quando o crepúsculo mesclava o horizonte de vermelho alaranjado, os sinos dobravam chamando os devotos, para uma procissão de Fé, partindo da Catedral Basílica, percorrendo as ruas, principais, da cidade. Lá é tradição os dobrados dos sinos, que parecem falar, avisando aos moradores sobre acontecimentos diversos... João Pedro, um garoto de onze anos de idade, era uma figura importantíssima na conservação e brilho dos sinos desta igreja.
          Todas as manhãs... O menino acordava muito cedo, quando a Lua ainda nem havia se escondido, para acompanhar seu pai, homem hábil e determinado, no ofício de polir, profissão de polidor de sino, herdada do avô, já falecido. A família tinha um jeito especial de polir, usando água e sabão neutro, que são imbatíveis, antes da aplicação da massa de polimento, já que os sinos eram de bronze, a massa consistia em um preparado à base de ácidos e solventes... Pedrinho dos Sinos, como era conhecido nas redondezas, sabia que, utilizando esse processo, podia recuperar o brilho perdido, até dos sinos desgastados pelo tempo, tornando-os novamente reluzentes... E assim era a sua rotina, aprendendo e auxiliando o pai.
          Naquele domingo, o garoto acordou à hora de costume, mas não encontrou seu pai em casa. Dirigiu-se até a cozinha à procura da mãe, Dona Maria, uma senhora muito simples, que estava preparando a massa de pão:
          Pedrinho, apreensivo, foi logo dizendo:
          - Mãe, onde está o papai? Já procurei em todos os lugares.
          - Seu pai precisou viajar, meu filho.
          O garoto continuou falando:
          - Mas, mamãe, quem vai polir os sinos da Catedral, pois hoje será a procissão de Fé, o Sr. João dará conta dos dobrados, mas o polimento, quem irá realizar?
          - Você, meu filho! Disse-lhe a mãe, calmamente.
          Pedrinho, tomando essa fala mais como uma ordem do que um conselho, pois que era bem educado, obedecendo seus pais em tudo, se prontificou a sair para a empreitada, uma vez que a família era pobre e a principal fonte de sustento vinha dos velhos sinos, da histórica cidade... Entretanto, perdeu algumas horas procurando o material necessário para o trabalho, mas não encontrando o suficiente. Depois de fatigado pela busca, sua mãe lhe disse:
          - Seu pai teve que levar todo o material para polir os sinos da igreja de São José, na capital, pois ali vai acontecer um casamento de gente importante...
          - E o que farei, então, mamãe?
          - Vá com Deus, na Fé que temos Nele... Ele há de prover...
          Pedrinho ficou desolado... “Que farei sem a massa de polimento, os panos e as estopas apropriados?” Perguntava para si mesmo... Saiu em disparada pela ladeira abaixo, pois que já perdera mais tempo do que o necessário... Queria que seu pai estivesse ao seu lado, naquele momento... estava bastante preocupado, pois não sabia se podia dar conta do ofício sozinho. Era muita responsabilidade para uma criança da idade dele... Pensou baixinho: “Será que vou conseguir? Meu Deus, me ajude!”. Ele continuou correndo até a Catedral, também conhecida como Matriz de Nossa Senhora do Pilar, que contém rica decoração em talha dourada, possuindo também duas torres com arcos para os sinos... Chegando em frente à Matriz, viu o Sr. João entrando, apressado. O homem, quando viu Pedrinho, esperou-o, e foi logo dizendo:
          - Menino, você está atrasado para seu ofício de polir os sinos, preciso deles polidos para efetuar os dobrados. É hora de informar novamente à população da procissão de hoje.
          Pedrinho não disse nada, cabisbaixo, pôs-se a chorar... Ele precisava de forças, de confiança em si mesmo, não podia decepcionar seu pai... Foi até o lavabo, pegou a vasilha com água e o sabão neutro e dirigiu-se às torres dos sinos. Assim foi realizando a preparação, com eficiência, deixando-os prontos para o polimento final, o que começou a operar usando sua própria camisa e uma pasta improvisada com o próprio sabão; suas mãozinhas suavam, tanto pelo nervosismo, quanto pelo esforço empreendido e, junto com lágrimas que escorriam de seus olhinhos, se misturavam à pasta improvisada, substituindo o solvente; o que fez com que o brilho se tornasse ainda mais forte. Quando terminou, custava-lhe acreditar no que estava vendo: O brilho era tão intenso que ofuscava sua visão, e os sinos cintilavam, no arco, à hora dos dobrados.
          Logo entardeceu, exatamente às 17 horas, os sinos dobravam anunciando que chegara a hora da procissão sair. O garoto estava orgulhoso, pois tudo havia acontecido de maneira satisfatória. Ele, de longe, contemplava-os em seus deslumbres, e eles pareciam até sorrir, agradecidos, pelo trabalho realizado pelo menino.
          Até hoje, os Sinos dobram na Matriz de Nossa Senhora do Pilar, com um brilho intenso, nunca visto antes, em nenhum outro lugar.

Elisabete Leite

Pesquisa:
Quantos toques tem os sinos de São João Del Rei?
"Símbolos religiosos usados para transmitir mensagens aos moradores da cidade, eles são soados três vezes ao dia, às 12h, às 15h e às 18h. A ação é realizada em 42 paróquias. "São João del-Rei é conhecida como a cidade onde os sinos falam, a população conhece a linguagem deles."
24 de mar. de 2020
 

 VIAJANTE

Sol cintilante transbordava no céu
Resplandecia com seu dourado véu
Em divagações eu buscava teu olhar
Entre alvas nuvens viajava a meditar...

Pensamento, por dúvida, influenciado
Eu devaneava pelo tempo demorado
Que minha saudade insistia em contar
O doloroso rumo que teria que trilhar...

Ah, a dor que dominava meu semblante!
Insistia em acompanhar-me, pelos instantes
Torturando-me sempre, antes e durante...

Sim, ao redescobrir a minh'alma errante
Que ainda persistia em tornar-me amante
Fiz de mim viajante, novo Ser, pensante!

Elisabete Leite
 
 
 
ENCONTRO DE POETAS
 
 EU PENSO

Viajo no pensamento
Penso e logo dispenso
Grito, e sem querer, reflito
Falo suave, ao relento!
Não vejo a luz colorida
Sinto a dor adormecida
Vivo, sem rumo, perdida...
Mão alheia incentiva
O paradoxo do amor
Cultiva o meu obscuro
Meu silêncio e minha dor!
Saio súbita e dilacerada
E tento fugir do clamor
Adentro nas entranhas
E registro o que passou.
Palavras, frases, e versos
São alimentos pro meu ser
Hoje só sinto o reverso
Do que vivo por você...
Mudança total, o tempo
Hoje chove, o frio bate
Eu na estrada...Penso
Agora...sem teu acalento!

Rita de Cássia Soares
Pirpirituba,  2021
 
 
 DOIS CORAÇÕES

Olhei atentamente para o céu
E vi dois corações lindos!
Bem desenhados, mas postiços.
Pensei no nosso amor
No nosso compromisso
Onde o tempo esquenta
E acelera as paixões!

Que vêm juntas às nossas emoções
Regar o coração sólido
E àqueles, no céu, postiços
Cheios de amor, prazer e viço...
Assim são alimentados
Os nossos corações!

Rita de Cássia
Soares
Pirpirituba, 2021
 

 FOI ASSIM

Já me curvei aos caprichos de alguém
Mendiguei amor e me negaram
E por quem me negou morri de amor!
Chorei de dor em ter que partir
Até não ter mais razão para sorrir
Inventei que amava pra me divertir
E quando me apontaram culpas, aceitei
Só para ter que me redimir.
Voltei de alma limpa e tola me tornei
Porque ao meu regresso, não percebi
Foi pra sofrer de novo que eu  voltei!

Socorro Almeida
Recife, 05/07/2021
 
 
 POR QUE CHORO?

Aonde vai dar o caminhar das gerações
Os voos angustiantes dos passarinhos
Que não sabem onde  encontrar seus ninhos
Pelo canto que não ouço mais...
Como vou ouvi-los agora?
Quais árvores vão me dar frutos
Se elas choram sob fumaças
Pelas folhas queimadas que caem
Pelas sombras que não tenho mais...
Onde encontrá-las agora?
Pelo choro da criança que não nasceu
Pelos filhos que não abraçamos
Como vamos tê-los agora?...
Agora que eu sei porque choro
Até choraria bem mais
Se eu soubesse o que fazer
Com tanta maldade que faz
A gente padecer de tristeza
Ou gritar pro mundo doente
Que viver ou morrer...tanto faz!

Socorro Almeida
Recife, 07/10/2021
 
 
 MEU EU POETA

Sou um poeta louco
Que não se atenta em se apega
Às futilidades ou coisas banais
Gosto de levar alegria e diversão
Conduzindo a paz com sutileza
Trazendo comigo a tranquilidade
Das emoções perdidas
A felicidade naquilo esquecido
O amor em tudo que vê
Sendo apenas um louco poeta!

Sol&Lua
Pirpirituba, 2021
 
  CAMINHADA

Tão longe e tão próximos
Sentimentos expostos
Terras longínquas
O que deveria afastá-los, os une
Amigos, amantes ou almas gêmeas?
Que ignoram tempo e distância
Uma dupla que trilha caminhos
Há milhares de anos.
Caminhos desconhecidos
A serem desbravados
Nesse ritmo estarão a desfrutar
Das maravilhas prometidas por Deus
Transbordando em seus corações
A mais infinita tranquilidade
E inquietação jamais sentida
Na interminável antítese das suas vidas!

Sol&Lua
Pirpirituba, 2021
 
 

 TORMENTOS

A dor que atropela meus sentimentos
Evapora no silêncio dos meus  sonhos
O remédio dos tormentos não chegou
A tempo para salvar os sonhos tolos
Ilusão nos acompanha nas noites frias
De uma solidão indesejada
A mente dos acordados
No mapa dos sentimentos afetados.

Emiliano de Melo
Guarabira, 2022
 
 
 MUNDO UTÓPICO

Às vezes defendemos algo
Que imaginamos ser verdade
Quando a verdade é apresentada
De forma fantasiosa.
Nessa defesa há
Um "vai com as negas"
O que há séculos foi criado
Para justamente arrebanhar
Os exércitos dos "advogados"
Do mundo utópico.
Mas as lágrimas que seus olhos veem
Caindo dos olhos alheios
Podem não ser a emoção
Do imaginário daquele momento!

Emiliano de Melo
Guarabira, 2021
 
 

 Amor é vida
Joseraldo Ramos

O que seria de nós se não fosse o amor,
Esse sentimento oculto e abstrato?
Pois falando dele sempre me retrato
A uma semente em mim que você plantou.

Semente em minha Vida que não mais é dor,
Resgate de uma alma sem fazer distrato,
Amor pra toda vida sem fazer contrato,
Sentimento único que em mim ficou.

Sem o seu sorriso tudo se faz triste,
Sou corpo sem alma, nada em mim existe,
Apenas contigo é que me sinto feliz.

Pelo que vivemos e vamos viver,
Me faça ver que o que dedico a você,
Vive hoje em mim porque sempre quis.
 
 
 Por um amor além da vida
Joseraldo Ramos


Que toda forma de amor seja vivida.
Pois cada dia em que eu te procurava,
Mesmo sem te conhecer eu já sonhava,
Com a tua existência em minha vida.

Por ti vivi em outras vidas pertencidas,
E assim tanto esperei em abstinência,
Esperando que em mim essa vivência.
Se renovasse na nossa última partida.

Esse amor que em nós nasceu não se apequena,
Mesmo diante da moral que nos condena,
Os corações não nos trai, não nos ilude.

Que o tudo que vivemos se eternize,
E que cá dentro o meu cérebro memorize,
Nossos momentos de forma tão amiúde.
 
 

 Repressão

Observava a sua obra inacabada
Ali, trêmulo, ainda que não de medo
O vigor incansável se foi tão cedo
Entusiasmo pereceu naquela estrada.

Num canto adormeceu a velha enxada
Sua caneta, instrumento e brinquedo
Companheira sem mistério, nem segredo
Na árdua labuta do dia a dia enfrentada.

O destino sempre lhe foi tão mesquinho
A sorte sequer lhe sorriu um pouquinho
Até já foi para o céu a sua doce amada.

Na correria dos afazeres passou a vida
De gozo e de prazeres reprimida
Tanta coisa a fazer se tornou nada.
                                     (Diógenes de Brito)
 
 Amor próprio

Quando a solidão
é um passaporte
para a nossa liberdade
temos que aprender
a ser livres,
sem deixar
que ela em nós
faça morada.
Que mesmo aliada
do silêncio
e da saudade,
não esvazie
nossos corações,
e preencha lacunas
de ausências
e incertezas
com muita música
e poesia.
Que ela nos dê, sim,
aulas de sobrevivência
e nos ensine que tudo
são circunstâncias.
E que nos faça, sobretudo,
não mais querer saber
do passado,
do que se foi,
mesmo que isso ainda
nos cause dor,
na certeza feliz
de que jamais acabou
o nosso amor próprio.
                (Diógenes de Brito)
 
 A vida que se leva!

Ah! Com certeza e emoção,
Com um sentimento capaz
De um amor que satisfaz,
Numa firme demonstração
          II
Do prazer que a vida nos faz,
Motivo de satisfação
De um passado em ação
Do poeta que se refaz
           III
Pela força do trabalho
Ah! Com amor e carinho,
Olhando sempre pra frente.
            IV
Desde jovem que trabalho,
Não esquecendo o espinho
Na essência, oh! Crescente!
            
Manoel Antônio Dos Santos
Guarabira-PB,14/dez/2021
 
 

  ELISABETE LEITE
(Pelo seu aniversário em 24 de maio)

Essa amizade que nos devota
Louvamos graças todos os dias
Isso porque quem bater à sua porta
Seja quem for se precisar um dia
Aquele afago que na alma você tem
Basta um olhar, um abraço você vem
Encantar os corações de todo mundo
Teu eu poético é muito mais profundo
Enquanto as rimas nos deixam mudos.

Lealdade você tem até de sobra
E para todos nós és muito especial
Inteligente, gentil e muito amiga  
Talentosa e humana por demais
És poetisa e contista sensacional .

Socorro Almeida
Rita de Cássia
 
 

 
 
 
 
Escolha do Editor - Moça na Chuva
 
 

terça-feira, 24 de maio de 2022

Feliz Aniversário Elisabete Leite

 
 
 Blog  Maçayó

Edição   EXTRA

 

 
 ELISABETE LEITE
(Pelo seu aniversário)

Essa amizade que nos devota
Louvamos graças todos os dias
Isso porque quem bater à sua porta
Seja quem for se precisar um dia
Aquele afago que na alma você tem
Basta um olhar, um abraço você vem
Encantar os corações de todo mundo
Teu eu poético é muito mais profundo
Enquanto as rimas nos deixam mudos.

Lealdade você tem até de sobra
E para todos nós és muito especial
Inteligente, gentil e muito amiga  
Talentosa e humana por demais
És poetisa e contista sensacional .

Socorro Almeida
Rita de Cássia
 
 Oi Beta!
 
Aniversariar é recordar, é rever todos os passos dados, nossos acertos e enganos, nossas escolhas.
Sei que para chegar no ponto em que você se encontra, não foi fácil, foram muitas lutas, vitórias e algumas derrotas. Derrotas necessária e importantes para seu crescimento pessoal. Hoje você é uma nova pessoal, amanhã quem sabe! 
Uma mulher incansável, que transforma toda dificuldade, sofrimento e dor em um jardim florido, jardim esse chamado coração. Parabéns Betinha! Hoje é mais um reinício, um continuar, ir atrás de seus sonhos, colorir seus pesadelos e viver. Feliz Aniversário Betinha! 

Jorge Leite
 

Sede

Maravilhoso quando somos coração,
Mesmo não querendo
Explodimos em pura emoção.

Temos medo de assumir o que somos
O verdadeiro Eu, ou simplesmente Eu.
Vê que somos iguais aos outros
Vê que nossa essência
É igual a essência de quem amamos.
Vê que temos medo,
E não somos tão fortes
Quanto imaginamos.

Porém somos fortes sim,
Nossa fortaleza estar em nós,
Que nos assusta quando a achamos.
Nosso medo é irreal
Não tem porque acontecer,
É nosso ego que se apega
As aparências da vida,
Com medo de viver.

Quando encontramos o amor
Nossas pernas ficam bambas
Ao percebermos que
Tudo que construímos
São miragens no deserto,
Não matam a sede.
A sede é morta na fonte do amor,
No lago da vida, que nunca vivida.
Aguarda por nós,
Dentro de nós.

Jorge S Leite 
 
 Novos Caminhos 

Tanta dor a gente sente
Que não se pode evitar,
Tanta dor a gente sente
Quando se aprende a andar.

Andar com nossos pés,
Sem pegar na mão de ninguém,
Andar com nossos sonhos,
Sem ter tempo de acordar.

E quando nós percebemos
Tanto tempo já passou,
Tantas estradas percorridas
Tanto sofrimento e dor.

A pele ficou mais dura,
As ilusões em pedaços,
O coração por inteiro,
Adormeceu no cansaço.

Porém um dia ele acorda,
Envolve-me em seu palpitar,
Juntos em novas estradas
Sorrindo passamos a andar.
 
 Jorge Leite
 
 
 GALERIA
 
 
 
 





 

Imagens: A primeira imagem foi enviada por Rita de Cássia; as demais fazem parte do acervo pessoal de Jorge Leite.

 

 

domingo, 22 de maio de 2022

Em Um Domingo de Outono

 
 Blog  Maçayó

Edição   Nº  490

Tema das Imagens: Outono

  LEITURA   DE   DOMINGO
 
 A MENINA SEM NOME
 (HISTÓRIA QUE MAMÃE CONTAVA)

          Era uma noite tenebrosa, com ventos que sopravam em várias direções, raios que riscavam o céu de um canto a outro, o entardecer já tinha desaparecido, dando passagem ao acinzentado luar e às nuvens escurecidas por toda sua extensão. O silêncio predominava nas ruas sombrias do bairro de Santo Amaro, da capital pernambucana; parecia até que portas e janelas das residências queriam contar algum segredo, pois ficavam sussurrando para quem quisessem ouvi-las. Bento saiu do trabalho muito tarde e morava a poucos metros de distância do antigo cemitério de Santo Amaro e resolveu se aventurar caminhando. Como já tinha costume de transitar por aquelas redondezas foi andando em passos curtos. De repente, uma garota de aproximadamente onze anos de idade passou à sua frente em sentido cruzado.
O rapaz tomou um susto danado e ficou conversando com seus botões: "o que uma garota faz por aqui? Será uma assombração? Meu Deus, mamãe ficou um pouco adoentada! Ou será uma premonição?!
Assim, Bento apressou os passos para chegar logo em casa. Já em casa o rapaz foi direto ao quarto da mãe e a encontrou ardendo em febre, procurou saber o que estava acontecendo com ela, pois a mesma se encontrava acometida por uma doença misteriosa, e disse-lhe:
          - Mamãe, o que a senhora está sentindo?
          Sua mãe balbuciou com todo esforço, e respondeu-lhe:
          - Meu filho,  estou com náuseas, dor de cabeça, com o corpo doendo e bastante febril.
          Bento medicou a sua mãe com um analgésico e antitérmico e foi procurar dormir... O rapaz acordou cedo e observou que a mãe só havia piorado dos sintomas da doença. Ele resolveu chamar um médico para saber a causa da enfermidade. O médico disse-lhe que seria necessário vários exames e assim foi providenciado. Com tudo sob controle, deixou sua mãe com uma cuidadora e foi trabalhar... Na saída do trabalho, resolveu voltar para casa caminhando porque queria muito reencontrar a menina misteriosa da noite anterior. Passou rápido em frente ao portão do Cemitério, mas sentiu calafrios pelo corpo e ouviu uma voz que dizia: "quero confeitos, rosas e incensos para meu túmulo." O rapaz permaneceu atônito, voltou seu olhar para dentro do cemitério e viu uma menina sentada em uma lápide qualquer. A vontade dele era correr muito, fugir daquilo tudo, mas resolveu apurar os fatos, assim olhou mais uma vez para dentro do cemitério, porém não viu nem uma viva alma. Voltou para casa cabisbaixo e foi direto para o quarto da mãe que se encontrava acamada no mesmo estado da noite anterior. Logo, adormeceu junto ao leito da mãe doente. Pela manhã, Bento resolveu investigar os fatos no cemitério, foi diretamente à sala de informações procurar esclarecer tudo. Falou com um atendente que desconhecia a identidade de uma menina que perambulava na calada da noite. Bento Já ia saindo quando ouviu o atendente dizer-lhe:
            - Moço, comenta-se que uma menina fica pedindo guloseimas em troca de milagres. Ela deixa muita gente assustada e de cabelo em pé. O túmulo dela fica logo aí na frente e é muito visitado por romeiros. Ela já virou uma Lenda!
            Bento pediu permissão para visitar o túmulo da garota e a permissão foi concedida. O rapaz se aproximou do túmulo da menina e ficou perplexo pelo que viu. Tinham flores, roupas, confeitos, velas, pedidos, agradecimentos por graças alcançadas e muitas outras coisas em cima da lápide. O rapaz se ajoelhou diante do túmulo da garota e léu: Menina Sem Nome. Ele viu uma foto e observou que era a mesma menina que ele cruzou por duas vezes. Bento aproveitou e orou em voz baixa: "pela saúde da minha mãe, prometo-lhe trazer sua solicitação". E saiu em seguida!
          
À tardinha o jovem Bento trouxe um ramalhete de rosas, velas, confeitos, objetos de uso pessoal e incensos; colocou tudo no túmulo da Menina Sem Nome e voltou para casa satisfeito pela sua atitude tão nobre. Chegando em casa encontrou sua mãe na sala vendo um filme, observou que ela estava sem febre e com uma aparência bem saudável.
            O tempo passou... O jovem Bento nunca mais encontrou aquela garota de novo, mas muitas vezes ele voltou ao túmulo da menina para deixar donativos. Ele sempre agradecia pela graça alcançada e passou a acreditar que às Lendas apresentavam um fundo de verdade.
 
Elisabete Leite - 10/05/2022
(Conto inspirado na Lenda de Pernambuco MENINA SEM NOME).
 
  SOU UMA LENDA

Sou uma Lenda de Pernambuco
Faço parte da Cultura e Tradição
E quem me conhece fica maluco
Pra fazer-me pedidos de coração...

Meu túmulo é bastante procurado
Pelos fiéis e crentes em visitação,
Sinto-me como um anjo abençoado
E que Deus mantém por Criação...

Meu corpo deixado na praia do Pina
Serve como relato e muita comoção
Mas perambular à noite é minha sina
Em Santo Amaro causo admiração...

Gosto de guloseimas, velas e flores
Aguça o meu paladar e mata a fome
Os visitantes são os meus amores,
Sou na verdade, MENINA SEM NOME!

Elisabete Leite - 17/05/2022
 
 
 SEGUNDA   LEITURA 
 
 MENINA SEM NOME: A HISTÓRIA POR TRÁS DE UM DOS TÚMULOS MAIS VISITADOS DO PAÍS
(Misterioso crime cometido em 1970 se tornou uma das maiores lendas do Pernambuco)

O dia 23 de junho de 1970 será marcado para sempre na história de Recife. A data, porém, não remete a um fato positivo, mas se tornou marcante por conta de toda a lenda que começou a partir de então.  No dia em questão, o corpo de uma menina foi encontrado na Praia do Pina pelo vendedor de coco Arlindo José da Silva. Como recorda matéria do UOL, na época, foi relatado que a vítima estava com o rosto cravado na areia e suas mãos estavam atadas.  
O caso gerou uma enorme comoção entre os moradores da capital pernambucana e se tornou um enorme mistério. Em um primeiro momento, Arlindo chegou a ser preso por ser suspeito de ter cometido o crime, mas logo depois acabou solto.
Seis dias depois, em 29 de junho, as investigações apontaram para o mecânico Geraldo Magno de Oliveira. O trabalhador confessou o crime em depoimento à polícia recifense. Oliveira contou, como aponta o UOL, que convidou a garota para passar a noite com ele.
O mecânico diz ter oferecido a ela 5 cruzeiros para isso. Porém, como não tinha troco, a menina começou a xingá-lo de “vigarista” e “velhaco”.  
Apesar da confissão, pouco depois Geraldo disse que só contou aquela história por ter sido coagido e torturado pela equipe de polícia. Mesmo assim, sua prevenção preventiva foi decretada. Ele foi assassinado na cadeia antes de ser julgado.  
Quem era a vítima?
Apesar do real responsável pelo crime ser um tema controverso, esse não é o ponto mais curioso de toda a história. Como você deve ter reparado, o nome da menina não foi citado em nenhum momento, mas isso não é por acaso, afinal, ninguém nunca soube sua verdadeira identidade.
Como mostra matéria do UOL, o corpo da garota ficou por duas semanas no Instituto de Medicina Legal (IML) de Recife. Durante todo esse tempo nenhum parente ou conhecido que pudesse identificar o corpo apareceu.  
Assim, com o aval da Secretaria de Segurança Pública, a menina foi enterrada como indigente em 3 de julho de 1970, no Cemitério de Santo Amaro. Ironicamente, aquela que parecia estar sozinha, jamais deixou de estar acompanhada após seu sepultamento.
Afinal, diversos moradores passaram a atribuir conquistas a ela. Nascia a lenda da “Menina Sem Nome”. Moradores locais relatam que diversos pedidos feitos a garota começaram a ser realizados.  
Como diz a lenda local, ela atendeu por desejos que iam desde conquistas materiais até a cura de pessoas doentes.
Desde então, seu túmulo se tornou um dos mais conhecidos e visitados do país, com pessoas lhe ofertando doces, flores, brinquedos, perfumes e centenas de cartas com agradecimentos. Os presentes se tornam mais frequentes no Dia de Finados, em 2 de novembro.  
A lenda, inclusive, virou assunto de um documentário produzido por Adriano Portela. O jornalista e cineasta diz que: "Ela [a história da Menina Sem Nome] está enraizada na cultura de Pernambuco. Todo mundo já escutou falar da história. O caso deixou de ser um fato jornalístico e se tornou lenda a partir da história da exumação e dos milagres".

https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/menina-sem-nome-historia-por-tras-de-um-dos-tumulos-mais-visitados-do-pais.phtml
FABIO PREVIDELLI PUBLICADO EM 01/08/2021, ÀS 10H00
 

 ENCONTRO DE POETAS
 
 MÃE-DE-OURO

Quando deusas eu encontro, me confundo
Quem é a mais bela de todas, na natureza
Seja dos mares, dos rios, dos oceanos
Ou uma rainha de um rei sem fortaleza?

De seda branca, bem refletida à luz do sol
Surge uma mulher, que tão divina quanto bela
Tem ao seu domínio a fraqueza das mulheres
E em suas mãos, o dever de protegê-las.

Bem-vinda do mar, dos rios, e dos montes
Das gramas verdes, dos jardins sem flores
Se esquiva pra não saberem que em suas cores
Esconde riqueza: seus ouros, seus diamantes.

Mãe-de-Ouro, Deusa Mãe, minha Rainha
Não por seu tesouro, pelo ouro, ou diamantes
Sim, por sua luz, sua bondade, sua beleza
Pela humildade e respeito aos seus amantes!

Socorro Almeida
Recife, 15/05/2022
 
 RAINHA DOS MARES

Quem ouve seu canto tem o feitiço na alma
Por mais que eu queira ser, não serei igual
Se eu fosse uma gaivota, talvez a seguiria
Enfeitiçada pelo seu vai e vem, nas águas.

Sou tão pequenino, sem asas flutuantes
Enquanto eu me atrevo a voar pelos ares
Ela, furtiva e alheia aos anseios da gente
Desafia os encantos e mistérios dos mares.

Mãe D'água, Yemanjá, Senhora dos Anos
Se não for a Índia Guerreira do Amazonas
É a divina Yara, a supremacia dos oceanos...

Que da escuridão e profundezas das Marianas
Louva os homens da terra com seus encantos
E domina os corações de todos que a amam.

Socorro Almeida
Recife, 15/05/2022
 
 A Magia real do sentimento
Por: Joseraldo Silva Ramos

Não se deve matar um sentimento
Mesmo que ele não possa ser vivido
Porque mesmo depois de ter morrido
Ele viverá em nós para sempre.

Se não fosse na vida os tormentos
Que deveras bem antes ser sabido
Não haveria o destino conhecido
A magia desnorteada do esquecimento.

Sentimentos nos são razões de paz
Agonias, tormentos e muito mais
Das paixões e dos amores vividos.

Pobres almas que nunca foram amadas
E se amaram viveram amarguradas
Por um sentimento de volta não sentido.
 
 Entre lençóis!
Por: Joseraldo Silva Ramos

Que tua cama me faça  embriagar
No cheiro do perfume do teu corpo,
Onde desvendando vou aos poucos
Fazer tudo que em ti me faz sonhar.

Deslizando as minhas mãos até ficar
Extasiado, inseguro e quase louco,
Te juro não me iludo com esse pouco
Que irá me levar onde quero chegar.

Te amar é meu desejo tenho dito,
com você fui onde jamais tinha ido
Peito aberto, corpo, alma e coração.

Redimido, contigo é que eu senti
Devaneios que contigo aqui vivi
Sem esconder o aguçar dessa união.
 
  À caminho das estrelas

Nossa caminhada pela vida
É sempre assim...
Mudam-se os estágios,
Mas, a vida não tem fim...

Somos nossas almas,
E elas não podem morrer...
São eternizadas,
Têm que se entender...

Se estamos,agora, na matéria
Pode crer...
Que quando morrermos
Vamos logo renascer...

E o nosso caminho
Nas estrelas nos seduz...
A viver tranquilos,
Conservando a nossa luz...

Ela é imortal
E precisamos aprender,
Que o Amor
É  o que nos faz resplandecer...

            ❤️Tásia Maria
 
  Lições da Pandemia

Estamos em Pandemia...
Corpos e almas fragilizados,
Aprendendo, a duras penas,
O que nos está sendo ensinado ...

Sofremos  com tudo isso,
Mas, aprendemos bastante...
Toda hora uma lição,
Cada dia, cada instante...

Temos que ver o que é
Que nos está sendo ensinado...
Pra não ficarmos mais tristes,
Deprimidos, acabados...

Aprendemos que nessas horas,
Não  existem diferenças...
Pretos, brancos ricos, pobres,
Religiões e outras crenças...

Somos iguais quando lutamos,
Contra um inimigo comum...
Por isso, sejamos UNIDOS!
Pois, DEUS nos ama, um a um!!!  

               ❤️Tásia Maria
 
 
 MINHA INSPIRAÇÃO
Por:Manoel Firmino
Em:18/05/2022.

Não preciso usar pontuação
Pra fazer versos rimado
Necessito apenas da mente
De um tema preparado
Caneta tinta  e papel
Pra escrever o cordel
Está dado meu recado.

Depois de tudo pronto
Falo da mãe natureza
Da imensidão do mar
Da mulher, sua beleza
Das coisas só coração
Amor, carinho, afeto, paixão
Evito falar em tristeza.

manoelfirmino08@gmail.com
(83)986784726
 
 "O SER - AÍ"

Quem conhece a filosofia
Com certeza Heidegger, também
Ah! Quem tem muitas ideias, porém
Valorizar-se, em si confia.
                     II
Impossível viver sem ideias
E de sua grandeza para si
Na mente e no pensamento, em si,
Brilhando e nos encandeia.
                     III
Raro não apreciar e estimar,
Ser filósofo, amar o saber
No contemplar da vida fugidia.
                     IV
No encontro, na busca procurar
É o "ser - aí" enquanto não - ser
Eis-me aqui, vida e morte, um dia!

Manoel Antônio Dos Santos
Guarabira-PB, 13/12/2021.

O SER - AÍ!

Partindo da perspectiva
Filosofia que se busca,
Verdade sim, que se ofusca
Na procura da assertiva.
                  II
De um assunto tão complexo
Que empolga e estimula
Na vivência que se formula
Diante de tudo perplexo.
                 III
Ah! Ter o poder da construção,
Pela leitura que se ama
Alteridade do ser - aí.
                  IV
A essência é autoconstrução
Precede-se, não se programa.
Transcendência, não ser - aí!

Manoel Antônio Dos Santos
Guarabira-PB, 04/01/2022.
 

 Galope

Meus pés ainda me levam
aonde eu quero ir.
Bicho livre,
solto,
descalço,
a galopar
no cercado,
no compasso
da vida.

Entre risos
e lágrimas,
atravesso
a minha própria dor,
a minha solidão,
os meus medos.
Vivo milagres,
essa tal felicidade,
sem conflitar o tempo,
com as aparências
ou as essências.

Mas admito,
já com certa pressa,
porque bem sei:
Dias virão
em que hão
de me levar
aonde eu não quero ir.
                     (Diógenes de Brito)
 
  Enredo de mim

De medir forças não careço,
nem testar minha capacidade
com principiantes, meia idade,
pois dos seus males não padeço.

Com meu samba enredo e adereço
desfilo nas passarelas da cidade.
Sou Portela, Mangueira, Mocidade,
mas sem fama, regalias ou endereço.

Bem sei, já fui herói, vilão, bandido.
Diabo, santo, bom professor, ruim marido.
Mas nem de longe, me vem na memória

Ter negado fogo, não acender tua fogueira.
Oh! Morena, tão linda, fogosa e tão faceira,
diz que eu sou o melhor da tua história.
                                         (Diógenes de Brito)
 
 
 Diógenes José Fernandes de Brito, nasceu no dia 26 de outubro de 1960. Natural da cidade de Lagoa de Dentro, Estado da Paraíba, é filho de Damião Paulino de Brito e de Eulália Fernandes Máximo, ambos já falecidos. De família humilde, saiu de casa ainda muito jovem para trabalhar e dar continuidade aos seus estudos. Estudou no antigo Colégio Regina Coeli, na capital João Pessoa, onde concluiu o Ensino Médio; na Universidade Federal da Paraíba, onde cursou Ciências Contábeis e o Pró-ciências, com Habilitação em Matemática; na Universidade Estadual da Paraíba, onde cursou Licenciatura em Letras. É pai da Professora Daniele; da Contadora e da futura Advogada, Isabela; do futuro Advogado, Diógenes Júnior. Desde 1983, é Professor da disciplina Matemática, na, hoje ECIT Ivan Bichara Sobreira, na cidade onde nasceu e reside. Durante dois anos, prestou seus serviços profissionais, como Professor, para as Prefeituras de Curral de Cima e de Jacaraú. Além de ter sido funcionário da Prefeitura Municipal de Lagoa de Dentro, atuando como Agente Administrativo, Chefe de Recursos Humanos, Chefe de Gabinete, Secretário Geral da Administração e Professor, no período de l983 a 2014. É compositor do Hino do Município de Lagoa de Dentro (Vale salientar que a nossa cidade é uma das cidades paraibanas que possui os três Símbolos Municipais próprios: a Bandeira, o Brasão e o Hino). Escreveu várias canções, inclusive religiosas; gravou Discos; é autor de dois livros: Fragmentos de Mim (publicado) e Eu, um escorpiano (aguardando publicação). Recebeu homenagens do Projeto Arte nos Cantos e Votos de Aplausos, por duas vezes, na Câmara Municipal de Lagoa de Dentro, como reconhecimento pelas suas Obras. Além da gratidão de tantos filhos e filhas lagoadentrenses, pelo eficaz trabalho no campo educacional, na música, na arte...na cultura, enfim, sempre formando cidadãos e cidadãs para a vida.
 
 

 
 
 
 
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