domingo, 25 de setembro de 2022

O Pintassilgo

 
 
Blog  Maçayó

Edição   nº 508

 Tema das Imagens : Primavera
 
 LEITURA   DE   DOMINGO
 
HAYDE E O PINTASSILGO

          Era uma manhã de outono quente, no vilarejo, um pequeno povoado no sertão de Minas Gerais, onde o sol já resplandecia caloroso e dava o seu espetáculo de luz e brilho no céu... Hayde, uma garotinha de sete anos de idade, vivia sonhando acordada, ela era uma autêntica admiradora da Natureza. Comentava-se que a pequena menina ouvia e falava com as plantas e os animais; gostava de alimentar os diferentes pássaros que visitavam o seu quintal à procura de comida e abrigo nos dias de chuva. Ela era muito apaixonada pelos Pintassilgos e costumava ficar na janelinha de seu quarto ouvindo o gorjear daquelas fascinantes aves.
         
Naquele dia, tudo parecia normal e sua rotina foi igual, tomou seu banho no terreiro, onde podia contemplar o esvoaçar das borboletas sobre as flores e se debruçou na janela e lá ficou esperando os Pintassilgos aparecerem. De repente, um Pintassilgo maravilhoso posou em sua janela, ele tinha penas amarelas por todo o corpo, a cabeça totalmente preta e media aproximadamente 12 cm de comprimento. O magnífico pássaro rodou, rodopiou e posou novamente, a garotinha ficou deslumbrada com tanta beleza, tão emocionada que muitas lágrimas rolaram pela sua face rosada, pois a emoção era tanta que ela mal podia controlar e ficou pensando: “Não existe sentimento maior, eu sou feliz com o meu novo amiguinho!”. Assim, o silêncio foi quebrado pela voz suave daquele passarinho:
          - Você é uma linda menina e todos os dias eu fico te olhando de longe, sem coragem de me aproximar. Eu sou um pintassilgo-da-cabeça-preta e vivo a voar pelos jardins em busca de aventuras e de novas amizades.
          - Uau, que lindo você é! Você pode falar comigo, pois eu estou ouvindo a sua suave voz. Disse-lhe a garotinha.
          - Eu posso falar com quem procura me ouvir, bela garota! Estou precisando de você, por isso te coragem para me aproximar! Exclamou o lindo pássaro.
         - Oh, ave maravilhosa, eu posso ouvir os animais e as plantas! Sou apaixonada pela Flora e pela Fauna. Se eu puder te ajudar, ficarei muito feliz! Meu nome é Hayde.
          - Ah, que lindo é o seu nome Hayde! Veja a minha asinha direita, ela está machucada! Quase não estou conseguindo voar, quase não canto de tanta dor, já não descanso e preciso de um abrigo enquanto meu dodói não sara totalmente. Quero minha vida de volta! Disse-lhe o passarinho, com um semblante de tristeza.
          - Meu amiguinho Pintassilgo se aproxime, por favor! Deixe-me olhar direitinho o seu machucado, assim poderei aliviar o que você sente. Disse-lhe Hayde.
          Então, a fascinante ave se aproximou da garota e deixou que ela cuidasse de seu machucado. A confiança entre eles era tanta que o Pintassilgo pousou na mão da garotinha e esperou a ajuda dela e o seu abrigo acolhedor. O amor que existia entre eles era o melhor remédio para aliviar a sua dor. Hayde analisou minuciosamente a asinha do amiguinho e percebeu que ela tinha um espinho de Mandacaru cravado, mas estava bastante profundo. Assim, Hayde falou:
          - Meu amiguinho, tem um espinho de Mandacaru machucando sua asinha, vou precisar remover, sei que vai doer, mas você precisará confiar muito em mim. Eu te darei abrigo, alimentação, carinho e muito amor.  Disse-lhe a bela garotinha.
          - Hayde, você vai me dar tudo que um ser precisa para sobreviver, sem nada exigir! Isso se chama amizade verdadeira!
          A menina Hayde conseguiu retirar o espinho da asinha do Pintassilgo, Forrou uma fronha bem limpinha em uma caixa de sapato e gentilmente colocou o seu amiguinho lá dentro para descansar. Ela cercou-o de muita atenção, carinho e todo dia passava elixir na asinha dele para não infeccionar, dava-lhe água e comida no biquinho e ficava cantando até ele adormecer. O tempo passou depressa e o lindo pássaro ficou curado. O amor e a amizade de Hayde realizaram um verdadeiro milagre. Certa manhã, o Pintassilgo falou para Hayde que precisava seguir seu caminhar, pois ele tinha uma família que dependia dele, tinha uma mãe e um pai que precisava da juventude dele.
   Então conversou com ela:
          - Hayde, eu quero agradecer a sua acolhida, eu nunca fui tão feliz em minha vida, nos dias que aqui estive em sua companhia; eu vivo livre a voar é preciso voltar para minha família. Amiga, saiba que nunca te esquecerei, voltarei para te visitar, cantarei para você dormir, pois a sua amizade é o meu maior tesouro. Porém, não chore quando eu for partir, estarei com você em pensamento.
         - Meu amigo alado, eu também fui muito feliz nesse período que passamos juntos. Sua companhia foi confortante e a sua amizade não tem preço. Obrigada digo eu, por você existir! Volte sempre, pois aqui estarei à tua espera! Siga o seu caminho em Paz! Hayde falou.
         - Agora, preciso me despedir de você querida Hayde, saiba que não será para sempre, voltarei para te visitar diariamente, minha amiga, estarei a voar por esse jardim. Agora feche os seus olhos e acredite nesse seu amigo. O aventureiro Pintassilgo, que te ama de verdade, que é dono de um amor sem fim.
          Logo, a garotinha Hayde fechou os olhos e quando os abriu, viu o seu amigo Pintassilgo pairando no ar, ele bateu as suas asinhas e para bem longe voou sem nem sequer olhar para trás. A menina não chorou, mas ficou muito triste. Já bem cansada, ela resolveu dormir...
          Todos os dias seu amigo Pintassilgo voltava para visitar Hayde e selar assim a sua amizade. Ser amigo é se doar sem esperar receber, pois o amor é a maior prova de amizade.
         Até a próxima aventura, meus amiguinhos! Sejamos amigos sempre!

         Elisabete Leite
 
CANTINHO DA TIA BETA
 
 MEU AMIGO PINTASSILGO

Ah Pintassilgo, meu passarinho!
Meu verdadeiro amigo colorido,
Foste seguir por outros caminhos
Deixando-me de coração partido...

Ele sempre foi um bom cantador
Gorjeava belas canções, sem fim
Inspirou-me a cantar e a compor 
Deixava o dia sorridente, assim!   

Hoje vivo infeliz, não sou sonhador!
Não vejo o pairar da ave pelo jardim
Perdi minha razão, sem o teu amor...

Choro por ti ao som dos bandolins,
Com saudade, tristeza e muita dor
Amigo Pintassilgo, volta para mim!

Elisabete Leite
 
 Pintassilgo: saiba mais sobre a ave


O pintassilgo é um pássaro lindíssimo, originário da América do Sul e conhecido por um dos cantos mais bonitos encontrados na natureza. É possível ser encontrado em áreas abertas, como parques e jardins, e costuma voar em pequenos grupos, que fazem bastante barulho chamando atenção de quem os vê passar.
Uma das características físicas que distinguem o pintassilgo são as cores marcantes das suas penas: o corpo é de um amarelo vivo muito bonito. Se o pássaro for macho, as penas da cabeça serão totalmente pretas, fazendo parecer que a ave está usando um capuz. Já as fêmeas têm cor verde oliva, com manchinhas nas asas. Ambos são muito bonitos!
Quando atinge a idade adulta, o pintassilgo pode chegar a medir de 11 a 14 centímetros de comprimento. É uma ave muito resistente e raramente apresenta problemas de saúde: costuma ter uma vida bem longa, e pode chegar aos 14 anos de vida.

A reprodução e a alimentação do pintassilgo

O pintassilgo costuma fazer seus ninhos na copa de árvores como a araucária. O ninho é arredondado, em forma de cuia, e pode ter alguma forração na parte de dentro. Cada ninhada gera de 3 a 5 ovos, que são cuidados pela fêmea enquanto o macho sai em busca de alimento. Os passarinhos nascem treze dias depois que os ovos são postos, e aos 10 meses já estão prontos para iniciar suas próprias famílias.
A alimentação do pintassilgo consiste em insetos, folhas e brotos de diversas plantas, podendo também comer sementes de flores e pequenos frutos secos.

A criação do pintassilgo em cativeiro

Como acontece com outros animais silvestres, a comercialização e a criação de pintassilgos em cativeiro é regulamentada pelo Ibama. Isso significa que você só pode adquirir um ou mais pássaros em estabelecimentos que sejam certificados e que tenham autorização para venda.
Faça uma pesquisa aprofundada sobre o local onde pretende adquirir a ave, e não proceda sem ter certeza absoluta de que está tudo certo. Essa é a única maneira de você não cometer um crime ambiental, e de não contribuir com o tráfico e o comércio ilegal de animais silvestres.
O viveiro escolhido deve ser grande o bastante para acomodar alguns indivíduos, pois o pintassilgo é muito sociável e não vive sozinho. Quando perceber a formação dos casais, que se dá pelo canto, você pode transferir o par para uma outra gaiola onde será construído o ninho que receberá os ovos.
Depois que os ovos forem postos, separe o macho da fêmea e deixe que apenas ela cuide dos filhotes. É muito importante colocar os filhotinhos em uma gaiola menor, pois em viveiros muito grandes eles podem se machucar.
A gaiola deve ser limpa diariamente para remover vestígios de fezes e restos de alimentos, que podem apodrecer e atrair insetos indesejados. Também é fundamental que o fundo da gaiola seja removível, de maneira a manter as fezes longe das aves.
Mantenha sempre água limpa e fresca à disposição do pintassilgo e faça consultas regulares com um médico veterinário para obter orientações sobre alimentação, cuidados de saúde e muito mais.

Pesquisa:
https://blog.cobasi.com.br/pintassilgo-saiba-mais-sobre-a-ave/

Curiosidades

A espécie canta praticamente todo o dia, sendo que as canções são longas, chegando a até 2 minutos sequentes. Embora as variações de notas sejam poucas, o canto é alto e impressiona diversos amantes de pássaros. Aliás, o pintassilgo conta com a capacidade de imitar outras aves.
Pesquisa: Google.

 
 ENCONTRO   DE   POETAS
 
Tempo
Nely da Costa Barbosa


O tempo é bem curioso, quanto mais distante, mais presente. É que o nosso pensamento corre feito uma serpente, tem horas que corre pra trás, tem horas que corre pra frente. Pra frente chamamos de sonho, pra trás de saudade pungente.
Quando a gente ainda é criança, sonhamos com quem vamos nos tornar, quando ficamos adultos, com a criança querendo voltar.
Vai entender esse tempo, que vive fora, que vive dentro, que às vezes empurramos pra frente, às vezes queremos parar.
Ter tempo pra ser feliz, ter tempo pra namorar, pra conhecer outro país e pra poder estudar. Esse é o tempo feliz e que nos faz recordar momentos inesquecíveis, de alguém ou de algum lugar. Mas quando a gente se encontra num momento de tristeza, com gente difícil de lado, cheia de indelicadeza, a gente espera que o tempo corra pra longe da gente, e nunca mais quer lembrar daquela dor novamente.
Que o nosso tempo seja amigo, que traga boas risadas, das lembranças da infância, da primeira namorada, dos amigos da escola, das noites enluaradas, das conversas na esquina, sentados pela calçada, sonhando com o futuro sem se preocupar com nada, seguindo a vida tranquilo, nas noites enluaradas.
 
 ÁRVORE SEMENTEIRA
(Baltazar Filho e Elisabete Leite)

Uma semente brotou
De uma linda videira
Do pé da ribanceira
Eu estava a contemplar.

Parecia ser uma árvore sementeira
De galhos fortes sempre a balançar
As folhas verdejantes caíam inteiras
Tal qual borboletas a nos encantar...

Tamanha era sua estatura
Que a mim remetia uma figura
Semelhante a uma Oliveira
Do gênero de uma Jequitibá.

Seu tronco grosso de genuína madeira
A árvore era de grandiosidade secular
Com aparência de uma bela cerejeira
Ficava a todo momento a me acenar...

Frondosa e abraçada a Natureza
Cresceu até o alto do céu a segurar
Era árvore de soberana grandeza
As raízes sugavam a água do mar.

A paisagem era de tamanha beleza
Tal qual uma rosa em seu desabrochar
Os discípulos de tal nobre singeleza
Eram os frutos da árvore a frutificar.
 

Levei-me em duro fardo até o monte
De lá contemplei meu não fracasso
Pois trabalhoso foi o meu desmonte
De galgar tal morro no compasso

Mas para fracassar tem que subir
Sentir no trajeto a dura lida
Pedra não rola sem se conduzir
Ao píncaro da glória sofrida

Mas quando enfim a altura atingir,
Vê-se que nada jamais é novo
Porque tudo tende a se repetir

Atinjo o cume pra poder cair
Assim na rotina eu me revolvo
Porquanto meu mundo torna a ruir

Rioquepassa
 
 Meu olhar se fecha quando quer te ver
Ao buscar teu corpo adormecido
Na manhã em que sóis não aparecer
Ainda que queira não é atendido

Posto que em pele amanheces casta
Teu corpo em pele negas compartir
Em mim uma sede que não se farta
Tendes tu na manhã a ela repelir

Ardemos nessa busca sôfrega
Maro caos que tanto nos condena
Ao exílio de nós que nos carrega

Para longe e tal mal nos apena
Pois na alva, jamais, a luz entrega
Ao amado ver esse corpo em cena

Rioquepassa
 
 
 UMA MULHER SEM ILUSÕES

Caminhando entre os espinhos das rosas que ela mesma plantou, e mesmo ferida, sorrí para os predadores que sempre estão à espreita de novas presas. Mas não se intimida e segue sem medo. Ali ganha mil beijos de amor, e os tapas em seu rosto causam-lhe as cicatrizes que, por muitos anos evitou guardar. E foi "juntando as pedras", uma a uma, como experiências de vida, para salvaguardar as dores dos frutos que deixou na terra. Graças a essa iniciativa, a essa força que toda mulher tem, aqueles beijos de amor lhe serviram de lição que, tanto trazem felicidade quanto a solidão da alma. Abstém-se agora de outras ilusões e aqueles espinhos não lhe ferem mais. Leva nas mãos apenas as pétalas de rosas e no coração o seu perfume, para lembrar daquele amor que fora seu, apenas seu, de mais ninguém. Esta mulher... a quem pertence agora? Pertence a Deus e ao tempo, menos às ilusões do mundo!

Socorro Almeida
Recife, 15/09/2022
 
 Cantinho do Editor
 
 A Criança e o Boitatá

          Zazulina, como a menina era chamada carinhosamente por seus pais, não dormiu bem. Abraçada com seu ursinho Papão, por várias vezes acordou durante a noite. Algo lhe incomodava, pegou no sono mais uma vez e foi acordada por sua Mãe que a chamava para ir à escola.
          - Zazulina, olha a hora, vá se arrumar, você já está atrasada...
          - Estou indo Mainha....
         Às pressas jogou Papão destro da mochila, desceu correndo a escada e em um gole só tomou seu café matinal, que era uma fruta, um copo de suco e um copo de leite. A mesa era farta, mas no seu corre-corre e sempre atrasada, engolia os alimentos, e sua Mãe reprimia com um largo e bondoso sorriso no rosto, parecia bronca de avó.
          No ônibus escolar a menina Zazulina ia lembrando aos poucos do sonho que tivera na noite anterior que a deixou assustada. Lembrou de uma cobra enorme com a cabeça pegando fogo. Sua cabeça parecia conter milhares de olhos que brilhavam no escuro do quarto. A lembrança era assustadora.
          No percurso para a escola, o ônibus passava por dentro de um bosque, resquício da Mata Atlântica, que Dr. Pafúncio, um rico industrial, queria transformar em um novo Shopping. Zazulina olhava para aquelas árvores frondosas lembrando que ali já existiu uma grande floresta. Olhando para as árvores, ela teve a impressão de ter visto um grande clarão, como se o bosque estivesse pegando fogo. Olhou com mais atenção e percebeu que o clarão mudava rapidamente de lugar, parecia que o fogo estava correndo. Zazulina ficou assustada, não falou para ninguém do que tinha visto.
           Na escola, a professora Bertha, ao término de sua aula, disse:
          - Crianças, para amanhã tragam-me uma redação opinando sobre o que é mais importante para a nossa comunidade, manter o Bosque Azul ou construir um novo Shopping em seu lugar? O bosque representa um pouco da Flora e da Fauna que já existiu em nossa cidade e um novo shopping representa novos empregos e mais recursos para a cidade, não esqueçam do trabalho. Peçam ajuda para seus pais e irmãos, é importante que a família participe das tarefas escolares.
          Fim de aula e Zazulina não entendia o que estava acontecendo. Após uma noite mal dormida agora sua professora pedia para ela escolher entre manter o bosque ou construir um shopping? E aquela cobra gigante de cabeça de fogo não saía de seu pensamento.
          Chegando em casa esperou seu pai chegar do trabalho, e nem bem ele sentou para tirar os sapatos, ela já o abraçava com mil perguntas.
          - Painho você já sonhou com uma cobra vermelha gigante que tem fogo na cabeça? Ela existe?
          Seu pai, percebendo a aflição de Zazulina, disse:
          - Vamos jantar, depois nós conversamos e você me conta tudo o que está acontecendo.
          - Mas Papai, eu queria saber...
          Seu Pai a interrompeu e falou carinhosamente.
         - Tudo tem seu tempo Zazulina, suas dúvidas podem esperar o jantar. Jantar em família é muito importante, é um momento mágico, é quando após um dia de trabalho e estudos nos sentamos para agradecer por tudo que conseguimos nesse dia.
          - Sua Mãe está nos aguardando, vamos jantar, depois conversamos.
          Zazulina jantou em companhia de seus pais e irmãos, conversaram, riram e ao término da refeição, correu para a sala, onde já se encontrava seu Pai e sentou-se ao seu lado.
          Ficou calada, respeitando o silêncio de seu Pai que folheava um jornal. Após alguns minutos em silêncio seu pai perguntou?
          - Zazulina, você já ouviu falar em “Boitatá”?
          - BoiiiTataaaa!!! Não painho. O que é Boiiiiitataaaa?
          - Quando eu era criança, meus pais me contaram que nas florestas existe uma grande cobra de fogo que protege as matas e florestas. Ela é muito antiga. Foi o padre jesuíta José de Anchieta, que primeiro a citou em um texto. Esse nome foi dado pelos índios Tupi-guarani e significa cobra de fogo.
          - Ela tem vários outros nomes, Baitatá, Biatatá, Baitatão, Fogo Corredor, Cobra de Fogo e tantos outros.
          - Pai ela deve ser parente da Tataruna, lembra da história que lhe contei?
          - Lembro da Tataruna e da Borboleta. O Boitatá vive dentro dos rios e lagos e sai para assombrar as pessoas que fazem mal as matas e aos animais. Ela tem a capacidade de se transformar em um tronco de fogo e passa grande parte de seu tempo se rastejando pela floresta na escuridão da noite.
          - Painho, se ela vive na água o seu fogo não apaga?
          - Não, seu fogo é mágico, não queima as matas nem os animais que lá habitam. Por ser mágico também não apaga quando ela se encontra nos lagos ou nos rios das florestas.

          - Que legal, então se ela aparecer em meu sonho, ela também não me queima, não é painho?
          - Ela não faz mal as pessoas, ela quer nos alertar da necessidade de protegermos as matas, os bosques, as florestas e tudo que existe nelas.

           Zazulina deu um grande sorriso, quase esmagando o ursinho Papão, beijou seu Pai e foi para seu quarto. Fez suas tarefas, entre as quais a redação para Dona Bertha, e adormeceu.
Em seu sono, agora já calmo, foi novamente visitada pela cobra de fogo que chegou logo se apresentando:
          - Oi Zazulina, eu sou a Boitatá, meu fogo não lhe queima, quero só conversar e pedir ajuda.
          Zazulina e a cobra de fogo conversaram durante toda a noite.
          No caminho para a escola Zazulina relia seu trabalho. Quando entrou na sala entregou de imediato a redação para Dona Bertha. A professora leu todos os trabalhos e escolheu um para ler na sala. Chamou Zazulina para ler em voz alta para toda a classe, pois o trabalho escolhido foi o dela.
          Zazulina, em pé, leu sua redação que era um verdadeiro manifesto pela proteção do Bosque Azul. Falou da importância da Fauna e da Flora, falou que ali antes existia uma grande floresta conhecida como Mata Atlântica. No final lembrou que o Shopping poderia ser construído em um outro local.
          Durante sua leitura, Zazulina sentiu que estava sendo observada pela janela da sala. E pelo canto do olho teve a impressão de ter visto uma grande cobra de fogo que agora chorava de contentamento. Também percebeu um garoto de cabelo vermelho que estava acompanhando a Boitatá, e que em dado momento ela chamou o menino de “Curupira”.

          Bom, mais aí já é outra história.

Jorge Leite, Recife 24/03/2018

Nota. Este conto foi publicado na Edição Nº 353, em 24 de agosto de 2019, no Blog Maçayó.

 

 

Imagens: Primavera 

 
 
                    Escolha do Editor
 
 

domingo, 18 de setembro de 2022

Folhas

 
 
Blog  Maçayó

Edição   nº 507

 Tema das Imagens : Folhas
 

 LEITURA   DE   DOMINGO
 
 DIA BRANCO

          Era quase primavera! Estação das cores, dos amores, do aroma das gardênias e dos cântaros dos colibris, em seus bailados, de flor em flor. O dia tinha tudo para ser branco; um dia calmo, sem atropelos e sem muitas definições, mas com grandes emoções; principalmente, para Maria Rita que não poderia prever uma série de acontecimentos imprevistos naquele dia que, na totalidade, não seria tão branco assim. A garota já levantou-se cantarolando uma canção de Geraldo Azevedo (Dia Branco), composta em parceria com Renato Rocha; canção que é um dos maiores sucessos do compositor Geraldo Azevedo:

"Se você vier
Pro que der e vier
Comigo
Eu lhe prometo o sol
Se hoje o sol sair
Ou a chuva
Se a chuva cair..."
          
           Maria Rita olhou-se no espelho penteou algumas mechas que cobriam seus olhos, vestiu-se depressa e saiu cantarolando; cruzou no corredor com sua mãe que aproveitou para passar-lhe um sermão matinal:
           - Maria Rita, você está mais uma vez atrasada para a faculdade. Minha filha, tome tino na vida! Que seu dia promete! E o tempo não para...
           Maria Rita olhou para sua mãe, e disse-lhe:
          - Mãe, o que é tomar tino na vida? Se a senhora se referiu ter capacidade de julgar; juízo, sensatez. Eu tenho muito juízo, só não gosto de viver na pressa, mas sou responsável. E saiu em seguida!
           A garota foi correndo para não perder o horário da condução. Subiu no ônibus escolar cantarolando baixinho a mesma melodia:

"... Se você vier
Até onde a gente chegar
Numa praça
Na beira do mar
Num pedaço de qualquer lugar

... Nesse dia branco
Se branco ele for
Esse tanto
Esse canto de amor..."

          Maria Rita chegou à faculdade eufórica, queria encontrar seu namorado bibliotecário, mas ao subir correndo os degraus da escada, caiu e quebrou as tiras da sandália e ficou, literalmente, descalça. Ainda correndo entrou na Biblioteca e deu de cara com Gustavo aos beijos com sua amiga de sala. Voltou-se, sem nem olhar para trás, e continuou correndo! Ainda ouviu os gritos de Gustavo, que dizia: "Ritinha, não é o que você está pensando! Por favor, espere por mim! Mas, Maria Rita permanecia correndo pelo corredor de acesso às aulas. A garota não sabia se parava ou continuava correndo para fugir daquele momento que já escurecia. Então quedou-se, paralisada, e logo depois saiu da escola. Repentinamente, a chuva começou forte, misturando suas lágrimas aos seus cachos amendoados, obrigando a se proteger sob a marquise de um velho depósito de bebidas, próximo à faculdade. Logo depois, um ônibus passou, levantando lamaçal, deixando a garota enlameada dos pés à cabeça. Maria Rita já não sabia se ria ou chorava da situação constrangedora. De repente, parado à sua frente estava Gustavo, a garota enxugou as lágrimas e continuou cantando a mesma canção:

"...Se você quiser e vier
Pro que der e vier
Comigo

Se branco ele for
Esse canto, esse tanto
Esse tão grande amor
Grande amor

Se você quiser e vier
Pro que der e vier
Comigo

Comigo"

          Gustavo se aproximou de Maria Rita a beijou nos lábios, e disse-lhe:
           - Ritinha, acredite em mim! Foi sua amiga que me beijou sem eu esperar. Estarei sempre contigo em qualquer cor que seja o seu dia.
           O tempo passou... Ritinha e Gustavo nunca mais se separaram e sempre se recordam daquele, Dia Branco, com chuvas.

Elisabete Leite - 12/09/2022

                 
De onde veio a inspiração para “Dia Branco”?

No segundo episódio da série “Geraldo Azevedo Responde”, o cantor petrolinense mata a curiosidade de todos os seus fãs: Afinal, de onde surgiu a inspiração para “Dia Branco”? A canção, composta em parceria com Renato Rocha, é um dos maiores sucessos de Geraldo, já tendo embalado incontáveis casamentos por todo o país (e até mesmo fora dele). Confira a resposta no vídeo abaixo!

Pesquisa:
https://geraldoazevedo.com.br/de-onde-veio-a-inspiracao-para-dia-branco/

Interpretação da Letra:

Uma das mais belas declaração de amor que a música brasileira oferece, “Dia branco” ressalta o companheirismo, o amor incondicional, a boa esperança faça chuva ou faça sol, em qualquer lugar que seja o amor estará sempre presente em uma praça ou no mar, enfim, é o amor infinito e bonito, o amor revestido da paz que canções como essa nos presenteiam.
 
 
 
 
 
 

  ENCONTRO   DE   POETAS
 
 AMOR PROIBIDO
Valdemar Guedes


Dormindo, acordado
Ilusão, nostalgia
Esperança vazia
Mas, o amor sonhado.

Sonho dos meus sonhos
E ainda que impedida
Amor da minha vida
Paixão te proponho.

Desprezo e solidão
Sofre um coração
Num peito doído.

Se não posso tê-la
Contenta-me vê-la,
Amor Proibido.
 
 ASSIM É O AMOR
Valdemar Guedes

Inesperadamente ele acontece
Sutilmente, qual brisa em primavera  
Fisga o alvo, cuja conduta altera...
Revigora, ou quebranta, e o envaidece.

Como a Bela Adormecida despertou
Brota uma súbita vulnerabilidade...
Sensível, a alma transborda de ansiedade
Alegria, ou tristeza, ou mesmo dor.

Com a sua chegada tudo muda
Atribulado, o coração se enfurece
Feito chamas de um Fogo Abrasador.

Fere o peito, igual flecha pontiaguda
E na euforia, deprime ou robustece...
São sintomas de quando chega o amor. 

  Soneto: Lira Coração

A ninfa em solitude e em serenata,
De belas e divinas partituras
E cálidos vibratos de ternura.
Revela-se boníssima sonata.

E canta dos amantes a cantata
E timbres alternados de doçura;
E versa dos amantes a candura
Que os une, musicados, na tocata!

E a sacra calidez sob os amores,
Rebrilha desoculta na canção;
Em versos requintados de calores.

Que o lume rutilante da paixão
Cantada sob os nínficos clamores
Flameja com a lira coração!


                            - Marujo Poeta
 
  Soneto: A Colheita

A ninfa do pomar de encantamentos,
Frutíferos gracejos cultivados
Que animam a pulsares inflamados,
Convida-me a colher do provimentos.

E exulto por sorver de prazimentos,
Dióspiros em beijos flamejados
E néctares vertidos, derramados,
Dos lábios em amáveis acalentos.

Na ceifa campesina da paixão,
Recolho dos cultivos de candura
Os frutos que enternecem a razão.

Que a excelsa frutescência da ternura
Renutre e fertiliza o coração
Do anseio por acalento e semeadura!


                                  - Marujo Poeta
 
  FLOR DO CERRADO
Joseraldo Silva Ramos

Linda como uma flor do cerrado
Regada por forças da natureza,
Exalas perfumes simples na beleza
E dar asas a esse coração alado.

Ao alvorecer ficas, ainda, mais linda
Ao receber o orvalho matinal,
E nos transmitindo algo divinal
Que o voo no universo se finda.

Vem florir aqui no meu quintal!
Quiçá, até mesmo no meu jardim
Frutificar, fincar raízes sem fim...

A Primavera, lindamente natural
Que existe para me fazer sorrir!
Sendo a pura essência do alecrim.
 

 
 Cantinho do Editor
 
 BEIJOS DE VERÃO

Entre um beijo e outro as amarguras ficam e a tudo dilaceram, pelos lábios macios e ardorosos que beijei, até que qualquer saudade seja maior, porque menor ela não é e nunca será! Lembro deles como se fosse morrer amanhã, ou se já morri, não sei! Seria pelo calor do sol ou pelo ardor vindo da boca que jamais esqueci? Fico imaginando outras bocas recebendo teus beijos e, amarguradamente, descubro que eles nunca foram meus, apenas frutos da minha imaginação ou do meu coração carente de ti! Deixo-os marcados nas gotas de lágrimas que choro, até um dia saber que, entre um beijo e outro, teus lábios se amargurem também, com saudade dos meus!

Socorro Almeida
Recife, 04/06/2023
 
 SOU O QUE SOU

Sou alguém feito de bronze ou argila
Reverenciado nas esquinas das pontes
O pássaro que voa à luz dos horizontes
O riso do lobo, o ataque da matilha.

Sou as pedras que matam as "madalenas"
As lágrimas e a dor dos arrependidos
Sou a fome dos famintos desfalecidos
Pelas esquinas, ao apito das sirenas.

Sou o remédio ao veneno das serpentes
Posso ser muito mais do que imaginas
A paz e o descanso para tua sina
Eu resido em tua alma, e não me sentes!

Eu choro a dor da incrédula humanidade
Eles vagam pelas ruas tão indiferentes
Mas eu os perdoo e lhes tenho piedade
Porque tento residir onde não me cabe.

Socorro Almeida
Recife, 2021
 
 
 O Perfume das Rosas.

Deixe seu corpo perfumado
Para quando eu voltar.
Mesmo que outras mãos o toquem,
Não deixe marcas.
Mesmo que outros braços o apertem,
Não deixe marcas.
Mesmo que outros lábios o excitem,
Não deixe marcas.
Mesmo que outros o possuam,
Não deixe marcas.

Quero encontrar o teu corpo perfumado
Como as rosas de uma roseira.
As rosas são puras,
Não importam, nem a marcam, os espinhos.

Deixe seu corpo perfumado
Para quando eu voltar.
Mesmo que o tempo o castigue,
Não deixe marcas.
Mesmo que a solidão o sufoque,
Não deixe marcas.
Mesmo que a dor o maltrate,
Não deixe marcas.
Mesmo que os males o encurvem,
Não deixem marcas.

Quero encontrar teu corpo perfumado
Como a maresia que permanece no ar,
Não importam as pedras
Que quebram as ondas do mar.

Deixe seu corpo perfumado
Para quando eu voltar.
E o perfume do teu corpo,
As essências das rosas
Vão se misturar.

Guardarei a lembrança de teu corpo
Para mim.
Mesmo que sua ausência faça-me definhar,
Não deixarei marcas.
Mesmo que a distância faça-me chorar,
Não deixarei marcas.
Mesmo que a saudade faça-me sofrer,
Não deixarei marcas.
Mesmo que meus caminhos
Não me permitam voltar,
Não deixarei marcas.

E quando voltar,
O perfume das rosas de teu corpo
Em meu corpo hão de estar.
Não importam os espinhos,
As pedras, os caminhos,
A pureza das rosas
Em teu coração
Há de ficar.

Jorge Leite, para Miss Darling

 
 
 
 
                                Escolha do Editor
 
 
 

domingo, 11 de setembro de 2022

Depressão

 

Blog  Maçayó

Edição   nº 506

 Tema das Imagens :Depressão
LEITURA   DE   DOMINGO 
 UM ATO DE SUPERAÇÃO

          O outono chegou com incertezas para a jovem Maria Helena...
          O mundo havia sido surpreendido por um terrível vírus, um inimigo invisível e cruel que deixou e continua deixando um rastro de morte, dor, destruição e muitas sequelas. Era nesse quadro catastrófico que Maria Helena lutava pela vida, sua sobrevivência em um cenário negro e um mundo de ignorância sarcástica.
          Lena estava em férias escolares antecipada, por conta da pandemia; ela passava por um dupla dor, a morte repentina da mãe e sua doença, um quadro depressivo severo, que a deixava apática e trancada em seu próprio universo; assim como, um botão de rosa, que em vez de desabrochar, murcha sem vida no próprio galho. A garota apresentava um quadro de tristeza profunda, perda de interesse pela vida e diferentes alterações. A depressão era um estado muito pior para ela, que o momento de pandemia. A jovem morava atualmente com a tia que procurava ajudá-la em tudo.
          Um certo dia, Lena acordou diferente, percebeu que um facho de luz solar, adentrava de mansinho, pela fresta da janela e iluminava todo ambiente. Foi nesse cenário que sua tia entrou no quarto, quebrou o silêncio, e disse-lhe :
          - Bom dia, querida! Você dormiu bem? Já tomou o seu remédio? Vá saborear o seu desjejum matinal! Você precisa se alimentar.
           A garota levantou o seu olhar tristonho e respondeu-lhe:
          - Bom dia, titia! Consegui dormir melhor e já tomei o remédio, até quero passear um pouco. A senhora pode deixar a janela aberta, por favor?!
          Sua tia ficou surpresa, mas atendeu o pedido da sobrinha. Lena correu, se vestiu às pressas, colocou uma máscara em tom suave, tomou um suco e saiu em seguida... a garota caminhava sem destino, ela não estava preocupada com o tempo. De repente, ela viu um rapaz empinando uma pipa colorida em plena praça pública, ela observou que ele nem se preocupava com o cenário ao seu redor, o foco para ele, era deixar a pipa estabilizada no ar, dava linha ao objeto com tanta leveza que ele parecia suspenso. Lena se aproximou do rapaz, e quebrou o gelo:
          - Bom dia, sou Lena!
          O rapaz sem tirar o olhar da pipa, colocou uma máscara verde, retribui a gentileza da garota, e respondeu-lhe:
          - Bom dia, sou Gilberto! Já vou terminar e conversar contigo.
          O rapaz tinha o semblante suave, ele desceu com cuidado sua pipa, enrolou a linha para não dá nó, guardou a arraia com carinho para não danificar a rabiola e foi conversar com Lena. Os dois ficaram horas papeando que nem perceberam o tempo passar; o adiantar das horas já era aparente, o vento soprava ameno e jogando ao chão as folhas amareladas das árvores. Já era quase noite quando eles trocaram os contatos e seguiram por caminhos diferentes... os dois ficaram se comunicando pelas redes sociais. O jovem Gilberto não deixava Lena um só instante; ele havia saído de um quadro depressivo há pouco tempo atrás, com ajuda de terapia. Porém, nesse tempo de pandemia, tudo era online. Ele orientou Lena a buscar ajuda e autoajuda e ficou acompanhando o processo de luta da garota, dando todo suporte quando necessário. Sempre que podiam, eles iam empinar pipas multicoloridas em um local aberto, sem público, apenas tinham nuvens em flocos de algodão como companheiras. Os dois são bem protegidos pela distância e uso de máscaras. Porém, o carinho, atenção e cuidado eram indispensáveis, o diferencial para a boa saúde deles.
          Um ano se passou, o outono novamente chegou, e a pandemia tinha enfraquecido, mas não tinha acabado. Mas, Lena conseguiu superar o seu estado depressivo, pois sua luta não havia sido em vão. A amizade entre Lena e Gilberto era a única coisa concreta e relevante para eles.
          Esta é uma história de superação e amor, em um cenário negro de dor, tristezas e incertezas.
          "Enquanto houver vontade de lutar, haverá esperança de vencer." (Santo Agostinho).

Elisabete Leite
(Os personagens são fictícios, qualquer semelhança é mera coincidência)


A VIDA É APRENDIZADO
Elisabete Leite e Valdemar Guedes
 
O tempo passa apressado
Mas deixa ensinamentos
Viva, pois, cada momento
“A vida é um aprendizado!”
......
O tempo desperdiçado
Torna a vida irrelevante
Se for bem aproveitado
A vida é saber constante.
......
É Biblioteca ambulante
Com livros atualizados
Lições a todo instante!
Pratique bem o ensinado!
......
Com os erros do passado
Aprendi não ser errante...
Da vida, tornei-me amante!
Do tempo, velho aliado.
......
A vida é tesouro esmerado
Como brilhantes de real valor
Qual diamantes lapidados
Virtudes, gratidão e amor.
......
O mundo é um sábio doutor
Que cura as chagas de outrora
O tempo é um bom professor
E a vida a melhor escola.


DEPRESSÃO

A depressão é um transtorno psicológico que pode apresentar sintomas como: desânimo frequente, falta de energia, choro fácil, estado emocional exacerbado, pensamentos autodepreciativos, ingestão alimentar desproporcional, distúrbios de sono como insônia ou hipersonia (dormir em excesso), apatia, perda de interesse sobre qualquer atividade que antes era importante, entre outros.
A diferença da depressão para um sentimento de tristeza é que a depressão persiste por um longo período. Sentir-se abatido por meses pode ser um dos sinais do quadro depressivo.

Quando devo procurar ajuda profissional e tratamento para depressão?

O paciente deve buscar ajuda quando perceber que os sinais da depressão são constantes e, principalmente, estão causando prejuízos em sua rotina pessoal, social ou de trabalho.

https://www.marilisapollone.com.br/depress%C3%A3o
 

 ENCONTRO   DE   POETAS

Pra sempre, amor! ( Carlos Isaac)

Os sonetos que eu fiz na minha vida,
Em todos eles tinha um pouquinho de ti.
Neles eu pude te mostrar o que eu senti,
Quando em nós não havia despedidas.

Hoje eu reflito uma frase antes lida,
Onde designa o que nunca percebi,
E percebendo, juro que não refleti,
Que nossas almas ali estavam tolhidas.

"Só o amor é capaz de em qualquer tempo ,
Satisfazer aos amantes entretempo,
Cada um promovendo um ideal".

E com isso, ele em nós se faz eterno,
E na mistura do antigo com o moderno,
O nosso início tem sequência sem final.


SÚPLICAS
Joseraldo Silva Ramos


De tanto suplicar o teu querer
Esqueci que na vida eu existo
E vivi algo, nunca antes visto!
Esqueci de mim, do meu viver.

De tanto querer o teu querer
Me perdi em sonhos e utopias
Pelas noites a ermo me perdia
Nas estrelas e na lua via você.

De tanto sonhar com o teu querer
Me perdi nessa busca, nessa lida
Adormeci em vários amanhecer.

E tentando suplicar o teu abraço
Ressuscitei em mim velhas feridas
Senti no peito, corroído, o velho aço.

MAIS UMA VEZ

Mais uma vez
Quero provar seu beijo
Afagar seu corpo
Cobrir-lhe de beijos.

Mais uma vez
Quero fechar meus olhos
Lhe abraçar inteiro
Cessar meu desejo.

Mais uma vez
Quero ouvir sua voz
E contemplar uma melodia.

Mais uma vez
Quero abraçar o luar
E deleitar-me com você.

Mais uma vez
Quero sentir seu suor
Vagando no meu corpo.

Mais uma vez
Quero ser sua
No mar, no céu, na lua
E ter a vida inteira
Somente pra lhe amar.

Rita de Cássia Soares
 

CORPO

Sinto que estou te amando
E nos mais raros dos casos
Meu corpo te desejando
O suor molhando todo corpo
Dilacerando os caminhos do amor.

No instante do beijo ardente
Sinto meu corpo ardente
Meus olhos choram...
Sentindo a dor...
A dor do amor!


Rita de Cássia Soares.

 Mar das incertezas


Teu olhar
Tua persistência
Denunciam
Os ímpetos de Saturno.

Meus gostos
Extremos
Sedutores
Revelam
Os modos de Plutão.

Mas nunca deixe
Os ensinamentos
Do Velho Mestre
Transformarem-se
No oposto
Ou asfixio
Minha confiança
No mar das incertezas.

   (Diógenes de Brito)


Quarentena

O tempo é de estiagem no meu quintal
Ali, onde já choveu abundantemente
Meu astro está distante, tão ausente
Cada dia me vem com o seu próprio mal.

Parecem revelações de Tarô, Bola de Cristal
Noutra dimensão, tornando-me descrente
Um recluso, de quarentena, um abstinente
Perdido no meio de uma tempestade brutal.

Uma grande batalha está sendo travada
Confissões cruéis no final da estrada
Trouxeram-me o gosto amargo da estupidez.

Venha depressa meu regente, não demore!
Antes que um vendaval pior aflore
E decida levar-me embora de vez.

             (Diógenes de Brito)



 LEITURA COMPLEMENTAR
  AINDA SOU ADOLESCENTE
(Parte I)

Hoje eu estava lembrando de um amor imaginário que tive na minha adolescência. Ele tinha o corpo e os trejeitos de Elvis Presley, a voz suave de Francisco Petrônio, ao som do magnífico dedilhado de Dilermano Reis. Que loucura! O Rei do Rock cantando valsa e o  Seresteiro tocando guitarra?! Eu tinha a doçura e as ilusões de Francisco Petrônio e só cantava SE ELA PERGUNTAR, cuja letra tocava mais meu coração: "Se ela um dia, por acaso, perguntar por mim, diga por favor que sou feliz". São aqueles anos de pura magia, dos salões de festas, vestígios dos tempos de serenatas ao luar, o encanto do primeiro beijo e o martírio do primeiro adeus... Quem nunca?!
Parei na época dos Festivais e adorei ter visto Geraldo Vandré atirando sua guitarra no público em delírio. E "Pra dizer que não falei das flores", eu me retirei em "Disparada" e terminei "Atrás da porta", chorando a saudade daquele amor que não me quis! A saudade de hoje é diferente! Talvez um dia nem seja saudade, quando os nossos jovens se lembrarem dos glúteos das "Anittas" e perceberem a diferença entre sexo, amor e rebolados funks. Tudo tem sua época, mas me perdoem, continuo ouvindo SURRENDER, embevecida com os trejeitos de Presley, e adormecendo ao som do plangente violão de Dilermano Reis, pois "é preciso a própria mágoa disfarçar assim, dissimulando a dor à sombra de um sorriso..."

Socorro Almeida
Recife, 03/09/2022

AINDA SOU ADOLESCENTE

(Parte II)


Mas uma jovem como eu não se conforma com tão pouco, e saí daquela época ainda a sonhar com um jovem interessante, daqueles que não medem distância, nem medo, e sem preconceito, sem nada!  Era o fim do romantismo dos violões, dando vez aos estridentes instrumentos que calam nossas vozes, e só gritos se ouvia na calada da noite. Que tal um baseado, "Meu bem, meu zem, meu mal?" Eu queria ser "o caminho, o vinho, o vício desde o início", era o que Gal dizia pra Caetano, e eu, morrendo pelo "espaço sideral", só conseguia dizer: "você é minha droga, paixão de Carnaval..." E quando aceitei o convite de um jovem doce e carinhoso, não pensei que um simples calhambeque pudesse fazer meus cabelos voarem a 120km por hora. Sua voz suave me dizia: 'Eu tenho tanto pra lhe falar, mas com palavras não sei dizer"...Calei sua boca com um beijo e me despedi. Sim! Eu estava mudando, do mesmo jeito que o tempo muda, a gente também muda. Hoje eu sou aquela de sexo frágil, numa "mentira absurda", pois se "faço parte da rotina de uma delas", sei que a "força está com elas", na alma de todas as mulheres que fui um dia!

Socorro Almeida
Recife, 05/09/2022




                    Escolha do Editor
Imagens: Depressão
 
                    Escolha do Editor
Cantinho do Editor
Livre Pensar...
 
"A dor que a gente sente
Não é a dor que a gente traz.
São dores diferentes
Ambas doem demais."

💔💙💚💛💜💓

"Tentando evitar sua queda
Meu coração feriu sua mão
A corda cortou sua pele
Expondo feridas em vão."
 
💔💗💙💚💛💜
 
 "Sem limites,
O espaço perde sentido.
Mesmo distante,
Você está presente."

💔💖💘💙💚💛

"Em nossos momentos
Passamos a existir,
Nem só corpo, Nem só mente.
 Eu e tu, Tão somente."

💜💛💚💙💗💔
 
"Seu corpo distante
Não sai do meu pensamento.
Eu tão longe, tão alto,
Você tão perto, em mim."
 
💙💚💛💕💜💖
 
"Melhor viver um único dia
Entre os teus braços,
Do que todas as ilusões da vida
Que ´só me causam cansaço." 
 
💓💔💗💙💚💛
 
Melhor viver um único dia
Na imensidão de teu ser,
Do que cem anos,
Na ilusão de viver"
 
Jorge Leite