segunda-feira, 31 de outubro de 2022

FADAS, BRUXAS E FANTASIAS

 
Blog  Maçayó

Edição   nº 513

 Tema das Imagens:  Fadas, Bruxas e FANTASIAS


LEITURA   DE   DOMINGO
 
 LIBERDADE DAS BORBOLETAS

              Era um dia quente de verão. Um jovem pescador, chamado Isaac, estava remendando as velhas redes, para sua próxima pescaria, quando viu duas belas moças caçando Borboletas e colocando-as dentro de um vidro com tampa. Ele ficou a imaginar o porquê daquelas garotas estarem aprisionando tão adoráveis insetos que precisam de liberdade para sobreviver. As frágeis Borboletas esvoaçavam no ar, colorindo o céu de um canto a outro, elas fugiam para não serem aprisionadas.  Enquanto isso, as jovens corriam sobre uma ponte de madeira que cruzava um riacho. De repente, Isaac notou que uma das garotas estava correndo perigo. A garota saltou com um puçá na mão para pegar uma Borboleta, e nem percebeu que estava em perigo, e caiu em seguida, dentro do rio. Isaac mergulhou alcançando-a pelo braço, e acomodou-a em cima da ponte. Enquanto a outra jovem foi buscar ajuda. Pouco tempo depois ela despertou:
          - Oh! Muito obrigada! Não sei como agradecer. Disse-lhe ainda confusa.
          - Não precisa me agradecer! Quero fazer-lhe um pedido. Respondeu-lhe.
          - Pode pedir o que quiser! Disse-lhe a jovem.
          Isaac olhou o rosto cálido e lábios rosados da jovem, e pergunta-lhe:
          - Qual é o seu nome? Eu nunca a vi por aqui!
          - Meu nome é Eva, estou passando as férias na Colônia. Respondeu-lhe a garota.
          Isaac olhou para o vidro que continha três magníficas Borboletas coloridas, quase sufocadas; como se elas estivessem a pedir socorro:
          O rapaz olhou diretamente nos olhos negros de Eva, e disse-lhe:
          - Eva, você pode libertar as Borboletas? Elas precisam voar para se alimentarem.
          O rapaz continuou falando:
          - Ninguém consegue sobreviver aprisionado dentro de um vidro. As Borboletas querem respirar, se continuarem presas podem até morrer; elas passaram por longas e difíceis metamorfoses, e querem aproveitar o cenário em total liberdade.
          Isaac olhou para Eva que estava chorando, e falou:
         - Você gostaria de estar presa dentro desse vidro? Liberte-as, por favor!
          Eva pegou o vidro e destampou-o, uma a uma, as Borboletas voaram. Depois eles se despediram e nunca mais se viram de novo...
          O tempo passou depressa... Isaac e Eva seguiram caminhos opostos. A garota, agora, entende que para sobreviver qualquer ser vivo precisa de liberdade.

Elisabete Leite

SOU VERSOS, RIMAS E POESIA

Eu sou assim, um pouco de tudo! Sou poeira, ventania,  amor, paixão,  sentimento, emoção, alegria, água, fogo, palha, flora, fauna, sol brilhante, lua radiante, uma estrela que alumia, até sou tristeza, e do mar sou a perfeita calmaria.
Sou o som da chuva, a partitura de uma doce melodia, a mais bela sinfonia que toca o coração, e tantas outras sensações.
Vejo-me dentro do esplendor do espaço sideral, faço parte da natureza das coisas; posso me transformar em tudo que quero, minha imaginação voa, e viaja por vários lugares ao mesmo tempo; sou pequena, grande, começo, meio, fim, tudo e nada... sou reluzente e difusa, o infinito do Universo que transborda, sou Via Láctea.
Sinto-me uma flor que desabrocha a cada novo dia; sou o verde da esperança, o amarelo que contagia, o colorido do carnaval, o azul do céu, sou de várias cores ao mesmo tempo, sou filha do Brasil, e do Nordeste sou o branco da paz que pela terra floresce....
Viro-me pelo avesso e vejo meu interior; minha essência é iluminada, e em meu coração só existe amor.
Sou livro que abre portas e janelas para que o mundo possa mudar de cor. Sou livre arbítrio, a liberdade de expressão de cada autor...
Sou letras, palavras, versos, rimas, inspiração, magia, pois a minha imaginação alça voo toda hora, e todo dia; é assim que me transformo em Poesia.

Elisabete Leite

LIBERDADE PARA AMAR

Ah! Negar o meu próprio sentimento
É o mesmo que ter asas sem poder voar
A vida se torna um vácuo, mero tormento
Liberdade de expressão é uma forma de amar...

Ser livre é expressar o que realmente sente
É como velejar no infinito mar do coração
É doar ao amigo o mais valioso presente
Com amor, buscar na amizade, sua perfeição...

Jamais esconderei o meu amor em cena
Porque é amando, que me sinto bem viva
Somente gostando, viver já vale a pena
Expressar o amor é uma corajosa iniciativa...

O amor é o maior de todos os sentimentos
Não existe amizade sem cumplicidade
O valor de ser amigo é ter discernimento
Expressar o amor é viver com liberdade.

Elisabete Leite
 
 
  ENCONTRO   DE   POETAS

FELICIDADE

Flashes de luz no corpo e alma
Sensação de total plenitude
Que nos invade, de repente,
Independente de qualquer atitude...

Êxtase espiritual, sem hora marcada
Vontade de gargalhar, sem motivo
Nos sentindo leves como pluma
Em tudo, encontrando regozijo...

É retirar de nossa própria essência,
Motivos pra ser feliz!...
Valorizar o que não conta pro mundo
E só nós sabemos a raiz...

Esse estado de SER, magnífico,
Só sabe exprimir quem está sentindo...
E vibrando com uma melodia angelical,
Que, apenas, nossa alma está  ouvindo!...

         ❤️Tásia Maria
 
  Momentos eternos

Existem, na vida, momentos únicos
Que marcam a alma, como ferro em brasa...
Deixando leves ou fortes cicatrizes
Que nunca acabam, enquanto a vida passa...

Se eternizam, como um céu estrelado,
Como as ondas do mar, que nunca acabam...
Nos fazendo sonhar, quando estamos tristes
E só temos esses sonhos que nos embalam...

Felizes, aqueles que os possuem!
Pois como bálsamo, sara e cura feridas...
Lembranças mágicas, que se tornam muletas,
Para as quedas ou tropeços da nossa vida!...

                        ❤️Tásia Maria
 

 TRÊS PALAVRAS

Se meu coração se aquietasse quando choro
Não sentiria esse tremor em minhas mãos
Quantos carinhos fizeram em teu rosto amigo
Quantas vezes acalmaram o teu coração.

Se três palavras apenas eu pudesse ouvir
Eu me curvaria ao teu imenso encanto
E nunca mais, me erguer, eu ousaria
Apenas três palavras: "Te amo tanto!"...

Eu emudeci também ante o teu silêncio
Por razões que lá deixei ao pé da fonte
Quando quis falar da minha emoção
Eu só consegui dizer-te: "Amo-te!"

Socorro Almeida
Recife, 18/10/2022
 
 MINHA MOCIDADE

Eis que minha mocidade em delírios súbitos
Volta zangada pra me cobrar o que não fiz
Lançou-me à consciência o que deixei pra trás
Nem quis saber por que razão não fui feliz.

Disse-me que há coisas que de mim guardou
Que eu volte à lucidez, que eu venha resgatar
A imagem da menina insensata e louca
Que deixei nos braços de quem não pude amar.

O que desejo ouvir a mocidade não me diz
Se me remove as rugas do meu triste rosto
Se seu amigo Tempo vai ressuscitar
Aquele jovem que um dia me fez feliz!

Socorro Almeida
Recife, 24/10/2022
 

 Súplicas de amor!   (...)

Te suplico sempre a cada despedida,
Por esse sal que alimenta minha alma,
Que em teus poros desliza e me faz vida:
"Cavalga em meu corpo molhado, cavalga".

E me perco por entre os breus desta lida,
Como alguém que nova esperança galga,
E em suplício eu te oferto minha vida,
Quiçá assim tua presença me afaga.

Essa cavalgada se faz fugas repetidas,
Num movimento voraz de voltas e idas,
Onde a cada instante tudo se refaz.
 
E nessa longa estrada cheia de obstáculos,
Somos nós os atores desse espetáculo,
Mostrando que por amor de tudo se é capaz.

         - Carlos Isaac e Juca Silva Ramos
 
 
   CANTINHO DO EDITOR
 
  A BRUXINHA DE HALLOWEEN   (...)

Sou Belly, uma bruxinha trelosa!
Halloween chega trazendo alegria
Na minha porção há doces e fantasias
Sou da luz, uma mocinha formosa...

Faço feitiço que tudo vira Poesia
Meu mundo fica logo cor-de-rosa
Tem encanto que me deixa orgulhosa
Pinceladas de amor, paz e harmonia...

Faço lindas artes, sou talentosa!
Danço e canto com pura energia
Sou afinada na delicada melodia...

Ela é do bem, por Isso é bondosa
Não voa de vassoura só de magia
E desse mundo não perdeu a sintonia.

 Elisabete Leite e Juca Silva Ramos
 
   TRAVESSURAS OU GOSTOSURAS?

            Na minha infância tudo era só alegria! O significado do Halloween era uma questão de vivência diária e de divertimento, os doces ficavam em segundo plano, enquanto as travessuras de criança eram sempre bem-vindas. Lembro-me, que naquela época, não era relevante usar máscaras e nem fantasias, pois no dia das bruxas, o primordial eram as brincadeiras e o momento de interação com os amigos da comunidade ou mesmo do colégio. Recordo-me que acordava cedo para ir à escola e pelo caminho as travessuras já aconteciam; normalmente sem filtros, sem etiquetas, sem maquiagens, sem vassouras, sem caldeirões e nem tão pouco porções mágicas, porém com o sorriso estampado no rosto. O fardamento já era motivo de contentamento para qualquer um: saia plissada, blusa branca com gravatinha e sapato preto, que para mim, era o meu maior orgulho. Durante o percurso de ida à escola, tudo poderia acontecer: o abrir e fechar dos portões, pedras atiradas nas janelas, o toque nas campainhas das casas, o tirar das rosas no jardim e até as correrias pela ladeira abaixo. O que não tinha mesmo, era distribuição de guloseimas, mas às travessuras surgiam, sendo dia das bruxas ou não. Acredito, que para mim, tudo acontecia sem interferência dos pais, com muita espontaneidade e naturalidade nos intervalos das brincadeiras. Nas minhas reminiscências era notório sempre o sorriso da criança que participava das travessuras; naquele tempo não existia maldade nas ideias e nem tão pouco nos ideias, a humanidade tinha tudo de humano, já hoje o processo é outro, tudo é fabricado, até mesmo os risos.
           Se hoje me perguntassem... Travessuras ou Gostosuras? Eu responderia sem pensar: travessuras! Naquela época, para mim, o dia das bruxas era todo dia...
           Portanto, que a minha reflexão de hoje, seja o motivo de minha alegria do amanhã, porque uma certeza eu tenho: eu vivi muito e fui bastante feliz!
            
Elisabete Leite - 30/10/2022
 

 
 

 L U M I N A R
 
 O HOMEM E O UNIVERSO

Olhando o mundo por esse lado,
Aristóteles com sua filosofia,
Grande pensador que se confia.
O homem, não um ser isolado.
             II
Faz parte de um todo universal,
Cada indivíduo no seu lugar,
Uma coisa dentre outras, vulgar.
Um mundo fechado, paradoxal,
            III
Um elemento dentro do cosmos
Dando sentido à existência?
Que enigma, que mistério?
            IV
Diante de absenteísmos
Buscou-se a resiliência
Como repouso, outro mistério.

Manoel Antonio dos Santos
 
  SABER DA VIDA!

Parto da visão sartreana
Vida precede essência,
Portanto, como evidência,
Do poder da razão humana.
        II
Eis o existencialismo.
Primeiramente existimos,
Na luta do saber partimos
Definindo o humanismo.
        III
A problemática de Deus
Não sairá da consciência,
Da razão e sapiência
Na imanência de Deus.

Manoel Antonio dos Santos.
 
 A PEDRA DE SÍSIFO

Partindo do pensamento de Camus
E pela mitologia grega
É Sísifo a pedra da vez
Na transmutação paradoxal.
                II
Na condenação existencial
Absurdidade do absurdo
Isso é um ato consciente?
Absurdidade, uma condição?
               III
Sim. Pois, pela condição humana
O homem se revolta ao ponto
De encontrar a felicidade
Consciente de sua opção.

Manoel Antonio dos  Santos
 
 Amar

Amar não é competir,
É aceitar.
Aceitar o outro como ele é.
Amar não é evitar.
É convidar.
Convidar que se mergulhe em nós,
Sem condições,
Nem antes, nem durante, nem depois.

Amar é não ver formas,
É ver interior, é ir fundo,
É existir sem estar presente.
Amar é permitir
Que se penetre em nosso âmago.
É não esperar nada do outro.
É encontrar o que estar oculto.

Amar é se entregar,
É não receber nem dar.
É ser e deixar ser.
Amar é ser Deus.
É tornar divino a quem se ama.
É não se aborrecer.
É viver, é viver.

Jorge S Leite
SP, 16-05-1991
 
 Cotidiano Um

Grades, grades, grades.
Pessoas presas em seus lares,
Em suas lembranças,
Em seus corações.
Grades nas janelas,
Nas portas, nas varandas,
Nos quintais.
Grades, no lugar de vitrais.

Por dentro as pessoas estão presas,
Assustadas, aflitas, angustiadas.
Medo. Medo de tudo.
E ainda se dizem livres. 
 
Jorge Leite, Casa Amarela - 1992.
 
 


 
 

                    Escolha do Editor
 
 
 



domingo, 23 de outubro de 2022

Livro de Poesia ...

 
 
Blog  Maçayó

Edição   nº 512

 Tema das Imagens:  LIVRO DE Poesia
 

  LEITURA   DE   DOMINGO
 
 POR AMOR

           Era Primavera, um cenário perfeito e repleto de cores, flores, sonhos, aromas e amores...

          Flor de Lis era uma jovem sensível e sonhadora que acreditava que por amor tudo seria possível e que nada poderia deixar de ser feito; que em nome desse sentimento tudo valeria à pena ser vivido. A carismática Lis, como era conhecida pelos amigos, alimentava um amor não correspondido, mas ela tinha esperança de um futuro romântico ao lado do seu sonhado amado. Lis tinha uma beleza natural, seu interior era mais belo que o seu próprio exterior; uma jovem sem filtros, sem rótulos e sem etiquetas. Tinha olhos negros, cabelos claros e rosto marcante, mas sua essência era tão intensa que iluminava todos ao seu redor. Vivia pelos quatro cantos da casa cantarolando melodias românticas, dançando sozinha, se imaginando nos braços do amado. E assim, eram os seus dias, com sentimentalismo à flor da pele, o coração recheado de emoção.

Em um outro lugar, não tão distante dali, morava Florisberto. Um rapaz rígido, tradicional, que levava a vida sem se preocupar com o coração; vivia de maneira exemplar, se dedicava ao trabalho; um jovem íntegro na sua espiritualidade aflorada, e costumava ajudar ao próximo sem receber nada em troca. Afirmava que desconhecia o amor, mas o amor com romantismo. E assim eram suas escolhas, quase sempre pelo lado da razão!

           Certo dia, Lis tomou uma decisão: resolveu que iria lutar por aquele sentimento que estava guardado dentro dela. A jovem pensou consigo mesma: "irei procurar Emília, pois ela conhece Berto, quem sabe ela pode arquitetar um encontro entre eu e ele". A garota vestiu-se rapidamente e foi conversar com Emília... Já na casa de Emília, Lis pede a ajuda da amiga:

            - Emília, preciso da sua ajuda?

           Emília com um ar de surpresa, perguntar-lhe qual o tipo de ajuda:

            - Lis, o que posso fazer para lhe ajudar?

            - Emília, você sabe dos meus Sentimentos por Berto, eu sinto um grande amor por ele e queria ter a chance de vivenciar este amor. Você conhece a versão da canção Per Amore, por Zizi Possi? A letra diz mais ou menos assim:

"Por amor...

Você já fez alguma coisa...
Somente por amor?
Você já desafiou o vento e gritou?
Dividiu o próprio coração...
Já se perdeu e se achou?"

(Versão Zizi Possi)

              - Amiga, por amor... Irei lutar pelo amor de Florisberto. Disse-lhe Lis.

            Emília olhou para Lis, e respondeu-lhe:

           - Lis, eu fui convidada para um jantar na casa de Berto e você irá comigo! Essa noite promete! Fique linda e vamos à luta!

            Lis se despediu da amiga e voltou correndo para casa queria ficar bonita para impressionar o homem que tanto amava...

            Já era noite quando Lis e Emília entraram pelo portão principal da casa do jovem Berto. Elas se dirigiram ao jardim onde seria o local do jantar. Lis tremia dos pés à cabeça, seu corpo todo doía, mas era uma sensação de satisfação, uma dor misturada com emoção, nunca havia se sentido tão corajosa assim, sabia que precisava ser forte para não deixar transparecer seu amor para todos os presentes. Emília se afastou um pouco, para cumprimentar amigos, enquanto Lis permanecia imóvel; às lágrimas escorrendo pela sua face rosada, misturando-se com o suor que escorria pelo rosto. Parecia até uma cena de telenovela. De repente, uma música suave desperta seus devaneios. Mais uma vez a emoção tomou conta do cenário, e Lis ouviu uma voz grave que dizia:

           - Flor de Lis, que prazer vê-la por aqui?

            A garota enxugou as lágrimas, levantou o rosto, e respondeu-lhe:

            - Boa Noite, Berto! Eu vim acompanhando Emília. Amo essa música interpretada por Zizi Possi!

            O rapaz se aproximou um pouco mais da garota, deu-lhe um forte abraço, e disse-lhe baixinho:

            -Lis, não precisa mais esconder o que já é evidente! O seu sentimento por mim também é recíproco. Eu sempre te amei! Apenas tive receio de dizer-lhe.

            A garota não sabia se sorria ou chorava. Ela se aconchegou um pouco mais nos braços do rapaz, levantou a cabeça, olhou diretamente nos olhos dele, e respondeu-lhe:

            - Eu te amo, Berto! E permaneceu quieta dentro dos braços do amado.

            O que era um sonho para Lis, tornou-se realidade...

            As estações do ano se renovam... Lis e Berto continuaram se conhecendo e nunca mais se separaram.

 Elisabete Leite - 17/10/2022

  Per Amore (Por Zizi Possi)
Por Amor


Conheço o teu caminho
Cada passo que farás
Tuas ânsias internas e o teu vazio
Pedras que afastarás
Sem nunca pensar nisso
Como uma rocha retorno para você

Eu conheço o teu respirar
Tudo aquilo que não queres
Sabes bem que não vives
Mas não reconhece isso
E seria como se
Este céu em chamas
Caísse sobre mim
Como teatro sobre o autor

Por amor
Nunca fez nada somente
Por amor?
Nunca enfrentou o vento e gritou?
Não dividiu o próprio coração?
Pagou e apostou de novo?
Atrás desta mania
Que continua só minha

Por amor
Já correu até ficar sem fôlego?
Por amor
Perdeu e tentou outra vez?
E deves dizer agora
Quanto você já se dedicou
Quanto você acreditou
Nesta mentira

E seria como se
Este rio inundasse
Sobre mim
Como o quadro sobre o seu pintor

Por amor
Nunca gastou tudo até mesmo a razão
E o teu orgulho em lágrimas?
Sabes que fico esta noite
Não tenho nenhum pretexto
Apenas uma mania
Que continua forte e minha
Dentro desta alma você arranca

E te digo agora
Sincero comigo mesmo
Quanto me custa não seres minha
E seria como se
Todo este mar
Se afogasse em mim"
 
  

 
 

 ENCONTRO   DE   POETAS
 
 
 BEIJO DA SAUDADE      (...)

Quando senti o beijo da saudade
Bebendo da saliva em tua boca
Te senti trêmula e com voz rouca
Pura, simplesmente sem maldade!

Um beijo sentido dentro do coração,
Que ficou para sempre eternizado
O amor bem mais forte e enraizado
Com aquele momento de emoção.

O coração batendo sincronizado
Na cadência da elevada satisfação
E o corpo sentindo toda sensação.

Da saudade do beijo intensificado!
Os lábios até hoje estão molhados
Com o néctar ardente da tua paixão.
 
 Joseraldo Silva Ramos e Elisabete Leite
 
 SER POETA

O poeta brinca com as palavras
Voa pela sua criativa inspiração
Deixa nascer a mais doce emoção
Em forma de versos e metáforas...

Se vestindo do eu lírico ele disfarça
Sentimentos emprestados de um alguém
Que como ele, de amor sofreu também,
Caçador de ilusões da própria caça.

Como ninguém, ele às vezes ultrapassa
As fronteiras do seu Eu ou de alguém,
Feito palhaço que rir sem sentir graça.

O poeta que da saudade é um refém
Com um sorriso na face ele disfarça
A dor do desamor que não faz bem.

Elisabete Leite, Carlos Isaac e Juca Silva Ramos
 

 AMOR DA MINHA VIDA

O meu amor tem uma força tão preciosa
Ao despertar, pela manhã, à luz do sol
Examina as suas coisas ao seu redor
E sai pra trabalhar, cheiroso como as rosas!

Tem o poder de apreciar as nuvens do céu
Se estão sombrias, se vão chorar ou sorrir
Chora com elas, e nessa hora pede a Deus
Que a tempestade passe pra poder seguir...

Por onde passa vê seu povo angustiado
Tão sofrido, a carecer de esperança
Mas segue em frente, com perseverança
Inda que dores sinta o seu corpo amado.

Ao dirigir seu carro, ouve a música preferida
Tão divina quanto bela, acalma seu coração
Deixa, então, nas mãos de Deus a solução
Sorri pra Natureza e agradece pela vida!

Socorro Almeida
Do livro Gritos da Alma
Ehs Edições - Recife/Pe
 
  POETAS NOSTALGIA

Poemas são relatos de ações e sentimentos
Na busca da perfeição eles viajam ao vento
Relatam alegrias, ternura e emoções
Na intenção de emocionar e fazer feliz
E sufocar as dores de muitos corações!

Tristeza e nostalgia estão presentes
Quando poetas sofrem a dor das rejeições
Ou se quiserem mostrar que nada lhes afeta
Ou ainda, por terem na sua nostalgia
O único recurso pra se sentirem poetas!

Socorro Almeida
Do livro Gritos da Alma
Ehs Edições - Recife/PE
 
 
 Já dormes? Quanto de ti sobreviveu
Entre adagas, moinhos mais os sonhos?
Afora quem te trouxe ao lar esqueceu
Que é na vida teu labor mais medonho?

Quando sais sabes o que te espera
Nos caminhos que trilha teu desejo?
Ou não sabes que a vida é tal esfera
Sobe e desce como pedra e da pejo?

Então durma teu sono após a liça
Assaz real contraposta a teu sonho
Que não passa de areia movediça

Se tu sais para a vida tudo é fronho
Quando o fruto não vem, se desperdiça
Que tua noite não te seja fedonho
 
Rioquepassa
 
 Estranha história nossa forma
De estar junto, porém separado
Enquanto sinto-te, jubilado
Essa ausência muito me deforma,

Desse modo, o esquadro, a forma perco
Quando transitas esse estágio
Que em mim habita como presságio
Sem tua presença, pressinto o cerco

Por ti rodeado, sinto pressa
De sair de mim a teu encontro
Em alguma dimensão que não essa

Que tua presença não seja contro
Que me faça zarpar, me apressa
Para mais distante de teu centro

Rioquepassa
 
 
 Cantinho do Editor
 
  ENCONTRO MARCADO

Foi impossível não se emocionar!
O cenário transbordava de amor
Emoções estavam em cada olhar
Sinestésicas sensações de calor...

Sim, os olhos insistiam em contar!
O que o coração queria esconder
Mas o momento foi de fazer chorar
A emoção fazia o corpo todo estremecer...

Sentimento aprisionado na garganta
Que queria a todo custo se libertar
Mostrar a força que sempre encanta
Na atitude de simplesmente amar...

O instante não foi propício a calma
Mas, o amor não ficou só no olhar
Ocupou nos espaços vazios da alma
E o coração acelerado sem parar.

Elisabete Leite
 
"Deixa eu Sentir Saudade"

Deixa que eu sinta saudade
Do teu olhar
Dos teus abraços
Deixa que eu sinta saudade
Do teu sorriso
Dos teus afagos
Deixa que eu sinta saudade
Da tua boca
Dos teus lábios
Deixa que eu sinta saudade
Da tua voz
Dos teus sussurros
Deixa que eu sinta saudade
Da tua língua
Dos teus beijos
Deixa que eu sinta saudade
Do arrepio
Dos nossos corpos
Deixa que eu sinta saudade
Do teu suor
Molhando meu corpo
Deixa que eu sinta saudade
Das nossas noites de amor
Debaixo do lençol.
Deixa que eu sinta saudade
De tudo que é teu!...

Rita de Cassia Soares Pirpirituba 10/10/2022
 

  COISAS DE POETA

Hoje li minhas poesias
E por estranha ironia
Fiquei triste.
Deu vontade de chorar,
Chorei.
Sem lágrimas pelo rosto,
Com lágrimas no coração,
Aqui sentado, pensando,
Em vão.

Hoje reli minhas poesias
Fiquei triste.
Não pelas poesias
Pois são meras palavras,
São símbolos no papel,
Não dizem nada,
Nada traduzem.
São meras palavras,
São palavras, palavras.

Hoje reli minhas poesias,
Fiquei triste.
Pelos sonhos que elas contêm,
Pelas ilusões que são criadas,
Por nada, por nada.
Mas o poeta tem que falar de amor,
Para poder rimar com dor.
Mas falar é só falar,
Não é receber nem dar.
Falar é só falar.

O poeta tem que ser triste
Para poder rimar com dor,
Mesmo sem rima.
Dor que vem do amor,
Amor engavetado em folhas de papel,
Amor simbolizado
Em palavras sem “sentidos”
Insensíveis, frias,
Por mais quente que representem
Pois são palavras faladas ou escritas
São palavras sem vida.

O poeta estar triste,
Relendo suas poesias,
Vivendo suas ironias.
Fazendo rimas.
Pra poder se consolar,
Poder desabafar,
Ou quem sabe abafar,
Aquilo que não tem coragem
De gritar.

O poeta tenta fazer da vida
Uma poesia.
Mas a vida não tem “rimas”,
Tem caminhos e descaminhos.
A vida não tem “estrofes”,
Tem decisões e indecisões.
A vida não tem “quadras”,
Tem vida pra ser vivida
Nos caminhos ou descaminhos,
Nas decisões ou indecisões,
Tem vida pra ser vivida.

O poeta reler suas poesias,
Sentado em harmonia
Com tudo que o cerca.
Ele não estar só.
Ele tem suas poesias.
O poeta é poeta,
E isto basta,
E isto é vida,
De poeta. 
 
Jorge Leite.

 
 
 
 
                    Escolha do Editor