domingo, 27 de novembro de 2022

A Garota do Sinal

 

Blog  Maçayó

Edição   nº 517

 Tema das Imagens:  Aquarelas

 LEITURA   DE   DOMINGO

 A GAROTA DO SINAL

           Início de Primavera, sol radiante, ventos amenos e cenário colorido, mas para Emília todos os dias eram sempre iguais: tristes e acinzentados. Garota bonita de olhos negros e cabelos encaracolados, porém vivia escondida por trás de um semblante sério e sofrido, porém tinha um coração generoso. Menina que despertou muito cedo para o trabalho e a dureza da vida, queria concluir o Ensino Médio para oferecer aos irmãos uma situação de vida melhor que a dela; precisava trabalhar pois que sua mãe estava muito doente, e vivia constantemente em cima de uma cama. Seus irmãos, os gêmeos Júlio e Túlio cursavam o sexto ano do Ensino Fundamental, e para Emília garantir os estudos deles, precisava se desdobrar. A garota trabalhava duro em plena pandemia da Covid-19, vendia máscaras de tricô em um sinal próximo à escola que estudava, em horário contrário ao das aulas. E na sala de aula, além de aprender os conteúdos programáticos, vivia tricotando as próprias máscaras que vendia, belos acessórios em cores variadas; os professores permitiam já que sabiam do histórico da adolescente.
          Certa manhã, Emília chegou cedo ao local de trabalho, no sinal de sempre, veio vestida de esperança, usava verde para simbolizar o que sentia: vestido simples, sandália rasteira, um lenço prendendo suas madeixas, uma máscara em tom verde-limão e sua cesta com os acessórios, ela estava pronta para seu ofício diário. A garota sentiu que alguém a observava, levantou o rosto e viu um carro verde parado, aguardando o sinal abrir. De repente, um rapaz se aproximou do automóvel e anunciou o assalto, um grito no ar, e logo depois o homem saiu caminhando normalmente, carregando uma bolsa feminina,  enquanto uma senhora ficou dentro do carro gritando por socorro; o movimento de coletivos não estava intenso, e Emília não pensou duas vezes, o sinal abriu, mas ela correu para ajudar à senhora; entrou no carro, viu que a vítima não tinha ferimentos, e a orientou a estacionar mais à frente, em um local seguro. Já em segurança, Emília quebrou o silêncio:
            - Sou Emília, a senhora está bem?!
           A mulher, ainda muito nervosa pela situação formada, olhou diretamente para Emília, e respondeu-lhe:
           - Sou Antonieta, estou insegura, mas bem! Mas, que coincidência, sempre a vejo neste sinal vendendo máscaras de crochê.
           - De tricô, porque tem maior elasticidade, são forradas e muito seguras. Respondeu-lhe Emília.
           As duas ficaram conversando para minimizar os danos do assalto. Logo depois, um policial se aproximou e devolveu a bolsa que já havia sido recuperada, e a mulher agradeceu. Assim, tudo voltou ao normal. A jovem Emília continuou vendendo suas máscaras, como se nada tivesse acontecido, até o início do turno das aulas...
           Em uma manhã como outra qualquer, Emília estava aguardando o sinal fechar quando ouviu alguém chamando por ela: "Emília, aqui!"
A garota olhou para o outro lado, viu um carro verde estacionado, e logo percebeu que era Dona Antonieta, a mesma mulher do assalto no sinal, e correu ao seu encontro, e falou:
           - Dona Antonieta, que prazer revê-la! Tudo bem?
            A senhora olhou para ela, e disse-lhe:
            - Emília, o prazer é todo meu! Estou bem, e vim especialmente para falar contigo. No dia do incidente não tive condições, mas agora já tenho.
            - Então, pode dizer! Respondeu-lhe a garota.
            Dona Antonieta olhou firme para Emília, e continuou falando:
           - Emília, eu sou dona de uma grande loja de confecções na cidade e gostaria de comprar-lhe todo estoque de máscaras de tricô que você tenha; como também, no início quero que você venha trabalhar na minha loja como estagiária, e depois quando você concluir o Ensino Médio, será minha sócia.
            A jovem Emília não podia conter as lágrimas que se misturavam ao suor de seu rosto, e ainda soluçando, balançou a cabeça em sinal afirmativo e deu um abraço afetuoso na bondosa senhora.
           O tempo passou... Emília, a garota do sinal, se formou em designer de moda, e com ajuda de Dona Antonieta, abriu a sua própria loja de confecções, denominada Esperança; seus irmãos cresceram, se tornaram independentes, e sua mãe passou a ter uma melhor e mais saudável qualidade de vida.
            Enfim, todos foram felizes!
            Um ano depois, a pandemia continuava…

Elisabete Leite

 

 Cantinho da Tia Beta

 SAUDADES DA INFÂNCIA   (...)

Meu coração vibra de tantas saudades
O meu legado é a minha maior herança
São as recordações de quando criança
Isso não tem preço, em qualquer idade!

São emoções que guardo na memória
Daqueles tempos, de outrora, coloridos
Registros de um jardim secreto e florido
Que fazem parte da minha bela história...

Momentos do universo doce da infância
Das brincadeiras pelo caminho da escola
E os banhos de chuva molhando a sacola
Instantes únicos, de extrema relevância...

Recordações que tenho no diário da vida
E primam valor existencial e importância
As salutares lições que viram constância
Saudades que jamais serão esquecidas!

                     - Elisabete Leite

  AGORA    (...)

Agora que nosso amor é eterno
Não venhas cheio de incertezas
Pois de tudo tenhas toda certeza
Terás amor de inverno a inverno!

Não chores pelo leite derramado
Teu amor é tudo que mais quero
Venhas logo, que aqui te espero!
E vivermos sem olhar o passado...

Prometo-te tudo de mais sincero
Sentimento leal que agora reitero
E que pelo tempo foi imortalizado...

Fincou raízes fortes, elo de esmero
Em nossos corações sensibilizados
Amor do agora, por mim idealizado!

                - Elisabete Leite

  CAMINHOS E DESALINHOS (...)

Pelos longos caminhos percorridos
Busquei encontrá-la a minha espera
Foram sonhos reais e não quimeras
Momentos que viviam adormecidos...

Cruzei campos e escalei montanhas
Passei instantes doloridos de agonia
Rimei belos versos, fiz ternas poesias
O amor habitava minhas entranhas...

Sim, sobrevivi a tudo, fiz façanha!
Te buscava no alvorecer de cada dia
Sempre renovado nessa força estranha.

Se ainda assim, não chegar ao ponto X
Refaço tantos outros caminhos que já fiz
Por noites a fio ou talvez anos de estadia.

  - Elisabete Leite e Juca Silva Ramos

 

  ENCONTRO   DE   POETAS

  1884

Mil oitocentos e oitenta e quatro
Sapé o recebe numa hora certa
Sem saber que pensaria tão alto
Aos trinta se despede como poeta

Um abraço de poemas e poesias
Explanando amor com ceticismo
“Versos íntimos” quanta ousadia
O mais sombrio, pré-modernismo

Hoje poeta da morte, és lembrado
Com nostalgia reconheço seu legado
E sua obra “EU” viverá por anos e anos

Hoje poeta da morte, a ti sou grato
Em Leopoldina deixastes teu retrato
Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos

Josué Ferreira
18 de Novembro de 2022

 BANZO OU SAUDADE

Nos meus tempos de menina
Já ouvia coisas sobre o passado
Que não me orgulhavam nem um pouco
Negros e negras suplicando por liberdade!
Imaginava os açoites em seu lombo
As cicatrizes em sua pele, e o banzo?!...
Aprendemos a dizer que era saudade!

O que há de diferente de agora?
Quando o povo faminto ainda implora
Se abriga sob uma marquise e chora!
Nada lhes pertence nem o próprio sonho
Saudade do que não pode ter apego
Por mais que implorem por respeito!
Não somos diferentes daqueles negros
Na ilusão de uma merecida liberdade
Somos apenas... brancos ou negros
Simples escravos das oportunidades!

Socorro Almeida
Recife, 21/11/2022

POBRE RAINHA...

Quando meu rei chegou me pus aos seus pés
Embora cansada dos afazeres da vida
Senti-me Rainha de todos os reis e sorri
Tomou-me nos braços e me chamou de querida.

Deu ordem pra que nos servissem vinho
E brindamos com ardor o momento mágico
Olhos nos olhos, sorrindo à toa...mais carinho
Seguimos os exageros, o efeito enfático...

Não se atreveu a pedir-me mais...eu sei
Dos suficientes prazeres que eu lhe dei
E num bater de porta, e da campainha
Eu atordoada, daquele sonho, acordei!

Socorro Almeida
Recife, 19/11/2022


 
EU, HEIM!

Eu não danço, pois sou filósofo
Quem disse ser isto verdadeiro?
Ah! Recorro ao grande Rubem Alves
Leiam "Variações sobre o prazer".
                          II
A música produz alegria
Ela tem tudo, tanta magia,
Envolvendo todo nosso corpo.
Mas o filósofo não tem corpo.
                          III
Do deus da Grécia, não tenho a flauta
Do Dionísio , só alegria,
A dança sempre tão envolvente
Ser filósofo é isso mesmo?
                          IV
Dispomos só de "cabeça e olhos"?
Daí nasce a razão de tudo
E das palavras nasce a razão.
Eu heim. Entendam esses filósofos!

Manoel Antônio Dos Santos
Guarabira - PB, 24/11/2022

 DE JOELHOS "NATAL DE JUDÁ"
Por: Baltazar Filho

Precisava ajoelhar-me para orar
Erguer o rosto ao céu e dizer
Deus a tua presença vou adorar
Sensivelmente te sentir e crer.

Crer no mais elevado pensamento
Na estrela que nos guia ao Salvador
Brilhando no véu do firmamento
Indicando o nascimento do Senhor.

Era preciso ajoelhar-me e rezar
Com os anjos cantar e bendizer
Bendito seja Belém de Judá
O lugar onde o Cristo foi nascer.

Foi preciso me curvar e contemplar
Admirar o céu e gritar, este sou eu!
Dormir, sonhar, acordar e lembrar.
Deste Natal, e onde Jesus nasceu.

balfilho@gmail.com 


   Cantinho do Editor

"Fim de Ano

Fim de ano, fim de festas.
É o ano velho que vai
É o ano novo que vem.
Velhos sonhos que se foram
Novos sonhos que virão;
Os velhos foram tão bons,
Os novos também serão.
Tudo depende apenas
Do que chamamos ilusão.

Ano novo, ano velho,
Para mim tudo igual.
Um contínuo passar de dias
Um contínuo passar de vidas.
Cada dia mais velho.
Esperanças que se foram
Esperanças que virão;
Alguns amores morreram
E outros renascerão.

Fim de ano, fim de festas,
Fim de encontros e desencontros.
Tudo passou por passar.
Alguns dias de alegria,
Outros nos fez chorar.
E como o dia e a noite,
Que se sucedem sem parar,
A dor e o amor andam juntos,
Sem nunca se encontrar.

Ano nove, ano velho,
Quantas lembranças ficaram,
Quantas hão de lembrar.
Quantas verdades foram ditas
Quantas incertezas no ar.
E o coração fala alto,
Fala porque quer falar
Sangra a dor da tristeza,
Sangra a alegria de amar.

Ano novo, ano velho,
Fico sentado pensando,
Em tudo que aconteceu
Em tudo que acontecerá.
A quem dedicar estes versos?
Aqueles que me amaram?
Aqueles que hão de amar?
Dedico à solidão
Companheira de bar em bar."

 Jorge Leite

 

Imagens: Aquarelas 

 

                    Escolha do Editor

 

domingo, 20 de novembro de 2022

Anos Dourados

 
 
Blog  Maçayó

Edição   nº 516

 Tema das Imagens: ANOS DOURADOS 
 
                     Elvis Presley
 
 LEITURA   DE   DOMINGO
 
 UM ROMANCE NOS ANOS DOURADOS

           O cenário era de mudanças, o sol parecia mais dourado e as flores desabrochavam, espontaneamente, confirmando a chegada da nova estação. O mundo passava por transições, com o término da Segunda Guerra Mundial, porém esperança e otimismo marcavam presença em todos os lugares.
          Eduardo Jorge era um jovem carismático, estudante de matemática, portador de uma mente brilhante, tinha um raciocínio rápido e um dom notável. Dificilmente se envolvia em namoros passageiros, acreditava no amor fatal, naquele sentimento que precisava ser descoberto aos poucos, principalmente, com a convivência diária. Jovem considerado bonito, de porte atlético, cabelos negros com um topete de causar inveja e olhos vibrantes. Morava com os tios em uma cidadezinha do interior, no nordeste do Brasil, desde quando criança, pois seus pais morreram em um acidente de carro.
           Do outro lado da cidade interiorana, morava a graciosa Marina Alencar, uma garota sonhadora que vivia pelos quatro cantos da casa sonhando acordada.   Uma jovem considerada deslumbrante na comunidade que morava, tinha cabelos dourados, olhos vibrantes, rosto angelical e um jeito todo especial de sorrir. A moça era estudante de Medicina e era humana por natureza; ela tinha um olhar fixo e acolhedor. Era filha única e morava com os pais. Gostava de prender os cabelos com um laço de fita verde, estilo rabo de cavalo e levantava suspiros de admiração por onde passava. Mas o mundo buscava transformações ... (Sabe-se que nos anos 50 o cenário da moda passava por forte restauração, principalmente na moda feminina. As mulheres se mostravam cada vez mais femininas e delicadas, e por vezes excêntricas. As roupas traziam luxo e sofisticação, com grande quantidade de tecidos. As saias alcançavam um comprimento abaixo do joelho e marcavam a cintura). Diante deste cenário inovador para o público feminino, Marina Alencar queria renovar seu guarda-roupa, comprar novos tecidos e novos estilos.
          Certo dia, Marina acordou pronta para ir às compras, desceu devagar os degraus da escada e foi ao encontro da mãe que preparava o desjejum matinal na cozinha. A garota se aproximou de Dona Estela, e disse-lhe:
           - Mamãe, preciso de roupas novas! As minhas estão necessitando de renovação. A moda mudou muito, as saias são mais compridas e com muito pano.
            - Minha filha o mundo está em transição, os conflitos ainda não acabaram, o mundo vivencia o período da Guerra Fria, marcada pelas disputas ideológicas entre os Estados Unidos e a União Soviética". E você pensando em roupa nova. Respondeu-lhe Dona Estela.
            A jovem Marina olhou para mãe, e continuou falando:
            - Mamãe, na próxima semana teremos o Baile da Primavera e eu quero ir bem bonita. E saiu em seguida.
            Marina vestiu uma roupa primaveril, colocou rímel, batom e deixou as sobrancelhas bem marcadas, depois fez um coque e saiu em seguida. Antes de fechar a porta, gritou: mamãe vou às compras!
           Um hora depois, Marina transitava pelo comércio à procura de tecidos em cores diversas. De repente, alguém bateu de supetão nela e derrubou os embrulhos, e ela falou aborrecida:
           - Eita! Você está doido? Por que não olha para onde anda?
           - Ué! Você é maluca! Foi você a primeira que bateu em mim! Respondeu-lhe Eduardo Jorge.
            Eduardo apanhou os embrulhos e olhou diretamente nos olhos brilhantes de Marina, e disse-lhe:
            - Sou Eduardo, desculpe-me! Não tive intenção de bater em você.
            A garota olhou fascinada para o topete do rapaz, e respondeu-lhe:
            - Sou Marina, sem problema! Eu também fui culpada, pois estava distraída!
           Os dois começaram a conversar e esqueceram o tempo. O céu já estava estrelado quando Marina disse que precisava ir embora. Eles se despediram e seguiram por lados opostos. Marina foi se lamentando por não ter pedido o endereço do rapaz. Enquanto Eduardo não se perdoava por não ter acompanhado Marina.
          Dois dias se passaram... Marina não parava de suspirar por Eduardo, enquanto ele não esquecia de Marina um só minuto.
          Chegou o dia do grande baile! Mariana colocou seu vestido estilo Marilyn Monroe que era uma grande ícone da época, juntamente, com Brigitte Bardot que influenciavam os comportamentos estilosos das jovens. A garota ficou esplendorosa, mas estava triste porque queria a companhia do misterioso Eduardo Jorge. Marina foi à mesa das amigas da escola e ficou aguardando a hora do concurso da Princesa e Príncipe do baile. Na vitrola um rock n’ roll cantado por Elvis Presley fez a garota suspirar de emoção. Então se levantou para ir ao toalete feminino, bateu de frente com alguém, e disse-lhe aborrecida:
           - Poxa! Me molhou todinha! Você está louco?
            Foi quando ouviu uma voz suave que dizia:
            - Marina é você?! Procurei-te pelos quatro cantos do mundo e foi aqui que te encontrei. E abraçou forte a garota.
             - Meu Deus! Eu também te procurei. E retribuiu o abraço de Eduardo.
            Os dois ficaram dançando, incansavelmente; foram trocas de beijos, abraços e muito carinho. O casal chamava bastante atenção de todos os presentes no baile pela maneira carinhosa que dançavam... Era chegado o momento de anunciar os ganhadores do concurso e coroar o príncipe e a princesa do baile. Foi quando o responsável falou bem alto: "temos a honra de convidar Eduardo Jorge e Marina Alencar, príncipe e princesa do Baile da Primavera. Parabéns!" Os dois felizes se abraçaram e nunca mais se separaram.
           O tempo passou rápido... Marina se formou em medicina, Eduardo foi ser professor de Matemática da Universidade e os dois foram felizes, enquanto a missão americana Apollo 11 levou o homem à lua pela primeira vez e foi o grande marco dos anos 50.

Elisabete Leite - 15/11/2022

 
 Cantinho da Tia Beta
 
 ANOS 50

Também chamado de “Idade de Ouro” ou “Anos Dourados”

Os anos 50, década de 50 ou “Anos Dourados” ficou conhecido como a época das transições. A mudança no perfil da sociedade deveu-se ao fato da crescente prosperidade econômica vivida pelos Estados Unidos (e por alguns outros países) com o final da Segunda Guerra Mundial, o que criou um sentimento de otimismo e esperança por todo mundo.

Esse período foi marcado por importantes conflitos políticos, como a Guerra Fria, além de inúmeros avanços tecnológicos, comunicacionais e, principalmente, científicos. Foi durante os anos 50 que aconteceu a corrida espacial entre os EUA e a URSS, que resultou na chegada ao homem na lua pela primeira vez.

As mudanças que aconteceram na moda, música, fotografia, cultura, arquitetura e na arte em geral influenciam até os dias atuais. No cinema, por exemplo, os anos 50 eram chamados de “Idade de Ouro”.

Sociedade e moda nos anos 50

O otimismo e esperança espalhados pelo mundo em razão da prosperidade econômica vivida pelos EUA com o final da Segunda Guerra, refletiram em vários setores, sendo a moda um dos principais. Durante a guerra, as pessoas viveram racionamento de tecidos, o que impediu significativas mudanças.

Nos anos 50 o cenário da moda passava por forte restauração, principalmente na moda feminina. As mulheres se mostravam cada vez mais femininas e delicadas, e por vezes excêntricas. As roupas traziam luxo e sofisticação, com grande quantidade de tecidos. As saias alcançavam um comprimento abaixo do joelho e marcavam a cintura.

O uso da luva também foi característico. A maquiagem era composta por rímel, batom e sobrancelhas bem marcadas. O penteado era composto por um coque ou rabo de cavalo. Marilyn Monroe e Brigitte Bardot foram uma das grandes ícones dessa época, ditando comportamentos e o estilo das jovens.

Os homens foram influenciados pelo estilo da moda colegial, inspirada no sportswear. Usavam calça, cintos e topetes bem definidos. Os anos 50 também trouxe mudanças no papel da mulher na sociedade, passando a desempenhar funções de esposa, mãe e dona de casa mais consciente e ativa.

O rock n’ roll cantado por Elvis Presley, Bill Haley, Chuck Berry e Chubby Cheker também marcou a moda e o comportamento das pessoas. O estilo musical logo tornou-se uma enorme febre mundial, caindo no gosto da maioria.

A política nos Anos Dourados

Logo após o término da Segunda Guerra Mundial, iniciou-se o período da Guerra Fria, marcada pelas disputas ideológicas entre os Estados Unidos e a União Soviética. Os americanos representavam o polo do capitalismo e os soviéticos o socialismo. Outros grandes conflitos aconteceram nesse período como a Guerra do Vietnã, a Revolução Cubana, a Guerra da Coreia, a corrida armamentista e a corrida espacial.

Como já vimos, a Guerra Fria foi um conflito não armado entre os EUA e a URSS. As nações viveram intensa disputa econômica e diplomática com o objetivo de conquistar os chamados “territórios de influência”. As duas superpotências investiram em tecnologia, armas e propagandas para demonstrar superioridade.

Esse embate acabou com a queda da União Soviética, mas foi responsável por gerar alguns dos conflitos mais sangrentos da história. A Guerra das Coreias, por exemplo, entre os anos de 1950 e 1953, dividiu o país em dois – Coreia do Norte e Coreia do Sul. O território permanece assim até os dias atuais.

Estima-se que a Guerra do Vietnã matou entre 1 milhão e 3 milhões de pessoas. O conflito aconteceu entre os guerrilheiros vietnamitas e o exército americano, sendo considerado um dos mais violentos do mundo. Os EUA usaram uma série de armas químicas e bombas que contribuíram para a destruição de parte do país.

A Revolução Cubana, liderada por Fidel Castro, visava a destituição do ditador Fulgêncio Batista e a implantação do comunismo como única ideologia vigente em Cuba. O exército de Fidel era comandado pelo revolucionário comunista e socialista Ernesto Che Guevara.

O Brasil na década de 50

Na década de 50 o Brasil era governado por Juscelino Kubitschek, que mantinha o plano desenvolvimentista deixado pelo antigo presidente Getúlio Vargas. JK fez importantes obras e mudanças, entre outras ações que faziam parte do seu plano de governo chamado de “50 anos em 5”. Destaca-se a construção em 41 meses da cidade de Brasília, em 1956.

O governo de JK também foi responsável pela abertura do país a multinacionais, facilitando a entrada de capital estrangeiro. Ainda nos anos 50, foi criada a empresa estatal mais importante na história da nação, a Petrobras. A indústria viveu um crescimento considerável na época.

Na moda, o Brasil também foi influenciado pela classe do estilo dos anos 50 e pelo rock n’roll, mas de uma forma adaptada ao clima tropical. Houve também o boom do rádio, com programas musicais e radionovelas, e a criação da Bossa Nova por João Gilberto. O gênero fez sucesso nas vozes de Gilberto, Vinícius de Moraes, Miúcha, Tom Jobim, Caetano Veloso, entre outros.

A corrida espacial

A corrida espacial foi um dos acontecimentos mais marcantes na história da humanidade. Através dessa disputa, ocorreu uma séria de avanços tecnológicos e científicos. A corrida aconteceu entre a União Soviética e os Estados Unidos pela supremacia na exploração e tecnologia espacial.

O Sputnik 1 foi o primeiro satélite artificial enviado (pela URSS) para a órbita da Terra, dando início a disputa. Depois foi enviado o Sputnik 2 com a cadela Laika, sendo o primeiro ser vivo enviado para o espaço. Os feitos realizados pelos soviéticos impulsionaram a criação da NASA - National Aeronautics Space Administration.

Durante a disputa, os EUA e a URSS foram alternando expedições. Alguns astronautas voluntários morreram (assim como a cachorrinha Laika) e muitos recursos foram gastos para o aprimoramento das tecnologias. A missão americana Apollo 11 levou o homem à lua pela primeira vez e foi o grande marco da disputa.

Pesquisa:
https://www.educamaisbrasil.com.br/enem/historia/anos-50
 
 
 ENCONTRO   DE   POETAS
 
 PATRIOTISMO

Turbilhão de sentimentos profundos
Amor, incondicional, pelo nosso torrão...
Que faz nossa alma clamar por graças
E disparar, descompassado, nosso coração!..

É abraçar nosso povo sofrido,
Com gestos de Amor e de perdão...
Amar nossos símbolos queridos
E a pátria, família, como irmãos...

Andarmos, de mãos  dadas, por um ideal!
Guardar e preservar nossas riquezas...
Numa terra "abençoada por Deus"!
Inigualável, em toda sua beleza...

Seremos PATRIOTAS, até a nossa morte!
Esse legado, deixaremos para sempre...
Aos nossos filhos, netos e bisnetos
Enfim, todos os nossos descendentes!...

PATRIOTAS! VIVA O BRASIL!!! 🇧🇷
                       💚💛Tásia Maria
 
  Achados e Perdidos

Conservo no meu coração
Grande baú de achados e Perdidos...
Guardo memórias de toda uma vida
As que valem a pena e as não queridas...

Da minha infância, com a família,
Que eu "achei" quando nasci...
Dos carinhos cuidados e Amor
Tão sinceros, que nunca esqueci...

Dos amores, achados, na adolescência
E Perdidos no meu caminhar...
Dos prazeres e desilusões amorosas
De quem chorou e sofreu por Amar...

Do Amor, maduro, que agora  eu perdi...
Mas resultou em "achados encantados!"
Meus filhos, que o mundo me roubou,
E eu perdi seus contatos, lado a lado...

De "achados e Perdidos" é feita nossa vida
Que devemos respeitar e nos deixar levar...
Pelas águas límpidas ou turvas do tempo
Pois, "achamos ou perdemos", tudo, a qualquer momento...
                 ❤️Tásia Maria
 
 
Um Adeus

São tantos desencontros nocivos
Que podem mudar toda a história
O medo no semblante apreensivo
Superar é um sinônimo de Vitória

Palavras ditas um tanto supérfluas
Alimentam um demasiado contrário
Uma angústia banal e sem tréguas
Faz o tempo no sentido anti-horário

E há momentos que a vida sugere
Sentir essa dor até por um milênio
E degustar uma bebida em silêncio

E é nessa hora que você percebe
Que o adeus mais preocupante
É o da mulher, amiga, amante...

Josué Ferreira 13 de novembro 2022
 
 SONHOS INTER GALÁCTICOS! 

Na constelação do meu universo
És a estrela de brilho mais intenso
E te confesso que por vezes penso
Qual caminho seguir pro teu acesso.

Entre bilhões de galáxias, eu te peço
Que completes o meu mundo tão imenso,
Sem deixar meus temores enfim tão tensos.
Pois assim, por ti serei um réu confesso.

Te esperei por bilhões de anos luz,
Por esse brilho tão teu que me seduz
Rogar aos céus por teu perdão em vida.

Se te buscar foi meu crime cometido,
Roguei a Deus por antes não ter nascido,
Pois não se julga uma alma seduzida.

    - Juca Silva Ramos e Carlos Isaac
 
 
 Transmutação (Carlos Isaac)

Não é apenas o meu sangue que é teu,
É também minha alma e uma sina,
Que acompanham teus encantos de menina,
Nesse sonho que em outrora foi tão meu.

Certo dia nosso destino se fez breu,
Foi assim a construção da nossa mina,
Que culminou com a presença pequenina
De um presente que é meu e que é seu.

Não há como negar os bons momentos,
E por ventura também, alguns lamentos,
De um tudo isso que buscamos viver.

Realizados, somos no que planejamos,
Mas nossas almas no paraíso deixamos
Pra transformarmos três viver em um querer.
 
 Branduras do Amor! 

Sobre o amor... As chamas são calientes,
E os afagos... Um bálsamo para a alma.
As contorções dos corpos, sempre acalma,
No fim de tudo, os corpos impacientes.

Já as terapias do amor são imprudentes
Quando essa chama transfere certa calma,
Porque não aceita um corpo que espalma,
Manifestações de corpos tão dolentes.

No amor, Alfa e Ômega se encontram,
Se confundem, se fundem, desencontram,
Transferindo emoções a cada olhar.

Com amor, todo sexo é saudável,
No amor, o sentimento é palpável.
Sem amor, até o verbo é irregular.

                   - Carlos Isaac
 
 
 DOIS EM UM

E os dois, em cada canto, entristecidos
Duvidando do que tinham, sem querer
Mas se quisessem, não teriam dividido
O que nasceu pra dois, apenas um viver.
Um coração sonhar por dois, não paga a pena
Não seria lógico para um, viver por dois
E pelos dois, um sonho só, sobreviver!
É insensato sair amando qualquer um
E persistir na ilusão que ser feliz
Por desespero ou solidão que diz...
É dar valor a quem não tem nenhum...

Socorro Almeida
Recife, 28/01/2022
 
 SABOR DE VOCÊ

O amor deve ser sentido
E nunca questionado
Deixa nascer, fluir, crescer...
Se com ele a tristeza vier
Venha com gosto de saudade, porque...
Com ternura, paixão e prazer
Seja o que for que ele trouxer
Que venha com o sabor de você!

E se, quando você chegar
Entre o seu coração e o meu
Seu olhar de paixão me ferir
Que doce ardor há de ser
Há de sanar a saudade, porque...
Tudo tem sabor de você!

Socorro Almeida
Recife, 13/06/2021
 

JOSÉ ANDRÉ FRANCISCO FILHO - (André Filho) - nasceu em 10/04/1968, em Guarabira - PB. É Professor, poeta, artista plástico e escritor, com graduação em Letras (UEPB) e especialização em Língua, Linguagem e Ensino (FIP/Patos). Casado com Jaciara Souza, pai de Boaz André e Natália Gardênia. Foi fundador, editor e colaborador de vários jornais em Guarabira; e coordenador de grupos de jovens e de Crisma (Paróquia do bairro do Nordeste). É ex-secretário de Cultura e Turismo de Guarabira, AMECC e ex-diretor da emissora 104,9 FM. Obteve premiações em concursos literários e de gravura. Tem trabalhos publicados em jornais, sites, revistas e antologias poéticas. Participou de exposições de artes plásticas e é membro da AGLACMA – Academia Guarabirense de Letras e Artes – Casa Marisa Alverga.
 
 Festa da Luz em Guarabira 
André Filho

Parques, festa, animação
A criançada se diverte
E na Catedral tem oração
muita gente se converte

Festa da Luz, da alegria
É só festejos e animação
Na alvorada... nasce o dia
da grande procissão...

Guarabira, Terra da Luz,
Centenária por devoção
festeja sua padroeira!

E a cidade inteira
se torna uma só emoção
no Novenário da Luz!

10.01.2010
 
 O Tempo
André Filho


O tempo passa
e ultrapassa
a essência,
o concreto,
o tudo.

O tempo
sentinela
atômico
enamora
a velocidade
da luz.

Tempo carrossel
roda, roda, roda
numa dança
geométrica
que comanda
o nada.
O tudo.

Micro indivisibilidade
um ver, não ver
no tempo
da Terra.

Após o início,
antes do fim,
o futuro
se faz
metáfora pura,
onde somente
as memórias
intactas
prevalecem

O meio
tempo
define
tudo.

10.04.2017
Participante do XVIII Concurso de Poesia Agostinho Gomes / Portugal, 2017
 
  No Alto da Serra
André Filho


A serra pela névoa coberta
no dia monótono e chuvoso
como uma porta aberta
mostra um vulto amistoso

É o frei capuchinho
que abençoa a cidade!
No santuário, no caminho
se compartilha a verdade!

O Santo do Nordeste
erguido no alto da serra
é majestoso no Agreste
e Guarabira é a terra!

Santuário Frei Damião
para o povo é esperança,
é templo de oração,
pois transmite confiança

Na Serra da Jurema
o monumento se perpetua
a cidade se torna tema
a fé em Deus se cultua
 

  Cantinho do Editor
 
Estava tomando meu café da manhã, após chegar de Timbaúba, depois de um plantão de 24 horas, corpo cansado, Matheus dormindo, silêncio. Ligo a TV e começo a assistir Cine Magestic, com Jim Carie, Laurie Holden (Lindíssima) e Matt Damon; eis que me vejo chorando, as lágrimas simplesmente caem em meu rosto.
Quase fim de filme, já tinha assistido outras vezes, e choro. Então me pergunto: Por quem as lágrimas choram? Pego um lápis, um guardanapo e escrevo, e as lágrimas choram.
Dedico “essas más traçadas linhas” sem rimas, e esse meu choro à minha poetisa clássica Betinha (Elisabete Leite), que diz que sou um poeta livre, poeta não, livre... tento ser a cada ato de minha vida. 
 
 Por quem choram as lágrimas?

As lágrimas não são frutos do choro
As lágrimas são o próprio choro
O choro cristalizado, materializado.
Que surgem de estímulos visuais,
Auditivos e também físicos.
Surgem de dentro de nós
Nos levam a lugares distantes,
Pessoas ausentes ou presentes
Momentos inesquecíveis,
E outros que lutamos para esquecer.
Surgem na dor e no amor
Nos transforma em máquinas do tempo,
Levando-nos a instantes atemporais.

Por quem choram as lágrimas
Senão por nós.
As lágrimas são a essência da alma
É um toque divino,
É a dor e o Amor cristalizados,
É a alegria, é um adeus,
É o perdão, é uma flor,
É a dor, é a dor.
É um parto,
É o riso de uma criança
É a criação divina,
É o amor, é o amor.

As lágrimas choram porque sentimos,
Sentimos Fome, dor, raiva e amor,
Sentimos saudades, tristeza, inveja
Chorar e sentir algo agradável
Sentir algo desagradável também
Chorar é sentir.
É sentimento cristalizado.
É a voz do silêncio,
É a cor da alma cristalina
É sermos mágicos
Por transformar sentimentos
Em matéria viva
Que aparentemente surgem do nada.

As lágrimas choram porque sentimos...
As lágrimas choram porque sentimos....

Jorge Leite, Recife 27/01/2018 às 9:30

E hoje choro por nossa liberdade, que está em risco,
Que está sendo manipulada por poucos em prejuízo de tantos.

Jorge Leite 19/11/2022 (Dia da Bandeira do Brasil).

 

 

 
 

 
 
 
 19 de novembro - Dia da Bandeira do Brasil
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